Mostrar mensagens com a etiqueta Música clássica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música clássica. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Mais um...

      O dia teve direito a dedicatória de música, a foto inspiradora e outras coisinhas boas mais.

      Para além do mais importante (em família), das múltiplas mensagens de amigos, de colegas, de conhecidos, umas últimas surpresas fizeram-se de música e imagem.
     Dedicaram-me a "Barcarolle", composição romântica de Jacques Offenbach. Também designada como a "Belle nuit, oh nuit d'amour", na ópera "Os contos d'Hoffman", havia já sido estreada numa outra ("Les fées du Rhin") neste dia e mês, em Viena, corria o ano de 1864:

Registo musical de "Barcarolle", de Offenbach (finais do século XIX)

      Ouvia-a toda, em versão apenas musicada, e, depois, numa outra já vozeada pelo canto lírico (com os agradecimentos à ARS e à CF):

Versão, em canto lírico, de "Barcarolle" - de Jacques Offenbach

      Veio depois a imagem, que é a minha cara: um espaço natural com porta aberta para o mar e para o horizonte (com agradecimento à MCA):

Uma porta para o mar e novos horizontes (imagem sugerida pela MCA)

     Vieram, então algumas linhas. Com a porta aberta para o mar, vou olhar e abraçar novos horizontes, projetar futuro, fazer do azul cor de destino(s), sempre na expectativa de as verdes heras me prenderem a memórias de outras eras, etapas de vida já passadas.

      E depois disto, a prenda do Futebol Clube do Porto (FCP) com a vitória sobre o Sport Lisboa e Benfica (SLB) - até parece que sou ferrenho adepto do futebol! Não o sendo, sabe sempre bem quando o resultado nos sai risonho.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Nem de propósito...

      Assim se costuma dizer (e, agora, escrevo) quando de coincidências se trata.

      Ainda há dias redigi um apontamento sobre a música de Mendelssohn, a propósito de "Sonho de uma Noite de Verão". Hoje, no programa televisivo "Joker" apresentado por Vasco Palmeirim (concurso - teste de conhecimento, no qual o concorrente responde a um conjunto de doze questões, cada uma na modalidade de escolha múltipla), alguém fez uma má escolha:

Foto  da emissão televisiva do programa "Joker" (na RTP1)

     Caso para dizer que, se tivesse ido ao Coliseu (no passado dia dezoito) ou tivesse lido o apontamento desta "Carruagem 23", o concorrente teria melhor sorte.

       Não foi feliz este "casamento" musical, a julgar pela alternativa selecionada na imagem.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

De Shakespeare a Mendelssohn

      Tempo de música (alemã) e literatura (inglesa) em português.

      SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO: o título é shakespeariano, o de uma comédia cujo início foi inspirador para um espetáculo que, não sendo teatral, se tornou música (a partir da composição do alemão Felix Mendelsshon), canto e leitura expressiva. Da combinação resultou um concerto de sonho numa noite de primavera, sem enganos, sem equívocos ou erros interpretativos, sem o registo hilariante da “comedy of errors”; antes com a melodiosa harmonia de instrumentos de sopro, cordas e percussão, a enlevar o auditório com as reconhecidas ‘Abertura’ e ‘Marcha Nupcial’, entre outras. Foi ontem, no Coliseu do Porto, em harmonia, em melodia e a convocar essa fronteira entre o sonho ou a ilusão (dos efeitos emotivos nos espectadores) e a realidade (do que foi dado a ver na execução). 
     Numa parceria com o Centro Cul-tural de Belém e a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissio-nal, o ‘Festival Dias da Música’ veio ao Porto, tendo o espe-táculo decorrido de um grande estágio de orquestra, orien-tado pelo maestro Cesário Costa e aberto a alunos de música de Conservatórios Oficiais, de Escolas Profissionais e de Ensino Particular e Cooperativo de todo o país. Com a orquestra (setenta músicos), cerca de noventa vozes fizeram-se ouvir: as do Coro Lira, do Coro dos Meninos Cantores da Trofa, do Coro da Academia de Música de Espinho e as das solistas Ana Maria Pinto e Patrícia Quinta. 
    No seio de tantas estrelas, a jovem promissora Catarina Farias fez-se ouvir com a penetrante sonoridade do seu oboé. 
     Um casamento feliz a três: canto, execução musical, mais a leitura expressiva de Pedro Penim, como narrador, a evocar alguns segmentos traduzidos (por Maria João da Rocha Afonso e Diana Afonso) desse texto dramático inglês. Ficou, assim, enquadrada a progressão de trechos musicais e cantos com a obra literária dos finais do século XVI, recuperando esse 'drama' no qual Egeu pretende casar a filha Hérmia com Demétrio, o qual, por sua vez, ama Helena (amiga de Hérmia). Apaixonada que é a primeira por Lisandro e sem direito a escolha, segundo as leis de Atenas, é a partir de Hérmia que se revelam os primeiros desconcertos no amor (cruzados nos universos da corte, do bosque e da representação dos populares). Fugidos os amantes para um bosque (reino fantástico onde Titânia, rainha das fadas, também está em conflito com o esposo Oberon, rei dos elfos), há feitiços e peripécias dramáticas, nomeadamente as vivenciadas com os “mechanicals”, a ensaiarem, no bosque, uma peça para o casamento dos duques Teseu e Hipólita. Como “All’s well that ends well”, é o amor que acaba por prevalecer.

