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sexta-feira, 12 de agosto de 2022

"Uma aventura" junto à praia

      Chegando ou saindo da praia...

     Há uma barraquinha junto à entrada da Praia / Bar do 37, em Espinho, à espera que uma mãozinha abra a porta e escolha um livro. Para todos os gostos e vontades, o convite ao "mergulho" é feito:

Uma aventura pela leitura

      Em tempo de calor, qual gelado apetecido, abre-se a porta (que mais parece de uma arca frigorífica) para um "self service" de livro(s) à espera de ser(em) lido(s).
      Podia ser deixado no assento de um transporte público, num banco, no areal, numa mesada de esplanada... Fica a sugestão de uma barraca refrescante, mesmo à mão e aos olhos dos transeuntes. Um acesso facilitado para leitores potenciais que, no meio da parafernália que possam levar para a praia, se tenham esquecido desse bem que nos alimenta e refresca a mente.

      ... é tempo de leitura, quando as férias convidam à aventura.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Instantes e proximidades

    Na oportunidade do instante e pela proximidade.

    Sem medo dos humanos, há aves que se avizinham das mesas e dos caminhos que a elas levam - não vá uma migalhita perdida das mãos e bocas dos clientes servir para debicar e, quem sabe, levar para o ninho, onde outro bico esteja a aguardar alimento. 

Petiscando, na esplanada (Foto - VO)

    Patinhando em cuidado e sempre atentando nas redondezas, nos intervalos das pequenas pedras do passeio há petiscos que um cliente deixou cair ou um empregado limpou das mesas. Desperdícios humanos; sustento da ave.

      E, assim, captada no ato, a pomba colheu e voou.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Partida, com chegada anunciada

       Até já.

     Forma estranha a de começar um texto: com a despedida.É tempo de partida, com data de regresso anunciada.
     Cinco dias fora do país, para me passear por três outros (França, Bélgica, Holanda). Um percurso que tem algo de extensão triangular, mas que espero nada de semelhante tenha com o Triângulo das Bermudas. O propósito não é perder(-me). É simplesmente "Viajar!". Pessoa diria que é "Perder países!" (precisamente ele não perdeu praticamente nenhuns); para mim, será sempre achar ou encontrar países, pessoas, curiosidades, culturas! Uma oportunidade para "viver de ver somente".

Roteiro de uma viagem certamente para, no futuro, recordar.

     Em boa companhia; com a novidade de locais por conhecer ao vivo; com o projeto de também esquecer os tempos de cansaço que ultimamente tomaram conta dos dias, assim me vou, com uma mala que pouco pode levar e pouco mais poderá trazer.

    Quando regressar, será tempo de recordar. Serão poucos dias para lembranças, mas talvez se possa, a partir daí valorizar mais o que se tem. Às vezes é preciso partir para mudar o sentir.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Entre Assis e Xavier, fica Francisco

       Hoje foi dia de fumo branco, pelo final da tarde - está eleito o novo Papa.

    Entre as novidades (primeiro Papa oriundo da América Latina, primeiro Papa filiado na Companhia de Jesus), surge também o primeiro Francisco no historial do papado.
    A escolha do nome é marcante, seja na santidade evocada com São Francisco de Assis (fundador da ordem mendicante dos frades menores, séc. XIII) seja na de São Francisco Xavier (co-fundador dos missionários jesuítas, o "apóstolo do Oriente", no séc. XVI).
      A possível inspiração nestas duas referências eclesiásticas poderá estar na base de alguns dos gestos ora simples e despojados ora abrangentes e dedicados, que marcaram a apresentação do novo Sumo Pontífice ao mundo: a aproximação ao povo pelo toque humorístico (ao dizer que o foram buscar "ao fim do mundo") e pelo posicionamento humilde (submetendo-se à oração dos crentes e com estes; solicitando consideração e agradecendo ao seu antecessor); o apelo ao silêncio (conseguido); o sentido de maior serviço e de missão (numa lógica menor de poder) para com a comunidade e desta recebendo a bênção.
    De ambos os exemplos santificados, biograficamente associados a famílias abastadas, devia resultar ainda o desprendimento aos bens materiais, às riquezas mundanais. O Papa nada disso vai seguir, por certo, ao presidir a um dos estados com riquezas incalculáveis - de que o Museu do Vaticano é um pequeno exemplo, com os grandes salões de esculturas greco-romanas, de tapeçarias, de pinturas de vários séculos marcantes, entre outros.
     Resta ao sucessor de Pedro distinguir-se e deixar-se orientar pelo sentido de humanidade e pela preocupação social. Para já, passará a ter lugar no friso cronológico sucessório dos Papas visível no cimo das galerias da Basílica de São Paulo Extramuros.

