quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Não é para ninguém; é para parar mesmo!

     Entre alguns dos casos críticos do Acordo Ortográfico (AO), este é, sem dúvida, um dos mais polémicos.

     Confrontados com frases do tipo...

     i) Para para ouvir.
     ii) Para para ter atenção como deves ler.
     iii) Para escrever para já não precisas de acento.
     iv) Para escrever para instituições oficiais para de escrever para com acento.
     v) Para o carro, já!
     vi) Para para um acento dava jeito para distinguir palavras tão diferentes. 

     ... lidamos com uma das palavras mais camaleónicas da língua portuguesa, na sua variedade do português europeu: entre a conjunção (subordinativa final), a preposição, mais a que o AO veio acrescentar (forma verbal), ao prescindir de acento agudo (ou, noutros casos, do circunflexo) nas homógrafas de palavras proclíticas.
       A complexidade no processamento de leitura é evidente.
     Sem auxílio de terceiros, sem a lembrança da voz, precisam as palavras de estar bem arrumadas na frase e na linearidade do pensamento do leitor. A sintaxe impõe-se forçosamente como sustentáculo mais imediato na descodificação do escrito. A distribuição, a linearidade dos enunciados não é suficiente, por certo; mas, convenhamos, mesmo para os leitores mais experientes, o recuo e o avanço percetivos vão ter de se cumprir, numa movimentação constante, a todo o momento exigindo avaliação com o que esteja aquém e além de outras palavras (confronte-se iv e vi) e/ou do enunciado no seu todo (v).
     Adotando a antiga grafia, a oscilação entre 'Pára (,) para ouvir' e 'Para pára (,) ouvir (bem o modo como leio o a)' surge, particularmente em contextos de escrita que relativizem o uso da vírgula, por exemplo (dificultando a representação fónica de pausas silenciosas facilitadoras da descodificação). O mesmo sucede em (ii) 'Pára (,) para ter atenção como deves ler' e 'Para pára (,) ter atenção como deves ler', não obstante a estranheza da última construção - ainda assim possível  na economia de um aviso, uma advertência, um conselho (formulado com infinitivo) acerca do que é necessário para se ler bem. A frase (iii) admite duas leituras: 'Para escrever (,) para já (,) não precisas de acento' ou 'Para escrever pára (,) já não precisas de acento'. E (v) só tem a ambiguidade desfeita num contexto em que a funcionalidade imperativa não é por si mesma distintiva: só um contexto e uma avaliação muito alargada das condições de leitura permitirão diferenciar 'Pára o carro, já!' de '(Vai) Para o carro, já!'
      Se há contextos em que a facultatividade do acento gráfico é aceitável; se há situações em que é discutível e/ou frequentemente mal lida uma palavra, os exemplos aqui abordados tornam aguda toda e qualquer ocorrência de ensino-aprendizagem associada à leitura e à escrita.
      Admitindo que atentar na sintaxe é focar na própria capacidade de pensar ou de se entender a forma como se pensa, creio que estamos perante um caso crítico do AO, inclusivamente no que a leitura e o escrito têm de reflexo quanto à forma de pensar.

      Aproveitando o facto de hoje ser o dia em que se celebra o Halloween, fica a máxima do "Trick or treat?": entre a travessura da ortografia e o trato, a combinação, o compromisso desejados na leitura.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

E agora o filme!

   Anunciada para o dia 13 de novembro, a estreia mundial.

   E não é que o que começou no Porto (a tour do Mylo Xyloto) parece não estar programado para a exibição fílmica?!


   E ainda por cima, logo no arranque, o Dragão impõe-se!

   Uma forma de rever um bom momento, por certo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Movimentos (chegar e descer) e sintaxe!

      No caminho das dúvidas constrói-se conhecimento, nomeadamente naquele que se partilha.

     Q: Olá. Por favor, repara nas frases seguintes e faz a respetiva análise sintática:
     
        a) em «a notícia chegou célére (modificador do grupo verbal) aos mendigos à porta da igreja", o segmento sublinhado só pode ser modificador do nome restritivo (isto porque não há uma vírgula entre o complemento indireto "aos mendigos" e "à porta da igreja"), não é?

      b) «A meio da fachada (modificador do grupo verbal, pois não é selecionado pelo verbo principal) descia uma escada de granito». Certo?

    As dúvidas estão nos sublinhados. Foi uma colega que me pediu por não ter a certeza do que foi adiantando entre parêntesis.

         R: Olá.
       Ao ler a questão, devo dizer o seguinte: na frase 'a notícia chegou célere aos mendigos à porta da igreja', concordo com a classificação sintática de 'célere', mas discordo de 'aos mendigos'. 
         O verbo 'chegar' requer, na sua estrutura argumental, uma referência locativa com o papel semântico de 'Meta' (Algo / Alguém CHEGA a algum lugar / sítio). Ora, esta última aparece configurada no segmento 'aos mendigos à porta da igreja'. Tudo isto funciona como complemento oblíquo, conforme se depreende pela pronominalização 'chegou lá / aí' (aonde? > aos amigos à porta da igreja). Não se trata, portanto, de complemento indireto, pois o verbo 'chegar' não pede caso dativo (condição necessária à seleção do complemento indireto, conforme se depreende da própria construção latina que formata o português).
    Por sua vez e na dependência (restritiva) de 'aos amigos', está o segmento subordinado reduzido 'à porta da igreja', o qual corresponde à construção sinónima e alargada 'aos amigos que se encontravam à porta da igreja'. Seja na construção alargada (que se encontravam à porta da igreja) seja na reduzida (à porta da igreja), o sublinhado funciona como um modificador (relativo) restritivo.
      No caso da frase b), 'a meio da fachada' é um modificador do grupo verbal, correspondendo ao papel temático do lugar (o local onde uma escada de granito se apresentava a descer).
      Espero ter sido esclarecedor.

