terça-feira, 9 de julho de 2019

Contributos (alguns) para a escrita

        Porque a escrita é um domínio complexo, exigente, a requerer muitas entradas / saídas para a aprimorar.

      Há dias, numa consulta de algumas obras que abordassem a questão da escrita - na perspetiva da transposição didática -, encontrei  a obra de Nazaré Trigo Coimbra, A Escrita em Projeto (2009), da Edições ECOPY. Entre várias referências, aparecem citados alguns contributos de uma colega e amiga (Dulce Raquel Neves), bem como os meus (com ela partilhados), numa publicação conjunta que recupero: Sobre o Texto: aprendizagens teóricas para práticas textuais (Porto, Edições ASA, 2001). 
    De vez em quando lá volto, para dar conta de algumas indicações que continuo a achar pertinentes para o trabalho de transposição didática sobre a escrita. Em contextos de formação, resultam ainda em oportunidades de discutir, (re)ativar princípios que todos os professores de língua devem considerar, na construção e na estruturação de materiais ou instrumentos que presidem ao ensino-aprendizagem da escrita.
       E porque alguém mais também o achou, seguem-se alguns desses tópicos, citados e referenciados em obra posterior (oito anos após) à minha:

      Tópico um: explicitação dos quatro princípios discursivos associados à construção / constituição da competência textual

(págs. 83-84)

     Tópico doisexplicitação das regras textuais de coerência - da repetição (1), da progressão (2), da não-contradição (3) e da relação (4)

(págs. 85-86)

     Tópico três: Sentido operatório das tipologias textuais e das classificações tipológicas na transposição didática
(...)
 
(págs. 88-89)

(pág. 94)

       Visionadas as citações, a convergência para os trabalhos de oficina de escrita é um novo passo, com indicações precisas relativamente ao trabalho de produção escrita (textualização) e (revisão):

Alguns dos diapositivos (dezoito) de um Powerpoint ao serviço da revisão escrita

       Passaram-se já quase vinte anos. Revivalismo? Algum. Pertinência para o trabalho? Também.
      
      No final, fica a sensação de que alguma coisa deve ter sido feita há uns tempos para, hoje, se poder retomar, reafirmar, consolidar e, curiosamente, avaliar como (ainda) válido.

domingo, 7 de julho de 2019

Há um mês foi assim!

      Ainda parece que foi ontem, mas já lá vão vários dias, a fazer o mês.

    O final de tarde e a noite no Estádio Olímpico Lluís Companys eram anunciados como grandes momentos para um concerto fantástico. O mesmo já havia sucedido em Lisboa, no Estádio da Luz, nos dias 1 e 2 de junho; Barcelona prometia mais.
    Mais ou menos não interessa, porque foi verdadeiramente forte o concerto catalão. E digo-o só pelo cantor inglês ruivo e multicolormente tatuado. Zara Larsson e James Bay abriram o evento musical, mas este só aconteceu quando, pelas 21.00, num palco enorme, se apresentava uma pequena grande figura a cantar e a mudar de guitarra à medida que se fazia ouvir ao vivo, sem playbacks, com dois ecrãs laterais gigantes a projetá-lo, para todo um estádio ao rubro o poder ver, nos pormenores da movimentação e da composição na guitarra. Coro?! O público que o acompanhava e cumpria o que ele ia pedindo.
    Duas horas para muita voz, energia, música, colorido e efeitos visuais soberbos. Uma sequência musical a abrir com Castle on the Hill, não faltando o famoso I See Fire (no segundo filme da saga de 'Hobbit') e anunciando o artista que a última seria Sing. Porém, com este último convite, não havia condições de parar. Retomou-se com Shape of you, para um 'encore' com mais algumas cantigas sobejamente conhecidas e trauteadas pelos espectadores.

Vídeo com o final do concerto e a passagem para o 'encore'

    Um homem (com menos de trinta anos), uma voz (potente), uma guitarra (sempre pronta a ser trocada por uma outra) e uma caixa de loops (aos pés do cantor). Um público rendido, numa noite para uma só estrela, acompanhada, várias vezes, por pontos de luz de telemóveis balançados nas bancadas e no recinto central, repletos de gente.

    A qualidade de um artista vê-se também na forma como, ao vivo, comanda o seu público. Ed Sheeran foi rei, pondo Barcelona a cantar.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O mundo em mudança

    E as carnes, também.