Friso cronológico dos Papas nas paredes superiores das galerias (cimo)
Imagens dos Papas João Paulo II, do Papa Emérito Bento XVI e o círculo para o novo Papa Francisco (baixo) 



   Como se pode ver na imagem, ao fundo e à esquerda, lá está o espaço destinado a FRANCISCVS I.
     Trata-se de uma das cinco basílicas papais romanas (além da de S. Pedro, de S. João de Latrão, de Santa Maria Maior e de S. Lourenço Extramuros), localizada fora do Vaticano, mais precisamente na zona moderna de Roma, a que foi construída por Mussolini para a Exposição Universal de Roma (EUR) - evento que acabou por não se concretizar dado o início da II Guerra Mundial.

Um percurso por terras italianas - viagem por São Paulo Extra-muros (Roma)

     Em território laico, a jurisdição do espaço é, contudo, católica e papal. Encontra-se aí o que as escavações arqueológicas e as investigações de perícia têm identificado como o local do martírio e da sepultura de S, Paulo (este, por ser cidadão romano, foi decapitado, por ordem de Nero, fora das muralhas da cidade imperial).

     Ainda agora foi eleito o novo Papa e já lhe traçam um percurso junto de forças políticas e de interesses questionáveis, dúbios, no que aos valores católicos e cristãos diz respeito. A maioria está em grande expectativa e os sinais já dados nas breves comunicações produzidas, se forem continuados, anunciam uma ação evangelizadora e pastoral que pode ser significativamente marcante.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

"... o São Pedro está-se a acabar"

        Assim o diz a canção popular, para, de seguida, se anunciar e chamar o S. João.

     A ordem dos três santos é, contudo, outra, com o S. Pedro a fechar a sequência dos três santos populares juninos. Como último dos três, não quer dizer que seja o menor ('the last but not the least'), até pelo papel que desempenhou (primeiro Papa) na igreja católica - a "pedra", a "rocha" escolhida por Cristo para fundação de uma fé que sobreviveu aos próprios supliciados (de que Cristo, Pedro e Paulo não deixaram de ser exemplo).
     Pescador e apóstolo, considerado protetor das viúvas e dos pescadores, Simão (ou Simeão) Pedro - como era chamado na Bíblia - é celebrado nas zonas piscatórias com grandes procissões animadas com motivos marítimos (como, por exemplo, barcos no areal como palco de missa aberta à comunidade, a relembrar o episódio bíblico no qual Cristo pede um barco para falar às gentes que chegavam à costa.).
      Outros costumes marcam a homenagem: os que têm o seu nome acendem fogueiras à porta de casa; quem agarrar uma fita no braço de um Pedro deve receber deste um presente (por exemplo, ter paga uma bebida).

Trono de Pedro na Basílica de S. Pedro (Vaticano)

       Na Basílica de S. Pedro, em Roma, a homenagem maior é a dos turistas que, passando pelo trono, colocam a mão direita no pé do santo, formulando o voto de reconhecimento e esperando a graça do reencontro no domínio dos céus.
       Em tempo e lugar mais hodiernos, a homenagem é feita com as luzes da noite, as farturas, os churros e as pequenas vendas de rua; há palco para os artistas, há música popular, para o povo cantar e dançar até às tantas. Há de chegar a procissão.


     A festa foi animada, com o domínio religioso e o pagão em consenso, sem a bênção da chuva, aquela que também se diz que é controlada pelo Santo (o mesmo a quem se atribui também as chaves da porta dos céus).

sábado, 20 de agosto de 2011

Artigo (não notícia) de última hora!

       Este é o resultado de quem vai às compras e vê as prendas embrulhadas num jornal.

      É então que, no acto de desembrulhar para tudo emalar, os olhos pousam na página de jornal (é que nem tempo tive para comprar uma revista).
       É favor ler!


