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sábado, 25 de outubro de 2025

Nostalgias e Ousadias

       Hoje foi dia de (re)encontros, no Lugar de Desenho - Fundação Júlio Resende (Valbom).

    A convite da Adriana Carmezim e da Cristina Pinto, fui apresentar o relançamento do Nostalgias (outubro de 2001 - de 2025) e o nascimento público do Ousadias. Duas artistas, duas publicações, duas expressões artísticas (desenho / fotografia e escrita literária), num crescendo multiplicativo que preencheu o dia com sentido(s), sentimento(s), reflexão(ões), memória(s), vivência(s) a todo o tempo revitalizadores.

As obras da Adriana e da Cristina, no Lugar do Desenho (Valbom) - exemplos interartísticos

      O espaço é belo, as obras apresentadas também; e as pessoas são o melhor, quando o tempo é (re)vivido em sorrisos, partilha e (re)união.

A responsabilidade de apresentar duas obras é grande. Foi uma honra!
 (Foto facultada pela AC e CP)

      O meu contributo procurou trazer vivências tão contrastivas quanto complementares, referências sintonizadoras de expressão (inter)artística e cultural (literárias e não só), bem como a partilha, o testemunho, a parceria, a sintonia, a terapia, a difonia (duas pessoas com duas expressões artísticas capazes de se multiplicarem em comunhão e beleza), para harmonias, geografias e cosmogonias mais humanas e humanistas.
         Destas autoras fico à espera de outro '...ias' (e já sei qual é)!

      Lá fora chovia, mas o calor humano do momento aqueceu uma tarde outoniça a prenunciar inverno. Agradecimento à Adriana Carmezim e à Cristina Pinto pela aposta.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Histórias de fadas com verdade(s) para crianças e adultos

     Sentidos pedagógicos de muitos livros para crianças residem na mensagem para todas as idades.

    Tive já oportunidade de referir como a literatura para jovens e crianças é frequentemente associada ao mundo adulto. Senti-o na mensagem lida de As Fadas do Bosque das Cores e das Estórias - um livro que mostra como um mundo dividido às cores é seguramente mais pobre do que o profuso colorido do bosque; como o diferente também atrai e se descobre; como as fadas também são humanas na(s) aprendizagem(ns); como ler e ouvir histórias é oportunidade para criar laços, partilhar, comunicar / comungar valores.

As Fadas do Bosque..., de Dolores Garrido - I 

     Se, no início, está tudo ordeiramente arrumado num conformismo sem aventura, tudo muda, a determinada altura, abrindo-se novas perspetivas - é tempo de (re)aprender. Até porque grupo formado não quer ver ninguém afastado, mesmo quem, às vezes, na cor diferente que tem, se quer afirmar pela individualidade a que tem direito:

As Fadas do Bosque..., de Dolores Garrido - II

   Em cerca de sessenta páginas, valoriza-se a diversidade, a inclusão, a memória, a preservação, as mudanças do(s) e no(s) tempo(s), o sentido da descoberta e da alegria. Lembra-se que tudo o que é bom não apaga o seu reverso:

As Fadas do Bosque..., de Dolores Garrido - III

    Porém, tudo pode dar lugar a um novo ciclo:

As Fadas do Bosque..., de Dolores Garrido - IV

As Fadas do Bosque..., de Dolores Garrido - V

    Tal como as árvores que da raiz e do rebento chegam, por renovação, à alta copa, o significado da amizade ganha contornos mais amplos, múltiplos, diferenciados, caso se queira fazer desta procura, aproximação, vivência plural, em visão e acolhimento multicolor num só arco (de renovadas e diferentes íris) e num só bosque (a que todos pertencemos).

As Fadas do Bosque..., com ilustrações de Cristina Pinto - VI

     Em tempos de tolerância, diversidade e inclusão em constante (re)construção, o arco-íris do "vermelho lá vai violeta" (vermelho-laranja-amarelo-verde-azul-anil-violeta) recria-se num bosque cheio de letras, artes e cores: o castanho-amarelo-azul-verde-vermelho-rosa-roxo das sete fadas, que revelam a magia de aprender com e quais seres humanos.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Com um bosque por cima das cabeças...

       Foi, assim, a tarde de hoje, num lugar de arte e onde tudo pode ser possível.

