sexta-feira, 22 de maio de 2020

Tudo muda... "todo cambia"


    O registo é o resultado da mudança de cores numa paisagem que, passado um dia, se mostra versátil na volatilidade do tempo e na volubilidade das cores.

Paisagem a preto e branco e muitos cinzas (Foto VO)

   Numa só localidade, vinte e quatro horas fazem a diferença; ainda assim, há beleza nessa inconstância, toda ela feita de preto e branco, com muitos cinzas. Do mais escuro ao mais claro, tanto lá cabe do mundo.

     Novo retrato: mais cinzento e cinzelado por um tempo que nos faz sentir pequenos, "fracos humanos" à mercê de forças que nos suplantam.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Depois de trabalhar e antes de trabalhar

      Eis um intervalo, no retrato de um fim de tarde...

      Qual tela que não precisa de tintas ou pincel, a paisagem dá-se a ver colorida e inspiradora.

Retrato pintado pela Natureza (Foto VO)

      Há camadas de cor
      Há barcos no horizonte
      À espera de entrada no porto

      Há tons de céu e de rocha
      Há olhos de sono e de sonho
      À espera de um café tónico

      Há um empregado a vir e a ir
      Há regresso e, de novo, partir 
      À imagem da ondulação do mar

      Quero a cor, o horizonte
      o porto, o céu, o sonho, o café

      Há um novo dia a preparar
      Há tempo para descansar
      À hora do dia a findar

     Tomado o café, tira-se a foto, tão feita de cores novas e revigorantes, e há que regressar a casa para, de novo e ainda, trabalhar.

     Um momento para apreciar e deixar-me levar pelo retrato, partilhando-o com quem não o possa ter.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Sombras no "mamarracho"

       O horário de verão tem das suas maravilhas.

       Pelas 20:30 ainda há sol (a pôr-se), fazendo jogos de sombras.
     Umas mostram-se minúsculas no cinzentão do betão do novo edifício para concertos (de futuro incerto) ao ar livre:

"Mamarracho" - I (Foto VO)

       Outras fazem deste último um teatro de sombras, trazendo alguma beleza à tela de cimento:

"Mamarracho" - II (Foto VO)

       Assim, nalguns dias, a variedade surge, com a natureza a embelezar parte de um "mamarracho" tão cinza e tão murado qual "bunker" à superfície.

       Mais um motivo para suspirar por dias de sol. Os milhares empregues para se conseguir (por vezes) a beleza de umas sombras!

sábado, 9 de maio de 2020

"Enquanto houver ventos e mar"


       Também podia ser "Enquanto houver estrada para andar".

       Nestes tempos, há sempre um momento para dar atenção a belíssimas letras de canção.
       E quando delas se fazem ótimas interpretações, repete-se a audição.

Jorge Palma ao vivo - Coliseu dos Recreios (20.11.2007)

A GENTE VAI CONTINUAR

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso 
o que lá vai já deu o que tinha a dar 
quem ganhou, ganhou e usou-se disso 
quem perdeu há-de ter mais cartas para dar 
e enquanto alguns fazem figura 
outros sucumbem à batota 
chega aonde tu quiseres 
mas goza bem a tua rota 

Enquanto houver estrada para andar 
a gente vai continuar 
enquanto houver estrada para andar 
enquanto houver ventos e mar 
a gente não vai parar 
enquanto houver ventos e mar 

Todos nós pagamos por tudo o que usamos 
o sistema é antigo e não poupa ninguém 
somos todos escravos do que precisamos 
reduz as necessidades se queres passar bem 
que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo 
e a liberdade é uma maluca 
que sabe quanto vale um beijo 

Jorge Palma (letra e música)

Versão de Mafalda Veiga, acompanhada ao piano por Jorge Palma.

       Esta é uma canção de momento, de poesia a responder à realidade; a ensinar-nos a sobreviver.

       Isso mesmo - entre o poder ser e o ser fica o título: "A gente vai continuar".

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Jogar às cartas?!

