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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Noite ou manhã escuras à espera do templo

      Acordar com a prisão de Nicolás Maduro.

      Seja essa a expressão para pôr fim a quem encabeçava, até ontem, na ação ou na concessão, uma situação que não dignificava todo um povo a gritar por liberdade; a mostrar a possibilidade de um outro caminho, entretanto barrado pelo autoritarismo imposto por um regime pouco ou nada democrático; só discursivamente popular.
     A esperança e a resistência venezuelanas são a afirmação da possibilidade; são o sentido daquilo que não se quer vivido e se deseja mudar: despotismo, injustiça, desigualdade, oportunismo.
      Seja esta a oportunidade que não se quer perdida!
     Ainda assim, no meio das celebrações, quero continuar a acreditar que os fins não justificam os meios usados. Nascido o dia, sinto que continuo na escuridão. Por isso, lembro vozes e música portuguesas a sinalizar o caminho: "que o amor nos salve nesta noite escura".

Composição para as "noites escuras" vividas fora do "templo do mundo", com as vozes de
Pedro Abrunhosa e Sara Correia (programa televisivo "Em Casa d' Amália", 10-11-2023 - RTP1)

      Mais um passo para a "trumpalhada" que vivemos - uma noite muito escura, onde as estrelas tudo têm de brilho falacioso, pautado por interesses extremados e extremistas: "uma luz que cala". Quero acreditar que "ninguém nesta terra é dono do templo", que "ainda há frutos sem veneno".
       Seja este o dia feito "semente [que] será fruto pela vida fora."

     Não se aplauda ou legitime o que, sendo dito, não é senão o interesse de alguns ou de quem o diz - afinal, não muito diferente do que já existia e, talvez, se tenha derrubado ilusória ou momentaneamente.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Um dueto com "olhos de Deus"

        Uma versão musical que, em dueto, resulta numa peça singular.

        A letra de Pedro Abrunhosa e o canto de Ana Moura são combinação perfeita para um fado-canção que ganha também com a interpretação do compositor. Assim se apresentou televisivamente (na TVI, primeiro, na RTP-1, hoje, em "A Casa d'Amália") esta composição tão genuína nas sonoridades e no texto:

Versão em dueto de "Tens os olhos de Deus" 
(emissão televisiva da TVI)

TENS OS OLHOS DE DEUS

Tens os olhos de Deus
E os teus lábios nos meus
São duas pétalas vivas
E os abraços que dás
Rasgos de luz e de paz
Num céu de asas feridas
E eu preciso de mais
Preciso de mais

Dos teus olhos de Deus

Num perpétuo adeus
Azuis de sol e de lágrimas
Dizes: fica comigo
És o meu porto de abrigo
E a despedida uma lâmina
Não preciso de mais
Não preciso de mais

Embarca em mim

Que o tempo é curto
Lá vem a noite
Faz-te mais perto
Amarra assim
O vento ao corpo
Embarca em mim
Que o tempo é curto
Embarca em mim

Tens os olhos de Deus

E cada qual com os seus
Vê a lonjura que quer
E quando me tocas por dentro
De ti recolho o alento
Que cada beijo trouxer
E eu preciso de mais
Preciso de mais

Nos teus olhos de Deus

Habitam astros e céus
Foguetes rosa e carmim
Rodas na festa da aldeia
Palpitam sinos na veia
Cantam ao longe que sim
Não preciso de mais
Não preciso de mais

Vídeo oficial do original (no álbum "Moura", de 2015)

         O cruzamento com a boa música portuguesa tem acontecido a diferentes tempos, mas com zonas comuns de reconhecimento. A voz de Ana Moura tem sido uma das constantes.

          Do álbum "Moura" (o sexto, da fadista - 2015) vem o original. Cinco anos depois, está aí umas das composições, com novas interpretações.

domingo, 14 de outubro de 2018

Não há três sem quatro

     A contar pelas versões do filme, já não chega dizer que não há duas sem três.

    2018 é o ano para o 'remake' em terceira versão de "A Star is Born", depois do original datado de 1937. Mais de oito décadas passadas, Janet Gaynor dá lugar a Lady Gaga (depois de Judy Garland e Barbra Streisand). Um tanto de musical com um outro tanto de romantismo são ingredientes para misturar e derivar numa receita a ver na tela.

