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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Publicação com mais de dez anos

     Retomo-a, por vezes, mas hoje revi-a no Facebook.

   Já lá vão mais de dez anos. No tempo, e em coautoria com quem também dava contributos significativos para a área da educação, esta publicação surgia como conjunto de sugestões orientado para o que eram as "aulas de substituição". Mais do que cem guiões destinados a dar algum sentido a uma dinâmica que também se podia cruzar com as áreas da Formação Cívica, do Estudo Acompanhado ou na complementaridade com atividades letivas.
     Lia-se, na "Introdução", que 

   "Desde o ano lectivo 2005-2006, o tempo escolar transformou-se num dos principais problemas que os professores têm de enfrentar. Todos passam entre 24 e 30 horas semanais na escola. Todos realizam actividades para as quais não tiveram condições de se preparar. Todos (ou quase todos) são obrigados a ocupar os alunos na ausência prevista ou imprevista de um professor. Mas não é só uma maior permanência forçada na escola. É também uma intensificação e complexificação desse tempo. Ser imprevistamente obrigado a ir dar uma aula de substituição a uma turma que não se conhece, de uma disciplina que não se domina; ou mesmo cumprir um plano de aula que um colega deixou no conselho executivo; ou ocupar um grupo mais ou menos numeroso de alunos em diferentes contextos são actividades de enorme pressão psicológica, de grande desgaste, nalguns casos até de grande sofrimento.
       O professor tende hoje a ser tratado como um faz-tudo, a ser obrigado a ensinar, a estimular e a socializar - ao fim e ao cabo as três funções verdadeiramente profissionais. Mas, para além da missão profissional, é empurrado para ser tomador de conta, guardador de crianças e jovens, para fazer o papel de auxiliar da acção educativa, de contínuo, de vigilante e de prefeito. Para fazer face a este problema plurifacetado, as escolas foram procurando e encontrando soluções diversas: a nível da organização escolar (estimulando e organizando permutas docentes dentro do mesmo conselho de turma, à semelhança do que sempre se fez no ensino profissional; distribuindo a turma por vários professores, que trabalham com pequenos grupos em diferentes locais ... ); a nível departamental (organizando um sistema de disponibilização de substituições entre os professores do mesmo departamento, disponibilizando baterias de fichas e actividades por níveis de ensino e por competências-chave); a nível individual (tendo sempre à mão vários planos de aula transversais, passíveis de serem executados em qualquer contexto educativo ).
       Mas qualquer que seja o esquema organizacional, é sempre necessário o recurso a conteúdos e estratégias com intuito pedagógico. A conteúdos que dêem sentido à acção que os alunos e os professores vão realizar. A conteúdos e actividades que possam interessar os alunos e que possam fazer deste difícil tempo de encontro forçado factor de satisfação comum. 
      E é neste contexto que surge este livro-ficheiro. Um banco de recursos da mais variada espécie e natureza, em suporte papel e em suporte digital, que será, estamos certos, um auxiliar valiosíssimo para todas as actividades de substituição.
      Acreditamos que esta publicação vai assim ao encontro de uma necessidade premente. E vai, com a inteligência e a sensibilidade dos professores, ser um instrumento ao serviço das aprendizagens dos alunos e da gratificação profissional.
      São estas as nossas convicções e os nossos votos."

     Trago o texto citado da obra em questão; trago a revisitação do Facebook e do blogue do Professor Matias Alves (um dos coautores) - Terrear.
      Pelo índice da publicação, há atividades para muitos gostos e múltiplas funcionalidades: treino da atenção, abordagem da escrita, escrita criativa, indução e gestão de conflitos, observação e visionamento, narração de histórias maravilhosas para encanto e aprendizagem. Assim se pensava e construía o trabalho para alunos do ensino básico e do secundário - cenários ensaiados, testados, implementados. Experiências práticas efetiva(da)s.
      Parece que querem usar a obra em Timor, aplicando algumas das sugestões / propostas.

    Muitas das ideias permanecem válidas, para uma publicação que, hoje, podia ser intitulada Aulas de implicação e construção de aprendizagens. Obra feita!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Palavras a Lúcia - de luz a uma forma de ver os dias

        Em trinta e dois apontamentos de vida,  se (re)descobre uma mulher.