     No Lugar do Desenho, de Júlio Resende, aconteceu a apresentação de As Fadas do Bosque das Cores e das Estórias, de Maria Dolores Garrido, livro com ilustrações de Cristina Pinto, publicado sob a chancela da Editorial Novembro.
      Se a editora se designa Novembro, o certo é que já estamos em dezembro - um mês no qual muita coisa acontece, inclusive um bosque a pairar por cima das nossas cabeças, tal como uma foto do evento o dá a ver:

A mesa da apresentação: representante da Fundação, representante da editora, 
Dolores Garrido, Idalina Ferreira, Cristina Pinto (Foto VO)

     Um projeto de Cristina Pinto para marcar o momento com a fantasia e a magia necessárias ao universo criado no livro de Dolores Garrido: o de um bosque onde a alegria e a felicidade são trazidas pelos meninos; onde a magia se faz sem varinhas de condão; onde as árvores mais bonitas não são de uma só cor; onde a vida é feita da graça e do seu contrário. Na descoberta desse bosque, abrem-se os horizontes do cuidado, da solidariedade, da diversidade, da união que não esquece a liberdade e a individualidade e se constrói a cada reconciliação. 
A obra apresentada como "um dos livros mais bonitos da editora"
      Assim se compõe a paleta de cores da amizade, num livro feito de palavras "bem juntinhas aos desenhos / pra tudo melhor contar". E também há música, e dança, e festa, e voz(es).
      A da avó e da narradora é uma delas. Efeitos de voz e/ou de oralidade são explorados (rimas, ritmo, interjei-ções, entoação, sonori-dades, expressões colo-quiais) no texto escrito, num jogo em que o diálogo entre o ler e o ouvir ler se fundem. Daí também a exploração de efeitos fónico-rítmicos, fono-icónicos e/ou onomatopaicos, exercícios de dicção, matizes semânticos e metafóricos de palavras que começam a ser sugeridos e explorados face a um público que está em fase de aquisição de língua e linguagens, de exploração de um potencial que abre portas ao lúdico, ao sonho, à magia, à imaginação, ao possível que sensibiliza e que traduz o universo dos afetos e das emoções espontâneas e expressivas, tão próprias da literatura infantil ou para as crianças.
      Enquanto literatura que propicia a modelização do mundo, a construção de universos simbólicos e de crenças / valores / comportamentos, as fadinhas de todas as cores estão para este livro como o imaginário e o encantatório estão para qualquer ser humano: tão possível, tão próximo, tão acessível às crianças como aos adultos. Afinal de contas, literatura infantil é, acima de tudo literatura - não fosse o facto de muitos contos ditos infantis terem sido narrativas de adultos e para adultos ou, mesmo, a fronteira da literatura infantil e a adulta se encontrar muito esbatida entre clássicos como As Viagens de Gulliver (Jonathan Swift), Rob Roy (Walter Scott), Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll), Os três Mosqueteiros (Alexandre Dumas), Moby Dick (Herman Melville). Mais do que o público leitor e a sua idade, valem os argumentos de se estar perante uma produção que relativiza a realidade (explorando a dimensão do sonho, do imaginário, do fantástico e do maravilhoso, do possível); que explora uma semiose de pluricódigos (dos mais gráficos aos mais simbólicos, passando pelos diversos sentidos físicos a culminar na construção de um universo ficcional, criativo e sugestivo); que ultrapassa o sentido de expectativas dos seus leitores (buscando o âmbito dos afetos, da sensibilidade e dos valores sociais).
       As ilustrações que acompanham frequentemente a linguagem verbal das obras para crianças são o indicador maior dessa bitextualidade e dessa codificação estética que destacam a universalidade expressiva feita de emoções, de sentidos, de manifestações que a arte conjunta ou interartística oferece. Cristina Pinto em muito contribuiu para a beleza da obra hoje apresentada - pela cor, pelo traço, pelo toque de dramatização, de jogo, de diversão, de infância (re)vivida.
       De tudo isto, numa comunicação tão acessível quanto clara (típica de quem muito sabe e partilha), falou Idalina Ferreira na apresentação deste livro com uma imagem e uma linguagem próprias de criança, mas com uma mensagem tão digna e ajustada à vida de adultos.

O momento 'giroflé, giroflá' (Foto VO)

       De toda esta tarde, fica aquele instante do "Fui ao jardim da Celeste / giroflé, giroflá..." que deixou de ser cantado pela fada verde (ou por quem a representou ao vivo, em diferentes gerações) e passou a ser ouvido na voz de uma criança que, entre o público, se deixou encantar pelo momento e foi replicando a cantilena, na sua vozinha cadenciada. Fez os adultos sorrirem e acreditarem no bom que a vida, apesar das adversidades, (também ou ainda) tem.

domingo, 31 de outubro de 2021

A ver se não caio... na perdição.

       Catorze anos depois, regresso à apresentação de um livro.

      Convite feito quando só havia título. Imediatamente aceite. Não podia ser de outra forma. Nem de profecia se tratava; apenas de confiança e amizade.
     Aconteceu ontem, com a publicação do novo romance do Manuel Maria. Dia 30 de outubro, ou melhor, 30 do 10, para se começar a compreender melhor a presença de tanto múltiplo de cinco: um título com cinco palavras (começado com "Quinto..."), vinte e cinco capítulos, cinco anos a separar a referência a uma carta de Vieira datada de 1658 (a abrir a história) e a citação de uma outra de 1663 (no final da narrativa), o quinto romance do autor... no ano de 2021 (cuja soma dos algarismos também dá cinco). A não ser coincidência, nem sei que diga! 
      Segundo o Tarot, é número de espiritualidade, de comunicação e comunhão, de evocação e descida do sagrado sobre o material; um aviso espiritual que deve encontrar eco no plano físico; um apelo para a libertação da matéria. Eis o mito do Quinto Império e o protagonismo de Vieira.

