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sábado, 15 de dezembro de 2012

E o fim do mundo chegou mais cedo

     A televisão noticiou hoje uma das piores notícias a que o mundo pode assistir.

    Numa escola infantil em Connecticut (Sandy Hook Elementary School), um jovem de vinte anos (Adam Lanza) atirou sobre um grupo de crianças, levando vinte delas à morte, ferindo outras, aterrorizando muitas mais. 
   Uma professora cumpriu o seu dever, protegendo algumas delas no desespero pela sobrevivência, e pagou com a vida esse seu gesto, junto com mais seis adultos.
   Trata-se de uma das maiores tragédias na história dos Estados Unidos da América e está a colocar em discussão a facilidade de aquisição de armas, a ponto de as tornar acessíveis a um jovem que, no mínimo, a par da declarada quietude e timidez, só podia ser portador de uma disfuncionalidade mental (por momentânea que seja) a ponto de ser dominado pela loucura que o conduziu ao massacre de crianças inofensivas.
   Olhar para a cara de doze delas, numa montagem fotográfica feita de sorrisos, alegria, inocência e avidez perante a vida, é sinal de incredulidade; também da atrocidade, da brutalidade e do horror de que o Homem é capaz, na impotência assumida perante forças e instintos que o dominam, impedindo-o de ver o bem que possa estar à sua frente.

    Dia 14 - o fim da vida para muita gente que procurava construir, numa escola, a extensão da vida, o renovar dos ciclos de humanidade. É o fim do mundo, por aquilo que não se consegue explicar e por tudo aquilo que um país, uma sociedade, uma família, um ser não conseguiram fazer.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Da(s) magia(s) do SETE... Ou não fosse hoje CATORZE

     É um dado cultural: na literatura, na música, ... na arte, na vida.

    Sempre que se pergunta por que razão o sete é um número mágico, são múltiplas as respostas. Começo por concentrá-las num texto que ficará em construção.

Das (im)perfeições do SETE

Ao fim de sete dias de trabalho (até ao sábado e ao domingo!),
lembrei como Deus deve ter trabalhado muito nos dias da criação do mundo.

Daí ter dedicado o sétimo ao descanso!

(Como seria se, em vez de dias, gastasse os sete anos com que Salomão ergueu o seu templo?!
Cumpriria também um para descanso, qual ano sabático?!)

Cansado, quase homem dos sete ofícios,

busquei a harmonia das sete notas musicais,
a variedade das sete cores do arco-íris.
Dos sete astros sagrados 

(Sol, Lua, Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno),
voltei a cara para o Sol, para a luz desse Apolo feito deus
também de uma das Sete Artes: a Música 

(para lá da Pintura, Escultura, Arquitectura, Literatura, Coreografia e Cinema).
Senti-me homem,
dividido entre os sete pecados capitais 

(vaidade, avareza, ira, preguiça, luxúria, inveja, gula)
e as sete virtudes cardinais 

(castidade, generosidade, temperança, diligência, paciência, caridade, humildade).
Dos sete sacramentos 
(Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Sacerdócio, Penitência, Extrema-unção, Matrimónio), 
alguns já se cumpriram; outros poderão ou estarão para vir 
até aos sete palmos de terra, na sepultura.

Recordei as cantilenas femininas da infância: 

“sete e sete são catorze, com mais sete vinte e um; tenho sete namorados e não gosto de nenhum”.
Só faltava que elas viessem das nazarenas, mais as suas sete saias!

Cansado do sofrimento, fechei-o a sete chaves.


Troquei as sete rogatórias do “Pai Nosso” pelos sete anões da Branca de Neve;
apaguei da memória as sete quedas sofridas a caminho do Gólgota.

Fiquei-me pelo Carnaval, sete domingos antes do da Páscoa.
Na brincadeira e no espírito da diversão, aspirei ao sétimo céu.

Tantas foram as histórias ouvidas dos Sete Livros do Antigo Testamento 
(Job, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos, da Sabedoria, do Eclesiástico).
Resta a lembrança, no Génesis, de Noé e do Dilúvio: 
de como sete casais de cada espécie animal terrestre e aérea foram salvos na Arca; 
ou de como no sétimo mês esta última descansou no monte Ararat; 
ou de como, após o dilúvio, foi lançado um corvo,
seguido, sete dias depois, de uma pomba. 
Mais sete dias passados, esta regressou com um ramo de oliveira. 
Outros sete dias vieram, para, de novo, ser lançada ao ar e não mais voltar.

Mudaram-se os tempos: mudaram-se as maravilhas antigas para as modernas... ficou o sete.
Talvez por isso hoje tenha de se ver tudo com sete olhos, 
para que nada falhe...
ou para que alguma coisa dê certo.

Homem sem as sete vidas dos gatos, aproveito a que tenho,
sem pintar o sete - entre diabruras ou desatinos.
Sigo o curso do rio, sem as botas de sete léguas, até chegar ao mar.
Aí, qual marinheiro, navegarei pelos sete mares

Tão mais perfeito seria o mundo com os sete princípios da moral pitagórica: 
rectidão de propósitos, 
tolerância na opinião, 
inteligência para discernir, 
clemência para julgar, 
verdade nas palavras e nos actos, 
simpatia e equilíbrio!

GondomarVO

     Outras respostas haveria para mais numerados versos. Também sete são as Leis Universais (Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação e Amor); os dons do Espírito Santo (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Força, Ciência, Piedade e Temor a Deus); as glândulas endócrinas (Hipófise, Tiróide, Paratireóides, Supra-renais, Sexuais, Timo e Pâncreas); os grandes mensageiros (Krisna, Buda, Lao-Tsé, Confúcio, Zoroastro ou Zaratustra, Moisés e Jesus); as personalidades de Deus (segundo Zoroastro, são estas a Luz Eterna, a Omnisciência, a Retidão, o Poder, a Piedade, a Benevolência e a Vida Eterna); os meios que o Homem tem para purificar, segundo o Budismo (Domínio de si mesmo, Investigação da verdade, Energia, Alegria, Serenidade, Concentração e Magnanimidade).
      Revejo algumas outras numa canção bem portuguesa, registada na memória da minha adolescência: a música e a voz dos Trovante na "Balada das Sete Saias":

Trovante ao vivo, na interpretação de 'Balada das Sete Saias'

BALADA DAS SETE SAIAS

Sete ondas se noivaram 
Ao luar das sete praias 
Sete punhais se afiaram 
Menina das sete saias 

Sete estrelas se apagaram 
Sete, que pena, chorai-as
Sete segredos contaram 
Menina das sete saias 

Sete bocas se calaram 
Com sete beijos beijai-as 
Sete mortes evitaram 
Menina das sete saias 

Sete bruxas se encontraram 
No monte das sete olaias 
Sete vassouras montaram 
Menina das sete saias 

Sete faunos contrataram 
Sete cornos e zagaias 
Aos sete encomendaram 
Menina das sete saias 

Sete princesas toparam 
Com mais sete lindas aias 
Por sete e sete deixaram 
Menina das sete saias 

Sete danças que bailaram 
Sete vezes que desmaias 
Sete luas te ansiaram 
Menina das sete saias 

Sete vezes se encantaram 
No bosque das sete faias 
Sete sonhos desfolharam 
Menina das sete saias

       Assim se (re)lê e vê o sete, entre a tradição e a (re)criação, na letra da canção.

       E mais haverá para, no futuro, se ir acrescentando, para cumprimento da totalidade e perfeição do número.