    Numa dedicatória manuscrita, lê-se que a obra é feita de "páginas femininas". É um dado categórico, ainda que não seja facto menor o de nelas também figurarem homens que, em múltiplas vertentes, mostram formas de estar e de viver bem para lá do que seja ser-se masculino ou feminino, Acima de tudo, encontra-se o ser humano na sobrevivência e na felicidade do(s) tempo(s).
     A Drª. Lúcia carrega no nome a luminosidade, a lucidez, a “luz” de ver as coisas que nem sempre lhe são fáceis, mas com o sentido que a experiência de vida lhe trouxe (pelo vivido, pelo lido, pelo escutado, pelo visionado, pelo sonhado). A sua condição de "quase cinquentona", ao ano de 2015 (o dos registos do diário), conjuga-se com esse papel que cumpre e partilha na relação "íntima deste teclado" (pág. 95), como se as páginas folheadas pelo leitor fossem mais visionadas no monitor de um portátil do que tateada na gramagem das folhas. Mais sobressai a partilha da sua visão do mundo tão afim a todos os que se deixam pautar pela sensibilidade e pelo gosto de fazer da/na vida o que ela tem de bom (mesmo quando esta nem sempre o dá).
     Entre janeiro e abril, a escrita acontece. Lúcia foi escrevinhando, diarinhando, na sequência de alguns dias ou na suspensão de outros; entrecortando, segundo a vontade ou o tempo liberto da fatalidade da rotina. Aspetualmente marcado ora pela duração ora pela iteração, o ato de escrever é encarado como "o melhor modo de fazer as pazes comigo, de tentar descobrir o que há que me faz sair daquele mim que julgo ser eu para aquele mim anestesiado para o que vai no mundo" (pág. 11).
     9 semanas surgem contempladas, no terço inicial de um ano, com os ingredientes de surpresa, sedução e suspense, mas também os de recordações (da infância e adolescência), de algumas rotinas (as do trabalho) e regressos (às origens, a Moncorvo). Há amor e dor, há cómico e seriedade reflexiva, há apontamentos ensaísticos, há perceções da arte (cinéfila, literária) e da vida (real, imaginada), há dúvidas e curiosidades que vão sendo resolvidas, satisfeitas à medida que as interações se fazem, principalmente, com o senhor Antunes, a dona Maria do Carmo. Há perdas: umas definitivas, outras por resolver - o tempo e a vida dirão se haverá lugar para tal.
       A diferença entre estar sozinho e viver só é também explorada nas páginas deste diário, ainda que a orquídea (uma das"meninas vestidas de lilás") permita, tal como o ato de escrita, "tentar remendar o dia, atar pontas soltas" e tornar o dia(mais) feliz. A Perpetuazinha fica; nos cuidados de Lúcia ou do senhor Antunes, está lá na narrativa para não só combater a solidão mais do que septuagenária como também tornar o dia "Solitariamente feliz" (pág. 57).
      Apreciei o texto pelo discurso tanto literário quanto natural; pelo veio investigativo e detetivesco introduzido e aplicado a um ponto narrativo que alimenta a curiosidade leitora; pelas lembranças e pelo cruzamento de referências musicais, fílmicas, literárias tão geracionais como familiares; também pelos valores e pela visão de mundo da Drª. Lúcia; por fim, mas não menos importante, também por esta última ser do "FêQuêPê" (a ficção é mesmo uma boa alternativa à realidade)!
      Cerca de cem páginas (faltam cinco) que se leem muito bem e, passo a citar, "gerundivamente":

Numa página de Facebook, datada de 23 de dezembro

      Obrigado, Maria Clara Miguel ("também e sempre Zá").
   
    Ao fim da leitura da obra, reluz alguma serenidade, com os preparativos de uma viagem, de um regresso às origens (sempre diferentes do ponto de partida) e de uma conformação inevitavelmente a construir, para sobrevivência na vida e na sociedade que temos, onde se buscam afetos e "aconchegos coletivos".
     

sábado, 24 de novembro de 2018

Diarinhando... bom título!

      A tarde foi de apresentação de um livro especial. Entre amigos, no Centro de Recursos da Secundária de Gondomar.

    Uma capa bonita, um título inovador, uma apresentação entre o elogio fundado na qualidade estético-literária e as cores da amizade, uma obra à espera de ser lida. E a autora?


    Já figura nalguns apontamentos desta 'Carruagem', por nos ter dado Histórias para Lermos Juntos e nos ter brindado com O Tesouro. Na companhia e na amizade. Assim foi, assim continua a ser, com os ingredientes geradores de uma família de leitores que Maria Clara Miguel tem vindo a construir. No caso de alguns dos presentes (inclusivamente de alguns ausentes), mais do que leitores, por certo.
      Nada é por acaso, diria a nossa Isaura. O (re)encontro com Maria Clara Miguel aconteceu. E uma Lúcia está para se dar a conhecer. Não foi 'encontro feito poesia', porque de narrativa se trata. Mas nas máscaras de Narciso (nesse mito que se compõe do eu que também é outro, no espelho da água), o que se narra é um ato de escrita metamorfoseado em diário, em prosa poética, em fragmento reflexivo, em apontamento breve, em opinião ou gosto que se querem partilhados.
      Dizia o apresentador do livro - o colega, escritor e amigo Manuel Maria - que nas páginas lidas há suspense, surpresa e sedução. As personagens e as ações narradas convocam espiritualidade e intuição, conformes à tonalidade lilás da capa, a essa cor metafísica propícia à purificação e à cura do físico, emocional e mental. A criação artística é um dos caminhos, nessa elevação de intuição, inspiração e criação espiritual. É mistério a expressar-se pela individualidade, pela personalidade, numa relação plena com a espiritualidade.
      De tudo isto se compõe a obra hoje dada a público, páginas configurando nove semanas de um diário que Lúcia (também Isaura e/ou Maria Clara Miguel) escrevinhou - não se trata de escrever mal nem de produzir algo sem valor (bem pelo contrário); talvez fingir um registo solto, natural, com um fim diverso (mais do que determinado), entre o entretenimento criativo, a oportunidade aproveitada, a vontade sem compromisso e a necessidade de revisitar tempos, gostos, pessoas, memórias que em todos nós vivem - umas comungadas, outras só de alguns, muitas só do 'eu' plasmado num discurso por natureza calendarizado, datado à cabeça (o Homem é tempo; dá-lhe a mão e larga-o, conforme a força, a vontade e a capacidade de o acompanhar).
      Diarinhando é amálgama para um ato encarado como processo, talvez por pretender culminar numa construção de identidades e entidades fictícias que só a vida pode vir a (re)criar pelo que já deu a (re)ver ou a imaginar.