Trailer Oficial de 'A Star Is Born' (remake de 2018)

     A história consabida do músico, em final de carreira, que estimula e vê ascender artisticamente a mulher amada é o pano de fundo melodramático comum para um enredo quase secular, desta feita composto também pelo protagonismo que a música dá a ouvir na banda sonora. Os planos de 'backstage' de alguns dos concertos ou os preparativos para os shows conjugam-se nesse propósito de representar o percurso regressivo de Jack(son) e a ascensão de Ally (essa 'aliada' que se afirmou e se singularizou como estrela). Se a versão de 1976, com o par Barbra Streisand-Kris Kristofferson, tornou Evergreen melodia oscarizada, o mesmo se prenuncia com muitas das canções agora interpretadas pela dupla Lady Gaga-Bradley Cooper. 
      Talvez o dueto de "Shallow" seja um dos casos a considerar:

Montagem imagem-música (VO) para "Shallow" de 'A Star Is Born' (2008)

      SHALLOW

Tell me something, girl
Are you happy in this modern world?
Or do you need more?
Is there something else you’re searching for?

I’m falling
In all the good times
I find myself longing for change
And in the bad times I fear myself

Tell me something, boy
Aren’t you tired trying to fill that void?
Or do you need more?
Ain’t it hard keeping it so hardcore?

I’m off the deep end, watch as I dive in
I’ll never meet the ground
Crash through the surface
Where they can’t hurt us
We’re far from the shallow now

In the sha-ha- sha-ha-ha -llow,
In the sha-ha- sha-ha-ha- llow,
In the sha-ha- sha-ha-llow,
We’re far from the shallow now


    Também a cantiga final da película - "I'll never love again", numa homenagem a Jack(son) Maine (Bradley Cooper) e na interpretação de Ally Maine (Lady Gaga) - cumpre a marca de um fecho arrasador, para uma narrativa emocionalmente crescente, com a dupla romântica a afirmar-se para lá do que a morte possa impor. Uma breve analepse final traduz essa declaração de amor de Jack, num sentimento que se vê ameaçado pela doença, por um ciúme mitigado de incapacidade e perda progressivas, por jogos de interesse colaterais, por (pres)supostas experiências ou representações que o passado não deixa(ou) apagar.
     A música aproximou Jack de Ally (mesmo quando a necessidade do álcool parecia ser maior); pela música ambos sofreram, vivendo (na composição e na voz) numa entrega que nem sempre se revelou harmoniosa, mas fez vingar o que os uniu. O sonho, tornado real,  revelou-se duro, intenso, sofrido, com a "luz" a incandescer o que de mais doloroso e irónico a vida (também) tem.

      Assim nasce(u) uma estrela, dando brilho também a uma outra que a morte não conseguiu apagar.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Pensando na montanha...

     Tudo vale, quando não se quer fazer o que tem de ser feito.     

     Porque tenho uma montanha de testes para corrigir, esqueço-os e fico-me pela montanha.
     A música também assim motiva a escolha:


     MOUNTAIN

You say that we're apart
And you can’t reach me
Yeah you can’t reach me
You got a broken heart
Don’t let them see it
Don’t let them see it

You built a wall bigger than your dreams
Feeling so small, covered in your fears
Baby, open the door
Let me come closer
I’ll dry your tears

When the lights go out
I’ll still be here
When the world falls down
Just listen clear

If only you knew that your words can
They can move a mountain
You’re changing my world when you’re smiling
I can’t live without it
And I won’t leave you hanging, hanging, oh no
I won't leave you hanging, hanging, oh no
I won't leave you hanging, hanging, oh no
'Cause you are the air that I breath

Agir:
Step into the dark
So you can see me
So you can see me
We’re a work of art
That I couldn’t finish
I couldn’t finish
I built a wall bigger than my pride
And how I wish you were here by my side
But I closed the door
Still I want you closer
With nothing to hide

When the lights go out
Search for me, search for me
And I’ll clear your doubts

If only you knew that your words can
They can move a mountain
You’re changing my world when you’re smiling
I can’t live without it
And I won’t leave you hanging, hanging, oh no
I won't leave you hanging, hanging, oh no
I won't leave you hanging, hanging, oh no
'Cause you are the air that I breath
Yeah you are the air that I breath
Yeah you are the air that I breath
Yeah you are the air that I breath
   
     Ao contrário do que cantam Carolina Deslandes e Agir, "I feel myself hanging, hanging, oh no !"

    Nem com música (com toada internacional que seja) isto vai lá! A montanha (de testes) é muito alta! E, ao contrário da letra, as palavras que leio não movem montanhas. Pena sinto que assim seja, quando, apesar de tudo, esta profissão ainda é "the air that I breath".

sábado, 30 de novembro de 2013

Depois de uma noite feita de "Oh, les beaux jours" (ou "Happy Days")

        Só por ter sido trauteada, hoje a música não me sai da cabeça.

