Espera . Procura . Encontros, Desencontros e Reencontros . Passagem com muitas Viagens . Angústias e Alegrias . Saberes e Vivências . Partilhas e Confidências . Amizades sem fim
Um aluno perguntava, a determinada altura da aula, se as palavras antónimas tinham alguma coisa a ver com antítese. Têm sim, enquanto mecanismo linguístico ao serviço de efeito retórico presente em discursos de natureza diversa.
Quando se diz que importa fazer da fraqueza força, as palavras antónimas finais configuram um jogo antitético, tal como o enunciado publicitário de um pacote de açúcar que me veio parar às mãos:
Um jogo antonímico ou antitético - leve / forte (Foto VO)
Não precisa de se enquadrar a questão das figuras de estilo ou figuras de expressão exclusivamente na lógica da produção literária. Poderá ser na comunicação do quotidiano, na linguagem argumentativa e persuasiva da publicidade, da política, da oratória, de textos poéticos ou literários.
A retórica não se prende apenas a questões de estilo; cumpre-se no(s) uso(s) da língua e no que se evidencia nas figuras de palavras. Mais um caso de evidência da inseparabilidade da língua e da literatura.
Não se trata de um título de filme, mas foi um filme!
Passada na televisão, uma nota da Presidência da República dava a ler uma fuga de informação de dados - nada que não possa a acontecer ao comum mortal que lida com dados sensíveis e os tenha armazenados numa base de dados que, inadvertida e inconscientemente, acabe "nas bocas do mundo" (lamentavelmente naquelas que mais berram aos quatro ventos).
Pelos vistos, muito mais coisas há a fugir. Até sons e sílabas:
Uma nota de alguém que preside e, no caso, é o Presidente (foto VO)
Verdade que o Presidente da República preside (verbo); presidente (nome), porém, tem mais sons graficamente representados (a nasalidade) e sílabas. Não é pelo tamanho que se define a qualidade do cargo, mas quem tem direito às sílabas e aos sons todos, assim seja.
Sei que muitas vezes já lemos o que não escrevemos; que a pressa é inimiga da perfeição. O imediato é tantas vezes vendido como fácil e eficaz que chega a assustar a facilidade que não resulta. Restam, portanto, a comunicação e a atenção como ingredientes necessários à correção.
E, já agora, além dos sons e das sílabas, repare-se a construção "devida a", mais a falta de uma vírgulazita aqui ou ali nos locais devidos (por ali depois do segundo travessão, por exemplo). Esta nota, por todas as razões, merecia outro(s) cuidado(s).
No caso, talvez fosse suficiente a informação oral, para que a nota da presidência não fosse objeto de uma visibilidade pública com tanta confusão. São fugas, senhores!
O dever de obrigação (deôntico) difere do de probabilidade (epistémico). Também há o dever das tarefas solicitadas, o do reconhecimento, mais o das dívidas a pagar (não sendo obrigação, bem que o podiam ser em qualquer dos casos, para evitar a falta, o silêncio e a injustiça). E na confluência de todos, vem o cómico:
Se ao primeiro se associa a atribuição e o reconhecimento (daí 'dever' ser sinónimo de 'atribuir-se'), ao segundo é dado o significado do pagamento ('estar em dívida'). É o que dá o termo ser polissémico (ou, então, o sentido de crise andar muito apurado).
Mais uma razão para se diversificar o vocabulário nas interações, não vá um aluno pretender brincar com a situação (e o significado das palavras).
O jogo homonímico (na semelhança gráfica e fónica das palavras) é evidente no inglês.
Só mesmo um viciado no tabaco para pensar que se proíbe o vestuário.
Regressado ao trabalho, nada como levar isto com espírito cómico.
Não se vai a lado nenhum. Apenas se vai tratar / abordar o cartoon enquanto género textual tão propício à crítica, à visão do mundo denunciadora de algumas fragilidades, ao trabalho de aspetos polémicos tão atuais quanto remotos - alguns dos quais com anacronismos evidentes.