     Ao folhear o livro, parei em algumas datas (8 de fevereiro foi uma delas) e em alguns segmentos (um deles, logo a abrir: "Está aí alguém?"). Talvez seja Narciso a recriar-se, a rever-se num universo de palavras, num fluir do tempo, num espelho de interrogações, reflexões, intrigas que de vida (também) se fazem.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Olha eu... noutro blogue!!!

    Encontrar-me citado num apontamento de um blogue não é novidade, mas não deixa de ser surpresa.

      Isto de nos vermos espelhados nos textos / trabalhos dos outros é um sinal de que andamos a fazer alguma coisa neste mundo. Bem ou mal, que o avaliem os outros. Por mim, vai sempre dando para acreditar que vou fazendo qualquer coisinha de jeito, para bem dos que partilham a minha área de trabalho.
      Procurava eu alguns dados sobre coesão e coerência e revi-me:

Pormenor da página http://recursosabertosdeportugues.blogspot.com/2014/10/coesao-lexical.html

   Agradeço a consideração ao blogue "Recursos Abertos do Português", que selecionou alguma da informação por mim facultada (ainda que, em rigor, esta precisasse de ser mais completa para corresponder ao por mim escrito sobre coesão referencial / lexical).

      Ainda assim, o agradecimento nesta experiência "interblogueada".

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Convergindo, divergindo

     Depois de um dia de muito trabalho...

     ... busco o mar, ânsia de partir até à linha do horizonte, a todo o momento renovado. Se outra terra me acolhesse...

Porque há ir e voltar (Foto VO)

   Os passos, no vai-e-vem da busca, ficam lá, na areia, à espera que o vento apague as marcas da minha presença, os sinais desse encontro que tive, que fiz, que vivi e de que me afastei.
     Fui, vim e, daqui a pouco, é como se lá não tivesse estado. E assim a vida corre...

    Regressado a casa, vou a mais trabalho, até que a noite chegue e a possa dormir para recomeçar o que não houve tempo de acabar. Qual Sísifo, empurro a pedra, pesada... que teima rolar ao meu encontro.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Cuidado comigo

      Não sei que mais diga.

      Depois da leitura de um artigo que circula pelo Facebook, quem me conhece que se cuide.

in http://www.minutopsicologia.com.br/postagens/2015/09/18/psicopata/

   "Está provado cientificamente que as pessoas que gostam e preferem os sabores amargos têm tendência para ser psicopatas.
    Na Universidade de Innsbruck foi realizado um estudo que concluiu que se alguém prefere coisas amargas são mais maléficas. Os dois investigadores austríacos analisaram os hábitos alimentares de cerca de 1000 pessoas: compararam o quanto cada um gostava de cada iguaria e realizaram testes psicológicos e perguntas para perceber a personalidade dos participantes.
  Foram colocados diversos alimentos para os participantes provarem - doces como chocolate e amargos como café sem açúcar - e os investigadores descobriram que os que gostavam de sabores amargos têm uma personalidade mais maléfica, com tendências sádicas.
   Eles gostam de sabores amargos porque se sentem como que numa “montanha russa”, diz um dos investigadores."


in https://revistapt.com/pessoas-que-bebem-cafe-sem-acucar-podem-ser-psicopatas/?fbclid=IwAR06DhnLe-SxT_L8yymdgpiSo3QOm7ITHN_GJpEglDwT7pQ_KhI3xWuONpw

     Gosto de bolos muito pouco doces; chá e café é sem açúcar, mesmo. Sou azedo!

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

TREAT!

     Mediante a disjunção, só tenho uma opção.

    A máxima do "Trick or treat!" (traduzida como "Doçuras ou travessuras") deixa-me, por vezes, confuso e indeciso na escolha, seja porque gosto de doces seja porque uma travessura também sabe bem.
    Em dia de Halloween, cruzo-me com a imagem de uma abóbora (que não é menina):

Uma "pumpkin"..., ou melhor, "trumpkin

      E na ordem da nova máxima, só me resta uma escolha:
    

    Não há "trumpalhada" que resulte doce. É azeda, amarga, áspera. Nem com o espírito do Halloween é suportável. É bruxedo a mais! Não há "treat"! Contudo, se o que resta é "trump",...