     A meio da representação de "Ah, os dias felizes" (1960-61) surgem os acordes da "Viúva Alegre" (1905), composta pelo austríaco Franz Lehár (1870-1948).
      Beckett construiu a personagem Winnie enquanto mulher que faz o balanço de um percurso de vida, composto das memórias, lembranças que o discurso e a linguagem permitem reconstituir; na encenação de Nuno Carinhas, associou-se-lhe a música e uma das composições ouvidas é a de Lehár.
      É dessa melodia que hoje não me livro:


      No dueto do tenor espanhol Plácido Domingo e da soprano porto-riquenha Ana Maria Martinez, fica esta versão da valsa que popularizou Lehár.

     Melodia para uma história de amor feita de encontros e desencontros, principalmente construída para emocionar”.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Lírico: do texto ao canto

    Hoje foi tempo para falar de texto lírico. Houve quem se lembrasse de canto lírico, mas de tenores ou sopranos a questão foi mais difícil.

    Porque um dos pontos do programa é precisamente o da poesia lírica (cantada e configurada na expressão emotiva de um 'eu'), procurou-se recuperar a noção de 'lírica' no que tem de modo literário e de afinidades com outras expressões artísticas.
    A música, no género do canto lírico, é uma aproximação feliz. Todavia, referências como Plácido Domingo, Josep Carreras ou Luciano Pavarotti não parecem dizer muito à maioria dos jovens. Lembrei-me, então, de Freddie Mercury: não é cantor lírico, mas ainda há quem se lembre que o vocalista dos Queen cumpriu um dueto com a soprano Montserrat Caballé. Ouvir "Barcelona", na interpretação dos dois cantores, é um exemplo dessa intensificação emotiva que tanto caracteriza o lirismo.

Montagem de som e imagens, a partir de recolha na Internet
(vídeo original da composição em https://youtu.be/Y1fiOJDXA-E)


     BARCELONA

Barcelona Barcelona

I had this perfect dream
Un sueño me envolvió
This dream was me and you
Tal vez estás aquí
I want all the world to see
Un instinto me guiaba
A miracle sensation
My guide and inspiration
Now my dream is slowly coming true

The wind is a gentle breeze
El me habló de ti
The bells are ringing out
El canto vuela
They're calling us together
Guiding us forever
Wish my dream would never go away

Barcelona!
It was the first time that we met
Barcelona!
How can I forget
The moment that you stepped into the room
You took my breath away

Barcelona!
La música vibró
Barcelona!
Y ella nos unió
And if God is willing
We will meet again
Someday

Let the songs begin
Déjalo nacer
Let the music play
Ahhhhhhh...
Make the voices sing
Nace un gran amor
Start the celebration
Ven a mi
And cry!
Grita!
Come alive
Viva!
And shake the foundations from the skies
Ahhhh, Ahhhh.... Shaking all our lives

Barcelona!
Such a beautiful horizon
Barcelona!
Like a jewel in the sun
Por ti seré gaviota de tu bella mar
Barcelona!
Suenan las campánas
Barcelona!
Abre tus puertas al mundo

If God is willing
If God is willing
If God is willing
Friends to the end
Viva!
Barcelona!

       E segue-se uma das versões ao vivo, em Ibiza, corria o ano de 1987:

O dueto de Mercury e Caballé (Ibiza, 1987)

      Uma combinação de rock e da ópera resultou no dueto de uma soprano e de um vocalista rock que, em voz de barítono, compôs uma canção para a cidade, tornada hino dos jogos olímpicos de 1992. Composta em 1987, a composição viria a ser gravada um ano depois. No dia dos jogos, Freddie Mercury já não era vivo.

    Tudo para dar conta da emotividade, da projeção que a intensidade sentimental traz à arte (seja ela música seja ela literatura, ou, mesmo, pintura).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Fica a melodia

     É de mel o dia, quando voz(es), texto e música trazem alegria.

     Revisto o espetáculo que Ivan Lins protagonizou em Guimarães, aquando da Capital Europeia da Cultura 2012, um dueto com Raquel Tavares impõe-se: "Vieste".


          VIESTE

Vieste na hora exata
Com ares de festa e luas de prata
Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres colhidos prá mim
Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas plantadas em mim

Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim
Meu amor

Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos e velas ao vento
Vieste me dando alento
Me olhando por dentro, velando por mim

Vieste de olhos fechados num dia marcado
Sagrado prá mim
Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim


   Boa voz, belo texto, linda composição em momento grandioso do evento, dirigido pelo maestro Rui Massena e orquestrado pela Fundação Orquestra Estúdio. Estava-se em novembro, pelos 24 dias.

