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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Receita da barcarola

     Não é peça musical nem subgénero poético.

     É mais uma peça de "artista". Compra-se a base e, depois, decora-se a gosto:

Uma barcarola personalizada (Foto VO)

     Aplica-se uns búzios e umas conchas, escolhe-se uma fotografia de temática afim e está pronto.

     Pendura-se na divisão da casa que mais aprouver e fica a sugestão para viajar à roda dessa divisão.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Quando o tempo para

      Não será propriamente o tempo, mas o aparelho que o mede.

     Muitos foram já os usados, dos mais naturais (o sol, a água) aos mais construídos (o relógio de pulso e o digital, por exemplo). Polémicas são algumas ideias associadas à contagem do tempo; e, no que à educação diz respeito, a falta dele está a ser uma constante.
      Por isso, quando o relógio não funciona é como se o tempo parasse. Assim parece. Porém, este continua a correr. Percecionamo-lo nas mudanças que a natureza nos dá, na memória que se vai construindo, nas tecnologias que tornam tudo cada vez mais rápido (a ponto de a lembrança, o passado não ser frequentemente revisitado), na respiração que se prolonga, nos silêncios que perduram, nos ritmos e cadências de contínuas progressões sonoras, na sequência de instantes que progridem em intervalos mais ou menos alargados, no pensamento que flui num sentido completo (princípio-meio-fim), na consciência de vivências mais ou menos duradouras.
       Fica, então, o objeto sem a funcionalidade da medição do tempo. E, se para isso não serve, dê-se-lhe novo uso (novo na função e para um tempo outro, diferente):

 Era uma vez um relógio I (Foto VO)




















Era uma vez um relógio II (Foto VO)

     Os relógios deixaram de medir o tempo, mas, com tempo, passaram a ter um outro registo e função, mais decorativos, menos úteis para o tempo cronológico, mas talvez para sentir um outro mais psicológico. Uma outra experiência do tempo.

       Agora que a pausa se aproxima do fim, quis fazer uma ilusória tentativa de colocar o tempo nos gonzos (um pouco como no drama shakespeariano, mais precisamente no Hamlet, quando se constata que "O tempo saiu dos gonzos: Que maldição / que me deu ter por missão reordená-lo!").

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Outra beleza...

     ... ainda assim, bela!

     A par da beleza de ontem, mais rosada,  hoje volta-se ao alaranjado no horizonte. O sol pousa como em espiral, até se tornar um ponto minúsculo e deixar espraiado, no céu, o lastro da sua presença.

Final de tarde com horizonte alaranjado (Foto VO)

      Nova caminhada, com novas cores. A natureza é a mesma, na sua variedade. As semelhanças com outros instantes são evidentes; o céu, o mar, os caminhos são familiares. O olhar é sempre o do encantamento.

     A vontade de guardar estes momentos é tão grande que ainda vou fazer deles um quadro (a minha veia da pintura está a chamar-me!)  

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Final de tarde rosa fogo

      Ao final de uma caminhada.

     Regressando a casa, olhar o mar, o céu, o horizonte é como ver um quadro com paleta de cores entre o inesperado e o encantador.

Final de tarde rosa fogo I (Foto VO)

 Final de tarde rosa fogo II (Foto VO)

  Final de tarde rosa fogo III (Foto VO)

 Final de tarde rosa fogo IV (Foto VO)

     Um pouco de sol traz este conjunto de cambiantes, de tons que, entre o fogo e o rosa, se pintam numa natureza que se dá a ver e faz encantar.

    Uma pausa para café é o instante preciso para admirar o espetáculo que o ar livre permite observar. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Veio o sol...

    ... e o pôr-do-sol fez-se mais colorido.

    Talvez pareça um paul, mas não é pantonoso. Talvez se assemelhe a matéria orgânica, mas não passam de paus a marcar a passagem de um passadiço, ladeado por arbustos e vegetação resistentes ao tempo e à aragem marinha que humidifica a pele.