     ... venha o "treat", apesar de apetecer ser travesso ("tricky"). Porque "Trump" não é alternativa para coisa nenhuma.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

História que deu vida

       Tudo por causa da História que daria um Livro, de Manuel Maria.

      Um encontro intrigante (uma personagem com um passado por desvendar e uma realidade tão fictícia quanto aproximada ao vivido em Moçambique) conduz José António para a (re)descoberta de alguns dos enigmas que a guerra, a experiência de alfarrabista e a vivência de homem comum propõem à vida.
    Cruzam-se neste enredo pensamentos literários e filosóficos, além de toda uma gama de conhecimentos a convocar futebol, política, arte plástica, ensino, coordenadas de tempo e de espaço em muito coincidentes com o real que alguns leitores possam (re)ver no dia-a-dia que foi ou mesmo naquele que ainda é (ou pode ser). Enquanto um desses leitores, vejo a ficção entretecida com uma realidade conhecida, esbatendo-se uma fronteira muito ténue a anunciar essa terra de todo o mundo e ninguém, uma "nowhere land" de muitos (se não for de todos) conhecida.
      Revisto o Portugal dos finais do século XX / inícios do XXI, cabem nele a consciência do que foram os tempos de guerra colonial em Moçambique; os jogos político-estratégicos do regime ditatorial; os dilemas de quem cumpria um dever nem sempre reconhecido no poder que o impunha.
     Cronotopicamente plural, o romance propõe uma rede de personagens e de relações que convergem maioritariamente para um local de convívio e alimento: A Cozinha do Martinho. À mesa (e no jogo) se vê a educação, diz o povo. Há quem nela também faça grandes negócios e nela ponha as cartas. Em A Cozinha do Martinho, à mesa surgem (re)encontros, resoluções, reuniões e (re)equilíbrios de situações narrativas, numa reconfiguração simbólica da generosidade do próprio santo que dá nome ao restaurante; ao chefe do espaço e à festividade celebrada no capítulo final.
      Concluída a leitura e fechado o romance, tenho a impressão de já me ter cruzado com alguns dos espaços e algumas das personagens, embora ela tenha sempre de ser matizada, particularmente nos humanos, por traços fictivos de um José António, de uma Silvana (Sissi), de um Manuel Maria e de um Sr. Laurindo que (con)vivem nas páginas de um livro. E, de novo, nos confins da ficção ou da realidade, há uma espécie de limbo a alimentar dúvidas: pode o Man(u)el Maria de carne e osso que conheci ser o professor de ensino secundário (que também o foi, é e será) lido no papel? Pode qualquer semelhança da obra com a realidade não ser apenas mera coincidência, dando-me a ler um Sr. Laurindo que recupero das minhas memórias e revejo no próprio dia de apresentação do romance? É José António um múltiplo de Manuel Maria? É a carta do primeiro (que, não existindo, foi sendo) aquela que o segundo, pelo ato criativo de escrita, produziu com efeitos de real, a ponto de aparecer reproduzida num manual de Português (que existiu, sem dúvida)? E fico-me pelas figuras masculinas, porque de algumas femininas não diria menos.
      É nesta espécie de "mise en abîme" - de uma História que daria um Livro a evocar Checa é pior que Turra; de um José António tão familiar(izado) no espelho de Manuel Maria; de uma ficção a gerar uma outra, ainda que tão aproximada do real nas contextualizações epocais evocadas - que o romance se impõe.
     A fechar, há um "happy end" de uma história que, no ponto de arranque, "nunca encaixou na cabeça" de José António; que, na fase de resolução, Silvana reconheceu como enigmaticamente fantástica; que Carlos Vladimiro, no fim, confessadamente apresentou como desvelamento de identidade. Tudo acabou por dar em livro... e em vida com oportunidade de felicidade.
     Em suma, e similarmente às palavras do Chefe Martinho quando se refere à comida do seu restaurante, digo desta obra que "temos coisinha boa!"

     Renovado agradecimento ao Man(u)el pela dedicatória, pelo convite formulado para assistir à apresentação pública do livro, pela evocação de vivências e projetos que nos aproxima(ra)m e pelos momentos de leitura proporcionados. Nem penosos nem penalizadores, meu caro. Uma obra "maningue" interessante!

domingo, 3 de junho de 2018

A velha casa e outros dias

    Gondomar, na Biblioteca Municipal. Com amizade.

