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quarta-feira, 20 de junho de 2012

No cruzamento da ciência e da literatura

    Em São Leonardo de Galafura, localidade plasmada em poema de Torga, a geografia motiva a criação poética.

    Na mesma localidade, outros exemplos literários de cruzamento com a ciência podem ser lidos nos pontos de informação turística disponíveis no alto do Miradouro.
    Geologia e Literatura - Geoliteratura - na versão que Miguel Torga constrói, nessa senda da beleza (natural) absoluta.

Azulejo em S. Leonardo de Galafura (Foto - VO)

    A poesia feita da Terra ou a Terra que se revê na prosa poética - ei-la azulejada e fixada na rocha, para que persista na vida (Bio) e no conhecimento (Logia) com a magia do ritmo, a existência sublimada, mais a transfiguração emotiva, sugestiva e misteriosamente transportada pelas palavras.

   
No maior dos mistérios (o da Vida) tem que haver poesia.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

Entre o que partiu e o que ficou

    Partiu o melhor de mim...

   Quando há cerca de dois anos, a propósito da comemoração do Dia Europeu das Línguas, conduzia a pesquisa de uma turma para o tema da Hungria, estava longe de pensar que este país se iria cruzar com a minha vida.
    Entre alguns atlas, enciclopédias e roteiros, a leitura, a escrita, o conhecimento da língua cruzaram-se com a produção de um cartaz alusivo ao país magiar, aos costumes e a dados linguísticos e culturais que se avivam no presente.
     No planalto dos Cárpatos, na Europa Central, a Hungria tem de Portugal quase os mesmos dez milhões de habitantes. Da língua fino-úgrica pouco há a lembrar a herança latino-românica, ainda que ambas partilhem um mesmo continente europeu. A capital - Budapeste - é a pérola atravessada pelo Danúbio, com as porções "buda" (mais ocidental) e "peste" (o "forno" ou "fogão" da parte oriental, em geral plana e cujo centro histórico apresenta o parlamento húngaro, a praça dos Heróis e a avenida Andrássy).

     
   País do goulash ('comida de vaqueiros' preparada tradicionalmente pelos pastores húngaros, com carne de vaca cozida, cebolas, banha de porco, pimento-paprica, cominhos, sal e água), a Hungria faz parte da União Europeia desde 2004, mas ainda mantém o florim húngaro como moeda nacional.
    Entre a música de Liszt e Bela Bartók, a ilusão de Houdini, as fotos de Robert Kappa, a representação draculiana de Béla Lugosi, a cinematografia de Miklós Jancsó, o jogo futebolístico de Puskás e a escrita de Imre Kertész, há ainda um rio que me separa de um coração europeu também português.

    ... ficou o que há muito não interessa.

sábado, 20 de agosto de 2011

Artigo (não notícia) de última hora!

       Este é o resultado de quem vai às compras e vê as prendas embrulhadas num jornal.

      É então que, no acto de desembrulhar para tudo emalar, os olhos pousam na página de jornal (é que nem tempo tive para comprar uma revista).
       É favor ler!


      Se não perceberem não há problema. Bem-vindos ao clube! É assim que um professor se torna um iletrado (valha-me Deus!, ou melhor, Alá! Se em terra de Roma sê romano, em terra de mouro sê muçulmano). Tudo é tão relativo.
      Há pormenores que, contudo, não deixam de se fazer marcar:
     1) a atenção dada a um artigo sobre educação, escola, professores, conforme o sugerido pela imagem (mas por que motivo não fui buscar outra? Espero que, ao menos, falem bem dos professores e do esforço que fazem para partilhar o que sabem);
      2) a grafia é espantosa, nos contornos consonânticos que apresenta (porque, diz o guia, os pontinhos correspondem a vogais - se ele o diz, para já dou por certo; contudo, hei-de confirmar, dado também ter ouvido dizer que os portugueses conquistaram Ceuta no século XIV... pronto também um seculozito a mais ou a menos... o senhor só confundiu os algarismos da data - 1415 - com os do século... nada que os alunos também não façam, na melhor das hipóteses), todos eles em variedade gráfica conforme se coloquem no início, no meio ou no final da palavra;
      3) o espaço de parágrafo à direita, então, é um primor (é como na televisão ter o travessão do discurso directo à direita, também...), prova de que a orientação da escrita e da leitura é contrária à nossa no que toca às letras (porque, quanto aos números, é tal qual nós lemos, da esquerda para a direita - não fossem os nossos algarismos árabes).

      Digamos que estas compras até foram muito culturais.
   

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sinais de outra cultura (que também nos fez)

      Para quem quiser conhecer ou render-se ao Ramadão...