     De novo se sublinha, pela frase a), o interesse de se trabalhar com a noção de estrutura argumental dos verbos, pelo sentido lógico condutor do processo de análise sintática das frases.

domingo, 28 de outubro de 2012

Refundemos...

    A propósito das palavras do primeiro-ministro, na televisão hoje só se fala em 'refundação'.

    "Importa-se de explicar o que significa 'refundação'?"
     Uma hipótese.
   Proveniente de 'refundar (ao qual se processa a sufixação nominal '-ção'), foi consultado o dicionário para se ficar a saber que o verbo significa 'afundar', 'tornar mais fundo'. Não gostei! Tão mau está o país que a imagem se repete, desde um apontamento já com mais de um ano:


     Para quê afundar mais ('re'fundar)?
     Outra hipótese.
   Nova fundação. Fazê-la de novo. A fundação nacional faz parte da História. A refundação é tema presente. Voltar ao passado não é impossível nem impensável (seja pelo contexto associado à perda da independência nacional seja pela situação de crise que, na memória recente, lembra tempos em que se tirava o pão a quem trabalhava). Os tempos são outros, é certo; mas também é um facto que os que esquecem a História estão condenados a poderem vê-la repetida, com a agravante de tomarem como novas as já velhinhas causas de tanto problema e de tanto desalento (que podiam ter sido evitados).
  Pergunto-me por que não foram selecionados termos como 'reformulação', 'revisão', 'resolução', 'reajustamento', 'readaptação'. É que, pelo menos, estes eram vocábulos com algum sentido positivo; mas isso seria pedir de mais, por certo, às forças políticas deste país, sem coragem de tocar nos que nos deixaram chegar a este ponto; nos que, não estando já no exercício de funções governativas e/ou parlamentares, permanecem com o usufruto de benesses impensáveis (ao tempo e neste tempo); nos que se mantêm como figuras simbólicas de instituições / estruturas que, elas mesmas, já não fazem sentido (se é que alguma vez o fizeram) e aí permanecem por vezes tão próximas de qualquer cidadão ou profissional.
     E continuamos a pagar (por) tudo isto!

    Como não sou o primeiro-ministro, fica por dar a explicação - isto porque, nas palavras de outro governante da nossa praça, àquele se deve a autoria no uso do termo e deu jeito que assim fosse -, ainda que se anteveja a perda de mais sentido nas palavras e nos princípios da Constituição.

sábado, 27 de outubro de 2012

BPN - o erro do Bem Para a Nação

     Quando há problema ou erro, costuma dizer-se 'Aqui há gato!'.

       Pois, no caso presente, são imensos os erros. A gataria mia, bufa, berra, chora, regouga, assanha, não dá sossego, nem à nação nem a mim.
      Todos sabemos que andamos a pagar pelos erros dos outros, mas denunciá-los com mais erro ainda é caso para temer qualquer resolução. 


       Isto de separar a terminação do verbo 'dar' (no pretérito imperfeito) para ficar com 'dá' só pode ter a leitura imperativa necessária a qualquer contribuinte: dá para que outros o tirem ou, então, dá para aqueles que tiraram. E como o que interessa é dar, 'dá'. O 'va' é para marcar o pretérito e muito imperfeito. Ou, então, vá... vá lá... dá... é Bem Para a Nação (BPN).

       Santa Paciência! (com maiúscula, porque já teve que ser beatificada, divinizada para aguentar com tanta asneira, não só nas opções e nas decisões políticas como também na língua).

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O nível dos complementos (um caso de progressão)

     Casos de manuais, certamente por testar.

    Q: Estou a trabalhar com um manual que apresenta um exercício de funções sintáticas. Uma das frases que propõe é "Os gaios tentavam engolir os caroços" e induz os alunos a assumirem "os caroços" como complemento direto da frase. Está correto?

     R: Está, se tiver sido considerado um nível de análise complexo e subordinado. Isto porque se trata do complemento direto da subordinada infinitiva que tem o verbo 'engolir' como principal. Contudo, este não é o verbo principal da frase-matriz. Nesta, o complemento direto é "engolir os caroços".
        Assim, só entendo essa indução a um segundo nível de análise: no primeiro, temos um sujeito ("Os gaios") para um predicado ("tentavam engolir os caroços"), sendo este último constituído pelo núcleo verbal 'tentavam', mais o complemento direto 'engolir os caroços' (como se comprova com a interrogação 'O que é que os gaios tentavam? > Engolir os caroços'; com a pronominalização 'Os gaios tentavam isso'). Por sua vez, internamente ou a um segundo nível, há uma oração subordinada (não finita infinitiva), tendo esta última um segundo núcleo verbal ('engolir') com o respetivo complemento direto interno / dependente ('os caroços').
         Vejo este como um bom caso para se trabalhar a um nível de aprofundamento, de complexidade das funções, como, por exemplo, no ensino secundário.

      Este é, portanto, um caso que, na abordagem sintática, requer um sentido de progressão mais complexo face ao trabalho da essencialidade / nuclearidade das funções básicas (isto para que não se torne um caroço difícil de engolir).

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Conclusão de mais um ciclo de formação

     Quinze horas de formação chegam ao fim, depois de duas semanas de encontros.