    Um dia depois de uma amiga ver o seu livro publicado nas mãos de alguns dos leitores e de ter assistido a uma apresentação da obra por alguém que a lera (e muito bem), ficou-me a vontade de apreciar mais a narrativa matizada de oral e poesia, com boa literatura à mistura.
  Um registo diarístico ficcionado; uma personagem (Madalena) cheia de vida, dando à palavra 'reformada' o sentido de mulher (bem) formada e com oportunidade(s) de reformular, retomar e reformar percursos e projetos; marcas de espaço e de tempo que se (re)visitam para se lhes dar novas cores, sabores e vivências, sem esquecer os tons, as pessoas e as memórias que a novidade faz e traz na (re)criação afetiva do lugar, das estações ciclicamente retomadas e renovadas, do fluir e do fluxo de vida e de comunhão com os outros e consigo própria - de tudo isto o livro se compõe, num jogo de ficção e realidade em que qualquer semelhança (ou coincidência) sai motivada e inspirada por lembranças, pela condição de presente e pelo desejo de futuro.
       E porque este último se complementa com presente e com passado, na linha do tempo, os projetos também se compõem de vivências e de memórias, inclusivamente aquelas que se revisitam pela tradição oral numa literatura feita em verso familiar, popular, universal pelas lições e pelos exemplos de vida configurados:


Poema da D. Marieta (in A Velha Casa e Outros Dias)

"Os Velhos" (in A Velha Casa e Outros Dias)

      Porque o ser humano se faz de, no e com tempo; porque também ele ocupa um espaço mais ou menos difuso, real, virtual ou fictivo; porque ele se (re)vê num espelho em que a imagem observada fica aquém da que verdadeiramente se expõe ou reflete, busca-se, nas linhas da narrativa, os traços de que uma mulher é feita, num retrato e numa vivência com sinais de passado recordado, de presente em ação e de futuro projetado.
      Liberta das contingências de uma vida entregue aos vários papéis que plenamente desempenhou, Madalena é feita de dores (etimologicamente de 'dolores'), de perdas, de conquistas, de ganhos, mas sempre de afetos e de expectativas, na demanda dessa utopia de felicidade que, na vida, não pode ter fim.

     ... porque o outono da vida há de sempre dar em novas primaveras, não obstante as intensidades do inverno e do verão.

domingo, 4 de março de 2018

Um condicional muito factual

    A propósito de História que daria um Livro... e deu mesmo!

    Foi ontem divulgada mais uma publicação do escritor e amigo Manuel Maria - uma produção, uma apresentação que ganhou nota de foro pessoal, não só pelo convite amigo que me foi endereçado (e permitiu o reencontro com pessoas de bem) mas também pelo facto de me ter, surpreendentemente, deparado com um romance que me foi dedicado.
    Abri-o. Sorri com a leitura das primeiras linhas, antevendo um José António tão feito de Manuel Maria quanto marcado pelo azul (quer pela nobreza de caráter quer pelo amor ao Futebol Clube do Porto). Será o reencontro com uma personagem que conheço desde a leitura de Checa é Pior que Turra (1996).
    Relembrado de como uma carta deste romance foi transcrita nas páginas de um manual de Português de que fui coautor, o capítulo VII da História que daria um Livro sublinha precisamente esse dado, num diálogo entre as personagens Estela e Silvana (Sissi):

   "- Procuro um livro. É sobre a guerra colonial. Vem aí o aniversário do Tito e gostaria que as filhas lho oferecessem. Tenho a certeza de que iria gostar. Apesar do divórcio, a sua relação com as miúdas continua a ser exemplar.
    - Ainda bem.
    - Acho que é o mínimo que nos resta.
    - E que livro é?
    - Chamou-me a atenção, porque tem uma carta de Natal reproduzida no manual de Português da mais nova.
    - Da Luna...
    - Sim.
   Abriu a pasta e retirou um manual de 10º ano, Das Palavras aos Actos, Edições ASA. Tinha uma marcador na página 152. Em fundo cinza, uma citação da obra a ocupar quase toda a página; no canto superior direito, um mapa do continente africano, com a localização exata de Moçambique, além da Península Ibérica, a norte, com o retângulo de Portugal. À margem, à esquerda, uma miniatura, a preto e branco, da capa do romance Checa é Pior que Turra.
    - Conheces? - Perguntou Estela.
   - Não. Não tenho ideia de o ter visto cá, mas deixa que chame o Zé António, que está no primeiro andar a arrumar uns livros. Pode ser que ele conheça."

      Conhecerá ele, por certo, a carta que escreveu, publicada num manual que cita um livro escrito por Manuel Maria. Como este último terá chegado à carta de José António, diria que são "contas de um outro rosário".

    Resta-me agradecer ao Man(u)el que tenha feito registar neste seu novo livro, quase vinte anos passados, um pedaço das nossas vidas, de projetos comuns, perdurados numa narrativa que certamente irei ler com a atenção que merece e com o desafiante sentido de como a ficção pode inspirar-se numa realidade que ultrapassa a(s) sua(s) fronteira(s).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Obrigado, RAP!

     Com o agradecimento devido à OC, também, por me ter feito chegar aos olhos (porque de leitura se trata) a última crónica de Ricardo Araújo Pereira (RAP, sem que de música se fale).