Passadiço entre a Granja e São Félix da Marinha (Foto - VO)

     As cores são as de um fim de tarde, princípio de noite, matizados de tons quentes, apesar do frio sentido.
     Aproxima-se o inverno, o mar faz-se ouvir, mas persiste um horizonte iluminado que atrai o olhar e aquece a alma, farta dos dias de chuva que teimaram em regar a terra e o oceano nos últimos dias.

    Cumpre-se o caminho, de romagem à natureza, para esquecer o trabalho que também teima em não dar-se por esquecido.

domingo, 1 de dezembro de 2019

A tradição já não é o que era! Pois a História também não!

     A História (sim, escrevo com maiúscula, para não associar a disciplina a uma historieta qualquer) reescreve-se (mal) na televisão.

       Tenho vários motivos para relembrar o 1 de dezembro - dos mais pessoais aos mais culturais. Uns tornaram a data feriado nacional; outros nem por isso, por mais importantes que para mim sejam. Já ouvi dizer muita coisa: que é feriado por ser o dia mundial da SIDA (preferível do combate à SIDA), por termos conquistado a independência (reconquistado ou restaurado, seria melhor), por causa do terramoto (com um mês de atraso). E, no meio de tudo isto, até feriado deixou de ser, por uns tempos - por mais que tenha sido dia para as nossas vidas.
       Hoje fiquei mais esclarecido quanto à imbecilidade informativa que reina na república:

Foto colhida a partir do ecrã televisivo - hoje na emissão da SICNotícias (Foto  VO)

    Palavras para quê? Cantam os altos dignitários da nação o hino (da República); regista algum incompetente da informação a assumida ignorância (da História). E assim segue um país, que não valoriza a sua Cultura e História (no âmbito da Educação).
     Tendo o ensino da língua, entre várias componentes / dimensões, a da Cultura e da História de um povo, também aquela sofre e reflete a aposta / o apagamento que destas se faz. A evidência de como tudo anda baço, negro (ou mesmo "negro boçal", como diria Padre António Vieira) está aos olhos de todos (mesmo daqueles que irão descobrir, por que razão celebraram, cantaram o [de]feito).
     Feriado a um fim de semana é coisa, por certo, escusada. Pior se revela quando se demonstra a agnosia dos tempos, particularmente dando-se a ler algo que não dignifica nenhum tipo de canal televisivo (público ou privado). Ainda vão dizer que temos república há mais de quatro séculos! 

     Batam palmas, façam festa, ponham a melhor fatiota e esperem pela "Greta" (que vai salvar o mundo com a sua cara de má e o seu "How dare you!"). Triste, tudo muito triste! Estamos a precisar de um novo restaurador para o que há muito se tem vindo a perder.

sábado, 23 de novembro de 2019

Rimas incomuns

      Neste mês frio e chuvoso.

      Um dia de sol, dois ou três de chuva... assim têm sido os últimos tempos.
      Hoje, as cores do fim de tarde chamaram a atenção:

Tarde carregada junto à praia (Foto VO)

      E da imagem se compôs o texto - curto, antes que a chuva chegasse.

      Cores de um fim de tarde que
      se viu ameaçado pela chuva de
      um novembro invernoso, quando
      de outono ainda é, por enquanto.

      Nuvens sombrearam o dia sem
      o vigor do sol - escondido - nem
      o azul espelhado do alto céu no
      agitado, revolto mar. Acinzam-no!

      Imponente e ruidoso marulhar em
      subido e espumado leito, também!

      Só para que se saiba que nem só de léxico se compõe a rima.

      Que venham melhores dias e maior inspiração. O parco sol que nos visitou veio e foi; deixou o frio e a noite entrou.

domingo, 17 de novembro de 2019

Revolta na cozinha

      Se não for na cozinha, é na ementa.