     Fica o registo do que terá sido, por certo, um grande momento da música em português, só pelo que a televisão ainda vai deixando rever. Fica ainda a melodia, pelo que constata e pelo que deixa sempre sugerir.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Para lembrar

     RTP 2 lembra o espetáculo de Ivan Lins, no Multiusos de Guimarães, no passado dia 24 de novembro.

    Um concerto de Lusofonia - com Português do Brasil, de Portugal, de África - foi o que o compositor brasileiro acabou por apresentar, cantando ao lado de nomes como os de Paulo Flores, Raquel Tavares e Paulo de Carvalho.
      "Lembra de mim" foi uma das canções interpretadas com Raquel Tavares, artista de mão cheia, bem para lá da fadista que é:


       LEMBRA DE MIM

Lembra de mim!
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz...

Lembra de mim!
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás...

Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...

Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...

Lembra de mim!...


     Os merecidos aplausos sublinham um momento bem sucedido, porque bem interpretado, emotivo... mágico no evento.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Haja música (para enganar certos dias)!

      Para a inutilidade de certos dias e do que neles temos de fazer, mais vale lembrar que há música.

      E para os que não saibam o que ela é, aqui fica o significado:


      MUSICA È

Musica È
Musica è
Guardare più lontano e perdersi in se stessi
La luce che rinasce e coglierne i riflessi
Su pianure azzurre si aprono
Su più su i miei pensieri spaziano
Ed io mi accorgo che
Che tutto intorno a me, a te

Musica è
La danza regolare di tutti i tuoi respiri su di me
La festa dei tuoi occhi appena mi sorridi
Tu e il suono delle labbra tue
Tu sempre di più
Quell'armonia raggiunta in due
Ti ascolterò perché
Sei musica per me, per me.

Io sento ancora
Le voci della strada dove son nato
Mia madre quante volte mi avrà chiamato
Ma era più forte il grido di libertà

E sotto il sole
Che fulmina i cortili
Le corse polverose dei bambini
Che di giocare non la smettono più
Io sento ancora cantare in dialetto
Le ninne nanne di pioggia sul tetto
Tutto questo per me
Questo dolce arpeggiare
È musica da ricordare
È dentro di me... fa parte di me... cammina con me

È
Musica è
L'amico che ti parla
Quando ti senti solo
Sai che una mano puoi trovarla.

È
Musica è
Da conservare, da salvare insieme a te

Senti
Più siamo in tanti e più in alto sale
Un coro in lingua universale
Dice che dice che
Anche del cielo han bucato la pelle
Lo senti
È l'urlo delle stelle

Forse cambierà
Nella testa della gente
La mentalità
Di chi ascolta ma non sente
Prima che il silenzio
Scenda su ogni cosa
Quel silenzio grande
Dopo l'aria esplosa

Perché un mondo senza musica
Non si può neanche immaginare
Perché ogni cuore anche il più piccolo
È un battito di vita e d'amore
Che musica è...


      "L'amico che ti parla / Quando ti senti solo / Sai che una mano puoi trovarla". Assim é a música e assim ficam, então, as tristezas e as inutilidades esquecidas.
      (E não é que me lembrei de Roma... deve ser efeito da música e de 'la parola italiana').

     Assim se passa a lembrar que houve momentos de música no dia, no tempo, na vida.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Na condição das estrelas

      Seja porque estão tristes seja por ficarem da cor do céu, a condição das estrelas é sempre superior.

     Isto é o mínimo que se pode dizer de um grupo famoso (The Corrs) que partilha o palco com o vocalista de um outro: Bono Vox, dos U2.
     O sucesso impõe-se, na certeza de que os irlandeses têm grandes representantes na música do mundo.



When The Stars Go Blue (The Corrs featuring Bono)

Dancin' where the stars go blue
Dancin' where the evening fell
Dancin' in your wooden shoes
In a wedding gown

Dancin' out on 7th street
Dancin' through the underground
Dancin' little marionette
Are you happy now?

Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue
Where do you go when you're lonely
I'll follow you
When the stars go blue, blue
When the stars go blue, blue
When the stars go blue, blue
When the stars go blue

Laughing with your pretty mouth
Laughing with your broken eyes
Laughing with your lover's tongue
In a lullaby

Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue
Where do you go when you're lonely
I'll follow you
When the stars go blue, blue
When the stars go blue, blue
When the stars, when the stars go blue, blue
When the stars go blue
When the stars go blue, blue, blue
Stars go blue
When the stars go blue

Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue, yeah
Where do you go when you're lonely
I'll follow you, I'll follow you, I'll follow you
I'll follow you, I'll follow you, yeah
Where do you go, yeah
Where do you go, Where do you go



   "Where do you go? / I will follow you": Felicidade a destas estrelas, que, por mais tristes que sejam, brilham no caminho de alguém que tem outro alguém que o siga. Na terra, a condição é outra, mesmo que nela se veja o cair das estrelas.

