segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Para ver e ouvir... Caeiro.

     Depois de tanto procurar, encontra-se o que não se quer e o que não podia ser melhor.

    Procurando Caeiro, circulam pelas redes sociais e no mundo virtual materiais que tanto têm de bom como de péssimo. Já nem falo da ridícula questão de se assumir que Caeiro é um pastor ou camponês, quando se deve tomá-lo como bucólico e pensador, por mais que este, por princípio, procure recusar o pensamento abstrato (por isso, a todo o momento concretizado).
     Pior ainda é dizer-se (e fazer-se ouvir) que recusa a metáfora. Se estivesse numa realização cinematográfica, diria "Corta!", para lembrar que "O rebanho é os meus pensamentos" (in poema IX de "O Guardador de Rebanhos"), afinal, o que o torna um guardador de rebanhos (diga-se, pensador) ou alguém que tem a alma como a de um pastor (também eu, por vezes, tenho a alma como a de um santo, ainda que, realmente, esteja mais para pecador ou para diabo - isto de ser como ou ter como não é o mesmo que ser ou ter, por certo).
    No fundo, mais metáfora não existe do que aquela que faz de Caeiro o mestre, o pensador, o centro da criação pessoana que, quando surge, é encarado como o resultado de um "dia triunfal" (segundo carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro).
      Mais: afirmar que Caeiro não recorre ao adjetivo é não o ler, em toda uma produção literária que sublinha que "O que é preciso é ser-se natural e calmo" ou que "o poente é belo e é bela a noite" (in poema XXI de "O Guardador de Rebanhos"); que "Sou diferente" (in "Dizes-me: tu és mais alguma cousa" de "Poemas Inconjuntos"); que "fecho os olhos quentes" e que "Sei a verdade e sou feliz" (in poema IX de "O Guardador de Rebanhos"); que "Aquela senhora tem um piano / Que é agradável..." (in poema XI de "O Guardador de Rebanhos") - alguns versos apenas do heterónimo para contraditar o que nunca deveria ser dito / ouvido. Assim se revê a verdade de tanto material educativo, validado por tanto saber superior que a todo o momento cai. E bastava tão somente falar em "O Pastor amoroso" para duvidar da grande verdade! Quase apetece fazer uma tese com uma tipologia dos adjetivos a que Caeiro recorre, para sustentar, ainda mais, o que já aqui se assume nos sublinhados.
     E, assim, cresce o pecador e o criminoso que há em mim: cortando o inútil e combinando o válido com o que é bem feito, chega-se a algo que pode ser visto e ouvido para conhecer melhor. Um material novo, a partir do já feito e que, a bem da verdade literária, tinha de ser expurgado do que não interessa para ninguém.
    Como o objetivo não é obter lucro nem comercializar, fica um material para futuro (acompanhado de uma ficha de trabalho / um teste a propósito), sempre que Caeiro for para ensinar:

Composição de materiais relativos ao estudo de Caeiro, o Mestre pessoano 

     Imagens, pinturas, vídeos, versos, declamação (muito interessante de Pedro Lamares) - uma multiplicidade de suportes para fazer ver e ouvir o Mestre, que tanto adjetiva como metaforiza nessa intermediação que a língua (faz) representa(r) com o pensamento e com a realidade, por mais ou menos literário (ou poético) que seja.

     E tudo isto é Caeiro na suposta simplicidade que o caracteriza, num tempo-natureza a todo o instante novo por mais cíclico e repetitivo que possa revelar-se.
     

sábado, 2 de dezembro de 2017

Lutero

     A propósito de uma minissérie no canal público de televisão.