    A troca de algumas pérolas do Português mal escrito é já uma prática constante entre alguns colegas de trabalho, sabedores de que aprecio esta nossa alternativa de escrita, meio popular meio desconcertante.
      A que me fizeram chegar recentemente é um primor de desortografia:

Apetece escrever "Uma imenta muito bariada"
(com agradecimento à TJ, por me ter feito chegar a foto)

   A revolta da escrita na cozinha ou na culinária?! Só escapa a pescada frita, mas sem o acompanhamento. Já o título se revelou um parto difícil; depois, nem com anestesia epidural isto lá vai: as tripas ficam com acento agudo (quando havia de ser grave); a moda fica quase em desuso, no atropelo da escrita do 'd', que resulta em grafema estranho; o arroz, coitado, virou palavra inexistente; as ervilhas, nem se fala (além de muito fonéticas no 'i' inicial, ficam com 'b', talvez porque sejam do 'nuorte, carago'!); a sardinha, para ser 'açada', deve sofrer de albinismo (segundo o dicionário e a eventual formação do adjetivo a partir de 'aça').

      A ementa na mica deixa-nos a micar bem. A escolha é difícil. Se a qualidade for na proporção da correção escrita, resta a pescada frita (só com salada)!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Pelo centenário do nascimento

        À que foi à Grécia pela Granja,...
        
        À poeta que fez aliança com o mar, a praia, a rocha, o azul do céu e chegou ao tempo primordial e civilizacional da Antiguidade, fazendo rimar essa época com o espaço da justiça, com o canto poético em harmonia e refletida emoção, num feixe de luzes e numa paleta de claridades para a Humanidade.
      À arquiteta da palavra, do verso e da prosa que combinou a água e a luz com rochas, conchas, areais e maresias; a que fez da praia e do bosque um só palco para a escrita, qual anfiteatro com letras e sons em notas de paraíso e divindade à espera de serem desveladas.

"Mar Sonoro" de Sophia de Mello Breyner Andresen (Foto e filme VO)

     Sophia de Mello Breyner Andresen, aquela que, cem anos depois de ter nascido, continua prometida às ondas brancas e às florestas verdes, tendo na poesia a sua expressão maior de liberdade. Foi nela e por ela que atravessou "o deserto do mundo", viveu "em pleno vento", lutou "contra o abutre e a cobra" e cantou o amanhecer de abril. 
        Ansiou pelo tempo justo, de verdade e liberdade.

       ...não houve Cnossos, Delfos ou Creta que lhe dessem o berço, já que à vida veio por terras de Luso.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Esquecer o tempo... entre o tudo e o nada.

     É para amanhã, é para hoje, é para ontem...

     A urgência de tudo, porque tudo é importante e tudo é tudo!!!

     Eu, no meio de tudo, não sou nada.
     Começo a sentir que não dou para tudo.
     É tudo muito e eu sou pouco. Sinto-me nada!
     Talvez pretenda tudo, mas estou a achar que mais vale não querer nada.
     Paro com tudo, não faço nada. Fico a olhar o céu, as nuvens...
     Do sol, nada. Tudo molhado pela chuva.
     Até que ele aparece e, do nada, tudo fica diferente.


Paisagens marinhas com um toque de nuvem e sol (Fotos VO)

     As nuvens passaram, a dourada estrela deixa-se ver e torna-se tudo no momento.
     Em tudo o céu, o mar e o dia ficam melhores. Não é preciso mais nada.
     Se me disserem que isto não é nada, agora, eu grito que é tudo.
     Este deixar-se ficar no nada é bom. É tudo!
 
     Tudo começa a ser tão imenso para mim...
   
     Este pedacinho de nada foi tudo o que consegui nas últimas horas.
     De um lado para o outro, com tudo por fazer,
     Nada ou quase nada consigo resolver.
      Amanhã vou arrepender-me por não ter, por momentos, feito nada.
     Tudo me vai cair em cima.
     Nada posso já fazer, por causa do tudo que quis v(iv)er.

Sol escondido na nuvem, a brincar com o céu e o mar (Foto VO)

     Contudo, este momento de nada é bálsamo para tudo.
     Espero agora tudo cumprir para que nada fique por concluir.
     Talvez não tenha tempo para nada, mas foi um instante de tudo e nada.