'Festival Dias da Música' - foto do Coliseu do Porto

     Tal como no final da obra shakespeariana – quando Oberon apela para a música como indicador de recomposição da harmonia e fim do “jangling” (fim das confusões na intriga dramática) -, também os que foram à cidade invicta encontraram na música uma porta de luz, saindo encantados nessa ilusão ou nesse sonho de que há mais para além de um mundo por vezes demasiado duro de real. Tempo, música, companhia e poesia para a vida.

sábado, 6 de outubro de 2018

(Mais) Uma voz que fica...

    ... nos registos da memória.

    Anunciada a morte da barcelonesa Montserrat Caballé, aos oitenta e cinco anos, pode dizer-se que esta semana foi trágica para a música internacional
   Acompanhada que foi das grandes vozes do século (como os tenores Luciano Pavarotti, Josep Carreras ou Placido Domingo), esta foi uma das sopranos mais reconhecidas mundialmente. Negado por ela mesma o estatuto de diva da ópera, o canto lírico marcou-a e deu-lhe a projeção que a sua cristalina e pianíssima voz conquistou.
     Manteve-se a humildade e a simplicidade, que não deixaram de a engrandecer, como se dá a ver num pequeno documentário biográfico difundido no país vizinho:

    Breve documentário biográfico (televisão espanhola)

    O dueto com Freddy Mercury, com "Barcelona" (1987), talvez seja dos seus momentos musicais mais significativos para o comum dos apreciadores da primeira de todas as artes; muito espetáculo marcou a sua vida, pelos palcos do mundo, num reconhecimento dessa voz possante equiparada a Maria Callas e a Renata Tebaldi.
    Aos mais de vinte minutos de aplauso que teve no início da carreira, segue-se a gratidão eterna para os que viram em "La Superba" (como também era conhecida) uma digna vocalista, merecedora das imensas honrarias recebidas (desde o Prémio Príncipe das Astúrias, em 1991, à Grã Cruz da Ordem de Mérito da República Italiana, em 2009).

     No descanso merecido, a eternidade do canto para sempre consagrar.

sábado, 30 de novembro de 2013

Depois de uma noite feita de "Oh, les beaux jours" (ou "Happy Days")

        Só por ter sido trauteada, hoje a música não me sai da cabeça.

     A meio da representação de "Ah, os dias felizes" (1960-61) surgem os acordes da "Viúva Alegre" (1905), composta pelo austríaco Franz Lehár (1870-1948).
      Beckett construiu a personagem Winnie enquanto mulher que faz o balanço de um percurso de vida, composto das memórias, lembranças que o discurso e a linguagem permitem reconstituir; na encenação de Nuno Carinhas, associou-se-lhe a música e uma das composições ouvidas é a de Lehár.
      É dessa melodia que hoje não me livro:


      No dueto do tenor espanhol Plácido Domingo e da soprano porto-riquenha Ana Maria Martinez, fica esta versão da valsa que popularizou Lehár.

     Melodia para uma história de amor feita de encontros e desencontros, principalmente construída para emocionar”.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Um outubro outoniço, como se impõe.

       Com outubro em curso, as amareladas cores, os cheiros dos assadores de castanhas e a brandura de um enevoado frio são mais que familiares.

     A cada outubro outoniço reveem-se os sinais que nos afastam do calor estival; nos fazem ganhar consciência da anunciada invernia.
    "Canção de Outono" foi o título que Nikolay Bernard atribuiu a uma das dozes peças para piano encomendadas ao russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky - composição destinada ao mês de outubro, conforme se pode encontrar em "Les Saisons".