Da esquerda para a direita: o editor, o apresentador, o autor e o representante da Junta de Freguesia
 - Auditório Horácio Marçal, em Paranhos (Foto DG)

       Quinto império - Profecia de Perdição é romance para ler em tempos como os da atualidade, onde os valores de tolerância e respeito pela diferença, conquista de liberdade, fraternidade, afirmação de vontade e de amor, luta pelo bem são para firmar, no garante da própria dignificação humana.
        No exemplo que o protagonista dá e no percurso que faz, há as duas faces da moeda: a do ideal pelo qual pugna, mais a da negação a que o votam, na traição que perversamente constroem. De um lado, António Vieira; do outro, os que supostamente estariam consigo na cor, no pensamento e na missão, mas cuja fé foi mais movida por interesses e jogos de poder bem diferentes. No desconcerto e nas intrigas mundana(i)s destes últimos, resistiu o ideário congregador do autor da História do Futuro, feito da comunicação e comunhão que muitos não quiseram entender e destas se distanciaram.
       Nas caras e nas  máscaras descobre-se a utopia pretendida, apenas seguida pelos que têm espírito livre e convicção de princípios. Os que se regem pela vontade.
      Personagens de bem cruzam-se no(s) mar(es) da vida, sem  esquecer que nele(s) há ondas revoltas e naufrágios; tempestades a colocar em risco império(s) de humanidade. Entre o Brasil e Portugal, no seio de um tempo que convive com o sagrado e o profano, com a frivolidade e a afetação do teatro da vida, Vieira vive a defesa de um sonho que parece não ser o da sua terra nem o dos seus superiores:

   Quem havia de crer que em uma colónia chamada de portu-gueses se visse a Igreja sem obediência, as censuras sem temor, o sacerdócio sem respeito, e as pessoas e lugares sagrados sem imuni-dade? Quem havia de crer que houvessem de arrancar violentamente de seus claustros aos religiosos, e levá-los presos entre beleguins e espadas nuas pelas ruas públicas, e tê-los aferrolhados, e com guardas, até os desterrarem? Quem havia de crer que com a mesma violência e afronta lançassem de suas cristandades aos pregadores do Evangelho, com escândalo nunca imaginado dos antigos cristãos, sem pejo dos novamente convertidos, e à vista dos gentios atónitos e pasmados? Quem havia de crer que até aos mesmos párocos não perdoassem, e que chegassem aos despojos de suas igrejas, com interdito total do culto divino e uso de seus ministérios: as igrejas ermas, os batistérios fechados, os sacrários sem sacramento enfim, o mesmo Cristo privado de seus altares, e Deus de seus sacrifícios? Isto é o que lá se viu então: e que será hoje o que se vê, e o que se não vê. Não falo dos autores e executores destes sacrilégios, tantas vezes, e por tantos títulos excomungados, porque lá lhes ficam papas que os absolvam. Mas que será dos pobres e miseráveis Índios, que são a presa e os despojos de toda esta guerra? Que será dos cristãos? Que será dos catecúmenos? Que será dos gentios? Que será dos pais, das mulheres, dos filhos, e de todo o sexo e idade? Os vivos e sãos sem doutrina, os enfermos sem sacramentos, os mortos sem sufrágios nem sepultura, e tanto género de almas em extrema necessidade sem nenhum remédio? (cap. X, pág. 59)

     Perante tanto desconcerto, a saída e a salvação têm de ser reafirmadas - e aí cabe falar da felicidade, da utopia, do ideal a atingir (libertos do enleio que a terra cria).
    Nas linhas do romance cosem-se expectativas e frustrações, libertação e prisão, castigo e perdão - porque no jogo da vida há sorte e azar, felicidade(s) e tristeza(s), ilusões e desilusões que só o tempo pode curar (seja no sentido de corrigir seja no de conservar - com o "sal da terra", talvez, para usar uma expressão do nosso orador seiscentista).

     Desafio(s) - o que Vieira quis assumir, enfrentar, confrontar; o que o autor construiu na obra que quis criar e me deu a honra de apresentar.

sábado, 7 de março de 2020

Cinco Palavras de António Vieira

     Título de um novo romance de Manuel Maria, um livro à guarda do tempo na ânsia de o poder ler.