     Tudo podia ser diferente!
     De nada adianta lamentar.

     Nada para já; tudo para depois...
   
     Por agora é tudo. Volto ao que hoje já devia estar pronto ontem. Por ora, nada!

domingo, 3 de novembro de 2019

Será que a Amélie vem aí?

        Dizem que a tempestade está para chegar a Portugal.

     Podia ter sido uma promessa, para afastar a anunciada intempérie; foi apenas um passeio para afastar as más energias, o cansaço e alguns sintomas doentios que persistem. E, agora, dizem que está a vir depressão! Coisa escusada! São ventos e chuvas que chegam para derrubar qualquer homem. Era bom que se dissipassem.
       A força da natureza está à vista: depois do sol tímido de um sábado e domingo, muda a cor do céu, a névoa surge, o vento esfria e o mar alteia. De longe, o branco das ondas ameaça pintar as paredes de uma capela, erguida sobre um rochedo, de costas voltadas para as fortes ondas. Em Miramar, a capela barroca do Senhor da Pedra não mira o mar; mira a terra. Impõe-se mais do que Pedro: é pedra sobre rocha, local de culto e peregrinação que, segundo um dos painéis de entrada, está erguido num espaço que terá remotamente recebido cultos pagãos de povos pré-cristãos. Persiste essa natureza natural e panteísta, pela envolvência do mar, da terra e do céu.

Capela do Senhor da Pedra, em Miramar (freguesia de Gulpilhares) - Foto VO

      Construída nos finais do século XVII (1686), a igreja é Património Mundial da UNESCO desde 1996. A sua forma hexagonal e a balaustrada exterior circundante, frequentemente rodeadas pela subida das marés, contribuem para um imaginário singular: o de um escolho santificado. A força da crença cruza-se com alguma sobrenaturalidade. Segundo os antigos, uma imagem de Cristo terá sido trazida pelo oceano: “Que num belo dia pousou sobre aquela pedra onde, mais tarde, veio a ser erguida a capela” (lê-se num outro painel, numa espécie de justificação do nome: “Senhor da Pedra”). No registo da lenda, quando os locais se preparavam para construir uma ermida ao Senhor da Pedra num terreiro conhecido por arraial, frequentemente era vista uma luz sobre os rochedos. A cada noite a luz misteriosa brilhava, pelo que os habitantes começaram a acreditar num sinal enviado do Céu. Assim, o ponto luminoso à beira-mar passou a ser o local de construção da capela. 
      O fantástico e o sobrenatural são ainda sulcados pelo espiritual e pelo religioso: na rocha, por atrás da capela, está incrustada uma marca semelhante a uma pegada de boi, que os habitantes da terra dizem ser de um animal bento (o boi que aquecia Jesus na manjedoura) que, também, por ali havia passado.

     As marcas nos penedos são uma constante nas lendas de cariz religioso. Natureza e fé são motivos para dar cor às religiões. A Amélie tem nome que (além de título para filme) dá para depressões.
      

sábado, 19 de outubro de 2019

O Fantasma da Ópera em Concerto

       Coliseu do Porto recebe o musical que há cerca de trinta e três anos estreava em Londres.

      Um dos maiores clássicos do teatro musical esteve no Porto, numa das mais emblemáticas salas de espetáculo da cidade. O Fantasma da Ópera em Concerto, produzido por Armando Calado e encenado por Pedro Ribeiro, arrebatou as palmas do público, que praticamente encheu todo o espaço.


       A cada jogo de vozes e interpretação de sopranos e tenores, no melhor do musical, era inevitável o aplauso. A direção musical de António Vasalo (com a Orquestra Filarmónica das Beiras, o Coro Sinfónico do Porto e o Lisboa Cantat) foi o pano de fundo para uma encenação e representação pautadas por nomes tão sonantes quanto melodiosos (Sofia Escobar, no papel de Christine Daae; Fernando Fernandes ou FF, no de fantasma), a par de outros que se impuseram na mesma linha de qualidade dos primeiros (Bruno Almeida, também como fantasma; David Ripado e Filipe Moura, como Raoul; Lara Martins e Ana Cosme, como Carlotta).