   No nono mês do calendário muçulmano festeja-se o Ramadão (que este ano, em Marrocos, é precisamente o do presente Agosto, dadas as discrepâncias entre o calendário gregoriano e o lunar). É tido como o mês sagrado da revelação do Alcorão, no qual os praticantes adultos devem deixar de comer e de beber, da alvorada ao pôr-do-sol (sinal de um dos cinco pilares muçulmanos: o jejum), como forma de sensibilização para a fome dos pobres (sem esquecer que o quarto pilar é o da contribuição da purificação: doação feita em segredo e sem ser movido pela vaidade); de fumar e de ter relações sexuais. 
    Diz o guia que devemos ter em atenção o período pós 17:00, em que os muçulmanos se mostram muito irritadiços (por causa de tanta abstinência).
   Em pleno mercado da medina de Oujda, há uma loja com a entrada interrompida. De outro ponto do mercado, observo discretamente o vendedor dessa loja, um homem a abrir um tapete, a colocar-se sobre ele com os dois joelhos, a colocar uma bacia de água em frente. Molha as mãos e passa-as por cinco vezes na cabeça. Ergue as mãos aos céus e, depois, baixando-as em reza junto ao peito, põe-nas no chão. O homem fica na posição de quatro, até que a testa toca no chão. Repete este ritual por cinco vezes até que se reabre loja.
    É o horário de uma das orações (o Salat). 









    E, se dúvidas houvesse, cá está o horário para quem quiser render-se ao Ramadão.



   
   Entre as 21:03 e as 04:33 é tempo de festa, de comer e de beber, de tocar e de dançar, e sabe-se lá o que mais... Os turistas tiram fotografias, fazem filmes e compras. Observam, mas também se sentem observados, pelos nativos que, por baixo de tendas colocadas na rua (quais cafés ou pontos de convívio muçulmano ao ar livre), devem achar estranho por que tanta gente os olha por aquilo que fazem todos os dias.


    Depois das 04:33 regressa-se ao jejum e às cinco orações.

    Práticas do povo de Marrakesh (e não só) que assim deu nome ao país até que, segundo se diz, por superstrato da língua portuguesa, se tornou Marrocos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sinto-me um cadastrado...

     Como é possível acontecer isto? Mal chego a Saïdia dão-me uma pulseira (para não largar).

    Eu já tinha ouvido falar de pulseiras electrónicas, mas uma de plástico, com furinhos...
    Sinto-me como alguém a dar entrada no presídio, a ser punido (e só estou a ser protegido), condicionado (qual João Vale e Azevedo, só que em Marrocos e sem roubos), lançado para o meio de tantos outros a viverem a mesma condição: a da pulseira roxa (que dizem só ser retirada no check-out!).
   Em fase inicial desta estada, lá vou ter que me habituar a um corpo estranho colado à pele (não bastasse já sentir a poeira e o calor pegajosos) que só dão vontade de estar dentro de água.
   Assim seja!
    É o que me resta para o tempo que vou ficar neste enclave turístico, em continente africano. No meio de tanta terra-pó com a cor e o bafo quente do deserto, de contrabando de gasolina e de petróleo, de vendedores ambulantes de figos da Índia (nascidos em cactos rasteiros e espinhudos), de povoações deprimentes e casas abandonadas, de círculos de homens escuros sentados à sombra das árvores à espera do fim do horário do Ramadão (...E as mulheres? Onde estão?), de ruas movimentadas por motas e carros empoeirados, sujos, enferrujados e amassados (de modelos que já lá vão), eis que me aparece um paraíso protegido de tudo o resto: com direito a piscina, a restaurantes e saída autorizada (vigiada) para o mar.
     Como é possível fazerem-me isto! 
     Que é que eu fiz!
   At last... but not the least..., eis senão quando só falam árabe marrocci (magrebe, que eu entendo perfeitamente! Se ainda fosse árabe clássico, punha as frasezinhas da Fúria Divina em acção) ou, então, espanhol ou francês.
   


   Et voilá! Tout ce que je voulais... aller en vacances pour parler français. Hélas! C' est l'enfer! 
       Lá vou eu ter de falar à Monsieur Sarko. Prefiro à la Bruni.

sábado, 13 de agosto de 2011

Estou de saída para Saïdia (o nome pelo menos é lindo!)

    Não é um mero jogo de palavras. É o destino das férias deste ano.

   As imagens do catálogo eram espectaculares, no momento da compra. Também o são sempre, quando apresentam hotéis de amplas piscinas com meia dúzia de turistas (que se transformam em centenas / milhares) e um brilho tão atraente que, por vezes, fazem esquecer o verdadeiro calor da região.
   Para já, conforme as pesquisas que fiz, sei que é costa do nordeste africano, mediterrânica, ali próximo da fronteira da Argélia, numa designada 'pérola azul' do turismo marroquino.
   Há uma marina, para a qual os turistas são atraídos pelos espectáculos de música popular tradicional e por uma feira diária com programas de animação.
   Com temperaturas a rondar os 30-40 graus, as férias prometem: se já em Portugal o calor dos 28-35  é sufocante, não sei que diga dos 30-40 de Marrocos. Se não for dentro de água, pelo menos os quartos devem ter ar condicionado.

