segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Quando ele se foi...

     Acordou cinzento e outoniço o dia.

     Faz lembrar setembro e que as férias já lá foram. 
     Do sol, resta a canção:

Vídeo da versão acústica de 'O Sol', de Vitor Kley

           O SOL

Ô sol, vê se não esquece e me ilumina
Preciso de você aqui
Ô sol, vê se enriquece a minha melanina
Só você me faz sorrir

E quando você vem
Tudo fica bem mais tranquilo
Oh tranquilo
Que assim seja, amén
O seu brilho é o meu abrigo, meu abrigo

E toda vez que você sai
O mundo se distrai
Quem ficar ficou
Quem foi vai vai

Toda vez que você sai
O mundo se distrai
Quem ficar ficou
Quem foi vai vai vai
Quem foi vai vai vaai
Quem foi

Ô sol, vem aquece a minha alma
E mantém a minha calma
Não esquece que eu existo
E me faz ficar tranquilo


  Vitor Kley faz homenagem àquele que nos acompanhou nestes últimos tempos e, por hoje, desapareceu.

     Que não tarde a regressar - é que "tudo fica bem mais tranquilo!"

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Luz e sombra...

    ... ou sol e nuvem.

    Após alguns dias de calor intenso, eis que, ao fim da tarde, se anuncia a chuva leve e alguma trovoada - não ribombada, mas num longínquo e sufocado troado surgido logo após um breve clarão disparado no escuro da noite.

Nuvem para multiplicação de luz (Foto - VO)

   No cimo, um foco de luz que a ensombrada nuvem não apaga; depois desta, ao fundo, há feixes, raios multiplicados, estendidos para o mar.

    Um final de tarde com uma paleta de cores muito diversificada.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Instantes e proximidades

    Na oportunidade do instante e pela proximidade.

    Sem medo dos humanos, há aves que se avizinham das mesas e dos caminhos que a elas levam - não vá uma migalhita perdida das mãos e bocas dos clientes servir para debicar e, quem sabe, levar para o ninho, onde outro bico esteja a aguardar alimento. 

Petiscando, na esplanada (Foto - VO)

    Patinhando em cuidado e sempre atentando nas redondezas, nos intervalos das pequenas pedras do passeio há petiscos que um cliente deixou cair ou um empregado limpou das mesas. Desperdícios humanos; sustento da ave.

      E, assim, captada no ato, a pomba colheu e voou.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Mais uma...

    Para começar a gosto (em agosto), só mais uma melodia de Gavin James.

    Da banda sonora da telenovela Deus Salve o Rei (Globo, 2018), o par romântico Afonso-Amália vivencia toda uma rede de complicações e intrigas palacianas (entre os reinos de Montemor e Artena) que se revê na letra desta canção:

Música do álbum Hearts on Fire (2017), de Gavin James
Montagem do filme com imagens da novela 'Deus Salve o Rei' (TV Globo)

   WATCH IT ALL FADE

When you let go of love all gone 
Save the world or write a story 
No one has ever heard, before I knew 
When I saw her heart over mine 
Fear over somebody, fighting that fear 
That you just can't believe 
But you need it by living 

Castles and islands 
All the crowns and the diamonds 
I don't think I can find them now 
Stay if you want to 
Leave if you need to 
And watch it all fade 

     A disputa de tronos e de reinos parece uma versão brasileira de Game of Thrones, na qual as temáticas do poder, do ocultismo, da paixão entre uma plebeia e um nobre, da inevitabilidade do destino, da escassez da água e da afirmação do livre arbítrio e dos valores dignificantes do ser humano (em contraste com as perversões dos maus da fita) se cruzam com registos de comédia bem firmados no carácter de algumas personagens.

     No seio de lutas insanas, tudo se dissipa - uma verdade que tem algo mais do que enquadramento telenovelesco.

domingo, 29 de julho de 2018

Vida triste... muito triste!

      Publicidade no seu pior... produzida e autorizada por quem não é melhor!