"Think of me" - canção de 'O Fantasma da Ópera'
(interpretação de Sofia Escobar, pelo Natal de 2009, em Laúndos)

       Em dois atos compõe-se a história de um cantor e compositor que esconde a sua deformidade facial por trás de uma máscara. Escapou a uma vida presa numa jaula, como atração de circos e feiras, até ter encontrado refúgio nos subterrâneos da Opera Populaire de Paris. Aí se apaixona por Christine, uma bailarina que aspira a ser cantora. Acaba por o ser, graças à influência do seu "angel of the music" (o professor-anjo que, enquanto a jovem dorme, lhe canta canções na mente, sussurrando-lhe melodias ao longo do dia).
    A sua predileta aluna consegue os papéis principais no teatro, quando 'O Fantasma da Ópera' exige aos administradores do Opera Populaire que assim seja, sob a ameaça de ocorrerem alguns incidentes. Estes surgem sempre que o mestre é contrariado, acabando por conduzir a jovem para o lugar da solista e diva principal (Carlotta),  tornada vítima de alguns percalços. A par disso, sucede o amor de Christine e Raoul (um benfeitor do teatro), deixando o Fantasma louco de ciúmes.
     Todo o enredo começa num leilão em 1905, com a venda de objetos do Opera Populaire. Numa analepse, chega-se ao ano de 1881, a esse momento em que Carlotta ensaia a produção "Hannibal". O desfigurado génio da música conduz Christine ao papel principal, na ópera 'Il Muto'. O amor dela por Raoul é posto à prova no segundo ato, com a encenação de "Don Juan Triunfante" (ópera produzida pelo fantasma, para juntar a sua voz à da amada, ao mesmo tempo que no Opera se procura apanhar o autor das desgraças ou dos incidentes estratégicos vivenciados no teatro). Mestre e aluna confrontam-se e, perante a chantagem por ele criada para salvar Raoul, a discípula reconhece que pior do que a deformidade física é a da alma. Beijando o seu "angel", ela acaba por fugir com Raoul. 
     Dominado pela bondade e compaixão recebidas, o fantasma  deixa os amantes partirem em liberdade, desaparecendo assim que chega a multidão que vai no seu encalço.

Filme com o final musical do espetáculo (no Coliseu do Porto)

       O "anjo da música" esteve no Coliseu, sem incidentes, num espetáculo de qualidade sonora e de representação que parecia ser obra estrangeira. Não foi. Era bem portuguesa e com a qualidade que deixou o público de pé a aplaudir.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Tronco rendido

         Talvez fosse melhor invadido,... coberto que está pelas heras.

         A vida... flui como rio. Busca o mar, lá mais para ocidente. Ninguém o quer perto, pelo fim que representa. Acaba o que é doce; fica salgado, como a lágrima que sai na despedida.
         No caminho, há pontes, meandros... um tronco que resiste, sem folhas nem seiva.

Tronco rendido, em Gramido, junto ao Douro (Foto VO)

       A vida... é a hera conquistando e embelezando o tronco seco e gasto, ressequido pelo tempo. Este a faz com violeta, verde, azul. Tal como relógio de areia, cai, passa; virando, repassa... até que a hera alastra, sobe e cobre o que já foi caule, tronco de ramos floridos, vivos, lançados para o rio.
      E assim se fazem as eras... ciclos renovados com heras. Era uma vez uma árvore que, tornada tronco, se deixou abraçar pelas heras. Deram-lhe cor e abrigo. Talvez sentido, para que a morte não fosse tão árida, seca, descolorida. 

          Ciclos de vida... ainda... cobrindo a morte com o verde e um toque de cor paixão.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

As cores destes dias

       Porque hoje deu para respirar um pouco, ver o céu e ver o mar...