Slide 1: Apresentação
Slide 2: Informação genérica (I)
Slide 3: Informação genérica (II)
Slide 4: Instruções de trabalho
Slide 5: Exemplos de dois cartoons
Slide 6: Construções de tópicos a partir das instruções de análise (I)
Slide 7: Construções de tópicos a partir das instruções de análise (II)
Do grafismo icónico ao texto, planificam-se tópicos (com base na análise feita em interação) e, depois, há sempre a oportunidade de orientar para a produção escrita de apreciações críticas: um parágrafo para se descrever o que se observa objetivamente; outro para interpretar os dados descritos à luz da análise e da intencionalidade crítica; um final para uma tomada de posição apreciativa / depreciativa, fundamentada, face à construção do cartoon. Dado o esquema / plano textual, a partir daqui é só facultar o tempo de textualizar, de interagir pontualmente - atentando na mancha gráfica / no esquema textual, na extensão frásica (que não deverá estender-se por mais de duas linhas), na coesão interfrásica e na seleção / adequação vocabular. Isto para começar. Depois far-se-á o trabalho corretivo mais ao nível da microestrutura (da ortografia e da pontuação). Não se pode ter a pretensão de corrigir tudo de imediato.
Passo a passo, vai-se construindo uma oficina de escrita, articulada com conteúdos de leitura (programaticamente contemplados na disciplina de Português).
Depois de O Pátio das Cantigas, chegou O Leão da Estrela, com a Canção de Lisboa já anunciada.
Por mais que se ouça no filme que tudo o que é inusitado se parece com um filme de 1947, o remake de Leonel Vieira pouco tem a ver com o original, tal como já havia acontecido com O Pátio das Cantigas (1942).
A comédia de enganos portuguesa, a preto e branco, de Arthur Duarte, ressurge quase setenta anos depois, não com António Silva - Anastácio, administrativo adepto do Sporting a preparar-se para um 3 a 1 contra o Porto (que se fica por 2-1) no estádio do Lima, mas, desta feita, a cores, com Miguel Guilherme - Anastácio funcionário das finanças, adepto dos Leões de Alcochete a sofrer a derrota por 2-1 contra o Inferno Futebol Club num estádio alentejano.
Um dos trailers de 'O Leão da Estrela' - Novos Clássicos (2015)
Na deslocação para assistir ao jogo (num estádio "lindo" de um pequeno clube local), Anastácio leva a sua família para terras alentejanas, ficando esta alojada na casa de uma família rica (ironicamente, Barata) cujo filho (André Nunes) é "amigo" de Facebook de Jujú (Sara Matos). Realidades para um tempo novo, moderno, afastado da década de quarenta do século passado e das tradicionais rivalidades (clubísticas e de sotaque) entre Lisboa-Porto.
O fim interrompido do filme atual (sabe-se lá como correrá a vinda dos Barata a Alcochete, para dar o aval ao casamento do filho com Branca, que foi Estrela) é uma revisão da sugestão de pedido de casamento não pronunciado do comandante aos pais de Jujú no final do clássico português (dado que não comparece na versão atual, para além de os papagaios de outrora terem sido substituídos por um peixinho laranja, que acaba por morrer). Filipinho permanece motivo de riso em ambas as películas. A comédia instala-se nalgumas (poucas) cenas, nalgum (previsível) nonsense e nalguns (repetidos) tiques de personagens, nomeadamente os de registos de língua cruzados com pronúncias muito marcadas, seja a dos alentejanos seja a do novo-riquismo afetado (de que a forma de tratamento "você" é mero exemplo).