     Dançando, rindo, cantando... para seus males ir espantando.

domingo, 29 de julho de 2012

Venha o que vier...

      Duas vozes, um filme, uma história para afirmação de um amor eterno.

      Moulin Rouge (2001) é o título de um filme, um musical realizado por Baz Luhrmann onde se pode encontrar uma composição com um dos mais belos duetos, nas vozes de Nicole Kidman (no papel de Satine) e Ewan McGregor (no de Christian): 'Come what may'.


     Composto por David Baervald para o filme 'Romeu e Julieta', o trecho acabaria por ser reescrito para um novo filme, também com cores trágicas na intriga. A letra faz lembrar Pessoa e a frase que pronunciou no fim da vida: "I know not what tomorrow will bring". Tem, contudo, origem numa outra referência da literatura: a do texto shakespeariano intitulado Macbeth

        COME WHAT MAY

Never knew I could feel like this
Like I've never seen the sky before
Want to vanish inside your kiss
Everyday I love you more and more


Listen to my heart, can you hear it sings
Telling me to give you everything
Seasons may change winter to spring
But I love you until the end of time

Come what may, come what may
I will love you until my dying day

Suddenly the world seems such a perfect place
Suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn't seem such a waste
It all revolves around you

And there's no mountain too high no river too wide
Sing out this song and I'll be there by your side
Storm clouds may gather and stars may collide
But I love you until the end of time

Come what may, come what may
I will love you until my dying day
Oh come what may, come what may
I will love you

Suddenly the world seems such a perfect place...

Come what may, come what may
I will love you until my dying day


    Num futuro composto do que haja de mais desconhecido, o título da música sublinha uma certeza: a de um amor assumido como eterno, por mais trágico que se revele o destino (assim dele já fiz referência noutros apontamentos).

   Acreditando ou não na sua existência, dedicar-lhe letras de canção e cantá-lo resultam em experiências dignas de relembrança.
      

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amor sem fim...

    Para quem nele acredite, há vozes que o cantam.

    Há versões musicais que se tornam difíceis de avaliar quanto à qualidade. 
    Diz-se que não há amor como o primeiro e, no que toca a canções, um dueto já por si perfeito torna-se difícil, dificílimo de igualar (mesmo que isso não signifique imitar).
    A década de 80, no ano de 1981, viu um fracasso fílmico dar lugar a um sucesso musical escrito por Lionel Richie e partilhado, na voz, com Diana Ross.


     A dupla teve 'cover', doze anos depois, com Mariah Carey e Luther Vandross - duas vozes acrobáticas para uma melodia serena e romântica.

Versão ao vivo de "Endless Love" (Albert Hall, 1994)

ENDLESS LOVE

My love
There's only you in my life
The only thing that's right


My first love
You're every breath that I take
You're every step I make

And I
I want to share
All my love with you
No-one else will do

And your eyes (your eyes, your eyes)
They tell me how much you care
Oh, yes
You will always be
My endless love

Two hearts
Two hearts that beat as one
Our lives have just begun

And forever (forever)
I'll hold you close in my arms
I can't resist your charms

And I
I'd be a fool
For you, I'm sure
You know I don't mind (no, you know I don't mind)
You mean the world to me, yeah
I know I've found in you
My endless love

Whooooa
And I
I'd play the fool
For you, I'm sure
You know I don't mind (you know I don't mind)
Oh, yes
You'd be the only one
'Cause no-one can't deny
This love I have inside
And I'll give it all to you
My love (my love, my love)
My my my
My endless love

    Duas faces para uma mesma moeda, a de um texto e de uma música colocados nos primeiros vinte lugares do TOP-100 das Melodias de Sempre.

      Ganha o amor por uma das mais emotivas músicas que o cantam.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Para quem precisa de acreditar

      Na falta de confiança, no rumo das incertezas, no futuro que amedronta, para tudo há uma saída.

      Uma canção transporta a mensagem: "When You Believe..." (Just Believe).


    Alguém me dizia que chorava quando ouvia esta canção. Acredito (pois o mesmo se passou quando a escutei pela primeira vez e procurei disfarçar a lágrima que caía mal as luzes do cinema abriram para dar saída aos espectadores do "Príncipe do Egipto"). 
    Já lá vão muitos anos e a força da letra, da música e das vozes mantém-se. Por ironia, uma das intérpretes parece que se esqueceu do que (nos) quis transmitir.