      Se não perceberem não há problema. Bem-vindos ao clube! É assim que um professor se torna um iletrado (valha-me Deus!, ou melhor, Alá! Se em terra de Roma sê romano, em terra de mouro sê muçulmano). Tudo é tão relativo.
      Há pormenores que, contudo, não deixam de se fazer marcar:
     1) a atenção dada a um artigo sobre educação, escola, professores, conforme o sugerido pela imagem (mas por que motivo não fui buscar outra? Espero que, ao menos, falem bem dos professores e do esforço que fazem para partilhar o que sabem);
      2) a grafia é espantosa, nos contornos consonânticos que apresenta (porque, diz o guia, os pontinhos correspondem a vogais - se ele o diz, para já dou por certo; contudo, hei-de confirmar, dado também ter ouvido dizer que os portugueses conquistaram Ceuta no século XIV... pronto também um seculozito a mais ou a menos... o senhor só confundiu os algarismos da data - 1415 - com os do século... nada que os alunos também não façam, na melhor das hipóteses), todos eles em variedade gráfica conforme se coloquem no início, no meio ou no final da palavra;
      3) o espaço de parágrafo à direita, então, é um primor (é como na televisão ter o travessão do discurso directo à direita, também...), prova de que a orientação da escrita e da leitura é contrária à nossa no que toca às letras (porque, quanto aos números, é tal qual nós lemos, da esquerda para a direita - não fossem os nossos algarismos árabes).

      Digamos que estas compras até foram muito culturais.
   

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sinais de outra cultura (que também nos fez)

      Para quem quiser conhecer ou render-se ao Ramadão...

   No nono mês do calendário muçulmano festeja-se o Ramadão (que este ano, em Marrocos, é precisamente o do presente Agosto, dadas as discrepâncias entre o calendário gregoriano e o lunar). É tido como o mês sagrado da revelação do Alcorão, no qual os praticantes adultos devem deixar de comer e de beber, da alvorada ao pôr-do-sol (sinal de um dos cinco pilares muçulmanos: o jejum), como forma de sensibilização para a fome dos pobres (sem esquecer que o quarto pilar é o da contribuição da purificação: doação feita em segredo e sem ser movido pela vaidade); de fumar e de ter relações sexuais. 
    Diz o guia que devemos ter em atenção o período pós 17:00, em que os muçulmanos se mostram muito irritadiços (por causa de tanta abstinência).
   Em pleno mercado da medina de Oujda, há uma loja com a entrada interrompida. De outro ponto do mercado, observo discretamente o vendedor dessa loja, um homem a abrir um tapete, a colocar-se sobre ele com os dois joelhos, a colocar uma bacia de água em frente. Molha as mãos e passa-as por cinco vezes na cabeça. Ergue as mãos aos céus e, depois, baixando-as em reza junto ao peito, põe-nas no chão. O homem fica na posição de quatro, até que a testa toca no chão. Repete este ritual por cinco vezes até que se reabre loja.
    É o horário de uma das orações (o Salat). 









    E, se dúvidas houvesse, cá está o horário para quem quiser render-se ao Ramadão.



   
   Entre as 21:03 e as 04:33 é tempo de festa, de comer e de beber, de tocar e de dançar, e sabe-se lá o que mais... Os turistas tiram fotografias, fazem filmes e compras. Observam, mas também se sentem observados, pelos nativos que, por baixo de tendas colocadas na rua (quais cafés ou pontos de convívio muçulmano ao ar livre), devem achar estranho por que tanta gente os olha por aquilo que fazem todos os dias.

Por terras de Marrakesh, em viagem.

    Depois das 04:33 regressa-se ao jejum e às cinco orações.

    Práticas do povo de Marrakesh (e não só) que assim deu nome ao país até que, segundo se diz, por superstrato da língua portuguesa, se tornou Marrocos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sinto-me um cadastrado...

     Como é possível acontecer isto? Mal chego a Saïdia dão-me uma pulseira (para não largar).