      Agora os dias têm outra cor. É como se, cansados dos quadros com tintas de fogo e luz brilhante, se deixassem pintar de frescura e névoa, aqui e ali deixando uma pincelada de memória da claridade. 

 FOTO VO - Na marginal da Granja

FOTO VO - Ainda na marginal

 FOTO VO - Quando o mar se ergue...

  FOTO VO - Quando o mar se chega, de branco, à terra (pouco brando, mais fera)...

     O mar, mais agitado, invade o areal, cobrindo-o com a brancura da espuma feroz, no rebentamento das ondas; bate nos muros e salpica passeios, molhando-os e salgando-os para quem neles passa saber que há forças que não são eternamente vencidas. O que se conquistou ao mar cedo ou tarde será recuperado, até como prova e afirmação de vida (que dele veio e nele se mantém).
       
       A vida tem destes momentos, daqueles em que o olhar fixa telas vivas, de natureza à espera de ser observada, admirada e desvelada no que tem de sublimado pelas marcas do tempo. 

domingo, 6 de outubro de 2019

É melhor manter-se fechado

      Aquele momento em que recebes uma mensagem de uma amiga.

      Ela sabe que gosto de ver fotos com erros singulares, daqueles que ninguém pensa que possam ser cometidos por alguém. E eis que eles aparecem, quando menos se espera:

A prova do erro (Foto com agradecimento à EP)

      Assim sendo, apetece-me dizer que mais vale não reabrir. Quando o fizer, que seja com anúncio correto, devidamente escrito. É uma imagem de qualidade, de rigor, de reabertura sem o segundo 'e' em reabrir, nem em nenhuma das formas conjugadas do verbo.
       Ainda há tempo de corrigir o erro e abrir em grande (apesar de ser do 'ativokids').

      De momento, não há condições (para reabrir)!
      

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O grau da desgraça

       E outra vez o Joker!

     De tantas vezes que escrevi sobre o programa televisivo Joker, e por más razões, haverá quem pense que tenho alguma coisa contra o programa. Não é verdade. Antes pelo contrário. Porém, continuo a achar que era escusado difundir o erro
       Hoje foi a vez de mais um, para acrescentar aos já apontados noutras ocasiões:

Programa Joker, exibido hoje na RTP1 (Foto VO)

      Isto de se concluir que 'homem' é um adjetivo pode constituir, desde logo, questão crítica quando se entende que, na maior parte das realizações do português, estamos perante um nome (tipicamente identificável pela possibilidade de ser antecedido por um determinante ou quantificador). Se é verdade que a variação em grau é uma propriedade comum nos adjetivos (ainda que não exclusiva), isso não permite concluir em definitivo que 'homem' (variando em grau) pertence à classe dos adjetivos.
      É de aceitar que a realização de frases como 'Ele é muito homem' ou 'Ele é tão homem como qualquer outro', ou mesmo 'Ele mais / menos homem do que outros que eu conheço' configura o termo sublinhado como propriedade / característica do 'ele'  - ou seja, um adjetivo, numa espécie de conversão, admitindo graduação superlativa (analítica, na primeira realização) e comparativa (nas seguintes). Já não tão aceitável é a superlativa relativa (* o mais / menos homem) ou até a superlativa absoluta sintética (? homenzíssimo).
     Seja como for, as possibilidades atrás mencionadas são as que mais se ajustam à classe dos adjetivos. Não é o caso de 'homenzarrão' nem de 'homenzinho', que, respetivamente, evidenciam a variação típica (e não criativa) do nome no grau aumentativo e no diminutivo (não é a mais produtiva para adjetivos, nestes ocorrendo apenas ocasionalmente).
      Em suma, para não chorar, a questão apresentada no programa Joker só me permite reagir em modo de filme e à Joaquin Phoenix:

Excerto do filme Joker (2019), de Todd Philips

     Depois venham dizer-me que a televisão é muito educativa e que cumpre serviço público! E pensar que pagamos para esta nódoa! Se não fosse o Palmeirim...

sábado, 28 de setembro de 2019

Enquadramentos

     Hoje, decidi emoldurar o céu e o mar.