    Fossem cinco as palavras! São muitas mais, impressas em páginas que, à semelhança de outras publicações já produzidas e a julgar por outras histórias que já deram livros (também eles com títulos de cinco palavras), merecem leitura atenta.
    Um amigo lança um romance, uma amiga apresenta-o, outros amigos assistem e um rosto impõe-se aos olhos de todos e muitos mais, bem presentes, de todas as idades. Muitos vão reparando na capa, folheando o que o autor sublinha ser uma obra de ficção, com a seiva da História, da Literatura e da(s) Humanidade(s) e de uma personalidade, tão nacional como do mundo, colocada no centro da narrativa.
     Com a chancela da editora "Lugar da Palavra", a Biblioteca da Escola Secundária de Gondomar foi o ponto de encontro para sorrisos, afetos e saberes partilhados, numa fraternidade também construída com palavras ditas e escritas (tais como as do missionário jesuíta que é dado a ler).
      Padre António Vieira, orador e prosador, revive nas linhas agora escritas e expostas a um público leitor que precisa de conhecer mais do homem, do tempo e da visão do mundo seiscentista, para nele perscrutar um ideólogo do "novo mundo", um profeta, um fundador de mitos futuros feitos de fraternidade, de uma espiritualidade e de uma união de povos, etnias e línguas (das mais eruditas às vulgares). Trata-se de um pensador na vanguarda de um tempo no qual os ladrões já se multiplicavam; a cor da pele distinguia colonizadores de colonizados ou determinava a condição de dono e a de escravo; as línguas eram também confrontadas com preconceitos (como os da língua de cultura e erudição face aos linguarejares índios e negros).
     O "Pai Grande" (Payassu) foi dos primeiros a reconhecer a diferença, a tolerância nos homens e no que os define; a defender um sentido de miscigenação dos idiomas, numa legitimação tanto do culto "pulcro" como dos registos comuns do "belo" ou do "bonito", para não falar das sonoridades escutadas em todas as cores da ação missionária. A aproximação fazia-se, então, a um Quinto Império (com um Papa "angelicus" e um imperador cristão), abraçando judeus, cristãos, muçulmanos numa espécie de paraíso, a construir em vida entre os homens e não a doutrinar como prémio a alcançar depois da morte (atualidade tão inquestionável).
      Se o Homem é a língua que usa, na composição caleidoscópica de Vieira - orador, escritor, pensador, humanista, diplomata, político, "influencer" de um tempo pleno de teatralidade na vida ou de vida tão feita de teatro -, firmaram-se a multiplicidade e a multimodalidade do Português, que também é voz, face, gesto, grafia e "História de Futuro".  

     "Não é tudo isto verdade?" Eis as cinco palavras que Manuel Maria relembra, reproduz, repete, reforça para a (re)descoberta de um homem e de uma obra de tempos. Outros certamente virão (mas estes serão... Contas de um outro rosário). Ainda bem!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Palavras a Lúcia - de luz a uma forma de ver os dias

        Em trinta e dois apontamentos de vida,  se (re)descobre uma mulher.

    Numa dedicatória manuscrita, lê-se que a obra é feita de "páginas femininas". É um dado categórico, ainda que não seja facto menor o de nelas também figurarem homens que, em múltiplas vertentes, mostram formas de estar e de viver bem para lá do que seja ser-se masculino ou feminino, Acima de tudo, encontra-se o ser humano na sobrevivência e na felicidade do(s) tempo(s).
     A Drª. Lúcia carrega no nome a luminosidade, a lucidez, a “luz” de ver as coisas que nem sempre lhe são fáceis, mas com o sentido que a experiência de vida lhe trouxe (pelo vivido, pelo lido, pelo escutado, pelo visionado, pelo sonhado). A sua condição de "quase cinquentona", ao ano de 2015 (o dos registos do diário), conjuga-se com esse papel que cumpre e partilha na relação "íntima deste teclado" (pág. 95), como se as páginas folheadas pelo leitor fossem mais visionadas no monitor de um portátil do que tateada na gramagem das folhas. Mais sobressai a partilha da sua visão do mundo tão afim a todos os que se deixam pautar pela sensibilidade e pelo gosto de fazer da/na vida o que ela tem de bom (mesmo quando esta nem sempre o dá).
     Entre janeiro e abril, a escrita acontece. Lúcia foi escrevinhando, diarinhando, na sequência de alguns dias ou na suspensão de outros; entrecortando, segundo a vontade ou o tempo liberto da fatalidade da rotina. Aspetualmente marcado ora pela duração ora pela iteração, o ato de escrever é encarado como "o melhor modo de fazer as pazes comigo, de tentar descobrir o que há que me faz sair daquele mim que julgo ser eu para aquele mim anestesiado para o que vai no mundo" (pág. 11).
     9 semanas surgem contempladas, no terço inicial de um ano, com os ingredientes de surpresa, sedução e suspense, mas também os de recordações (da infância e adolescência), de algumas rotinas (as do trabalho) e regressos (às origens, a Moncorvo). Há amor e dor, há cómico e seriedade reflexiva, há apontamentos ensaísticos, há perceções da arte (cinéfila, literária) e da vida (real, imaginada), há dúvidas e curiosidades que vão sendo resolvidas, satisfeitas à medida que as interações se fazem, principalmente, com o senhor Antunes, a dona Maria do Carmo. Há perdas: umas definitivas, outras por resolver - o tempo e a vida dirão se haverá lugar para tal.
       A diferença entre estar sozinho e viver só é também explorada nas páginas deste diário, ainda que a orquídea (uma das"meninas vestidas de lilás") permita, tal como o ato de escrita, "tentar remendar o dia, atar pontas soltas" e tornar o dia(mais) feliz. A Perpetuazinha fica; nos cuidados de Lúcia ou do senhor Antunes, está lá na narrativa para não só combater a solidão mais do que septuagenária como também tornar o dia "Solitariamente feliz" (pág. 57).
      Apreciei o texto pelo discurso tanto literário quanto natural; pelo veio investigativo e detetivesco introduzido e aplicado a um ponto narrativo que alimenta a curiosidade leitora; pelas lembranças e pelo cruzamento de referências musicais, fílmicas, literárias tão geracionais como familiares; também pelos valores e pela visão de mundo da Drª. Lúcia; por fim, mas não menos importante, também por esta última ser do "FêQuêPê" (a ficção é mesmo uma boa alternativa à realidade)!
      Cerca de cem páginas (faltam cinco) que se leem muito bem e, passo a citar, "gerundivamente":