    Eu já tinha ouvido falar de pulseiras electrónicas, mas uma de plástico, com furinhos...
    Sinto-me como alguém a dar entrada no presídio, a ser punido (e só estou a ser protegido), condicionado (qual João Vale e Azevedo, só que em Marrocos e sem roubos), lançado para o meio de tantos outros a viverem a mesma condição: a da pulseira roxa (que dizem só ser retirada no check-out!).
   Em fase inicial desta estada, lá vou ter que me habituar a um corpo estranho colado à pele (não bastasse já sentir a poeira e o calor pegajosos) que só dão vontade de estar dentro de água.
   Assim seja!
    É o que me resta para o tempo que vou ficar neste enclave turístico, em continente africano. No meio de tanta terra-pó com a cor e o bafo quente do deserto, de contrabando de gasolina e de petróleo, de vendedores ambulantes de figos da Índia (nascidos em cactos rasteiros e espinhudos), de povoações deprimentes e casas abandonadas, de círculos de homens escuros sentados à sombra das árvores à espera do fim do horário do Ramadão (...E as mulheres? Onde estão?), de ruas movimentadas por motas e carros empoeirados, sujos, enferrujados e amassados (de modelos que já lá vão), eis que me aparece um paraíso protegido de tudo o resto: com direito a piscina, a restaurantes e saída autorizada (vigiada) para o mar.
     Como é possível fazerem-me isto! 
     Que é que eu fiz!
   At last... but not the least..., eis senão quando só falam árabe marrocci (magrebe, que eu entendo perfeitamente! Se ainda fosse árabe clássico, punha as frasezinhas da Fúria Divina em acção) ou, então, espanhol ou francês.
   


   Et voilá! Tout ce que je voulais... aller en vacances pour parler français. Hélas! C' est l'enfer! 
       Lá vou eu ter de falar à Monsieur Sarko. Prefiro à la Bruni.

sábado, 13 de agosto de 2011

Estou de saída para Saïdia (o nome pelo menos é lindo!)

    Não é um mero jogo de palavras. É o destino das férias deste ano.

   As imagens do catálogo eram espectaculares, no momento da compra. Também o são sempre, quando apresentam hotéis de amplas piscinas com meia dúzia de turistas (que se transformam em centenas / milhares) e um brilho tão atraente que, por vezes, fazem esquecer o verdadeiro calor da região.
   Para já, conforme as pesquisas que fiz, sei que é costa do nordeste africano, mediterrânica, ali próximo da fronteira da Argélia, numa designada 'pérola azul' do turismo marroquino.
   Há uma marina, para a qual os turistas são atraídos pelos espectáculos de música popular tradicional e por uma feira diária com programas de animação.
   Com temperaturas a rondar os 30-40 graus, as férias prometem: se já em Portugal o calor dos 28-35  é sufocante, não sei que diga dos 30-40 de Marrocos. Se não for dentro de água, pelo menos os quartos devem ter ar condicionado.

  Se não voltar, é porque fui trocado por um camelo (mais sorte de quem se livra de mim do que propriamente para o camelo, que ficará mais longe do seu habitat natural).

sábado, 16 de julho de 2011

Por Assis... com Santa Clara e São Francisco

     Podia ser em dedicação aos santos; podia ser uma questão de cortesia, com as senhoras (primeiro).

     Fico-me por saber que hoje foi dia de Santa Clara de Assis, em memória do seu nascimento nos finais do século XII (1194?).
     Há cerca de um ano bem perto estive dela, ou melhor, na sua basílica, em Assis. Trata-se de uma cidade da Úmbria, afamada pelo nome de dois santos: S. Francisco e Santa Clara. Desta última diz-se que seguiu o primeiro, tendo-lhe pedido auxílio para abraçar uma vida de acordo com as Sagradas Escrituras. Reconhecendo nela uma alma destinada às grandes realizações religiosas, Francisco prometeu ajudá-la. Entre os milagres, conta-se o facto de, num Domingo de Ramos, ela não se ter levantado para colher o ramo no altar; foi um bispo que se lhe dirigiu, ofertando-a com o tradicional ramo.
    Num universo e mentalidade medievais, é curioso como a santa mantém actualidade com a tecnologia presente: um ano antes de sua morte em 1253, Santa Clara assistiu à Celebração da Eucaristia sem necessitar de sair do seu leito (daí ser aclamada como protectora da televisão, da comunicação à distância).