     Pelo menos, a dinâmica conjunta deste grupo terminou. Poderá projetar-se noutras condições, nos locais de trabalho, nas discussões que venham a surgir, nas práticas que se venham a adotar, nas representações a construir.
     No final, a reflexão centrou-se no desempenho de um professor num excerto fílmico, um caso em que uma situação de choque, de crise provoca uma mudança - a que marcará um percurso de desenvolvimento quanto à representação que tem dos alunos e à que tem do seu próprio exercício profissional.
   O professor aprumado, interessado em ter um emprego, cumprindo rituais e rotinas associados à profissão, pauta a sua conduta por um discurso padronizado, pelo rigor de conduta evidenciado no controlo, pela correção e pela diretividade (acentuada no momento em que se vê obrigado a regular fortemente a interação e a comandar tarefas, de forma muito breve e precisa), numa típica representação de uma fase de sobrevivência. Ainda assim, regista-se o sentido do trabalho de diagnose, a atitude de observação e de avaliação / concessão face ao que não comprometa o essencial nos poderes confrontados, o testemunho de cortesia que se pretende refletida nos alunos, a capacidade de argumentação capaz de desarmar os estudantes e de os colocar numa zona de incerteza face à capacidade de resposta / adaptação às circunstâncias.


      No final, reconhece-se o professor que persiste no rigor, na correção, no testemunho educativo, mas com uma representação bem mais orientada para o sentido significativo das aprendizagens; para a declarada oposição à banalidade ou aos preconceitos / efeitos de pigmaleão; para a construção de pontes e identidades com a realidade discente; para a adoção de uma linguagem e um discurso mais fluidos, extensos, naturais, sem que esteja em questão a possibilidade de (sempre) se melhorar.


        A representação é outra, associada a uma fase que evidencia sinais de um domínio situacional, para não falar de indicadores de sucesso e de mestria, como os que se prendem com a focalização nos problemas dos alunos e com ajustamentos necessários a uma intervenção orientada para uma componente de integração e inclusão social, na articulação visada com o trabalho de expectativas positivas.
       A mudança de um professor (nas representações que assume face ao exercício da sua profissão e nas que constrói relativamente aos alunos) pode marcar a diferença, ainda que muitos outros fatores interfiram nas interações produzidas.

       Excertos de um filme dos anos sessenta do século passado, intitulado O Ódio que Gerou o Amor, (1967), dirigido por James Clavell e protagonizado por Sidney Poitier - casos sentidos como verídicos (a que não é estranha a experiência autobiográfica de To Sir, With Love, do professor, diplomata e escritor guianense Edward Ricardo Braithwaite) e que alguns encaram com o seguinte pensamento: qualquer semelhança com a realidade atual pode não ser mera coincidência.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Polissemia: ser ou não ser...

     Na sequência de um comentário, um contributo para a polissemia e outras relações mais no domínio da Lexicologia.

     Foi-me sugerida a consulta do blogue de Filipe Simões, do qual apresento a imagem de abertura:

o header do blogue citado: http://polissemiaslevas.blogspot.pt/

     Trata-se de um perfeito exemplo, mais do que da polissemia anunciada, de como o título do blogue brinca com a homofonia do termo (Polissemias > Póli, se mias...) e de como este fenómeno não tem que se centrar apenas nas relações ao nível das palavras. Também ele se cumpre ao nível da construção frásica (cf. 'Com «sigo» nunca paro' > 'Consigo nunca paro' / 'Foi tudo debalde' > 'Foi tudo de balde' / '«Amaria» tem r' > 'A «Maria» tem r').
      Aliás, ao longo dos apontamentos desse blogue, encontram-se múltiplos exemplos de vários fenómenos relacionais (tanto no plano do significado como no do significante), alguns dos quais não têm relação com a polissemia.
      Se 'implantação' apresenta a mesma entrada / aceção no dicionário, tanto para o sentido de implantação de um regime político como para o de órgão fisiológico, o mesmo não sucede com 'decorar': se o sentido de 'ornamentar / enfeitar / adornar' está associado ao étimo latino 'decorāre', o mesmo não sucede com o sentido de 'memorizar, saber de cor' (proveniente do processo morfológico que, a partir de uma expressão, evidencia a sufixação com '-ar': de cor + ar > decorar). Assim, este último caso é um exemplo de homonímia e não de polissemia.
      O mesmo sucede com o vocábulo "sol", conforme as realizações propostas na ilustração. A etimologia é bem distinta: para o 'sol' estrela, há o étimo 'sol, sōlis'; para o 'sol' musical, a origem encontra-se na redução silábica do étimo latino 'solve'. De novo homonímia e não polissemia.
    Já o caso de 'adágio', face a andamento, tem uma relação que em nada apresenta de polissémico, tratando-se o primeiro de um tipo específico (lento) de andamento. A relação é, respetivamente, a de hipónimo para o hiperónimo.

     Não se pode, portanto, reduzir as relações do léxico (e não só) ao simples fenómeno da polissemia, que - na base de apontamentos anteriores - requer uma zona de significado comum. Esta aproximação de diferentes significações a uma só unidade lexical apoia-se numa só origem etimológica.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Finalmente o acento...

      Foram décadas..., mas quem tem razão...

      À entrada, o erro impunha-se, apesar de se estar numa escola.
     Por mais que se chamasse a atenção, tudo ficava igual. E quando se exigia nas aulas (de Português, claro está!) que se acentuasse a palavra, lá vinha a observação: "Não é como está à entrada da escola!". É que, para certas coisas, os alunos acham que a entrada na escola é exemplo a seguir, mesmo que, no caso, não fosse pelas melhores razões.
     Vieram as obras. Mudaram-se as paredes, alguns materiais (já que não houve dinheiro para muito mais). Contudo, o erro mantinha-se.
     Hoje recebi a foto da mudança:


     Mais uma razão para dizer que sempre vale a pena falar, por mais que a decisão tarde.
     Agora, até os alunos dizem / escrevem "Finalmente. xD".

   Cumpre-se a regra geral da língua: todas as palavras esdrúxulas têm acento, nomeadamente aquelas que, designadas por falsas esdrúxulas, apresentam uma sílaba final com encontro vocálico pronunciado como ditongo crescente (como é o caso ilustrado, a par de 'água', 'área', 'ária', 'espontâneo', 'imundície', 'língua', 'lírio', 'mágoa', ´régua', 'vácuo', entre outras).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os complementos (que até o são) e os circunstanciais (que podem não o ser tanto)

      Ainda a questão das terminologias gramaticais, para lá da distinção entre função sintática e constituintes sintagmáticos.