    Eu a pensar que o frango era carne branca... Tão enganadinho! São estas as surpreendentes aprendizagens da vida:


   Chalaça ou piada, é mais um insólito de supermercado, entre os vários já aqui comentados, e que nem ao diabo lembra. Ainda assim, reconheça-se que um frango disfarçado de melancia ou uma melancia que se faz anunciar como frango podem sempre resultar numa operação de disfarce para missões mais secretas - por exemplo, a de quem quer assumir-se vegetariano comendo frango.

    Afinal, a diferença entre a secção de charcutaria e a frutaria nem é grande! Um bom exemplo de dieta líquida este frango melanciado ou esta melancia frangainhada (e não se queixem quanto à inexistência destes adjetivos, resultantes de uma realidade nova lá para os lados de Azeitão).

terça-feira, 2 de julho de 2019

"Isto não vai lá com Oficinas de Escrita"!!!!!!!!!

        E agora que ando a dinamizar formações sobre o tema, só me faltava ouvir esta!

    A opinião é de António Carlos Cortez, que, no programa Prós e Contras (RTP1) sobre a 'Revolução Digital na Educação', profere, por duas vezes, que as oficinas de escrita não são a solução para os problemas no ato redacional dos alunos.
        Revejam-se os momentos:

Montagem de excertos do programa 'Prós e Contras' 
(RTP1 - emissão 01.07.19)

      No meio de tanto posicionamento crítico sobre a era digital na educação - a maior parte dele a ser subscrito por mim no que à "esquizofrenia" da supremacia  tecnológica diz respeito -, o tópico da oficina de escrita tocou-me ('Quem não se sente não é filho de boa gente, dizem') e critico (reconhecendo que 'Quem critica os defeitos é porque ainda não viu as virtudes', se as houver). Discordo que 'isto não vá lá' com oficinas de escrita, se estas resultarem de projetos estruturados; de dinâmicas faseadas, progressivas e moldadas pelos pressupostos da pedagogia da escrita; de oportunidades de instrumentação sistemática da escrita (com explicitação e consciencialização de técnicas redacionais).
     Só parcialmente compreendo a ideia, no caso de o conceito de 'oficina de escrita' ser redutoramente perspetivado no âmbito da escrita lúdica e recreativa. Podendo esta última constituir uma oportunidade de indução e exposição à escrita, não é garantidamente suficiente para a aprendizagem deste domínio fundamental às disciplinas que nela se apoiam e dela fazem depender a avaliação - isto é, quase todas.
         A aprendizagem da escrita faz-se, sim e também, com oficinas de escrita, quando estas são dinamizadas na consciência da aplicação de instrumentais e de processos que a escrita requer e uma pedagogia da escrita preconiza. Planificar uma sequência de aulas que visa o ensino de mecanismos de escrita (passando pela planificação, textualização e revisão, na progressão e na retoma sucessiva das etapas); orientar o ato de escrever segundo metodologias que permitam passar de focos a nível macro (planificação, gestão de informação, conhecimentos de mundo e universos de referência, domínio lexical, coerência) para focos a nível micro (sequencialização e textualização a nível de ortografia, pontuação, sintaxe); fasear procedimentos que, uma vez revistos e consciencializados, permitam integração e articulação em desempenhos mais consistentes, não sei por que razão não pode este percurso ser designado de 'oficina de escrita' (prefiro às cozinhas, de Cassany, ou aos estaleiros, de Jolibert), quando tal significa colocar os alunos em trabalho orientado, continuado, progressivo, integrado e partilhado com os professores.
        Diria mesmo que desta forma ou trabalhando a escrita com alguns pressupostos oficinais se criam condições de ensino-aprendizagem desejáveis, porque motivacionais e capazes de implicar professores e alunos em ação / atividade conjunta, na explicitação e na consciencialização de técnicas conducentes a desempenhos mais consistentes.

        Em suma, com oficinas de escrita ou escrita com alguma oficina constroem-se oportunidades estratégicas de ensino-aprendizagem participados e implicados em percursos de maior sucesso (porque de maior condução para desempenhos crescentemente autónomos). Interessa ensinar e aprender a escrever.
  

quinta-feira, 27 de junho de 2019

De novo, a oficina de escrita

       Nova edição para uma oficina de formação.