Estátua de Martinho Lutero frente à 
Igreja de Nossa Senhora (Frauenkirche), Dresden
Foto-VO
    Quando o rogo feito a Deus não é escutado (nem que seja por causa de um jogo de bola) ou quando os homens da igreja, a troco de indulgências, concedem o perdão, a fé surge necessariamente instrumentalizada. Resta a um homem caminhar no sentido da reforma da igreja, questionando-a e afastando-a das fraudes e dos logros criados. Foi o que Martinho Lutero fez.
     A Reforma de Lutero, minissérie em dois episódios hoje transmitida pela RTP1, é uma produção alemã da UFA Fiction - ZDF a ilustrar bem o que há 500 anos (1517) fez um sacerdote agostiniano revolucionário com as suas 95 teses acerca das indulgências: conseguiu que a poderosa Igreja Católica fosse abalada pelo movimento protestante do início do século XVI. 
     Do título original 'Reformation' e com a realização de Uwe Janson, a estreia televisiva denuncia como a máxima 'Quando o dinheiro cai na caixa, a alma voa para o Céu' se tornou na maior das contribuições dos fiéis para uma instituição que se afastava em muito do espírito cristão que a funda(menta)ra. A fé e a crença de um homem marcaram a diferença, na oposição aos dogmas da igreja a que pertencia; em favor da verdade, da piedade e da misericórdia para todos (nomeadamente na língua que dominavam e não no latim que desconheciam). Afinal de contas, ler permite construir o conhecimento que só alguns controlavam - logo, nada como traduzir as fontes para a língua que todos entendam.

      Trailer promocional da série, transmitida pela RTP1

    Martinho Lutero (interpretado por Maximilian Brückner) é o professor de Teologia que, na Universidade de Wittenberg e no início do século XVI, assina escritos contra a venda de indulgências, consciencializando os crentes de que nenhum homem deve pagar ou comprar a sua liberdade. Numa primeira conferência de Teologia em alemão, permitiu o acesso direto e generalizado à palavra de Deus, ultrapassando-se o espaço reservado apenas a quem sabia latim. Conquistada a população, enfurecido o Arcebispo, Lutero recebeu uma bula papal que o obrigava a retratar-se com as suas teses, sob pena de excomunhão. 
        O jogo agora era outro; a bola estava do lado do poder institucional e de um homem - o Papa - que, para Lutero, valia tanto como um porqueiro. Deus continuava a não parecer ouvir o rogo do seu 'pastor'. Daqui à destruição da bula e à afirmação de que "há uma Igreja falsa e uma Igreja real", Lutero faz o caminho, perante o Arcebispo, o Imperador e os príncipes alemães, que o levará a reafirmar as suas teses, a traduzir a Bíblia e a implantar uma nova igreja no seu país.

       Para a semana há mais (o segundo episódio), para conhecer melhor um dos religiosos mais influentes na reforma da igreja católica na Europa.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

82 anos depois...

       A cada trinta de novembro, a evocação da data.

      Já que o estudam, bem que os alunos podem receber a referência sobre esse criador de poetas: há 82 anos morreu aquele que agora estudam. Não foram, por certo, para eles estas palavras; porém, a quadra revela-se algo premonitória:

Morto, hei-de estar ao teu lado
Sem o sentir nem saber...
Mesmo assim, isso me basta
P'ra ver um bem em morrer.

in Quadras, Lisboa, ed. Assírio  Alvim, 2002, pág. 11

     Interpretemo-la como expressão do prazer do autor a ladear o leitor, nessa vontade de aproximação que nem só de morte se faz, para bem de muitos.
        No Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, o morto está ao lado da sua criação, quando Pessoa visita Reis (o criador de "mãos dadas" com a figura criada), depois de a morte do primeiro, nos termos romanescos, ter sido razão forte para o heterónimo "atravessar o Atlântico depois de dezasseis anos de ausência" (op. cit. 1984, 6ª ed., pág. 325).

         Neste jogo de aproximações, compõe-se o desafio à morte: porque lido e falado, Pessoa vive(u).

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Esse conheço eu... ou não!

      Convenhamos que a relação da poesia com a música é mais do que evidente...