     Q: Um aluno veio ter comigo com algumas dúvidas. No caderno estava escrita a frase: "Os alunos foram a Sintra com os professores." "A Sintra" estava marcado como Complemento Circunstancial de Lugar. No exame nacional qual é a terminologia que os alunos têm de saber? 
  Outra pergunta: é um complemento circunstancial ou poderemos dizer que é um complemento preposicional pedido pelo verbo transitivo indirecto "ir"?

    R: Segundo as orientações dos últimos anos, bem como nas dos testes intermédios do presente ano letivo, ambas as terminologias (a da gramática tradicional e a do Dicionário Terminológico) são admissíveis, naturalmente em função do que têm sido práticas docentes reconhecidas pelos alunos, algumas das quais ainda fiéis ao que certos materiais apresentam (nomeadamente manuais) ou ao que algumas rotinas docentes têm discutivelmente imposto.
    Certo é que, com a frase em análise, surge um dos casos mais críticos na diferença entre a abordagem proposta pela gramática tradicional e a dos contributos científicos (linguísticos) mais recentes.
     Entende a gramática tradicional que "a Sintra" é um complemento circunstancial de lugar, ainda que, com isso, esteja a colocar-se sob a mesma etiqueta sintática realizações bem diferenciadas: as selecionadas pelos verbos-núcleo do predicado (como a do caso em análise); as que não são requeridas e podem ser retiradas, mantendo-se a frase correta. Se às primeiras não há problema nenhum em as classificar como complementos, o mesmo não sucede com as segundas (designadas pelo DT como modificadores). Similarmente, entende-se que 'em Espinho' seja complemento em 'Moro em Espinho', mas modificador em 'Caminho ao longo da praia, em Espinho' ou 'Em Espinho, compro peixe fresco às varinas'.
    Quanto à noção de circunstância espacial, a questão é mais de ordem semântica (e do papel temático associado) do que sintática, não devendo ser entendido como algo facultativo ou acessório da frase (tal como genera-lizadamente é apresentado pela gramática tradicional).
      Por fim, registo que o complemento da frase indicada é, sintaticamente, de natureza oblíqua. Dizer que ele é preposicional é uma questão que se coloca em termos de constituição sintagmática. De facto, o complemento oblíquo apontado é constituído por um grupo preposicional (formado por preposição mais nome).
(ou de como, no alinhamento dos verbos, há relações oblíquas na gramática das frases)

    Acima de tudo, faça-se a clara distinção, junto dos alunos, entre níveis de análise distintos (grupos de palavras / funções sintáticas), além de se provar, com exemplos claros, a distinção do que é complemento face ao que é um modificador.

Uma forma de felicidade

     Assim o dizia, da literatura e da poesia, por outras palavras, citando Jorge Luís Borges.

    Ficam as palavras, a voz, o rosto, num pequeno excerto de uma entrevista a Manuel António Pina, (realizada para o programa 'Porto Escrito', divulgado na Página Literária do Porto) - um pequeno apontamento de vida para o escritor falar sobre a arte com que nos conseguiu encantar.


     Da poesia e da literatura fala esta voz, qual arauto que, na mensagem trabalhada, vê como a palavra se recria e transfigura. Ficam, assim, para saber, "Algumas coisas":

Algumas Coisas

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.
 

 in "Aquele que Quer Morrer"

     Desta forma se revelou quem anunciou que "A Poesia Vai Acabar" ou que "...os poetas / vão ser colocados em lugares mais úteis. / Por exemplo, observadores de pássaros / (enquanto os pássaros não / acabarem)." 

sábado, 20 de outubro de 2012

Coerência, depois da coesão.

      Na sequência de um apontamento anterior sobre a coesão (motivada por uma fotografia), vem um outro sobre a coerência (com nova foto).

       Se a coesão se demonstrou pela (questionada) união de muitos, a coerência surgiu (interrogada) na existência do que está por combinar - nova foto o evidencia, na cor que uma hidrângea ou hortênsia deixou vingar, contra muitas outras que no violeta quiseram ficar.
(Foto retirada do blog 'Mariana')

      Diz-se que a variedade da cor tem a ver com a acidez do solo, mas uma esponja de aço, um caco de telha ou pedra, algum calcário podem trazer surpresas. E assim se faz a coerência.
      No seio do verde natural, a altivez cerúlea podia justificar-se pela aproximação ao céu, claro, luzidio - no jogo que a imagem / texto assumiria, os quadros de conhecimento, de referência tomariam as rédeas para que a singularidade se revisse no todo.
    A coerência faz-se, assim, de muitas cores na conectividade e/ou interdependência de um quadro semântico. O certo é que um só sinal, uma só pista podem constituir a entrada de que o interpretante necessita para configurar a unidade textual lógico-conceptual proposta.
           Lido o poema seguinte...
Fernando Assis Pacheco (1937-1995)
Os militados
muito aprumares
sobem aos ados
despedaçares

sobem aos ados
muito alinhares
já sem vagados
despedaçares

longe nos lados
desapontares
«cabrões de azados»
cantam os fares

aos céus aos pados
lá vão formares
os militados
coitares coitares

       ... reconhece-se que A Musa Irregular, de Fernando Assis Pacheco (1991), desafia a lógica interpretativa. Deslocadas as sílabas finais do segundo verso (que deviam estar no final do primeiro), bem como as do primeiro (a estar no segundo), e assim sucessivamente, retoma-se a inteligibilidade do texto. Se inicialmente parecem desversos, no final entende-se que o poema tenha resultado de uma "explosão", de uma "mina" que, no plano da intencionalidade reflexiva dos efeitos da guerra, motivou uma outra organização do texto.
     Qual hidrângea singular, qual desverso a recompor, a coerência pode rever-se numa irregularidade, numa estranheza que interessa poder explicar.