Um percurso por terras italianas - viagem a Assis

     À distância está agora Assis. Só por 'tele' 'visão'.

     Assis é uma boa recordação - a de uma viagem que me levou até Itália e a vários dos seus pontos turísticos e culturais. Uma viagem de vida.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Das origens do presépio

     Com a chegada do Natal e dos seus motivos, relembrei Itália, Nápoles e a costa amalfitana.

     O tempo quente de férias nada tem a ver com o frio que, agora, fere as narinas, gela as mãos e corta a pele.
Foto da costa amalfitana, com o seu presépio de casas na encosta
(Agosto, 2010)  VO
      Foi a montar o presépio que ecoaram, na minha memória, as palavras da guia, algures no percurso entre Nápoles e a costa amalfitana: "Esta é a zona da origem dos presépios. Tudo isto se revê no que terá sido o primeiro presépio do mundo, construído em argila por São Francisco de Assis no século XIII (1223)". E, assim, se vislumbrava o casario pelas encostas (entre o traçado árabe e bizantino), além de se imaginar a iluminação que a noite traria.
     A propósito do presépio, parece que, em vez de festejar (como habitualmente) a noite de Natal na sua igreja, a floresta de Greccio foi o local para onde o então frade fez transportar uma manjedoura, uma vaca e um burro - figuras que passavam a explicar e a ilustrar melhor o Natal ao homem comum, a todos os que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus.
     De facto, vários foram os sinais da popularidade do costume, que parece ter surgido na província italiana da Campania.
    Uma nova tradição se instituía, espalhada que foi, durante a Idade Média, entre os principais espaços religiosos da Europa.
    Já em pleno século XVI, em 1567, a Duquesa de Amalfi mandou montar um presépio com 116 figuras para representar o nascimento de Jesus, a adoração dos Reis Magos e dos pastores, mais os cânticos dos anjos.


Presépio napolitano
à entrada do NH Ambassador
(Agosto, 2010)     VO



    Inspirado nesta experiência, não faltarão a manjedoura, o boi, o burro e umas quantas outras figuras no meu presépio, montado, desta feita, em terras gondomarenses, para aquecer um espaço que acolherá amigos e familiares.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Entre as novidades do Vaticano e as lembranças em Roma

      No dia em que se anuncia alguma mudança (será?) no pensamento do Papa, lembrei-me da minha passagem pelo Vaticano (e de como tive de esquecer que a Igreja é para os humildes, pobres e necessitados).

     Cerca de dois meses depois do meu regresso, lá por finais de Outubro, uma amiga dava-me a conhecer como uma das suas leituras se cruzava com as impressões do meu relato sobre os dias vividos em Roma.
     Aqui segue o excerto, por ela facultado (o que lhe agradeço) e da autoria de Possidónio Cachapa, no livro intitulado Rio da Glória (Oficina do Livro - 2006):


     "Já viram um turista de sandálias e ar deslumbrado, a percorrer Roma a pé? A extasiar-se com o Capitólio, a estremecer de compaixão diante do Coliseu, enquanto se desvia de uma horda bárbara de japoneses? Então, para quê contar esses primeiros dias de Mário? Para quê falar da forma como ele entrou em quantas igrejas pôde? Não para rezar, porque as sentia desertadas da presença de Deus, que só imaginava nos desertos ou voando sobre as águas, mas para se comover diante da beleza dos santos barrocos, das portas lacadas a madrepérola, onde o seu rosto sem atributos se espelhava melhorado. Sim, até à praça Navona ele foi… A olhar, curioso, grupos de austríacos que comiam gelados de chocolate ou pannacotta, um fotógrafo que pedia ao assistente que movesse a perna da modelo para mais perto do estômago, como se ela fosse um porco morto ou um cacho de peras sobre uma jarra tombada. Uma mulher velha, um chapéu de agência turística na cabeça, descansava na beira da fonte, enquanto o neto, de costas, marcava as gajas, com os pés imersos na água que parecia azul-clara. As estátuas de Bernini revolviam-se imóveis, melancólicas de representar o mesmo papel até que o tempo as levasse. Pombos cinzentos sujavam de excrementos o rosa estriado dos mármores. Tudo lhe interessava e o entusiasmava, não só por pertença, mas também por isso. Ser e não ser do tempo que lhe calhava. Estar e não estar com os que pisavam as pedras como meio de entretenimento. Sentado na piazza, na tarde morna, Mário estava a li e não estava; se estendesse as mãos, poderia ou não agarrar a beira de uma fonte ou roçar o corpo apressado de um estudante em férias.
    Gostou sobretudo da cor dos prédios, tão diferente dos brancos ou da decadência dos azulejos modernos a que se tinha habituado. Relaxava-se nos ocres, nos laranjas, em cores que vinham da terra. Davam-lhe segurança, como se não fosse preciso ir a mais lado nenhum. Calculou que fosse por isso que os guias de viagem insistissem em chamar à cidade “eterna”. Ir onde, se o passado se mantinha agarrado a nós como lapa?
      Nos anos que se seguiram, Mário visitou muitas vezes a cidade vizinha do estado que o acolhia, sem nunca se cansar dela. Pensava nas multidões que a cobriam como inundações periódicas, que aconteciam ao longo dos séculos e que recuavam, deixando sedimentos que alimentavam e alegravam a vida dos restantes seres. Talvez tenha sido isso o que o impediu de partir mais cedo."

