Talvez seja coincidência a mais (vá lá saber-se porquê!), mas hoje relembrei os versos do nosso épico.
Como te percebo, Camões, nessa reflexão tão quinhentista quanto atual:
Camões na sepultura (Jerónimos)
Dos próprios feitos, quando são soados!
Qualquer nobre trabalha que em memória
Vença ou iguale os grandes já passados.
As invejas da ilustre e alheia história
Fazem mil vezes feitos sublimados.
Quem valerosas obras exercita,
Louvor alheio muito o esperta e incita."
(estância 92, canto V de Os Lusíadas)
Sem motivos para cantar (a solo), diria que em coro até arriscava.
Muitos são os que compõem a música e a letra.
Muitos são os que compõem a música e a letra.
É de tantos a canção que uma só nota fora de tom desafina.
Já agora, em vez de "soados", o nosso poeta universal também poderia ter mencionado os "suados". São diferentes, por certo. Não obstante a homofonia, os últimos não desmerecem os primeiros. Também aqueles, pelo esforço feito, não deixam de ter o "louvor alheio [que] muito (o) esperta e incita".
Como Bocage diria: "Camões, grande Camões, quão semelhante / Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!"

Há quem faça muito e faça soar pouco; há quem faça soar muito aquilo que pouco suou. Camões, com cinco séculos de distância, continua a lembrar-nos que entre o mérito, o reconhecimento e a glória nem sempre existe correspondência. Talvez porque os tempos mudem, mas a natureza humana permaneça surpreendentemente fiel a si própria… 😉
ResponderEliminarHuuummmm... Andas muito camoniana e homofónica!
EliminarVítor Oliveira, a culpa é de Camões… mas tu também não ficas isento de responsabilidades! Afinal, há provocações literárias a que é difícil resistir. 😃
EliminarSusana Ferreira, reconheço que a essas não resisto. Parecem tão certeiras que o tempo só confirma.
EliminarJá sabemos que Camões é muito atual! Nós o sentimos. Ainda bem que o projetas por aqui. Bem-hajas!
ResponderEliminarAna Rosa Silva, e Bocage também! Tão esquecido anda que chega a ser anedótico, para não ser tristeza pintada de desilusão. Uma questão (neo)clássica muito pautada de sentimento (pré-romântico).
EliminarVítor Oliveira, exatamente!
Eliminar