        Em suma, uma foto bem escolhida para exemplificar uma propriedade não exclusiva do texto (por nele se combinarem muitas mais), mas do jogo de um mundo a todo o tempo criado e recriado, com sentido, segundo uma lógica de compatibilidade com múltiplos saberes do mundo e um fio condutor permissível ao esforço daquele que interpreta.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Por outras palavras...

    Este é o título da secção que, no Jornal de Notícias, nos dava a ler as suas mais recentes crónicas.

      Hoje faço crónica de uma vida que deixou de ter ritmo (assim ele o dizia: a vida é ritmo), mas que nos legou a cadência dos sons, das palavras, das ideias - para ler e reler sempre que tal nos aprouver ou sempre que o ritmo da vida nos deixar.
     Galardoado com o Prémio Camões, em 2011, Manuel António Pina viu assim reconhecido o seu trabalho com as letras, a literatura - uma relação que o apaixonou mais do que o Direito, no qual obteve a sua licenciatura. Era na poesia que sentia o seu sangue, num corpo feito de teatro, narrativa, literatura infantojuvenil e muita escrita inspirada tanto no real como no ficcional. 


       Nascido no Sabugal, aos sessenta e oito anos despede-se no Porto, onde largamente se inspirou para aquela que assumiu como sendo a sua forma de felicidade. Um homem de outra ordem, de outro brilho, que a argúcia e a razão saberão fazer lembrar.

    Tempo para citar o poeta, num conjunto de versos seus incluídos num ciclo de poemas intitulado "Farewell Happy Fields": Estou morto, deitado de lado. / Morte, Vida, Medo, Esperança: / já não estou para aí virado. / Onde vos guardarei agora, lembranças?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ciclos de vida docente

      É já dos anos oitenta do século passado um estudo sobre os ciclos de vida docente.

     Refiro-me ao estudo da professora Sharon Feiman-Nemser (Massachusetts), desenvolvido ao longo dos anos 80 e 90 e com várias publicações nestas duas décadas no âmbito da formação docente.
     Na linha dos "Teachers as Learners" (Professores como aprendentes / formandos), de 2012, a estudiosa já em 1983(1) havia reconhecido a existência de três fases no percurso desenvolvimental docente, caracterizadoras dos ciclos destes profissionais:

- a fase de sobrevivência: marcada por expectativas, pelos primeiros contactos com alunos, com pares e com estruturas organizativas das escolas; centrada em questões associadas à gestão interacional e ao controlo, bem como às competências interpessoais (no que possam ter de eficácia para a regulação do espaço aula);
- a fase situacional: encarada por um domínio da situação de ensino e por sinais de confiança assentes na rotinização de momentos de controlo da interação; focalizada em questões de ensino e nas pressões que estas refletem por pressões de tempo; preocupada com as realidades específicas que comprometam o trabalho na sala de aula (por exemplo, o excesso de alunos, a adequação de materiais, o repertório de experiências e de práticas capazes de promover aprendizagens);
- a fase de mestria e de resultados: caracterizada pelo domínio dos pressupostos de ensino, de comunicação e da gestão interpessoal / interacional; assente na questionação sistemática das necessidades sociais e emocionais dos alunos; focada em atitudes de ajustamento e adaptação necessárias à eficácia das práticas de ensino-aprendizagem; orientada para questões de maior justiça social e de reconhecimento das oportunidades de integração na escola).
      Independentemente da representação que cada um faça da fase em que dominantemente se encontra, a verdade é que o percurso docente se faz de todas elas e em diferentes momentos, em recuos e avanços que sublinham a recursividade dessas fases ou estádios. Virginia Richardson e Peggy Placier assim o assumem, em "Teacher Change" (2001), sublinhando como qualquer alteração ao percurso construído ou mesmo a perspetivação contingencial e evolutiva da docência acarretam indicadores típicos da fase de sobrevivência ou da situacional, mesmo que se diga que um profissional se encontre num típico estádio de mestria.

(1) Feiman-Nemser, S. (1983: 150-70) - "Learning to teach" in L.  Shulman & G.  Sykes (eds.) - Handbook of teaching and policy, New York:  Longman
(2) Handbook of research on teaching, Washington, DC: American Educational Research Association

     É destes tempos o reconhecimento desse estudo, destacando um dado menos estável: é cíclico e recursivo tal faseamento, ao longo de toda a vida docente. Somos sísifos, por mais astutos que nos vejam, empurrando, para um lugar cimeiro, a pedra que teima em rolar para baixo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Do ensino para as aprendizagens

    Começou hoje a segunda edição da ação de formação já divulgada em apontamento anterior.

    Centrada na questão das estratégias e das interações, à semelhança da primeira edição serão abordadas questões acerca:
. dos pressupostos que orientam a reflexão pretendida na ação;
. da leitura crítica da centralidade do aluno no paradigma das pedagogias modernas (não diretivas);
. das representações do exercício profissional docente (pela experiência adquirida enquanto alunos; pelo exercício da profissão visibilizada na adoção de esquemas, estratégias e/ou expedientes; pelo exercício da função junto de pares);
. dos focos centrados nos ciclos de vida profissional;
. dos focos centrados nos modelos de comunicação e interação;
. de casos-problemas e sua perspetivação à luz das medidas de a(tua)ção adotadas;
. dos modelos de comunicação e interação em contexto pedagógico (ora dominantemente centrados nos professores, ora dominantemente centrados nos alunos);
. das representações e das imagens construídas nas interações (em termos da estruturação do processo de interação, em termos do discurso produzido,)
. dos fatores potenciadores de conflito nas interações.
     Uma oportunidade para partilhar reflexões, práticas, possibilidades de ação, sem esquecer o papel central do professor na gestão do ensino para as aprendizagens.

