Em termos prosódicos, são analisados fenómenos fonéticos e fonológicos envolvendo unidades mais vastas do que os fonemas, como a sílaba, a palavra ou a frase. No caso da sílaba, está em causa uma unidade estruturada e organizada que agrupa os sons dentro da palavra e que pode incluir um ou mais sons, como, por exemplo, nas sílabas das palavras [a][pren][der] ou [en][si][nar] [por][tu][guês].
Os sons integrados numa sílaba podem ocorrer no seu ataque - consoante(s) à esquerda do núcleo vocálico -, no núcleo vocálico (vogal ou ditongo) ou na coda da sílaba (consoante à direita do núcleo).
Ora, no início da rubrica "Bom Português" de hoje, quando se procura verificar qual a sílaba destacada na palavra "tenhamos" (caso interessante, porque, definitivamente, resulta na leitura / na produção oral devida da palavra), eis que surge o que não deve:
Há sílabas com amarelo a mais (Foto VO, a partir de emissão televisiva da RTP1)
Leia-se convenientemente a segunda hipótese como a correta, assumindo a sílaba tónica e a natureza grave da palavra (e não a forma de a tornar esdrúxula, como muitos falantes tendem a oralizar). Até aqui tudo bem.
O que não está correto é assumir [ten] no primeiro cenário como sílaba. A divisão silábica da palavra é [te][nha][mos], pelo que a primeira sílaba à esquerda não está convenientemente representada, na sua configuração gráfica. O 'n', indevidamente assinalado, é parte constituinte de um dígrafo (duas letras a representar um só som) que está para o ataque da sílaba medial [nha], e não para um som de coda da inicial.
Quando de "Bom Português" se trata, tem de ser melhor. Haja esperança! E tudo faÇAmos para que consiGAmos, oralmente, produzir discursos corretos.

Mas que é a última a morrer, é!
ResponderEliminarHelena Vieira, a esperança... o que nos vai dando confiança.
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