        WHEN YOU BELIEVE

Many nights we prayed
With no proof anyone could hear
In our hearts a hope for a song
We barely understood
Now we are not afraid
Although we know there's much to fear
We were moving mountains
Long before we knew we could, whoa, yes 

There can be miracles
When you believe
Though hope is frail
It's hard to kill
Who knows what miracles
You can achieve
When you believe somehow you will
You will when you believe 

[Mmmmmmmmmyeah]
Mmmyeah
In this time of fear
When prayer so often proves in vain
Hope seems like the summer bird
Too swiftly flown away
Yet now I'm standing here
My hearts so full, I can't explain
Seeking faith and speakin words
I never thought I'd say 

They don't always happen when you ask
And it's easy to give in to your fears
But when you're blinded by your pain
Can't see the way, get through the rain
A small but still, resilient voice
Says love is very near, oh [Oh]

There can be miracles (Miracles)
When you believe (Boy, when you believe, yeah) [Though hope is frail]
Though hope is frail [Its hard]
It's hard to kill (Hard to kill, oh, yeah)
Who knows what miracles
You can achieve (You can achieve, oh)
When you believe somehow you will (Somehow, somehow, somehow)
Somehow you will (I know, I know, know)
You will when you believe [When you]
(Ohoh)
[You will when you]
(You will when you believe)
[Oohoohooh]
[Oh... oh]
[When you believe]
[When you believe]


     Uma letra de fé, de esperança, na consciência das limitações, da fragilidade que elas possam evidenciar. A possibilidade de vencer está em quem acredita e na resiliência. O Óscar de 1999 para esta música também foi um sinal de como é possível crer num dom e num valor maior.
     
     Na variância do que seja o objeto da crença, esta é a mensagem a que todos nos devemos agarrar. Os sucessos a construir terão sempre mais significado se resultarem daquilo em que acreditamos.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Novo silêncio para antiga voz - uma don(n)a que se foi.

     Mais um óbito para o mundo da música.

     A doença da moda levou mais uma das grandes vozes negras do panorama musical: a "Rainha do Disco", conforme foi apelidada nas décadas de 70 e 80 do século passado.
    Cantora de sucessos como "Love to love you baby", "I feel love", "Hot Stuff", "Bad Girls", "Last Dance" e "She works hard for the money", Donna Summer (nome artístico para LaDonna Adrian Gaines, nascida em Boston no último dia de 1948) falece aos 63 anos, depois de ter influenciado a carreira de muitos autores, cantores e grupos musicais. Um deles, os Westlife, cantou com a diva afro-americana num dos duetos produzidos, originalmente, com Barbra Streisand: "No more tears (Enough is enough)":


    A versão feminina, mais clássica, havia juntado duas vozes portentosas: Donna Summer e Barbra Streisend.


   NO MORE TEARS (enough is enough)

It's raining, it's pouring
my lovelife is boring me to tears,
after all these years

No sunshine, no moonlight,
no stardust, no sign of romance
we don't stand a chance

I've always dreamed I 'd find the perfect lover
but he turned out to be like every other man
our love, our love

Raining (raining)
pouring (pouring)
there's nothing left for us here
and we won't waste another tear

If you've had enough,
don't put up with his stuff,
don't you do it
If you've had your fill,
get the check pay the bill,
you can do it

Tell him to just get out
nothing left to talk about
pack his raincoat show him out
just look him in the eyes and simply shout

Enough is enough is enough
I can't go on, I can't go on, no more no
enough is enough is enough
I want him out, I want him out that door now

I've always dreamed to find the perfect lover,
but he turns out to be like every other man
our love (I had no choice from the start)
our love (I've gotta listen to my heart)
our love (tearing us apart)

Goodbye mister, goodbye,
goodbye mister, goodbye sugar

No more tears
no more tears
no more tears
I've had it, you've had it, he's had it, we've had it
enough is enough is enough is enough

is enough is enough is enough is ENOUGH!!!


    Muitos milhões de discos vendidos, quarenta anos de carreira premiados com os mais altos galardões da música, voz e estilo inconfundíveis - assim fica sumariamente registado um balanço de vida que vê a sua existência física finalizada, para dar lugar ao canto que na memória perpetuará.

    Caso para dizer, em período de tanta morte em tantas boas vozes, "enough is enough".

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cesária Évora... com 'sodade'

     Uma palavra que tanto cantou fica na memória de quem a escutou.