        Estava eu a ler a dita cuja tão contentinho - porque de Linguística não deixa de ser (mesmo que em registo cómico) -, e eis senão quando sou abalroado pela bombástica novidade: "... já quase ninguém se chama Vítor".
       Se do "vós" pouco se pode argumentar quanto ao desuso (mais do que evidente), do Vítor nem sei que diga! Vítor Pereira, com desgosto, vai deixar de treinar e comentar futebol, para não falar de um outro que nem vai mais apitar ou arbitrar! E Vítor Oliveira (não eu), no momento também a treinar lá para os lados de Portimão, está aqui está a fugir para África! É certo que Vítor Baía já não defende as balizas do Futebol Clube do Porto, mas não deixa de ser por aí muito badalado à conta de outras eventuais aspirações. Ainda desiste! E o Chefe Vítor Sobral?! Larga a cozinha. Até Vítor Norte vai deixar o teatro, com a tragédia anunciada! Para isto, muito deve ter contribuído Vítor Gaspar, com uma subida tão brutal nos impostos que nenhum paizinho nem nenhuma mãezinha de juízo quiseram dar tal nome a um seu descendente. Resta ao Senhor Padre Vítor Melícias rezar, a bem do bom nome que já foi de Papa e de Santo.
     Segundo o RAP, estou em desuso. Estou aqui estou tal igual (como diria Mia Couto) a arcaísmo. Bem... pior seria se o meu nome fosse grafado com 'c' (em verdade vos digo que nada tem a ver com o Acordo Ortográfico). Por isso, sempre que me apresento, digo "Muito prazer, Vítor Oliveira, sem 'c' e com acento no 'i'". Sempre dá um ar de modernidade, mais fresco e desempoeirado, não sei se percebeis (cá está o vós).
      Hoje, sinto-me, portanto, "avis rara" com a crónica "Até que o vós me doa" do RAP, publicada na revista Visão:

(clicar na imagem para aumentar o texto)

    Depois disto, não vos riais, que para mim é assunto muito sério! O desuso do pronome (que mais parece majestático, face ao banalizado 'vocês') e a raridade dos "Vítores" precisam de uma comissão de trabalho e de estudo já, para não falar de uma petição imediata, visando a resolução de duas questões críticas nacionais. Pelo menos, a dos "Vítores", claro está!

     E para ir ao encontro do RAP, antes que vos vades embora (este conjuntivo do verbo 'ir' na segunda pessoa do plural é um primor!), ficai sabendo que o nosso cronista da "Boca do Inferno" (vira essa boca para lá!) muito usou e abusou do "Vítor" (ou melhor, do "Senhor Vítor"). Tantas vezes o disse que disso não fez vitória. Imaculada Conceição me valha (por o dia feriado ser dela), com uma ajudinha de São Vítor, ora pois então!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Estou no Paraíso! (Quem diria...)

     Não, não se trata deste mundo! É mesmo virtual.

    Com tanta azáfama e com um acentuado mal-estar decorrente de contínuo cansaço, é bom saber que ainda há quem nos liberte do inferno do dia-a-dia. É o que acontece quando nos colocam no "Paraíso", e com os votos de boas vindas.
    Vem isto a propósito de um apontamento num blogue que cita a Carruagem 23, acerca da formação de palavras:

Excerto do apontamento no blogue Bem-Vindo ao Paraíso
(https://isauraafonseca.wordpress.com/2015/10/24/formacao-de-palavras/#comments)

      Mais uma rede de relações virtuais. Também com algumas virtudes.

      Ou não estejamos nós no Paraíso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Obra(s) de / para ficar por casa

   Depois do painel dedicado ao mar, vem o da terra.

  Na combinação de umas obras de artista dedicada às plantas com a pintura de umas tábuas e a colagem de umas pedras, assim surgiu o painel da terra.
    Além das estrelinhas que me guiam (do painel do mar), tenho ainda as folhas que o vento não levou.








   À semelhança do painel do mar, o da terra também fica cá por casa, logo na parede da entrada. 
  Quem não tem dinheiro para Van Gogh ou Picasso fica com o que pode ter... ou o que faz.


    Na próxima vou para feira vender o resultado da obra "artística".

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Oliveirinha... do mar

    Oliveiras em casa (porque as do Porto são da cidade).

    Mudados os canteiros da varanda, deu-se lugar às oliveiras. Chegaram a Espinho e, em vez do "oliveirinha da serra" da cantiga tradicional, passam a ser as oliveirinhas do mar. Ficam ambas à varanda, do outro lado das ondas, viradas ao sol da manhã, de costas para o horizonte.
      

    Por ora, o vento não lhes leva a flor, porque, no lugar desta, há já umas pequenas azeitonas nascidas, num verde de esperança para a sobrevivência desejada.

      Ficam as árvores a marcar o território de quem nele mora. Vejamos o que o tempo lhes trará.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Integrar na novidade

   Não é a tomada da Bastilha; quando muito é comida, com sardinha, febrinha e outras coisas tenrinhas e docinhas.

    Esta é data importante para a História Universal: dia da Tomada da Bastilha (evento nuclear da Revolução Francesa, em 1789). Apesar de a fortaleza medieval, na altura prisão, ter só sete prisioneiros, a sua queda é perspetivada como um dos símbolos maiores da revolução e um ícone da República Francesa.
    Hoje, a título pessoal, também aconteceu uma revolução. Não sei se há mudança e regime, mas creio ser grande mudança para um futuro que só o tempo dirá se valeu a pena. Não tenho a alma pequena, mas admito que estou a destempo de alterações significativas na minha vida. Ainda assim, esta aconteceu, com a mudança do meu local de efetivo no trabalho de docência. Para integrar ou enturmar, fui à sardinhada da minha nova escola, a convite da diretora e do meu departamento / grupo disciplinar.
   Novos colegas, nova diretora, novo espaço... Tanta coisa nova ao mesmo tempo. Olho para a frente, tal como sugeria o patrono que dá nome ao estabelecimento. Nem para cima nem para baixo.