      ... e um nome pode ser a ponte para mais um exemplo dessa evidência: Alexander Search. Podia ser Fernando Pessoa, sim, enquanto um dos seus heterónimos; é-o, de facto, na rádio, não numa simples declamação poética do texto, mas numa cantiga baseada no poema heteronímico.
    Trata-se do projeto musical de uma nova banda de rock eletrónico, con-cebida por Júlio Resende e onde figu-ram Salvador Sobral (hoje mais conheci-do enquanto vence-dor do último festi-val da Eurovisão) como o vocalista Benjamin Cymbra, para além de Augustus Search (composição, piano e teclados), Marvel K. (guitarra), Sgt. William Byng (eletrónica) e Mr. Tagus (bateria).
      Inspirado na poesia pessoana escrita em inglês aquando da permanência do poeta na África do Sul (Durban) nos tempos de adolescência, Alexander Search do século XXI canta o que Alexandre Search dos inícios do século XX escreveu.
     Ainda em tempos de sol, à espera da chuva que teima em não vir (a lembrar Caeiro e os versos "Nem tudo é dias de sol / E a chuva, quando falta muito, pede-se" - in Poema XXI de "O Guardador de Rebanhos"), chegam aos nossos ouvidos as palavras duplamente (re)criadas por Search (sem ter de procurar muito pela escrita):

Vídeo de apresentação de "A Day of Sun", de Alexander Search

       A DAY OF SUN

I love the things that children love
         Yet with a comprehension deep
That lifts my pining soul above
         Those in which life as yet doth sleep.

All things that simple are and bright,
         Unnoticed unto keen‑worn wit,
With a child's natural delight
         That makes me proudly weep at it.

[I love the sun with personal glee,
         The air as if I could embrace
Its wideness with my soul and be
         A drunkard by expense of gaze.]

I love the heavens with a joy
         That makes me wonder at my soul,
It is a pleasure nought can cloy,
         A thrilling I cannot control.

So stretched out here let me lie
        Before the sun that soaks me up,
And let me gloriously die
        Drinking too deep of living's cup;

Be swallowed of the sun and spread
       Over the infinite expanse,
Dissolved, like a drop of dew dead
       Lost in a super‑normal trance;

[Lost in impersonal consciousness
       And mingling in all life become
A selfless part of Force and Stress
      And have a universal home;]

And in a strange way undefined
       Lose in the one and living Whole
The limit that I call my mind,
       The bounded thing I call my soul.

                                                                            17-03-1908

in Poesia Inglesa, Fernando Pessoa 
(organização e tradução de Luísa Freire, prefácio de Teresa Rita Lopes) 
Lisboa, Livros Horizonte, 1995, p. 172

     Segundo a biografia criada pelo grupo musical, o novo Alexander Search é um(a) (P/)pessoa coletiva com muito da mensagem que o autor de Orpheu propõe nos seus textos:

     "Alexander Search é uma banda de língua inglesa que cresceu na África do Sul, mas que está radicada na Europa, mais concretamente Portugal, “paraíso à beira mar plantado” como dizia o seu maior poeta, Fernando Pessoa. A sua música mistura influências da indie-pop, música electrónica e rock. As letras foram escritas maioritariamente por Alexander Search, membro da banda que morreu tragicamente ainda jovem, mas que granjeia o respeito e admiração dos seus pares como “the greatest conquerer of the beauty of words”, o maior conquistador da beleza das palavras.
     Augustus Search é o compositor de serviço da banda, toca piano e sintetizadores e faz a direcção musical. Benjamin Cymbra é um cantor extraordinário e traz na sua voz a garra rock n’roll do passado e as angústias e esperanças do presente. O futuro “é a possibilidade de tudo”, dizia também Pessoa.
    Sgt. William Byng comanda a vertente computacional e electrónica. Marvel K. tem uma guitarrada cortante e espacial. E Mr. Tagus, ex-baterista de jazz, ainda tem na música e ‘groove’ de África uma das suas maiores riquezas.
      Alexander Search é uma banda que gosta de ousar, impaciente, à procura, sempre à procura, da quintessência. Nunca o conseguiu. Este é o disco de mais uma tentativa falhada."