       No melancólico e elegíaco toque, na contenção a evocar aconchego, no recrudescimento que cede perante o lento e suavizado final, adormece o tempo num silenciado instante, ao qual se seguirá a troika (infeliz palavra!) representada por novembro.

     Assim se compõem as estações, com o registo clássico tchaikovskiano para uma canção que celebra o mês ontem começado.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

'O Pianista' - da História à Música

      Eis um filme que desconcerta qualquer ser humano.

    É daquelas películas a ver quando sentimos que tudo está mal connosco - rapidamente nos apercebemos do nosso mal menor, dado o efeito de real para que a ficção nos transporta.
   O contexto histórico da Segunda Guerra Mundial e o percurso da personagem Władysław Szpilman (interpretado pelo oscarizado Adrien Brody) são um retrato de um tempo e um mundo em ruínas, nos quais a vida se confronta continuamente com o perigo, a ameaça do fim. O começo da Segunda Guerra Mundial e a invasão da Polónia (em 1 de Setembro de 1939) condicionam a vida de Szpilman, na deterioração crescente a que população judia se viu votada: com limitação na circulação de dinheiro, com faixas identificadoras da sua origem, com o abandono das casas e dos bens, com a separação dos núcleos familiares, com a fome e a perseguição humilhante que a acompanhou para os guetos e para os campos de concentração / aniquilação.
       A sobrevivência da personagem principal faz-se à custa da separação da família, da sua integração no trabalho escravo, do seu esforço de fuga a todo o tempo praticamente ameaçado, da sua iminente morte à mão dos próprios salvadores russos (que o vêem com um casaco alemão vestido). 

Trailer de O Pianista (2002), realizado por Roman Polanski.
    
   Assistindo às acções de resistência, sem nelas poder participar, Szpilman é descoberto, na fuga final, pelo capitão Wilm Hosenfeld (Thomas Kretschmann). Entre eles, a música compõe a união de perseguido e perseguidor, a ponto de este último se tornar no seu salvador (levando-lhe comida e deixando-o esconder-se nos bairros arruinados pelos nazis).

Uma das cenas mais significativas do filme: o entendimento do perseguido e do perseguidor pela música
(Balada nº 1, op. 23 de Chopin)
   
   Com esta protagonista na vida de Szpilman (tanto na vida feliz como na que o fez contactar directamente com as mais diferentes formas de terror), a música torna-se das únicas notas de felicidade e harmonia existentes na intriga fílmica, mesmo quando a personagem ora não se pode dar a ouvir no toque do piano ora não tem o instrumento musical senão na própria mente, Porque esteve sempre lá, a música é símbolo da diferença no crime e no caos instalados (é interrompida no início da película; impõe-se na última cena); é o registo de um final feliz para um filme triste, francamente duro, penoso na apresentação dos atos perversos, sádicos e aniquiladores do regime nazi.
   O Pianista é uma produção  cinéfila já com oito anos (o filme data de 2002), mas ainda suficientemente forte para, a par de A Lista de Schindler (1993), A Vida é Bela (1997) e O rapaz do pijama às riscas (2008), fazer lembrar o holocausto de um período que não se pode ter repetido sob nenhum pretexto; para evocar a música (personagem principal de muitos filmes) que, no caso presente, um Chopin deu à Humanidade.

    Dirigido por Roman Polanski (também agraciado com o Óscar de Melhor Realizador), O Pianista apoia-se na autobiografia homónima escrita pelo músico polaco Władysław Szpilman e constitui-se como tributo à sobrevivência ou grito de alerta para a desumanização que, infelizmente, emerge em tempos de guerra.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Do acto ao facto

     Apresentação pública de uma nova associação recreativa e cultural em Gondomar - ou de como um acto de juventude se faz facto cultural.

      Dia in Skené, ou melhor, noite in Skené. E eu in kreváti.

      Muitos assistirão ao 'Tudo em Pessoa(s)';
      eu fico-me pela imaginação.
      O gosto de um palco vivido e contracenado no público não foi para mim.
      Espero que o seja para os que me apoiaram na loucura
      de partilhar uma recriação pessoana
      feita de muitos versos,
      feita de múltiplas vozes,
      feita de ensaiados gestos,
      feita de ousada representação.

      Tudo começará com o escuro...
      com uma melodia...


      com uma voz transcendente... entre muitas outras presentes...
      ... e os sentidos possíveis.

      Assim foi pensado o reencontro do público com Ofélia e Pessoa.
     Entre o lamento de não estar onde não posso e a convicção de que muitos darão vida a um sonho, fica o desejo de que este nascimento seja mais um sinal da esperança ambicionada.