   Dificilmente se percebe como alguém deixa que a sua imagem seja "colada" a um cartaz publicitário que deseduca, denigre instituições e resulta no pior do que sejam as virtudes de um "ensino gratuito e subsidiado":

in https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1965815846772122&set=a.414110765275979.93757.100000311761998&type=3&theater

    Não há curso que resista nem instituição que o legitime. Também não sei quem possa "fazer-se à vida" (a não ser que seja a má vida) com um péssimo exemplo destes - porque quem autoriza uma publicidade destas presta o pior serviço de educação. Já não bastam os casos apontados neste blogue, recorrentes no mesmo tipo de erro, e tinha de vir de Souselas a gota de água a fazer transbordar o copo (conforme se dá a ver na Circular Externa de Coimbra). Um instituto educativo deve preservar-se mais. Nem tudo vale - e separar a terminação 'ste' da base verbal conjugada no pretérito perfeito da segunda pessoal do singular é mais do que repreensível para quem se outorga do direito de trabalhar no futuro de estudantes.
     Uma operação de marketing que falhou e que devia ser retirada do circuito, para não falar que alguém devia ser processado por ter prestado um serviço a não repetir.
     Desconcertante, no mínimo.

   O Instituto Educativo de Souselas perde credibilidade - na língua e na educação que pretensamente quer dar a quem terminou o 9º ano de escolaridade. Não se augura bom futuro.

sábado, 28 de julho de 2018

Por terras de Vidago

      Há tempos (mais precisamente, há cerca de dois anos e meio) andei por lá.

Fachada e jardins do Vidago Palace (fotos VO)
    Prova disso são algumas das fotos que marcaram o momento, imagi-nando o que teriam sido os anos trinta do século XX, com todo o glamour, o imaginário das clas-ses abastadas que frequentavam o es-paço. Na verdade, talvez não seja ina-dequado dizer 'que frequentam', dada a seletividade que persiste, atualmente, no acesso ao interior do hotel. Fiquei-me pelos jardins (e já foi muito bom), por uns momentos breves (que valem para a vida, pelas memórias que o tempo permite reavivar na beleza natural envolvente). O resto foi pura imaginação!
     De imaginação e ficção vive também a série reposta esta semana na RTP1: Vidago Palace. Produzida em 2015, com autoria e realização de Henrique Oliveira, ela conta, na contracena, com nomes conceituados nacionais (como Margarida Marinho, João Didelet, Marcantónio Del Carlo e Anabela Teixeira, mais Custódia Gallego, Pedro Barroso, Mikaela Lupu) e da Galiza (entre outros, David Seijo, Eva Fernández, Xosé Antonio Touriñán). Num registo composto por paixões, conflitos políticos, comédia, mistério e suspense, assiste-se a uma intriga localizada no verão de 1936 e nesse espaço homónimo ao título da série - uma das estâncias europeias mais prestigiadas desse período.

Trailer de Vidago Palace - série exibida pela RTP1

      No circuito de personagens portuguesas, espanholas, inglesas e alemãs, as férias no hotel espelham o clima fascista de Salazar, as ameaças de Hitler, a guerra civil de Espanha, num prenunciado tempo a preparar a Segunda Guerra Mundial. Central é a relação amorosa de Pedro e Carlota, jovens de classes bem distintas, mas unidos no sentimento e no sentido de vida comuns. Entre os inúmeros obstáculos que têm de superar, há o jogo de interesses familiar cruzado com um casamento negociado e com tudo para falhar; a perseguição política a todos os que ameacem a força fascista reinante; a separação e a distância forçadas; as desigualdades sociais pretensamente calibradas por aparências, vícios e moralismos falsos.
       Nos desconcertos da história, reina, entretanto, o espírito cómico de alguns núcleos de personagens (como as coscuvilheiras, risíveis e pedinchonas irmãs Perliquitetes, Cremilde e Gertrudes) e de ações (como o casamento final da histriónica brasileira Benvinda de Fátima com o novo-rico burguês e bonacheirão Bonifácio da Silva), a lembrar bem alguns filmes dos anos quarenta (com Vasco Santana, Ribeirinho, António Silva e Beatriz Costa).