      A notícia do dia é a do regresso às aulas (para alguns alunos do ensino secundário).

     Os canais televisivos abordam a questão a toda a hora. A RTP-1 não faz diferente no anúncio; fá-lo na escrita dele.
     A abrir o Jornal da Tarde, um sumário é apresentado com os tópicos da emissão. E até aqui tudo perfeito. Eis senão quando, mais à frente, ao apresentar as medidas / orientações facultadas pelo Ministério da Educação, surge na "tela televisiva", em grande plano, o registo (infeliz) do momento:

Um regresso indesejado (Foto de AC), anunciado na RTP-1

     Nem uma semana passou desde que fiz um apontamento corretivo à escrita da RTP-1, e cá estou eu, de novo, a sublinhar como alguma coisa corre mal no canal. A propensão para o erro começa a ser demasiado crítica; a exposição deste último ao público (na sua recorrência) é bem pior. Isto de confundir uma carta de jogo (o 'ás') com a contração da preposição com o determinante (às) não é aceitável na difusão informativa que este (ou outro) canal promove. 

      Afinal, os alunos não regressam para jogar às cartas, mas bom era que houvesse um ás na escrita dos títulos e legendas televisivas. (E pensar que ontem foi celebrado, pela primeira vez, o dia da Língua Portuguesa! Bela forma de continuar a celebrá-lo, RTP-1!)

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa - Língua-Mar

     Enquanto idioma dos mais falados no planeta, já merecia a consagração de um dia.

   Hoje, por iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO), celebra-se pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa. A partir daqui, o 5 de maio consagra o nosso idioma no panorama dos calendários internacionais, projetando-o numa comunhão e comemoração a todo o tempo renovadas, enquanto símbolo maior da comunicação e cooperação entre a comunidade lusófona. 

Imagem colhida do Portal de Promoção da Língua Portuguesa 
(Reitoria da Universidade do Porto)

     De origem no hemisfério norte, é a língua mais falada do hemisfério Sul; é uma das que, no mundo global criado desde os Descobrimentos, tem deixado marcas e palavras em línguas de outros países e povos; é uma das que se renova no conjunto de interações promovidas à escala mundial, no campo político, económico-social, educativo, cultural; é a que regista o tom da saudade com as cores da fraternidade, tanto voltados da terra para o mar como acolhidos dos que por este e por ela a nós venham.

A lusa fraternidade linguística nos quatro cantos do mundo

       É som, é fala, é ato, em prosa ou em verso, banhado por mar e a espelhar o céu. É língua-mar:

Fotomontagem (VO) com poema de Adriano Espínola

     Também a minha; também uma voz plural que comunica, comunga, constrói as pontes e os laços necessários ao entendimento da humanidade.

      Que este seja o primeiro de muitos outros dias a celebrar, inclusive aqueles que vão fazer a cada novo ano chegar.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

A força da proibição! Do pior!

     Quando toda a gente queria saber sobre a mudança do estado de emergência para o de situação de calamidade,...

      ... eis que chegam alguma orientações para regular e proteger a população do pior. Televisivamente, passo a passo surgem as prioridades definidas, até que é dado o passo em falso:

Telejornal emitido hoje às 20 horas, na RTP1 (Foto VO)

       Deve ser a força da proibição. De tão proibidos os ajuntamentos, a sílaba mais forte até se deslocou, a julgar pelo acento gráfico colocado, e que não existe. Nem a sílaba tónica é [í] nem a representação gráfica da palavra está correta. "Proibidos" (sublinhe-se a incidência tónica) é um exemplo de palavra grave, que, por norma, não é acentuada na língua portuguesa.
       Tão constantes têm sido estes exemplos críticos que só me resta rezar:

Oração pela escrita da língua portuguesa.

   Assim anda a nossa língua, assim anda a comunicação e o serviço público no uso delas. Fica o alerta. É calamitoso e emergente o contexto, a necessitar de intervenção e formação no trabalho televisivo da escrita.