    Desta feita, um grupo de vinte e seis formandos, certamente com muito para enriquecer quinze horas de trabalho essencial ao percurso do desenvolvimento docente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Algumas linhas sobre 'As linhas de Wellington'

      Visto o filme, algumas linhas se impõem.

    Belas imagens, boas interpretações e caracterizações num elenco de variedade multinacional e geracional, fundo musical interessante e, como pano de fundo, um contexto histórico dos inícios do século XIX, fazendo relembrar  o tempo representado das invasões napoleónicas e do enquadramento epocal de um Felizmente Há Luar!, de Sttau Monteiro.
      No período das invasões francesas e de aliança com os ingleses, o tempo de guerra faz-se de um imenso mar de dores e sofrimentos, de perdas e abandonos; faz-se da terra queimada e dos escombros que beligerantes, desertores, indigentes, usurários, vítimas do oportunismo têm como inferno de uma vida entregue à luta, à resistência, à sobrevivência.


      As linhas de Wellington são as que fazem ecoar a figura de Gomes Freire, as que desenham um fio de esperança por mais que surjam as adversidades. São ainda aquelas que, na depauperação de um país, sublinham o papel do espírito, do valor cultural, da palavra que o sábio e o poeta conseguem passar, a ponto de cativar a personagem mais silenciada, mais agredida, mais destituída inclusive da vida que, só por força do sonho e do espírito, consegue libertar-se do estado moribundo em que se encontra.

      Mais um exemplo de um filme que se apresenta como tempo-metáfora de uma atualidade inquestionável: aquela em que só o cultural e espiritual se impõem como possibilidades de superar a realidade adversa. Um épico que não se reinventa na História, mas tem nesta pena de fundo para mostrar um país à deriva entre duas forças que dele se aproveitaram.

domingo, 14 de outubro de 2012

Depois...

      Depois... há melodias que são verdadeiramente simples e, por isso, encantadoras.

    A voz de Marisa Monte serena (apesar do tom grave), embala (sem fazer adormecer), tal como o conteúdo da letra faz acreditar (mesmo que não se preveja assim) que possa haver o tempo do 'depois'.
      Ao vivo, em S. Paulo, corria o ano de 2011...


     DEPOIS

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos 

como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão, tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom, nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos 
Pelos de um outro alguém
Meu bem, vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois


    Depois... sem mais palavras, com um ritmo voltado para a bonança, para a esperança, para a resiliência, na busca do positivo que a vida tem para oferecer.
    Do álbum "O que você quer saber de verdade" sai esta canção, mais uma entre as bem-sucedidas dessa parceria produtiva que junta a cantora a Carlinhos Brown e a Arnaldo Antunes - isto para não falar de outras combinações que só enaltecem a língua portuguesa.

    Pudesse esse tempo viver-se no já, nesse instante agarrado à crença de que há futuro (por mais que ele não seja conforme se queira) e que não se sabe definitivamente como será.

sábado, 13 de outubro de 2012

De novo... a rua, numa cultura de resistência.

    Volta o povo a sair à rua, em novas manifestações.

    Tem vindo a ser uma constante, tal como o mal-estar contínuo de quem se vê governado por quem não dá o exemplo.
     Numa semana em que se ficou a saber que a Democracia tem de andar em carros distintos; que medidas governativas não poupam quem trabalha (que se vê a pagar, em impostos, o que ganha e o que não ganha); que a crise social está aí aos olhos de quem se mostra cego e surdo face aos sinais de generalizada insatisfação nacional; que progressivamente se desconfia e se desacredita do que esteja a ser feito para diminuir as "gorduras" de um estado que mantém no seu seio estruturas inoperantes, funções e estatutos dúplices e duplicados; que há quem mantenha subvenções, bonificações, benesses, prerrogativas, exceções, compensações, prestações extra, regalias, incentivos, ajudas e subsídios chorudos; que o povo português é bom (sinónimo de dócil, manso, destinado ao sofrimento contido), muitos há que regressam à luta, num recurso criativo e imaginativo do que são sinais simbólicos, culturais, rememorativos de um contexto histórico que não tem ainda cinquenta anos (mas para lá caminha numa preocupante e revivida ânsia de libertação).
    Do canto lírico (reivindicativo, de protesto) nos circuitos restritos das celebrações do Dia da República aos testos de tachos e panelas (estrepitando nos ouvidos e lembrando à memória o sustento que vai minguando) nas ruas da cidade, a sonoridade é múltipla, tal como a sensibilidade dos que a produzem numa linha de resistência, a caminho daqueles que agora não dão sorrisos, nem palmadinhas nas costas, nem cara (já que muitos perderam a face), nem mão sequer para um cumprimento, quanto mais para distribuir canetas, calendários, t-shirts, sacos ou bandeiras de esperança.
     E a cultura vira arma: regressam as canções de intervenção, dramatizam-se episódios que ninguém quer viver, caricaturam-se figuras mal amadas, editam-se obras que sublinham princípios e valores esquecidos, constroem-se alternativas na busca de uma utopia que se perdeu e se quer recriada.

    Se há quem não deixa sonhar, é bom saber que há quem não pretenda deixar dormir aqueles que precisam de olhar noutra direção, numa partilha de sacrifícios não compaginável com direitos tomados como adquiridos ou convencionados e que deixaram de fazer sentido para o povo de todo um país. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

União Europeia - Paz?

     No dia em que saiu a público o Nobel da Paz.