Numa página de Facebook, datada de 23 de dezembro

      Obrigado, Maria Clara Miguel ("também e sempre Zá").
   
    Ao fim da leitura da obra, reluz alguma serenidade, com os preparativos de uma viagem, de um regresso às origens (sempre diferentes do ponto de partida) e de uma conformação inevitavelmente a construir, para sobrevivência na vida e na sociedade que temos, onde se buscam afetos e "aconchegos coletivos".
     

sábado, 24 de novembro de 2018

Diarinhando... bom título!

      A tarde foi de apresentação de um livro especial. Entre amigos, no Centro de Recursos da Secundária de Gondomar.

    Uma capa bonita, um título inovador, uma apresentação entre o elogio fundado na qualidade estético-literária e as cores da amizade, uma obra à espera de ser lida. E a autora?


    Já figura nalguns apontamentos desta 'Carruagem', por nos ter dado Histórias para Lermos Juntos e nos ter brindado com O Tesouro. Na companhia e na amizade. Assim foi, assim continua a ser, com os ingredientes geradores de uma família de leitores que Maria Clara Miguel tem vindo a construir. No caso de alguns dos presentes (inclusivamente de alguns ausentes), mais do que leitores, por certo.
      Nada é por acaso, diria a nossa Isaura. O (re)encontro com Maria Clara Miguel aconteceu. E uma Lúcia está para se dar a conhecer. Não foi 'encontro feito poesia', porque de narrativa se trata. Mas nas máscaras de Narciso (nesse mito que se compõe do eu que também é outro, no espelho da água), o que se narra é um ato de escrita metamorfoseado em diário, em prosa poética, em fragmento reflexivo, em apontamento breve, em opinião ou gosto que se querem partilhados.
      Dizia o apresentador do livro - o colega, escritor e amigo Manuel Maria - que nas páginas lidas há suspense, surpresa e sedução. As personagens e as ações narradas convocam espiritualidade e intuição, conformes à tonalidade lilás da capa, a essa cor metafísica propícia à purificação e à cura do físico, emocional e mental. A criação artística é um dos caminhos, nessa elevação de intuição, inspiração e criação espiritual. É mistério a expressar-se pela individualidade, pela personalidade, numa relação plena com a espiritualidade.
      De tudo isto se compõe a obra hoje dada a público, páginas configurando nove semanas de um diário que Lúcia (também Isaura e/ou Maria Clara Miguel) escrevinhou - não se trata de escrever mal nem de produzir algo sem valor (bem pelo contrário); talvez fingir um registo solto, natural, com um fim diverso (mais do que determinado), entre o entretenimento criativo, a oportunidade aproveitada, a vontade sem compromisso e a necessidade de revisitar tempos, gostos, pessoas, memórias que em todos nós vivem - umas comungadas, outras só de alguns, muitas só do 'eu' plasmado num discurso por natureza calendarizado, datado à cabeça (o Homem é tempo; dá-lhe a mão e larga-o, conforme a força, a vontade e a capacidade de o acompanhar).
      Diarinhando é amálgama para um ato encarado como processo, talvez por pretender culminar numa construção de identidades e entidades fictícias que só a vida pode vir a (re)criar pelo que já deu a (re)ver ou a imaginar.

     Ao folhear o livro, parei em algumas datas (8 de fevereiro foi uma delas) e em alguns segmentos (um deles, logo a abrir: "Está aí alguém?"). Talvez seja Narciso a recriar-se, a rever-se num universo de palavras, num fluir do tempo, num espelho de interrogações, reflexões, intrigas que de vida (também) se fazem.

domingo, 3 de junho de 2018

A velha casa e outros dias

    Gondomar, na Biblioteca Municipal. Com amizade.