     O muro de pedra - que tantas vezes tem feito de banco para os transeuntes mais cansados ou para os que decidem admirar a praia, inspirar o ar iodado e expirá-lo para o mar e o horizonte - tornou-se moldura de um quadro natural que o fim de tarde compôs:


Fotos de pedra, chão e natureza - Granja (Fotos VO)


     Encaixilhada a natureza, o infindável colorido fica nos limites da matéria dura, compacta; vê-se preso num enquadramento que aviva o contraste dos frios e ásperos minerais com as ensombradas partículas a pairar no céu, esperando esse reencontro caloroso com o oceano.

     Um dia, talvez venha a lembrar esse instante, cruzá-lo com outros já vividos, na imagem aqui deixada para o tempo, para a memória e para os sentidos que o quiserem evocar.

domingo, 22 de setembro de 2019

Ao final de um dia de sol

      (Ou quando essa estrela de luz e calor se foi...)

    O registo fotográfico de um novo final de dia impõe-se, não tanto pelas cores, mas antes pela sugestão do que é dado a ver no firmamento:

Foto de um final de tarde brumoso (Foto VO)

       De novo junto à Granja, parecia erguer-se da espuma das ondas ou do sulcado mar um esguicho de nuvens, projetado e espalhado num céu que ia perdendo o azul e o brilho da tarde. Borrifada a pele de neblina, como se desse repuxo de sombra cinza tivesse vindo, a friagem pedia agasalho. As pinceladas de calor eram poucas, sem força, ténues. Abrumou-se o tempo, o espaço, o ser. 
       Nem o iodado e sorvido ar curam a perda de um instante que foi apaziguador. Não há sal que, por comparação, tempere o que está para vir.
      Qual relógio de areia ou clepsidra que vê a água escoar-se, não há retorno desse instante vivido. Por mais que se torne ou faça parte de novo ciclo, não será jamais o mesmo. Será sempre outro, irrepetível.
       Diz o filósofo Heráclito que o Homem não se banha duas vezes na mesma água do rio. Por maior que seja o oceano, também este não limpa as pegadas de um areal que não chegou a ser pisado.

     Findo o domingo, volta a semana contada nos dedos de uma mão aberta às muitas que a procuram.

sábado, 21 de setembro de 2019

Tempo outoniço

      Hoje, as nuvens, a frescura, o vento e a chuva.

     O apontamento do dia faz-se com uma foto do final do dia de ontem:

Um pôr-do-sol e um barco a flutuar (Foto VO)

    Pareceu a despedida do verão para o outono que hoje se pôs. Um barco flutuava frente ao pôr-do-sol, como anunciando a passagem, a mudança que se impõe nos ciclos desta vida. 

     Ontem, uma tarde de sol, do veraneio que se foi (para mais cedo ou tarde regressar). E a vida flui.

sábado, 14 de setembro de 2019

Pôr-do-sol carregado

      Carregadíssimo de nuvens, como se fossem desabar no mar.

      Ao fim do dia, as cores são tão inspiradoras...
      Talvez não sejam da intensidade já colhida, mas atraem o olhar e guiam as mãos na (re)construção do instante.

Junto ao mar na Granja - (Foto VO)

      Depois da foto, a escrita...

     INSTANTÂNEOS

     Escuro... bem escuro...
     A luz está para o horizonte.
     Não sei o que dizer do futuro.


     Creio nele, nas águas de uma fonte.
     Quando secarem ou o travo for impuro,

     O mar abrir-se-á a novo céu, outra terra, alto monte,
     A longo caminho feito de cada passo sentido como inseguro.

     Há de vir mais um dia. Erguer-se-á uma outra ponte

     para novo tempo, espaço e ser mais maduro.


     Não sei se esta será uma reflexão sobre o tempo, se uma marca da existência. Talvez seja apenas o registo de um momento sensitivivido.

      Versinhos para fechar mais um instante deste dia.