     O galardão coube à União Europeia (UE). Mais cedo ou mais tarde tinha de ser, diria eu, depois de ele já ter sido atribuído a Barack Obama, há três anos. A vantagem deste último, contudo, e na altura, foi sempre a da nota de esperança, fosse nas atitudes reveladas no campo político fosse no jogo de forças internacional que a figura democrata trazia aos olhos do mundo (depois do desastre republicano dos anos precedentes).
     Hoje, premiar a União Europeia não creio que signifique a mesma visão de esperança.
    Quando na Europa em crise se veem crescentes intentos independentistas em vários pontos geográficos (na Escócia, na Catalunha, na Galiza, na Flandres); quando a própria UE não consegue dar resposta solidária a países em crise assumida (Portugal, Irlanda, Grécia, Chipre; Malta) ou na iminência de nela entrar (Espanha, França, Itália); quando os desníveis sociais, económicos e financeiros se agudizam; quando as identidades nacionais se esfumam, é questão para perguntar que Nobel da Paz é este. Politização de um prémio criado em favor do bem humano? Financiamento de uma instituição (ainda) sem resposta prática para os problemas da Europa? Exemplo para um passado (aquele em que a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço foi criada com os princípios de integração, intercâmbio e controlo partilhado face aos perigos e às tensões vividos) que se quer relembrado, para se evitar maiores conflitos, guerras ou a ascensão de novos ditadores? Ter que ser agora, à falta de melhor?
     Talvez nenhuma destas razões tenha sido considerada ou talvez o tenham sido todas, com mais um motivo: o da chamada de atenção para a vida (nos princípios idealizada) quando o que se construiu, ao longo de quase um século, parece estar moribundo.

      No discurso de anúncio do Nobel, Portugal é exemplo: o de um país, entre outros, que integrou a CEE (Comunidade Económica Europeia, como se dizia então), depois de ter saído de um regime de ditadura que o atrofiou por longas décadas. Terá aqui a UE o exemplo do que interessa não seguir, quando outras formas de ditadura mais globais se refletem nas medidas governamentais que depauperam quem trabalha e que continuam a deixar de fora quem nos trouxe até à condição em que nos encontramos. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Bandeira com público ao rubro

     Depois de uma bandeira ao contrário, a lembrança...

   ... não dos tempos em que havia mais respeito (ou simplesmente mais jeito) por um dos símbolos nacionais.
      Simplesmente a lembrança de alguém que fez vibrar o público com a bandeira que dele recolheu e a ergueu à vista de todos, até se cobrir com ela.


     Quando o pouco se faz muito ou quando "every teardrop is a waterfall".

I turn the music up, I got my records on
I shut the world outside until the lights come on
Maybe the streets alight, Maybe the trees are gone
I feel my heart start beating to my favourite song

And all the kids they dance, all the kids all night
Until monday morning feels another life
I turn the music up
I'm on a roll this time
And heaven is in sight

I turn the music up, I got my records on
From underneath the rubble, sing a rebel song
Don't want to see another generation drop
I'd rather be a comma than a full stop

Maybe I'm in the black, Maybe I'm on my knees
Maybe I'm in the gap between the two trapezes
But my heart is beating and my pulses start
Cathedrals in my heart

As we saw oh this light I swear you, emerge blinking into
To tell me it's alright
As we soar walls, Every siren is a symphony
And every tear's a waterfall
Is a Waterfall
Oh
Is a Waterfall
Oh Oh Oh
Is a, Is a Waterfall
Every tear
Is a Waterfall
Oh Oh Oh

So you can hurt, hurt me bad
But still I'll raise the flag

Oh
It was a wa wa wa wa wa-aterfall
A wa wa wa wa wa-aterfall

Every tear
Every tear
Every teardrop is a Waterfall

Every tear
Every tear
Every teardrop is a Waterfall


     Falta dizer que foi em Maio, no estádio do Dragão, no fim de um espetáculo em duplo sentido (talvez esteja aí a diferença).

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Coordenação vs subordinação

       Um apontamento acerca da composição frásica, nos termos em que a questão foi colocada.

     Q: Para se distinguir uma oração coordenada de uma oração subordinada podemos experimentar antepor uma coordenada adversativa, por exemplo, a uma oração coordenada. Apercebemo-nos de que a frase resulta agramatical, ao contrário das subordinadas que se podem sempre antepor à subordinante. No entanto, isso apenas é válido para a subordinação adverbial, certo? 
      1- A Joana disse para ires almoçar 
      2- A mãe precisa de quem cuide do bebé 
      3- A rapariga que está levantada é minha irmã. 
      4- A rapariga, que é portuguesa, dá aulas de Francês. 
      Em qualquer uma destas frases a anteposição da subordinada substantiva completiva não finita (1), da  substantiva completiva finita (2), da adjetiva relativa restritiva (3) e não restritiva ou explicativa (4) não é possível. Dever-se-á manter esse critério como forma de distinção entre a coordenação e a subordinação? 

   R: O princípio genérico que refere para a distinção entre coordenação e subordinação é válido para as subordinadas adverbiais, mas nem todas. Excluem-se as comparativas e as consecutivas, que, na verdade, apresentam um comportamento sintático bem mais próximo da natureza substantiva do que da adverbial (a este propósito, confronte um apontamento anterior que se refere a estas construções mais como complementos do que como modificadores).
       No que toca às subordinadas substantivas, há construções de topicalização que também admitem a inversão, devidamente assinalada pela pontuação. É o caso de ‘Não sei quem fez o trabalho’ > ‘Quem fez o trabalho, não sei’ e ‘Não sei que dizer’ > ‘Que dizer, não sei’).
           Tal propriedade não ocorre com as subordinadas adjetivas.
       O certo é que as possibilidades de inversão das subordinadas não acontecem definitivamente na coordenação, nomeadamente, e sublinho, pelo facto de o elemento articulador ou conector (conjunção ou locução) não poder encabeçar a inversão da coordenada por ele introduzida. Esta impossibilidade é estável, razão mais forte para a identificação da coordenação (ainda que haja outras) do que propriamente aquilo que certas gramáticas apontam como distintivo, isto é, a questão da autonomia das orações coordenadas. Não verdade, não é sequer correto apontar este dado, pois também há muitas subordinadas adverbiais que, uma vez retirado o articulador, se afiguram como autónomas: ex – ‘Os alunos entram na sala quando o professor chega’ / 'Os alunos resolveram bem o exercício porque tinham estudado').