Uma oferta do jantar de despedida, com a cor do céu e do mar, a minha sombra
e as palavras de Manuel Laranjeira

     Este é registo de futuro, vindo de um passado tão recente.
    É verdade que fico mais perto do mar, mas sinto-me sombra à espera da luz, qual prisioneiro da caverna a julgar que vejo a realidade. Será esta cópia de algo mais para chegar?

     Não sei! Sempre numa indefinição que só o futuro desvelará. Resta-me olhar em frente.

sábado, 27 de junho de 2015

Vontade, pena, desejos e gratidão

     Uma mesa grande de gente muito boa. 

     Depois de saber que fiquei colocado na minha primeira prioridade de concurso, sinto-me dividido entre a vontade de sair e a pena de não poder levar comigo quem fica.
     É um ciclo que se fecha com cerca de vinte anos, para abrir um outro que não sei se será tão feliz quanto o primeiro, mas que está na linha dos meus desejos. Deste, fica-me a satisfação de ter cumprido um papel que julgo positivo, pela presença de alunos e profissionais que me ajudaram a crescer no exercício das minhas funções e nos afetos que nos ligaram.
     Há quem defenda que a construção da nossa identidade se faz pela perceção que os outros têm de nós e do que fazemos. Devo ter feito alguma coisa de bom. Acho que também somos o que outros nos impelem a fazer, e nisso tive bons exemplos para seguir (porque foram tão iguais a mim) e para ensinar (por me deixarem fazer aquilo de que mais gosto).


     Disse-me uma colega: "A quem muda Deus ajuda". Nunca quis tanto que um provérbio se concretizasse.

     Assim o espero - para fazer a mudança e para continuar a fazer tão bem quanto o poema que me foi dedicado. Por ora, resta-me agradecer a presença, as palavras, os gestos, os versos, as T-shirts, um chapéu de letras, uma flor... e o convívio, a consideração, o encontro, os abraços, o sabor de um momento que ontem me soube muito bem.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O captain, my captain...

     Palavras de alunos: ficção ou realidade?

    Inicialmente, a expressão faz parte da metáfora construída por Walt Whitman para, num dos seus poemas ("O Captain! My captain!", 1865), se referir à morte do presidente Abraham Lincoln, no contexto da Guerra Civil americana (essa 'trip', viagem por que os EUA tiveram de passar na sua história):


    Este mesmo poema é citado no filme Clube dos Poetas Mortos (1989), realizado por Peter Weir, particularmente quando o professor de inglês John Keating (interpretado por Robin Williams) diz aos seus alunos que estes o podem tratar por "O Captain! My Captain!", sempre que se sentirem ousadamente inspirados. Se assim o disse no início da relação, assim o recebeu no final: demitido por desafiar os princípios da prestigiada academia onde lecionava, Keating vê os seus alunos revelarem o apoio e a admiração que sentem, ao subirem para os tampos das respetivas carteiras e ao declamarem / dedicarem a expressão whitmaniana a quem os ensinou a aproveitar o dia e a sugar o "tutano da vida" (carpe diem).
    Se qualquer semelhança entre a ficção e a realidade for uma mera coincidência, a verdade é que hoje vivi estas palavras literárias / fílmicas como reais. Ao fim de dois anos e na última aula (oficial) de Literatura Portuguesa, nos minutos derradeiros de um discurso meu interrompido sobre A Sibila (de Agustina Bessa-Luís), vejo uma aluna subir para a carteira citando-me os famosos versos; e logo todos os restantes elementos da turma a repetirem o ato, numa recriação do episódio cinematográfico:

Cena final do filme Clube dos Poetas Mortos, de Peter Weir (1989)

    Entre a incredulidade e a emoção, o sorriso da cena reconhecida e a contenção que se impunha (para não chorar no momento da despedida), estrategicamente comecei por reagir qual Mr. Nolan, o diretor da Academia Welton, com o incisivo "Sit down"; ainda cheguei ao "You hear me, sit down", dada a desobediência estudantil; porém, não pude assumir o "This is my final warning! How dare you!". Sensibilizado, só pude responder de uma forma: subir para o tampo da minha secretária e, colocando-me ao nível da turma, agradecer por me ter deixado viver momentos e experiências felizes de leitura, de comentário, de análise e de reflexão. Fomos cúmplices no trabalho, no espírito e nas relações que se construíram.

      Ficção e realidade. Se alguém, no corredor, tivesse olhado pelo vidro da porta e visse o que se passava na sala de aula, pensaria que não era possível estar a ver bem! E foi tanta a realidade!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Uma nova estrela.

      Depois das estrelinhas recolhidas do mar, desta feita foi-me atribuída uma grande estrela.