    Um dia depois de uma amiga ver o seu livro publicado nas mãos de alguns dos leitores e de ter assistido a uma apresentação da obra por alguém que a lera (e muito bem), ficou-me a vontade de apreciar mais a narrativa matizada de oral e poesia, com boa literatura à mistura.
  Um registo diarístico ficcionado; uma personagem (Madalena) cheia de vida, dando à palavra 'reformada' o sentido de mulher (bem) formada e com oportunidade(s) de reformular, retomar e reformar percursos e projetos; marcas de espaço e de tempo que se (re)visitam para se lhes dar novas cores, sabores e vivências, sem esquecer os tons, as pessoas e as memórias que a novidade faz e traz na (re)criação afetiva do lugar, das estações ciclicamente retomadas e renovadas, do fluir e do fluxo de vida e de comunhão com os outros e consigo própria - de tudo isto o livro se compõe, num jogo de ficção e realidade em que qualquer semelhança (ou coincidência) sai motivada e inspirada por lembranças, pela condição de presente e pelo desejo de futuro.
       E porque este último se complementa com presente e com passado, na linha do tempo, os projetos também se compõem de vivências e de memórias, inclusivamente aquelas que se revisitam pela tradição oral numa literatura feita em verso familiar, popular, universal pelas lições e pelos exemplos de vida configurados:


Poema da D. Marieta (in A Velha Casa e Outros Dias)

"Os Velhos" (in A Velha Casa e Outros Dias)

      Porque o ser humano se faz de, no e com tempo; porque também ele ocupa um espaço mais ou menos difuso, real, virtual ou fictivo; porque ele se (re)vê num espelho em que a imagem observada fica aquém da que verdadeiramente se expõe ou reflete, busca-se, nas linhas da narrativa, os traços de que uma mulher é feita, num retrato e numa vivência com sinais de passado recordado, de presente em ação e de futuro projetado.
      Liberta das contingências de uma vida entregue aos vários papéis que plenamente desempenhou, Madalena é feita de dores (etimologicamente de 'dolores'), de perdas, de conquistas, de ganhos, mas sempre de afetos e de expectativas, na demanda dessa utopia de felicidade que, na vida, não pode ter fim.

     ... porque o outono da vida há de sempre dar em novas primaveras, não obstante as intensidades do inverno e do verão.

domingo, 4 de março de 2018

Um condicional muito factual

    A propósito de História que daria um Livro... e deu mesmo!

    Foi ontem divulgada mais uma publicação do escritor e amigo Manuel Maria - uma produção, uma apresentação que ganhou nota de foro pessoal, não só pelo convite amigo que me foi endereçado (e permitiu o reencontro com pessoas de bem) mas também pelo facto de me ter, surpreendentemente, deparado com um romance que me foi dedicado.
    Abri-o. Sorri com a leitura das primeiras linhas, antevendo um José António tão feito de Manuel Maria quanto marcado pelo azul (quer pela nobreza de caráter quer pelo amor ao Futebol Clube do Porto). Será o reencontro com uma personagem que conheço desde a leitura de Checa é Pior que Turra (1996).
    Relembrado de como uma carta deste romance foi transcrita nas páginas de um manual de Português de que fui coautor, o capítulo VII da História que daria um Livro sublinha precisamente esse dado, num diálogo entre as personagens Estela e Silvana (Sissi):

   "- Procuro um livro. É sobre a guerra colonial. Vem aí o aniversário do Tito e gostaria que as filhas lho oferecessem. Tenho a certeza de que iria gostar. Apesar do divórcio, a sua relação com as miúdas continua a ser exemplar.
    - Ainda bem.
    - Acho que é o mínimo que nos resta.
    - E que livro é?
    - Chamou-me a atenção, porque tem uma carta de Natal reproduzida no manual de Português da mais nova.
    - Da Luna...
    - Sim.
   Abriu a pasta e retirou um manual de 10º ano, Das Palavras aos Actos, Edições ASA. Tinha uma marcador na página 152. Em fundo cinza, uma citação da obra a ocupar quase toda a página; no canto superior direito, um mapa do continente africano, com a localização exata de Moçambique, além da Península Ibérica, a norte, com o retângulo de Portugal. À margem, à esquerda, uma miniatura, a preto e branco, da capa do romance Checa é Pior que Turra.
    - Conheces? - Perguntou Estela.
   - Não. Não tenho ideia de o ter visto cá, mas deixa que chame o Zé António, que está no primeiro andar a arrumar uns livros. Pode ser que ele conheça."

      Conhecerá ele, por certo, a carta que escreveu, publicada num manual que cita um livro escrito por Manuel Maria. Como este último terá chegado à carta de José António, diria que são "contas de um outro rosário".