Pormenor do cartaz 'Novos Clássicos' (com réplicas do filme)
É verdade que é comédia (embora, para mim, os bloopers finais tenham resultado melhor do que o sorrisos surgidos ao longo do filme); usa-se e abusa-se dos enganos, tal como no original (desta feita mais deslocados para a influência do par Anastácio - Jujú), mas não posso dizer que o resultado seja extraordinário, mesmo por comparação com o resultado da adaptação de O Pátio das Cantigas. Valham as interpretações de Miguel Guilherme (Anastácio), José Raposo (Barata), o mecânico Miguel e a "criada" Rosa (Aldo Lima e Dânia Neto), mais Alexandra Lencastre e Manuela Couto (Srª. Barata e Carlota) num contraste tão concertado (e sem concerto) que se constrói no seio de tanto logro a saltar à vista (e ao ouvido) do espectador entre as máscaras (re)criadas.
Conclusão: como diria Anastácio, "isto das mentiras é uma coisa lixada. Um gajo perde-se nisto"! Venha o terceiro (que, pelos vistos, antigamente, foi o primeiro de todos).
Recordo uma passagem que fecha o livro Claraboia, de Saramago.
No diálogo entre um sapateiro (Silvestre) e um filósofo (Abel), este último contrapõe algumas das ideias e atitudes do primeiro, seu senhorio, acabando por fazer uma reflexão acerca da linguagem:
"As mesmas palavras (...) anunciam ou escondem objectivos diferentes. (...) Contenta-se em dizer: amo os homens - e isso lhe basta, esquecendo que o seu passado exige alguma coisa mais que uma simples afirmação. Diga-me, por favor, que interessa ao mundo essa frase, ainda que seja proferida por milhões de homens, se faltam a esses milhões de homens todos os meios necessários para fazer dela mais que o resultado de um impulso emocional?"
Ed. Caminho, 2011, p. 396
Lembrei-me da passagem e da reflexão, muito ao encontro do que muitas vezes digo: às vezes podemos estar a dizer as mesmas palavras, mas o sentido que cada um lhes atribui é completamente diferente. Dizer que dói a cabeça é discurso demasiado comum a tantos sofredores, ainda que, por certo, a uns doa mais do que a outros. Também os problemas de uns são tão iguais na palavra, mas tão distintos na sua natureza ou essência. Mais do que o impulso do dizer muito interessam a intenção e a intensidade do fazer, para não falar mesmo da verdade no sentir. Daí que muitas vezes seja necessário passar das palavras aos atos. Quando estes não chegam, aquelas perdem eficácia, valor, sentido(s); ficam gastas num uso vazio de significado, que não implica nem resulta em ação.
Felizmente, ainda há quem cumpra os atos. E as palavras ficam tão mais plenas de significado na comunicação que se estabelece.
Reflexão pragmática, por certo, como todo o final de um romance que discute o que é a vida, as inutilidades e negações que ela tem até ao dia em "que será possível construir sobre o amor". Aqui se afirma a necessidade dos afetos, para que a vida adquira sentido(s).
Este é o balanço final do "A família Bélier", filme dirigido por Éric Lartigau.
Há uma história tão comum, banal até, que não propõe atrativo nenhum para levar alguém a ver o filme: uma jovem camponesa é incentivada, pelo professor de canto, a apostar no talento e dom que, de repente, revela; a saída de casa e a ida para a capital tornam-se um problema, nomeadamente pelo que significa sair do "ninho" familiar e da vida local.
Há um parzinho amoroso, umas relações de adolescentes em contexto escolar (e não só), um professor entre o desiludido e o (pouco) inspirado ou empático, uns políticos que fazem lembrar os que vemos praticamente todos os dias na televisão (sem se saber muito bem porquê) e uma família com as preocupações do quotidiano, seja no trabalho seja na vida comunitária.
Há um ou outro toque de comédia a permitir alguns sorrisos.