     Nos homónimos, há uma convergência de som e grafia a que Música e Literatura não são estranhas face ao escritor e projeto musical representados no cruzamento interartístico aqui divulgado.

     E nesta (re)criação artística estará uma boa forma de lembrar o criador que amanhã será recordado no seu fim terreno.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Qual é o aspeto?

      Não se trata de uma questão de moda nem de querer saber o estado de qualquer coisa!

     Pode, aliás, ser o estado ou o evento na situação traduzida num enunciado, atendendo a vários elementos linguísticos neste último presentes.
       É precisamente sobre isto que vem a questão seguinte:

     Q: Olá, Vítor. Posso dizer que na frase "Os alunos espirraram na aula" o aspeto é perfetivo porque o verbo se encontra no pretérito perfeito? Quando puderes, confirma-me, por favor.

      R: Olá. Lamento, mas não posso confirmar. Infirmo, mesmo.
      Creio haver um conjunto de pressupostos que precisa de ser reformulado: o da relação pretérito perfeito e valor perfetivo (pois o pretérito perfeito nem sempre configura o aspeto perfetivo nem o aspeto perfetivo se reduz ao uso do pretérito perfeito); o da associação direta entre tempo e aspeto verbal (uma vez que os valores aspetuais não apresentam linearidade ou implicação direta com valores temporais).
       A questão do aspeto, enquanto categoria gramatical que fornece informações acerca da estrutura temporal interna de uma dada situação, implica a consideração de uma combinatória de dados lexicais e gramaticais, os quais se revelam interatuantes na construção dos próprios enunciados.

 Sistematização proposta em Com Textos 11 - Edições ASA, 2011, pág. 185

      Para começar, interessa verificar que o verbo utilizado (espirrar), em termos lexicais e aspetuais, pertence a uma situação eventiva (dinâmica) distinta dos estados (não dinâmicos). Dentro dos eventos, 'espirrar' corresponde a um ponto (ou sucessão deles) que não admite uma situação resultativa final. Neste sentido, já não há razão para se falar de perfetividade.
       O facto de o verbo se encontrar no pretérito perfeito permite a localização da situação no tempo (passado face ao momento de fala) e a indicação de que esta terminou. Para apresentar valor aspetual perfetivo teria de esse mesmo enunciado dar lugar à perspetivação de um estado final consequente (verificável com o teste linguístico seguinte: 'Os alunos resolveram um teste' > o teste ficou / está resolvido; 'O atleta português ganhou a prova' > a prova ficou / está ganha). Ora, não é o que sucede com o exemplo proposto na questão ('Os alunos espirraram na aula' > *Os alunos ficaram / estão espirrados na aula). 
       O pretérito perfeito só tem valor aspetual perfetivo nas frases que admitem a construção de um resultado, ou seja, com verbos associados a culminações (duração muito breve, momentânea ou instantânea) ou a processos culminados (duração mais ou menos longa, com faseamentos intermédios) - a título de exemplo, para as primeiras, 'Os trabalhadores desmaiaram com o calor' (> Os trabalhadores ficaram / estão desmaiados com o calor); para os segundos, 'Pessoa construiu uma obra fantástica' (> a obra fantástica ficou / está construída). 
     A propósito de,por um lado, o pretérito perfeito não estar associado exclusivamente ao valor perfetivo e, por outro, não ser o único tempo a representar o valor perfetivo, considerem-se os seguintes enunciados (na combinatória das formas verbais e das expressões adverbiais utilizadas):

         * "Os alunos leram os textos todos durante duas horas
(pretérito perfeito com valor imperfetivo, dado que, durante duas horas, os livros não estiveram / ficaram lidos)

         * "Os alunos irão ler os textos todos na próxima semana
(futuro com valor perfetivo, dado que, na próxima semana, todos os livros irão estar lidos)

       Enquanto valores aspetuais básicos, o perfetivo e o imperfetivo são perspetivações internas de situações que estão independentes do valor temporal nela representados - o primeiro admitindo resultado consequente; o segundo, não.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Com ou sem acento

      Hoje uma colega dizia-me que estava a falar com outra sobre o Português.