    Resta-me agradecer ao Man(u)el que tenha feito registar neste seu novo livro, quase vinte anos passados, um pedaço das nossas vidas, de projetos comuns, perdurados numa narrativa que certamente irei ler com a atenção que merece e com o desafiante sentido de como a ficção pode inspirar-se numa realidade que ultrapassa a(s) sua(s) fronteira(s).

domingo, 2 de março de 2014

Fomos muitos, somos mais... entre iguais

     ... para os demais fica o texto do vivido e do(s) sentido(s).

     As palavras da minha colega Ivone Rebelo - amiga do seu amigo, força positiva e inspiradora dos que com ela convivem - traduzem na perfeição o que foi a especialíssima noite de sexta-feira. Por isso, pedida a autorização, partilho o balanço dessa onda que se deu a ver no mar dos "Unidos por Mary":
Fotos das mesas de sobremesas 
(DG in Mariana)
   A festa de ontem? Divertida, Carinhosa, Saborosa, Espirituosa, Reveladora. Numa palavra: Perfeita!
    Mesas bonitas, bem decoradas, entradas cheirosas, deliciosas, sopa de nabos - uma perfeição -, papas de sarabulho - uma perdição -, rojões à Norte - como só o Norte sabe fazer -, sobremesas pecaminosas, bebidas espirituosas.
   Agora juntem a tudo isto pestanas imensas e palpitantes, olhos azuis escondidos atrás de óculos estrábicos; cabeleiras estonteantes e de cores mirabolantes, lisas, encaracoladas em carapinha, ou prateadas; lenços entrelaçados que só mãos hábeis sabem cumprir , máscaras coloridas com purpurinas. A alegria dos adultos e a delícia da pequenada.
   E veio a dama antiga e o seu pajem, até o CR7 não faltou, bem como a atrevida vestida de “napita”. Mas a revelação da noite foi o homem da camisa havaiana. Meia aberta a fazer adivinhar peito farto, olhar nunca revelado, escondido em “ vidros fumados” e muitos, muitos papagaios envoltos em floresta virgem! HOT and SEXY! No dizer dos nossos alunos, À Rei! À Boss! “ O Maior”! Não Vacila!
    Rei da noite. E, no olhar da primeira mulher, D. Eva, também rainha, por momentos confundiu-se este verdadeiro exemplar do “ macho latino” com uma madona! Fenómeno só explicável pela sedosa cabeleira que transportava.
    E foi lavar muito prato e muito copo, e foi fazer sangria, e foi cozinhar, e foi servir às mesas, e foi pôr tudo direitinho, e foi muito flash, e foi muito riso com pouco siso, e foi muita amizade e foi muita conversa, e foi matar saudades, e foi abraçar amigos, e foi trabalho em equipa, e foi… e fomos todos Um SÓ!
Viva a ESG!
Feliz Carnaval!
Ivone

      Não se espante o leitor com a animação descrita: são muitos dias com perguntas silenciadas, na espera e na crença da esperança; é uma causa que precisa de todo o apoio que puder ser facultado (ver no facebook a página "Unidos por Mary"); são pessoas que dizem muito e merecedoras da humanidade que sempre demonstraram.

      Por momentos destes e por saber que há muitos a coordenar ações e a participar nas emoções: viva a ESG!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Exames, poesia, Pessoa(s) e girassóis

     No meio de tanta escrita, leitura e correcção, houve que parar.

    No enjoo, no desespero e na agonia por muitos partilhada, e como forma de minimizar tanto mal-estar, houve encontro, partilha, convívio, trabalho, oferendas e ainda houve quem avançasse com uns versos inspirados em Pessoa(s) e Flor(es).

Pessoa(s) e Girassóis

À beira-rio
Estavam os dois sentados:
Lídia e Ricardo Reis.
As mãos desenlaçadas,
No meio, um girassol.

Caeiro, de pé, cajado na mão, ausente do rebanho
Seguia o curso do rio,
Evitando assim o papel constrangedor do tradicional pau-de-cabeleira.
Perto, um cordeiro balia…
Balido tangido nos girassóis que,
Por entre faias altas,
Amareleciam as margens.

Pessoa dormia à sombra de uma faia.
Sonhava com Álvaro de Campos perdido no labirinto da cidade,
Numa mansarda, donde via, também em sonhos,
Crianças brincarem em sacadas altas,
Por entre vasos de flores…

(Seriam também elas girassóis?)

E o sonho de Pessoa impregnava-se do sonho de Campos,
De tal modo que já não se percebia onde começava um
e onde terminava o outro…
Os sonhos e os homens!
Todos se confundiam…

E eu, que não fazia parte do quadro irreal e bucólico,
Saltei para dentro do poema
E roubei três girassóis!

E assim a fantasia ensolarou a realidade entediante de 55 provas
Cheias de uma literatura mal percebida
E muito pouco sentida!