      Uma série que diverte, que ensina sobre um tempo, que afirma princípios e valores que dão à vida (por ficcional que seja) um toque de final feliz.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

História que deu vida

       Tudo por causa da História que daria um Livro, de Manuel Maria.

      Um encontro intrigante (uma personagem com um passado por desvendar e uma realidade tão fictícia quanto aproximada ao vivido em Moçambique) conduz José António para a (re)descoberta de alguns dos enigmas que a guerra, a experiência de alfarrabista e a vivência de homem comum propõem à vida.
    Cruzam-se neste enredo pensamentos literários e filosóficos, além de toda uma gama de conhecimentos a convocar futebol, política, arte plástica, ensino, coordenadas de tempo e de espaço em muito coincidentes com o real que alguns leitores possam (re)ver no dia-a-dia que foi ou mesmo naquele que ainda é (ou pode ser). Enquanto um desses leitores, vejo a ficção entretecida com uma realidade conhecida, esbatendo-se uma fronteira muito ténue a anunciar essa terra de todo o mundo e ninguém.
      Revisto o Portugal dos finais do século XX / inícios do XXI, cabem nele a consciência do que foram os tempos de guerra colonial em Moçambique; os jogos político-estratégicos do regime ditatorial, os dilemas de quem cumpria um dever nem sempre reconhecido no poder que o impunha.
     Cronotopicamente plural, o romance propõe uma rede de personagens e de relações que convergem maioritariamente para um local de convívio e alimento: A Cozinha do Martinho. À mesa (e no jogo) se vê a educação, diz o povo. Há quem nela também faça grandes negócios e nela ponha as cartas. Em A Cozinha do Martinho, à mesa surgem (re)encontros, resoluções, reuniões e (re)equilíbrios de situações narrativas, numa reconfiguração simbólica da generosidade do próprio santo que dá nome ao restaurante, ao chefe do espaço e à festividade celebrada no capítulo final.
      Concluída a leitura e fechado o romance, tenho a impressão de já me ter cruzado com alguns dos espaços e algumas das personagens, embora ela tenha sempre de ser matizada, particularmente nos humanos, por traços fictivos de um José António, de uma Silvana (Sissi), de um Manuel Maria e de um Sr. Laurindo que (con)vivem nas páginas de um livro. E, de novo, nos confins da ficção ou da realidade, há uma espécie de limbo a alimentar dúvidas: pode o Man(u)el Maria de carne e osso que conheci ser o professor de ensino secundário (que também o foi, é e será) lido no papel? Pode qualquer semelhança da obra com a realidade não ser apenas mera coincidência, dando-me a ler um Sr. Laurindo que recupero das minhas memórias e revejo no próprio dia de apresentação do romance? É José António um múltiplo de Manuel Maria? É a carta do primeiro (que, não existindo, foi sendo) aquela que o segundo, pelo ato criativo de escrita, produziu com efeitos de real, a ponto de aparecer reproduzida num manual de Português (que existiu, sem dúvida)?
      É nesta espécie de "mise en abîme" - de uma História que daria um Livro a evocar Checa é pior que Turra; de um José António tão familiar(izado) no espelho de Manuel Maria; de uma ficção a gerar uma outra, ainda que tão aproximada do real nas contextualizações epocais evocadas - que o romance se impõe.
     A fechar, há um "happy end" de uma história que, no ponto de arranque, "nunca encaixou na cabeça" de José António; que, na fase de resolução, Silvana reconheceu como enigmaticamente fantástica; que Carlos Vladimiro, no fim, confessadamente apresentou como desvelamento de identidade. Tudo acabou por dar em livro... e em vida com oportunidade de felicidade.
     Em suma, e similarmente às palavras do Chefe Martinho quando se refere à comida do seu restaurante, digo desta obra que "temos coisinha boa!"

     Renovado agradecimento ao Man(u)el pela dedicatória, pelo convite formulado para assistir à apresentação pública do livro, pela evocação de vivências e projetos que nos aproxima(ra)m e pelos momentos de leitura proporcionados. Nem penosos nem penalizadores. Uma obra "maningue" interessante!