FOTOS: 
cimo: Monte Capitólio (Campidoglio) ou Capitolino, uma das famosas sete colinas de Roma; 
segunda: Coliseu de Roma;
terceira: Piazza Navona, o salão de visitas de Roma;
fundo: Interior da Basílica de S. Pedro (Roma), altar central da autoria de Bernini.

      Hoje, três meses depois, o Vaticano (por razões distintas) regressa aos meus ouvidos e à minha memória.
  
     De facto, qualquer visitante de Roma e do Vaticano identifica-se com o que foi lido... de como nos sentimos parte de uma história, das raízes de uma cultura e de uma civilização de que somos uma pequena peça. Está ali a nossa herança, o peso do tempo a que pertencemos (passado e presente), o muito que somos (culturamente) na pequenez (física) que sentimos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vulcão Merapi - tão longe e tão perto...

    A erupção do vulcão em Merapi, na Indonésia, activou-me memórias muito recentes.

    A força destruidora da natureza está aí, viva, activa, desde 26 de Outubro. Ontem, mais uma erupção.

    São muitos os feridos; há corpos resgatados que se encontram carbonizados; há problemas respiratórios e queimaduras entre os que sobrevivem a mais uma catástrofe na Indonésia.
    Na outra extremidade do mundo, são e salvo, só tenho uma pequeníssima percepção do medo. E mesmo essa é tão distanciada quanto a de um turista que se viu perante uma possibilidade de ameaça: a de um vulcão que, a todo o momento, pode ainda expelir esse familiar manto de fogo, que os séculos acabaram por transformar em material para a construção de muros na cidade.
    Lembro-me de Pompeia, dos vestígios que, por ora, alimentam a fantasia dos turistas que a visitam; que fazem do presente memória de um passado trágica e ameaçadoramente repetível.


Vesúvio (ao fundo) dominando o Templo de Apolo, em Pompeia.
    Lá ainda se sente o peso sufocante de uma morte que dizimou os cerca de 5 mil habitantes da antiga cidade italiana, situada a sueste de Nápoles. Corria o ano de 79 d. C. e o Vesúvio vomitava a lava e os gases mortíferos. O resto viria com o passar das horas: chuvas de pedra e de gás, névoas de fumo e escuridão, ondas de fogo e cinza aquecida.
  Tempo de incineração, petrificação, de imobilização na posição de morte - a que perdurou até aos dias de hoje.

    Passados mais de mil e novecentos anos, as memórias lá estão a descoberto, graças às escavações que se têm vindo a fazer desde há cerca de dois séculos e meio - vestígios de uma cidade romana classificada Património Mundial pela UNESCO, na zona designada por Áreas Arqueológicas de Pompeia, Herculanum e Torre Annunziata.

domingo, 15 de agosto de 2010

Me vado lontano

   Finalmente...

   Un piculo apuntamento: vacanza (Milano, Firenze, Roma, Génova, Napoli), de preferenza sin Berlusconi.
   Si me tornero (piú felice) no lo so, ma io bisogno de un nuovo aire.
   La bella Itália!

   Até ao meu regresso (assim as asas do avião me tragam).