IA, Gondomar e Porto, 30 de Junho 2011


  Porque nos entendemos mais neste universo criativo ou porque buscamos nele o bem que a realidade não está a dar, o diálogo surgiu, depois da oferta de três girassóis que deram alegria e cor a um dia soalheiro, de calor e com muitas provas para corrigir.

Foto de Vinicius Weide



IDEIAS para o DIA de um PASTOR

Foi à soleira da porta,
entre o vim e o vou
(no anunciar de um vaivém repetido),
que um Caeiro, sem cajado e sem rebanho,
se abrigou do sol e das nuvens que simplesmente não estavam no céu
- tinham fugido, como as ovelhas, à procura de um verde desterrado pelo azul.

Na madeira de um chão que já fora empedrado de uma varanda
(aberta ao calor de uma tarde que se punha, ainda quente),
cumpria-se o instante de um homem que se quis junto das ideias,
para que a invenção fluísse na cadência de um momento
composto da eterna novidade das coisas.

..........................................................................

O tempo só o foi porque o homem encontrou as ideias e as perdeu...
E nesse vivido instante, por mais que as nuvens não estivessem no céu,
(também não estavam com o rebanho que, na imaginação do pastor, em campo seu
nunca pastara - Ai! Como poderia!), ameaçavam elas, em lugar de escarcéu,
um girassol colhido na poesia, mas que Caeiro, sem demora, esqueceu.
Em carreirinha, quais árvores de fruto em plantio ou letras escritas em linha,
lá estavam elas, uma nuvem atrás da outra, fazendo pensar quem olhos tinha
(duas janelas para uma mente que evitava o pensamento; ele, porém, teimoso vinha).
Quebrada a harmonia, nessa tarde em que o azul se mantinha,
o girassol reinava junto às nuvens que ensombravam uma ribeirinha...
... aquela que, não existindo, podia matar a sede de tanta ovelhinha!

Assim, a amarelejada flor trazia o verde que o rebanho não comera;
que o céu, na sua cerúlea e límpida cor, também não dera.
Mesmo o mar, sem norte, sem rosas, em pleno Sul... também não o fizera!

Foi então que Caeiro olhou o capítulo e se fixou na riqueza das grandes pétalas.

Céu e girassol são o verde de um rebanho que sobreviveu...
Não é deles, vosso, nosso, seu, teu, meu...
De ninguém! Nem de Caeiro, que, ao fim desse dia, se fez esquecido das nuvens e se 

                                                                                                                  [recolheu.

Vigilante, toda a noite, ficou o girassol (que à escuridão um toque de ouro deu).


(Rua da Zorra, 
no último dia de um junho 
de muita leitura e muito pouca literatura)
     

   E, assim, por momentos, a alternativa surgiu, pelo menos até que o virtual deu, de novo, lugar ao triste real.

     Amanhã é dia para continuar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Encontro feito poesia

        Registo para uma tarde de nevoeiro, aquecida pela amizade.

       Depois de observar o mar, o efeito criador deu frutos.


Onda do Mar de Espinho
(à hora do café)

Para a Ana e o Vítor

Um rolo
cristalino
enrosca-se
coberto de névoa
- esbatido o Sol -
e sonha ser espuma
cumprindo assim o seu destino
num beijo dourado de areia.

IA, 30 de Set. 2009


Foto VO

        O nevoeiro, por vezes, deixa ver mais do que a claridade dos dias.

     Sempre o mar, esse apetecível leito embalador de viagens, de renovação dos horizontes (tal como os da vida...), apesar de às vezes se disfarçar de nevoaça.

domingo, 30 de agosto de 2009

Amigos, amigos... nas palavras, nos actos e nos textos

      Inauguração de um novo espaço: os textos (de) amigos.


Porque foram escritos;


Porque foram dedicados,
                       endereçados,
                       partilhados;
Porque se inspiram
em momentos evocados,
                        experienciados,
                        sentidos;
Porque comungam
com os olhos que os quiserem ler,
                             neles se quiserem rever.

     Assim, quando os nervos estiverem à flor da pele, sempre haverá outras flores (bem regadas e podadas... sem ervas daninhas) para dar cor, cheiro, fruto... beleza à vida.

terça-feira, 15 de maio de 2007

E a obra nasce...

         Foi hoje anunciada, caindo-me na caixa do correio virtual.

      Está a chegar o dia. Cerca de quinze dias nos separam do momento: no Auditório Municipal de Gondomar, pelas 21:30, darei a conhecer, ao público presente, o romance de Manuel Maria, intitulado Contas de um outro rosário.
          Capa e contracapa são hoje divulgadas; parte do meu texto de apresentação, também.

Capa e contracapa do romance Contas de um Outro Rosário (de Manuel Maria)

         Muito se conta nestas Contas... um livro que me agarrou pela história, pelos locais que recentemente visitei, pelas imagens recriadas e pelas leituras relembradas. Pelo amigo que o autor também é.

          Junho está a chegar e vai ser a minha vez de um romance apresentar.