Há alguma música interessante, até pelo espírito revivalista da música francesa e de compositores / cantores das décadas de 60/70 do século XX, como é o caso de Michel Sardou. Ao longo da película, surgem as composições ("La maladie d'amour", "Je vais t'aimer", "En chantant"). Há quem não as reconheça; outros, como eu, sim e acompanham-nas na surdina, de boca fechada e com as ligeiras vibrações na garganta, como se participassem nos ensaios e nos espetáculos dados a ouvir na película. Uma se destaca, naturalmente, por ser a que a protagonista (Louane Emera, no papel de Paula Bélier) canta - "Je Vole" (da década de 80).
"Je vole" (de Michel Sardou), interpretada por Louane Emera
Mes chers parents, je pars
je vous aime mais je pars
vous n'aurez plus d'enfant
ce soir
je n'm'enfuis pas, je vole
comprenez bien: Je vole
sans fumée, sans alcool
je vole. Je vole
elle m'observait hier
soucieuse troublée, ma mère
comme si elle sentait, en fait elle se doutait
entendait
j'ai dit que j'étais bien, tout à fait l'air serien
elle a fait comme de rien, et mon père dèmuni
a souri
ne pas se retourner, s'éloigner un peu plus
il y a la gare, un autre gare et enfim, l'atlantique
je me demande sur ma route
si mes parents se doutent
que mes larmes ont coulé
mes promesses et l'envie
d'avancer
seulement croire en ma vie
tout ce qui m'est promis
pourquoi, où et comment
dans ce train que s'éloigne
chaque instant
c'est bizarre, cette cage
qui me bloque la poitrine
je ne peux plus respirer
ça m'empêche de chanter
Acima de tudo, há uma língua que ganha pelo poder comunicacional que tem - a língua gestual de uma família (pai, mãe, filho) que "fala" na condição de surdez a que está forçosamente votada. Só Paula Bélier (a filha) nasce a ouvir, ainda que tenha sido educada para que vivesse na condição dos progenitores - quase numa espécie de preconceito ao contrário. Ela é a intérprete dos pais e do irmão para o universo verbal.
No jogo de interação e comunicação vividos, no seio da família e dos que com ela convivem, é interessante ver como as diferentes personagens reagem antes de saber da condição dos Bélier. Quase se pode perguntar quem sofre mais por não se fazer entender.
Trailer do filme de Éric Lartigau
Por fim, há três momentos fundamentais do filme: quando os pais e o irmão de Paula a vão ver ao espetáculo da escola, impondo-se o silêncio que os Bélier vivem e deixando os espectadores apenas ver os gestos, os movimentos, as reações das personagens como as únicas linguagens do mundo; quando o pai se aproxima ao mundo da filha, pedindo-lhe que cante e, ele, vai sentindo as vibrações da melodia (que não ouve, mas sente, a ponto de reconhecer o dom da filha e de a apoiar no sonho a seguir); quando a jovem canta para o júri do concurso de canto e traduz, em língua gestual, a letra para os familiares. "Je vole" é simultaneamente o voo da protagonista e uma declaração de amor aos pais.
Vale a pena ver o filme nesta última perspetiva - numa relação entre língua e afetos; nas limitações físicas que a comunicação parece não ter ou procura efetivamente ultrapassar, quando se faz na base e na partilha das emoções. Uma possível defesa ou contribuição para uma língua emocional ou para a importância da emoção da/na língua.
É com este título que acordo no fim de semana, a propósito do evento Escritarias.
Fundado em 2007 na cidade de Penafiel, este sucesso cultural tem vindo a afirmar-se anualmente pelos discursos artísticos promovidos fora dos circuitos habituais associados à homenagem de autores da cultura, literatura e da língua portuguesa. Nomes como Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto e António Lobo Antunes juntam-se ao de Mário de Carvalho, este ano o indicado como autor inspirador de um grande número de iniciativas pela cidade.