    Isto de falar (em) Português é para todos os que o têm como língua materna e instrumento de discurso e pensamento; falar sobre ele não é só para alguns, mas, convenhamos, há uns que estão mais apetrechados do que outros para o efeito.

     Q: Agora, todos os 'ói' deixaram de ter acento, não é? Por exemplo, em 'celulóide' (> celuloide), 'asteróide' (> asteroide)? Este novo Acordo Ortográfico...

      R: Não é correta a generalização; estão certos os exemplos.
      'Ói' continua a ser grafado, por exemplo, em 'herói', dada a acentuação (fónica e gráfica) aguda da palavra. Já a palavra 'heroico(a)' perde o acento gráfico, por se tratar de uma palavra grave. Genericamente, as palavras graves não são acentuadas graficamente na língua portuguesa, pelo que o acordo ortográfico segue essa orientação geral para este caso, em concreto, bem como para os exemplos dados e afins.
      Digamos que a terminação 'óide', proveniente do grego 'eîdos' e designativo de forma ou semelhança, perde o acento gráfico, uma vez que está presente na formação de termos fonicamente graves - ex.: fungoide / intelectualoide / lipoide / ovoide / ulceroide).

       Lá que seja bom falarmos sobre o Português, nada a obstar. Devíamos mesmo fazê-lo todos (fosse pela grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990 fosse por razões mais comuns ao comum dos falantes, se me permitirem a repetição, para frisar alguma transversalidade que se impõe na questão).

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Grassa não tem graça

     Podia ser jogo de palavras, mas é mais do que isso. É constatação de vocabulário a dominar.

    Quando dizia hoje, numa aula, que "Grassa nos nossos dias o discurso da desgraça", uma aluna comentava que não percebia a frase; perguntava mesmo qual era a piada. Pedi esclarecimento para a questão formulada e a reação foi imediata: "Não há graça nenhuma na desgraça, pois não?"
     A oralidade tem destas coisas: representar uma palavra a partir do que se ouve e se (re)conhece, mesmo que tal não seja o que alguém diz. Confundir "grassa" com "graça" não é nada engraçado, mas, por vezes, até pode dar para rir. Contudo, o silêncio na turma era geral (fosse pelo reparo ao professor fosse porque ninguém percebia a "piada"). A forma verbal do verbo 'grassar' (alastrar, desenvolver, propagar) não foi sequer entendida, por ser frequentemente desconhecida por quem reduz ao máximo o léxico que usa (tão restrito quanto o verbo 'meter' dar para tudo, mesmo quando tal não é possível).
     Na homofonia dos termos, tornou-se previsível a reação discente, além de se constituir como uma oportunidade para se explicar a diferença das palavras, repondo uma coerência no enunciado dito que não foi (re)construída por quem o escutou.
      São vários os exemplos a que podia aqui recorrer (alguns dos quais foram já mencionados em apontamentos anteriores). O seguinte vem muito a propósito:


     
     A escrita é bem mais facilitadora na distinção; a oralidade convoca uma semelhança sonora a todo o tempo causadora de problemas ortográficos. A falha na leitura é fator impeditivo de boas práticas de escrita e, também, na aquisição de vocabulário, é certo, embora muitos outros possam ser acrescentados. Grassa por aí uma multiplicidade de razões que, não tendo graça, muito tem a ver com a limitação lexical dos nossos jovens. 

     Mais vale cair em graça do que ser engraçado, diz o povo! Talvez o diga porque grassa por aí muita coisa sem graça nenhuma ou sem interesse absolutamente nenhum, mas que muitos julgam mais engraçada ou interessante do que o que realmente é (nada se aprendendo com ela).