  Se não voltar, é porque fui trocado por um camelo (mais sorte de quem se livra de mim do que propriamente para o camelo, que ficará mais longe do seu habitat natural).

sábado, 16 de julho de 2011

Por Assis... com Santa Clara e São Francisco

     Podia ser em dedicação aos santos; podia ser uma questão de cortesia, com as senhoras (primeiro).

     Fico-me por saber que hoje foi dia de Santa Clara de Assis, em memória do seu nascimento nos finais do século XII (1194?).
     Há cerca de um ano bem perto estive dela, ou melhor, na sua basílica, em Assis. Trata-se de uma cidade da Úmbria, afamada pelo nome de dois santos: S. Francisco e Santa Clara. Desta última diz-se que seguiu o primeiro, tendo-lhe pedido auxílio para abraçar uma vida de acordo com as Sagradas Escrituras. Reconhecendo nela uma alma destinada às grandes realizações religiosas, Francisco prometeu ajudá-la. Entre os milagres, conta-se o facto de, num Domingo de Ramos, ela não se ter levantado para colher o ramo no altar; foi um bispo que se lhe dirigiu, ofertando-a com o tradicional ramo.
    Num universo e mentalidade medievais, é curioso como a santa mantém actualidade com a tecnologia presente: um ano antes de sua morte em 1253, Santa Clara assistiu à Celebração da Eucaristia sem necessitar de sair do seu leito (daí ser aclamada como protectora da televisão, da comunicação à distância).


     À distância está agora Assis. Só por 'tele' 'visão'.

     Assis é uma boa recordação - a de uma viagem que me levou até Itália e a vários dos seus pontos turísticos e culturais. Uma viagem de vida.

domingo, 29 de maio de 2011

Mas... já chegámos à Madeira, ou quê!

      Era o que eu ouvia dizer quando calcava o risco e o abuso se anunciava (num sentido que sublinha a possibilidade de tudo poder acontecer nesse território).

     Não será estranha a afinidade do verbo chegar com o topónimo Madeira: diz-se que se trata de um verbo proveniente do latim 'plicare' (dobrar, enrolar). Chegados à ilha, via marítima, os marinheiros dobravam as velas ('plicare velam').
       Hoje, chego ao local via áerea e apeteceu-me arrancar, 'enrolar', de imediato, o cartaz que me dava as boas-vindas.


       Até aqui, logo na entrada do aeroporto, deparo com o erro. Deve ser do vento que me recebe...
       Caso para dizer que tanto o acento como a situação são agudos, mas pelo menos o primeiro devia ser grave.

       Não havia necessidade, em terra cujos sinais de desenvolvimento, acessibilidade e simpatia são evidentes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vulcão Merapi - tão longe e tão perto...

    A erupção do vulcão em Merapi, na Indonésia, activou-me memórias muito recentes.

    A força destruidora da natureza está aí, viva, activa, desde 26 de Outubro. Ontem, mais uma erupção.

    São muitos os feridos; há corpos resgatados que se encontram carbonizados; há problemas respiratórios e queimaduras entre os que sobrevivem a mais uma catástrofe na Indonésia.
    Na outra extremidade do mundo, são e salvo, só tenho uma pequeníssima percepção do medo. E mesmo essa é tão distanciada quanto a de um turista que se viu perante uma possibilidade de ameaça: a de um vulcão que, a todo o momento, pode ainda expelir esse familiar manto de fogo, que os séculos acabaram por transformar em material para a construção de muros na cidade.
    Lembro-me de Pompeia, dos vestígios que, por ora, alimentam a fantasia dos turistas que a visitam; que fazem do presente memória de um passado trágica e ameaçadoramente repetível.


Vesúvio (ao fundo) dominando o Templo de Apolo, em Pompeia.
    Lá ainda se sente o peso sufocante de uma morte que dizimou os cerca de 5 mil habitantes da antiga cidade italiana, situada a sueste de Nápoles. Corria o ano de 79 d. C. e o Vesúvio vomitava a lava e os gases mortíferos. O resto viria com o passar das horas: chuvas de pedra e de gás, névoas de fumo e escuridão, ondas de fogo e cinza aquecida.
  Tempo de incineração, petrificação, de imobilização na posição de morte - a que perdurou até aos dias de hoje.

    Passados mais de mil e novecentos anos, as memórias lá estão a descoberto, graças às escavações que se têm vindo a fazer desde há cerca de dois séculos e meio - vestígios de uma cidade romana classificada Património Mundial pela UNESCO, na zona designada por Áreas Arqueológicas de Pompeia, Herculanum e Torre Annunziata.

domingo, 15 de agosto de 2010

Me vado lontano

   Finalmente...

   Un piculo apuntamento: vacanza (Milano, Firenze, Roma, Génova, Napoli), de preferenza sin Berlusconi.
   Si me tornero (piú felice) no lo so, ma io bisogno de un nuovo aire.
   La bella Itália!

   Até ao meu regresso (assim as asas do avião me tragam).