terça-feira, 17 de setembro de 2019

Refugiados, migrações... em debate

      Em modo de produção de materiais.

      Porque antes de debater, há que apresentar exemplos; porque antes de se falar, há que ver modelos e articulá-los com conteúdos que vão ser transversais às aprendizagens (lógica argumentativa e conhecimentos de mundo). A compreensão do oral assim se constrói, em articulação com outras exigências pedagógico-didáticas sublinhadas pelo novo enquadramento legal dos ensinos básico e secundário.
       O tema é atual, a reflexão impõe-se em termos de cidadania e desenvolvimento, a sensibilização é premente para que se mantenham características que nos definem culturalmente, enquanto povo que abre os braços ao mundo.

Montagem de excertos do programa televisivo Prós e Contras (18 de junho, 2018)

      Orientado o visionamento para um conjunto de tarefas (ficha de trabalho), prepara-se uma escuta / um visionamento ativo, reflexivo e formativo, articulado com discursos políticos, e sempre com a língua à mistura.

     Quando feito em colaboração, fica sempre melhor. Obrigado, ARS. Estamos imparáveis.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Bem precioso!

     Seja a água...

     Saber continua a ser uma forma de poder. Ignorância não ajuda a fazer escolhas.

Desconhecimento - fazer do perto longe

     Quando se sabe escolhe-se melhor. Quando não se sabe, as escolhas são tão erráticas que nem se faz a opção pelo que está mais à mão / mais perto.

     ... seja o conhecimento.

sábado, 14 de setembro de 2019

Pôr-do-sol carregado

      Carregadíssimo de nuvens, como se fossem desabar no mar.

      Ao fim do dia, as cores são tão inspiradoras...
      Talvez não sejam da intensidade já colhida, mas atraem o olhar e guiam as mãos na (re)construção do instante.

Junto ao mar na Granja - (Foto VO)

      Depois da foto, a escrita...

     INSTANTÂNEOS

     Escuro... bem escuro...
     A luz está para o horizonte.
     Não sei o que dizer do futuro.
     Creio nele, nas águas de uma fonte.
     Quando secarem ou o travo for impuro,

     O mar abrir-se-á a novo céu, outra terra, alto monte...,
     A longo caminho, a cada passo sentido como inseguro.
     Há de vir mais um dia. Erguer-se-á uma outra ponte

     para novo tempo, novo espaço e ser mais maduro.


     Não sei se esta será uma reflexão sobre o tempo, se uma marca da existência. Talvez seja apenas o registo de um momento sensitivivido.

      Versinhos para fechar mais um instante deste dia.

      

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Política?! Sim...

       Em busca de uma política de bem comum.

      Não a dos partidos políticos, porque essa já cansa de tão retórica, ilusória, fingida e desacreditada. É mais a dos seres humanos que, em solidariedade e em esforço conjunto e gregário, convocam a noção etimológica da polis, do ser social que aspira ao bem comum, sem a sede de poder.
     Não se trata de governar um estado (longe de mim tal pretensão), mas de educar para valores sociais que permitam a intervenção na realidade, na sociedade enquanto cidadão livre, responsável e respeitador do outro, particularmente daquele que está em situação crítica.

Diapositivo I de um Powerpoint para abordagem de discursos políticos

Diapositivo II de um Powerpoint para abordagem de discursos políticos

    Nisso a arte também tem o seu papel desencadeador, promovendo a leitura, a discussão, a aproximação a sentidos comuns de realidades por vezes bem distintas. Vieira da Silva, pintora portuguesa, é um caso a considerar neste raciocínio. Há histórias trágico-marítimas muito diversas, de tempos bem contrastivos, mas todos convocando o perigo, a fragilidade humana, o caos social.

      Leia-se a arte, relembrem-se os textos, revivam-se histórias da História e, afinal de contas, o(s) tempo(s) repete(m)-se. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Fim do dia em cor de fogo

     O sol põe-se, a noite vem e o céu ainda se pinta de fogo.

    É comum, na Granja, haver este espetáculo de luz e cor(es) no prenúncio da noite. Olhar para a linha do horizonte é perscrutar essa ânsia de buscar o longe, de rumar ao desconhecido. Contemplar o céu no múltiplo colorido que o pôr-do-sol e a noite trazem é desejo de voar, de me libertar da terra, de ascender ao calor que o neblinado instante ameaça apagar. De tão único, singular, nessa hora que todos os dias acontece, o momento inspira(-se) e o fragrante iodado refresca o pensamento, seco e gasto neste enleio de vida tantas vezes sem asas.