    'Sodade' é o sentimento e o hino para uma voz que se silenciou, aos setenta anos, na sua fonte mais genuína e autêntica: a da pessoa que fez projetar Cabo Verde para o mundo.
   Depois de um dueto com uma voz do Brasil, fica o registo deste outro divulgado há cerca de quatro anos, com mais uma voz desta feita portuguesa...
     ... Portuguesa como a língua que une todos os que a cantam, nas suas múltiplas variedades.

        
     SODADE

Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa São Tomé

Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra São Nicolau

Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be
Até dia
Qui bô voltà

Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra São Nicolau


     Com a perda física de Cesária, o português perde também uma das maiores representantes do género musical da morna, aquele que a tornou La Diva aux Pieds Nus, embaixadora musical desse arquipélago atlântico ao Senegal encostado.

     Um dia para prantear, ao jeito de uma morna, a familiar 'Cize' (Cesária Évora), que pisou vários palcos do mundo sempre na ânsia de regresso ao seu Mindelo (de S. Vicente).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pode não vir bom vento, mas é possível um belo casamento

    É o que se pode dizer, face ao tradicional pensamento de que de Espanha nem bom vento nem bom casamento.

     Um espanhol (já conhecido e mencionado neste blogue) e uma lusa percorrem ruas e espaços lisboetas...
     Duas guitarras, entre elas a portuguesa.
     Uma melodia a duas vozes: as de Pablo Alborán e de Carminho.

 
    O trinado das vozes combina-se, numa proximidade ao fado português e a uma balada com toque de "salero" e "flamenco" (outro dos patrimónios imateriais da humanidade), que tomam o "perdão" como uma só palavra à espera da consequência.

       PERDÓNAME


Si alguna vez preguntas el por que
No sabré decirte la razón
Yo no la sé
Por eso y más
Perdóname

Ni una sola palabra más
No más besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que sí


Si alguna vez
Creíste que por ti
O por tu culpa me marché
No fuiste tú
Por eso y más
Perdóname

Si alguna vez te hice sonreír
Creístes poco a poco en mi
Fui yo lo sé
Por eso y más
Perdóname


Ni una sola palabra más
No mas besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aquí
No hay manera ni forma
De decir que sí

Siento volverte loca
Darte el veneno de mi boca
Siento tener que irme así
Sin decirte adiós


Perdóname.

     Quase se diria um perdão conjunto, pelo afastamento histórico, mas com um olhar voltado para o horizonte de uma Ibéria que tem mais de proximidade nas diferenças do que separação.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Canção bela para letra triste... com queixa e esperança

      Tentar de novo... para a vida.

     O fogo que une pode ser também o que separa, qual "fogo que arde sem se ver" feito de "contentamento descontente", como lembrou Camões.


          TRY AGAIN

One look
You know that you've fallen
She knocks you over
You say this is it


Perfect
Straight from a movie
He says all the right things
You know he's the one

Next time around
Try again

Weeks pass
Still kind of perfect
My heart's removed now
I gave it to you

Passion
You constantly move me
Further and further
Reaching my soul

Next time around
Try again

Tonight
Plans for a movie
You call me to cancel
Girls going dancing

Sundays
Our romantic picnics
Turn into football
Boys will be boys

Now months pass
Knowing you love me
I've taken you forever
Together for granted

Next time around
Try again

Home late
You won't even kiss me
The eyes of my angel
Accuse me I'm guilty

Follow me
To my friends' house
Hide 'cause we're dying
Jealousy is cancer

Next time around
Try again


You never give me any space
or time to breed
Try again

Sometimes I wish you'd leave alone
and get away from me
Try again

I can't believe you'd say these things
If you're in love with me
Try again
I never thought you'd ever say
Those awful things to me
Try again

Oh no
The roses I gave you
Are suddenly fading
Along with our love

Who cares
The credits are rolling
Love's just a movie
There's always an end

Love is what it is
It just is


     Fosse o amor tão simples quanto um "Love is what it is / It just is". Sê-lo-á, no caso de não estar em cada um de nós, o que faz com que o tornemos "something different always in hope to try again".

sábado, 22 de janeiro de 2011

Simplesmente excelente!

     Hoje recebi uma prenda: novo vídeo da "minha música".

     Não sou certamente o único na apreciação desta canção e desta interpretação. É "minha" porque a tenho sempre comigo e porque a ouço sempre que alguém me procura. É como se nos tornássemos... ONE:


    
     Quando, há tempos, me referi a um toque inspirador foi a propósito, entre outras coisas, da música e da letra desta canção, que recebeu duas vozes de ouro. Ficou divinal esta combinação de U2 com Mary J. Blige.
     É um gosto ouvi-la de novo, e vê-la numa nova versão de vídeo, mesmo que o original seja sempre de considerar.