   Prestes a terminar um período letivo, fui honradamente condecorado com uma estrela produzida à pressa (disseram-me), mas com a qualidade distintiva e merecida de uma mais que ponderada estrela Michelin. E como não há "chef" do ano que sobreviva a tudo sozinho, tinha ao lado a "funcionária do mês", com outro exemplar tão primorosamente concebido e tão provocador da boa disposição de quem nos via com a condição, espetada ao peito, de 'garçon' e 'garçonette', em pleno exercício de serviço de cafetaria.
      Claro que há que sublinhar as diferenças: eu, "do ano", ora pois então. Como alguém o apontou, e bem, tudo em conformidade com o sexismo que se impõe: o ano e a posição de 'chef' para o masculino; o mês e o estatuto de funcionária para o feminino.
    Com duas estrelas na copa, muitas outras ficaram por dourar: todas aquelas que ajudam num projeto tão caro à escola - o Bar Solidário - e que alguém, certo dia, teve a ideia de partilhar e testemunhar, dando corpo ao manifesto. Hoje, com uma simples maquinazinha da Buondi, cumpre-se plenamente o pedido de cafezinho, pingo, meia de leite, descafeinado, a que acrescentamos sempre o molete, papo seco ou vulgar pão, com queijo, manteiga, fiambre e/ou marmelada, conforme as combinações desejadas (sem esquecer o requintado pãozinho de nozes que, à sexta-feira, a nossa prestimosa "funcionária do mês" nos oferta).
    Todavia, além destas figuras, e desde o início, muitas outras há a merecer o estrelato, inclusivamente todas aquelas que reagiram muito galhofadamente à entrega destes 'galardões' e se assumiram logo como "gatas borralheiras". Que seria da história sem elas? Não existiria, por certo. 
    Há quem diga que o atendimento é 5 estrelas, de meter inveja a qualquer Clooney (que está para descobrir, saber o verdadeiro sabor do café da ESG, na sala de professores). Ainda assim, a constelação é bem mais real e visível no facto de, em cerca de três meses, todos estarmos prestes a atingir a quantia de dois mil euros, para auxiliar uma família que viu a sua estrelinha um pouco mais apagada no brilho que irradiava.


     Entre os muitos que ajudam e os outros tantos que consomem, contribuem e dão razão a tudo isto, há que agradecer o gesto. É fácil ser 'Chef' e ser 'Funcionária(o)', quando há uma causa grande (a da Maria do Céu) e muitos colegas espetaculares, solidarizados no espírito e nos atos para que tudo corra pelo melhor. Além disto, dá-se sempre utilidade a um espaço morto de uma escola "nova", restaurada e disfuncional, que se vai ajustando e procurando sentidos para manter a vida e a esperança.

      Na brincadeira em que tudo isto resultou, houve um dia de escola para lembrar.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Estrelinhas que me guiem...

      É o que dá caminhar junto ao mar.

   Colhe-se, no areal, o que o oceano não quer, dá-se-lhe um retoque e a obra nasce (sem que propriamente o homem queira ou Deus tenha feito sonhar):

As estrelas da casa - foto VO

   Talvez sejam precisas todas estas estrelas para me guiarem num caminho que faço muitas vezes sem destino. Assim, nada como as trazer para casa, juntar umas conchas e pedras espalhadas na areia, numa tábua de madeira com alguma pintura feita de pôr-de-sol, de noite e de mar.

    Já que não dá para ter um Matisse, um Degas, um Van Gogh ou um Picasso, fica mais um Oliveira (muito "estrelado") pelas paredes da casa.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Céu... Esperança...

       Uma causa para abraçar.

       É um caso triste, mas que existe. Tão próximo!
     Para o divulgar, ficam as palavras de quem com ele conviveu nas alegrias e a quem dá a mão para o futuro e a esperança.

      Dizer o quê, escrever o quê?
      Esta é das histórias mais trágicas que já conheci.
    Sou professora da Maria há dois anos (10º e 11º ano). Conheci uma menina aplicada, lutadora, humilde e que sabia bem o que queria!
     De um dia para o outro, tudo mudou...
     Uma operação, à partida simples, pôs fim à Maria que todos conhecíamos...
     Hoje, a Maria está presa a uma cama... dependendo de tudo e de todos...
     Aqui entramos nós; podemos ajudar!
    A Maria precisa de tanta coisa... da nossa presença, do nosso carinho, mas também de uma cama articulada, de um colchão, de uma cadeira de rodas...
     Para tal criamos uma conta em nome dela para fazer frente aos dias que hão-de vir...
     Por favor divulguem e sejam solidários! Um pequeno contributo pode fazer toda a diferença!


     Professora Manuela Oliveira ...
     Mt obrg 
     Força Para a Maria Do Céu

    Um erro médico, uma falha nos procedimentos cirúrgicos, uma irresponsabilidade técnica - hipóteses sem resposta e sem remédio.

     Vamos a isto. Há muito trabalho a fazer para dar o conforto possível à Maria. Este vai ser o meu voluntariado.