A par dos grandes nomes literários, outros surgem como o do jornalista Mário Galego, premiado com a reportagem radiofónica "Ser Português" (Antena 1). A este propósito fica aqui o registo do que pode bem ser objeto de trabalho didático, em termos da compreensão oral (para escuta ativa) e/ou de eventual integração noutras dinâmicas de trabalho relativos ao ensino da língua (na sua relação com o escrito, por exemplo).
Em cerca de doze minutos, resume-se o percurso realizado pelos repórteres Rita Colaço e Mário Galego, durante o mês de junho, desde o Gerês até Vila Real de Santo António - sem deixar de passar pelos Açores e pela Madeira.
Um caminho para a descoberta, tanto da inovação como da tradição, do que compõe esta condição de "Ser Português".
Um contributo para a nossa identidade cultural e, daí, um bom documento para utilizar nas aulas de língua, de literatura e de cultura.
Entre os finais do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o psicólogo germânico Wilhelm Stern, para além de introduzir o conceito de 'QI', referia-se àquilo que considerava ser a primeira forma de comunicação. O alemão Wilhelm Stern foi pioneiro nos estudos da psicologia da personalidade e da inteligência
Salientando o contributo relevante dos jogos de imitação no desenvolvimento da linguagem, no que se possa designar como domínio da espontaneidade da criança, o estudioso orienta-se para o conceito de “convergência” enquanto processo de conquista da linguagem pela criança numa interação contínua entre disposições internas, que a preparam para o exercício da linguagem, e condições externas (frequentemente associada à estimulação exercida pelos adultos para a realização dessas disposições).
Para Stern, a convergência é um princípio geral que permite abordar todos os comportamentos humanos, nomeadamente os linguísticos. Não descura o papel determinante dos fatores sociais e ambientais, mas não deixa de salientar a dimensão interna que subjaz, por exemplo, ao que entende como primeira forma de comunicação: a da concordância afetiva, também reconhecida por Espinoza. Ainda sem a marca da cognição (da consciência), essa forma comunicativa assenta em aspetos de vitalidade: frente a quem chora, alguém chora; frente a quem se ri, alguém se ri.
Baruch de Espinoza, de ascendência judaico-portuguesa,
foi um racionalista e filósofo prático do século XVII
Neste sentido, comunicar passa pela assunção do afeto (affectus) enquanto expressão da mudança, da transição (transitio) de um estádio para outro (seja no corpo afetado seja no afetante), com orientação positiva ou negativa para o corpo afetado (respetivamente, definindo-se pelo aumento ou pela diminuição da potência de agir do corpo). A partir do momento em que a consciência se instala, contudo, muitos outros afetos surgem, nomeadamente os que mais estrategicamente se constroem. Potencialidades da comunicação.
São pessoas, são leituras, são sentimentos, são músicas... muitas vezes feitos com problemas de expressão.
PROBLEMAS DE EXPRESSÃO
só para dizer que te amo
nem sempre encontro o melhor termo
nem sempre escolho o melhor modo
devia ser como no cinema
a língua inglesa fica sempre bem
e nunca atraiçoa ninguém
o teu mundo está tão perto do meu
e o que digo está tão longe
como o mar está do céu
só para dizer que te amo
não sei porquê este embaraço
que mais parece que só te estimo
e há até um momento em que digo o que não quero
e o que sinto por ti são coisas confusas
e até parece que estou a mentir
as palavras custam a sair
não digo o que estou a sentir
digo o contrário do que estou a sentir
o teu mundo está tão perto do meu
e o que digo está tão longe
como o mar está do céu
e é tão difícil
dizer amor
é bem melhor dizê-lo a cantar
por isso esta noite fiz esta canção
para resolver o meu problema de expressão
p'ra ficar mais perto
bem mais de perto
ficar mais perto
bem mais de perto
A solução estará na música, nessa harmonia de sons que apazigua o ser? Assim o sugeriu Shakespeare quando, no discurso da loucura do seu Richard II, lembrou que aquela pode aquietar e dignificar; trazer a serenidade, o equilíbrio ("it have holp madmen to their wits").