       À semelhança do já ocorrido na Escola Secundária com EB2,3 Dr. Manuel Laranjeira (Centro de Formação Aurélio da Paz dos Reis), desta feita regresso à Escola Secundária com EB3 de Gondomar (Centro de Formação Júlio Resende) com "Da Oficina de Escrita à Escrita com alguma Oficina: processualidade e dinâmicas". Dezoito formandos em oportunidade de partilha de experiências, onde escrever é verbo-chave, seja para ensinar seja para aprender.

Dispositivo de apresentação da nova edição da oficina de formação

      O programa da oficina segue o já proposto anteriormente, apesar de não se poder contar com a condição de trabalho direto com os alunos e as turmas. A calendarização solicitada não se ajusta ao contexto de operacionalização junto deles. Ainda assim, ora numa perspetiva prospetiva (de planificação de intervenções a acontecer num futuro próximo) ora num posicionamento crítico face ao já experimentado, procurar-se-á abordar o conceito de oficina de escrita numa de três possibilidades: oficina como atividade extra-aula (própria de dinâmicas de clubes, de escrita recreativa e lúdica ou de atividades de complemento associadas a modalidades de apoio educativo); oficina como atividade letiva (assente numa planificação estruturada de três a cinco aulas, focada na implementação de pressupostos da pedagogia da escrita); oficina numa dimensão de projeto, aglutinando várias disciplinas numa atuação conjunta, para avaliações alternativas, orientadas para perfis de competências / de desempenhos em dinâmicas mais integradoras e transversais.

       Quinze horas de formação presencial, mais quinze de trabalho autónomo, ultimando na partilha de experiências e iniciativas inspiradoras para novas / mais práticas de implicação de alunos e professores no domínio da escrita.Novo(s) tempo(s) de muito(s) trabalho(s).

       

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Abraço (ou beijo) paternal

     Apetece-me dizer que "responde o pai".

     Depois de ler o apontamento à mãe, por que motivo não pode ser o pai a responder?

     
Apontamento no Facebook, logo após o exame de Português - 12º ano

    Filho(a), na macroestrutura textual (numa dimensão de conteúdo, de dados informacionais e de articulação lógica) , até podes tirar boa nota; porém, em termos microestruturais (particularmente os ortográficos), não te auguro um bom futuro. Até já andas a comer letras (Coitado do Fernando)! Pode ser que tires positiva! A não ser que as orientações de correção assumam que a ortografia não deve ser penalizada. Já aconteceu com algumas provas nacionais (as de aferição, por exemplo). Para teu bem, pode ser que venha a generalizar-se a outras situações de avaliação. Tem fé!
     Parabéns pela vírgula do vocativo (de que muita gente se esquece); pela escrita correta de 'mãe', 'o', 'de', 'Saiu' (com a maiúscula devida), 'Saramago' (com outra maiúscula adequada e necessária), 'que, 'ter' e 'vou' (apesar de ainda fazeres confusão com 'vô'). Até já gosto que, em vez de 'bué da fixe' tenhas utilizado 'bue da ben' (não é o desejável, mas já revela alguma progressão).
     Há frases curtas (bem melhores do que os extensíssimos exemplos de respostas só com uma frase em 10 linhas e um só ponto final, para quem se lembra dele). 
     És capaz de melhor. Pensamento positivo. 
    Nada como acreditar no melhor dos mundos, particularmente aquele em que a escrita venha a ser fonética! 
     Para já, não é.
     Abç.

     A rir se corrigem os costumes! (Não sei quem disse isto, mas tinha toda a razão!)
    

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Barcelona...

      Não é a canção de Montserrat Caballé e Freddie Mercury... é outra.

     Há dois anos Ed Sheeran cantou-a; hoje repetiu-a para todo um público (barcelonês e não só) o acompanhar:

Excerto do concerto de Ed Sheeran, em Barcelona (07-06-19)

     Uma canção da e (cantada) na cidade tem outro encanto, por certo. Tem a identidade de pertença, tem o sabor da dádiva de quem a partilha ou  a dedica, tem a cor catalã de uma noite celebrada e encantad(or)a. E quando a voz e a melodia se impõem naturalmente, sem artifícios e com a qualidade de um artista genuíno e totalmente dedicado à música e ao visual de todo o seu show, o espetáculo é fantástico.

      Foi assim hoje, ao final de um dia vivido no Estádio Olímpico Lluís Companys de Barcelona (ou de Montjuïc). Um concerto para memória futura e que fez esquecer, por momentos, as agruras do presente.