Foto do final de uma tarde ou do início de uma noite rasgada por um ângulo de luz

      Queria ter sido o pintor desta tela feita de rochedo, mar, céu e nuvens; de sol fugidio, a esconder-se da lua e das estrelas. Traçaria um ângulo de luz a separar o negrume dos rochedos, banhado pela maré vaza, de um céu manchado de nuvens e de azul a escurecer.
       O fio-de-prumo do horizonte seria linha de bruma, fiada de mar.

       Fica o registo fotográfico para memória das cores de um final de dia (ou do quadro que teria pintado se a inspiração e o sol não fugissem).

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Como se o problema fosse não saber jogar...

      Ao final da tarde de uma terça-feira, ainda se ouve falar dos resultados de futebol.

      Já não basta, ao final de sábado ou domingo, ter mais de seis canais televisivos a falar do mesmo (a derrota do Benfica, na Luz, com o Futebol Clube do Porto), e a semana continua no mesmo tom. Parece ser a crise instalada, como se o campeonato nacional ficasse já decidido à terceira jornada. Enfim!
       E, no meio de toda a inteligência futebolística e tanta teoria clubística, vem a nota de rodapé com o maior dos escândalos:

SIC NOTÍCIAS no seu pior - emissão de 'Mercado Aberto'

      Deste ninguém fala, se é que alguém mais o viu!
      Pior do que o Benfica não saber jogar (se é que tal se pode concluir da derrota num jogo, como se houvesse infalibilidade nos derbies, nos jogadores e nos treinadores) é não se saber escrever, nomeadamente num programa / canal televisivo. Confundir a construção 'haver de + V' com qualquer outra realização inexistente no português (por mais homófono que pareça) é caso para mostrar cartão mais do que vermelho, com expulsão direta.

     Ao final da tarde de uma terça-feira, é lamentável a perda de tempo com tanta conversa de futebol quando da língua, e da forma de a bem escrever, não há quem cuide delas cuide na TV.

sábado, 17 de agosto de 2019

Voltando ao 'Joker'

     Já por várias vezes me referi ao 'Joker' - prova de que o vejo.

     É das poucas coisas televisivas a que vou sendo fiel (pela amplitude de conhecimentos que nele se revê), mas a verdade é a de que o programa não está isento de contínuos reparos. Cá vem mais um, a propósito da emissão de hoje:

Imagem alusiva ao programa televisivo 'Joker' (RTP1 - Foto VO)

    A imagem é a do momento em que o concorrente, para a questão formulada, seleciona a hipótese Álvaro de Campos (um heterónimo pessoano, dos mais conhecidos e versáteis, a par de Alberto Caeiro e Ricardo Reis). Nada a obstar quanto à frase "Minha pátria é a língua portuguesa" ser da autoria de Bernardo Soares - assim a encontramos num dos fragmentos do Livro do Desassossego. O aspeto crítico está mesmo em considerar Bernardo Soares um heterónimo, quando o autor Fernando Pessoa o classificou como semi-heterónimo. Assim o justificou, no último ano de vida, numa carta escrita a Adolfo Casais Monteiro (13 de janeiro de 1935):

    «O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas coisas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as faculdades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual [...]»

       É no fragmento 259 que se lê a frase citada no programa televisivo:

  «Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa.»

     Tão mais simples, rigoroso e certeiro seria apenas perguntar "Quem escreveu / Quem foi o autor da frase 'Minha Pátria é a língua portuguesa'?" (pelo menos, não induziria em erro, para a escolha de um dos heterónimos mais comuns).
   O ajudante de guarda-livros, o morador da Rua dos Douradores, assume um estatuto singular, distinto, privilegiado na escrita pessoana. É o narrador principal do Livro do Desassossego, pensador que não é poeta, mas assume trechos de uma prosa poética, na qual viver sonhando, sonhar imaginando e imaginar sentindo são ecos da poética do ortónimo. Foi uma "personalidade literária" (como Pessoa também o chamou), que vivia num quarto alugado e conversava sobre literatura com o criador, considerando "a vida uma estalagem" onde se demora até que "chegue a diligência do abismo" (uma angústia existencial partilhada com quem lhe deu vida).

     No prefácio ao Livro do Desassossego, Pessoa assume que Bernardo Soares foi "um indivíduo cujo aspeto, não me interessando a princípio, pouco a pouco passou a interessar-me". Daí à identidade foi um grande passo para se ter no primeiro o espelho a deixar ver alguém que está por trás de muita(s) Pessoa(s) - ser um só no seio de muitos, ou seja, um que tem em si o outro.