           ONE

Is it getting better?

Or do you feel the same?
Will it make it easier on you now?
You got someone to blame.

You say one love, one life
It's one need in the night
One love, we get to share it
Leaves you, darling, if you don't care for it.

Did I disappoint you?
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without.

Well, it's too late, tonight,
To drag the past out into the light
We're one, but we're not the same
We get to carry each other, carry each other
One

Have you come here for forgiveness?
Have you come to raise the dead?
Have you come here to play Jesus
to the lepers in your head?


Well, did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it's all I got
We're one, but we're not the same.
Well, we hurt each other, then we do it again.


You say:
Love is a temple, love is a higher law
Love is a temple, love is the higher law
You've asked me to enter, but then you make me crawl
And I can't keep holding on to what you got
When all you got is hurt.


One love, one blood
One life you got to do what you should.
One life with each other: sisters and my brothers.
One life, but we're not the same.
We get to carry each other, carry each other.
One! One! One! One! One!



     De 2005 (só para me ficar por esta interpretação, em dueto) até hoje... e para sempre. ONE!

     Grato, pela partilha (inclusive pelos comentários), à Tokas, num sinal da(s) proximidade(s) que vamos tendo.
         

domingo, 23 de maio de 2010

Uma voz fisicamente silenciada

     A morte é estado que abala qualquer mortal (quem perde a vida e quem vive com a perda).

    A notícia da morte de Beto soou, quebrando o aparente ritmo rotineiro dos dias. A música hoje compõe-se noutro estilo, para dar lugar à pesarosa despedida combinada com o tom de pranto pela perda de uma voz doce e rouca que se fazia ouvir, nos últimos tempos, na rádio e televisão com alguma frequência.
    42 anos de idade interrompidos por uma paragem cardio-respiratória; uma carreira em afirmação, com alguns momentos altos.
    Na memória, ficam várias melodias, uma delas muito apreciada e aclamada, numa parceria de sucesso:

"Brincando com o fogo" no dueto de Rita Guerra e Beto

    BRINCANDO COM O FOGO

Vem no fim da noite sem avisar,
dança no silêncio do teu olhar,
a chamar por mim, a chamar por mim.

Chega com a brisa que vem do mar,
brinca no meu corpo a desinquietar
como um arlequim, como um arlequim.

Chega quando quer e não quer saber,
nem do mal que fez ou que vai fazer,
é um tanto faz, crer ou não crer.

Chega assim,
cavaleiro andante,
louco e triunfante,
como um salteador,
p'ra no fim, nos deixar a contas,
com as palavras tontas que dissemos por amor.

E eu que jurei nunca mais cair
nesses teus ardis, nunca mais seguir
esse teu olhar, esse teu olhar.

De nada nos vale tentar fingir
para quê negar ou sequer fugir
desse mal de amar, desse mal de amar.

Chega quando quer e não quer saber
nem do mal que fez ou que vai fazer,
é um tanto faz, crer ou não crer.

   Duas vozes no jogo harmonioso das voltas que Rita Guerra e Beto souberam encontrar em vários eventos musicais (nomeadamente o da gravação de "Desencontros", em 2000).

     Uma voz subtraída a um dueto que fica gravado para a posteridade e para, a partir de hoje, se rever ao vivo eternamente em diferido.

sábado, 14 de março de 2009

Poesia, o Mar e Tu

        Perguntava-me uma amiga o que seria da vida sem beleza. 

        Partilhou uma música: o mar e tu.



        Ao som da melodia e das vozes de Andrea Bocelli mais Dulce Pontes, recuperei as imagens do mar, da viagem, do céu...
        Surgiram, então, uns versos.

       O MAR E EU

A mim chegas por insistente conquista.

De mim te afastas sem qualquer temor;
A mim regressas por natureza… teimosia;
Sem mim ficas, por um salmourado amor.

Vejo-te orla dispersa, nesse limite branco
De um azul estendido até ao horizonte,
Ao céu pedindo humildemente a cor.

Banhas meus pés, lembrando-me pecador.
Rendo-me aos caprichos do húmido areal.

Por te ver, fecho os olhos e sorvo teu rumor.
Sem te ouvir, inspiro, recordo esse volátil sal,
Pescado numa lágrima solta, em sofreguidão.

Na pena fico, cheirando-te, vendo-te, ouvindo-te
Sem que haja concha ou búzio na minha mão.

VO
Espinho
Março 2009
    É esta a vida. Quanto à beleza...