       A alegada simplicidade da coordenação, face à subordinação, é completamente negada quando relacionada com questões anafóricas, elípticas, de estrutura correlativa e de progressão lógica. A inversão é mais um dos testes reveladores da sua complexidade - a requerer uma abordagem explícita do conhecimento a adquirir.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

(In)Formação (para futuro já próximo)

     Praticamente a uma semana de uma nova ação, para um segundo grupo de formação.

     O tempo corre (e cada vez mais rápido).
     "Do ensino para as aprendizagens: estratégias e interações" vai arrancar com um segundo grupo, de novo na Escola Secundária com 3º Ciclo de Gondomar - Agrupamento de Escolas de Gondomar - nº1.
      Na página do Facebook do Centro de Formação Júlio Resende está já publicitada a iniciativa.
____________________________
Curso de 15 horas, “DO ENSINO PARA AS APRENDIZAGENS: ESTRATÉGIAS E INTERAÇÕES”
Formador: Vítor Oliveira 
Calendarização: 16, 17, 18, 24 e 25 de outubro, das 19h às 22h 
Local: Escola Secundária de Gondomar


      As inscrições têm de ser encaminhadas pelas respetivas direções das entidades associadas.

     Começa, assim, a cumprir-se neste ano letivo o Plano de Formação de Escola, desenhado desde o início de setembro, com temáticas orientadas para a dimensão da educação e organização geral escolar, das tecnologias de comunicação, das didáticas específicas (neste último caso, com ações orientadas para o ensino da gramática, para a abordagem das metas de aprendizagem, para o domínio da oralidade).

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Para Roma, com Amor (ou para uma teoria da fama)

       Depois de Meia-noite em Paris, Woody Allen volta, passado um ano, com novo filme sobre outra grande cidade - aquela que, por anagrama, pode ter a ver com amor, mas se faz de outra coisa mais.

        Desta feita, a Cidade Eterna é o palco para um conjunto de quatro histórias aparentemente soltas, mas feitas do ingrediente da fama, da celebridade, da popularidade - a que é perseguida; a que é renegada; a que é conquistada; a que envolve o comum mortal sem que este tenha feito conscientemente algo para isso e da qual acaba por ter saudade, assim que a perde; a que se traduz em momentos de glória, de ovação e à qual se sabe pôr fim.
      Um aspirante a arquiteto cruza-se com um experiente e famoso congénere que, a pretexto de uma visita à casa onde nasceu, se torna numa espécie de voz da consciência para o jovem. Um casal conhece-se na cidade e permite que um diretor musical reformado revele um novo talento no canto lírico (mesmo que, para tal, seja necessário fazer-se acompanhar do duche onde canta primorosamente). Um outro vê a sua vida completamente alterada, quando um empregado de escritório é transformado numa celebridade e até a malha das meias da esposa é encarada como sinal de elegância na passagem pela passadeira vermelha. Um outro ainda, ao celebrar a sua lua de mel, envolve-se num conjunto de insólitos que o aproxima de fantasias, vivências intensas, muito para além  dos horizontes humildes, modestos e pacatos que o trazem para Roma.


        Com participações do próprio Woody Allen, de Penélope Cruz, Alec Baldwin, Roberto Benigni, entre outros atores mais ou menos familiares, o filme peca pela falta de qualidade na imagem; de uma ambiência e de uma cor local que não têm comparação com a sedução e a convicção cultural com que foi abordada a capital francesa, ainda que houvesse mais do que motivos para mostrar a imponência desta outra capital imponente - a do império romano. Resta uma história com momentos, pormenores, vivências retratadas capazes de justificar a classificação de comédia.

       Entre o 'Bolo de Noiva', a Piazza del Campidoglio, o Coliseu, a Fontana di Trevi, a Fontana di Fiumi, a basílica de Santa Maria Maior, a panorâmica aérea da cidade, fica a música, episódios de vida comum tão ironicamente retratados que se tomam por exemplos típicos para uma teoria da celebridade.

domingo, 7 de outubro de 2012

Branco e preto (ou a gramática da música)

      Por norma, opostos contrários...

      Diz-se de branco e preto que são termos antónimos, típicos de uma relação semântica de oposição. Se é verdade que esta em tudo se toma por contrária (como a do tipo  'quente / frio', 'cheio / vazio', graduável e admitindo termos intermédios nos polos contrastivos), tem também muito de contraditória (como em 'vivo / morto', 'presente / ausente', 'solteiro / casado', 'homem / mulher', não graduável e de exclusão complementar entre termos reciprocamente implicados), ao ganhar contornos de perfeita complementaridade.
      Pensar em expressões como 'pôr preto no branco', 'a preto e branco' para tal parece apontar, fazendo, contudo, esquecer que há cinzas (de vários tons), o moreno, o pardo, o fosco ou ainda o branco sujo.
      E, depois, complementaridade é sempre o que visualmente se impõe, ou não fosse exemplo disso o contraste de um piano e um vestido brancos com a possante voz e alma negras a perpassar nesta canção, interpretada por Alicia Keys:

   
      Lançada em 2004 e reinterpretada segundo várias versões, "If I ain't you" tornou-se êxito número um em vários continentes (América, Europa, Ásia) e fez com que a cantora ganhasse o Grammy de Melhor Voz Feminina do R&B.

      ... por vezes, complemento um do outro.

sábado, 6 de outubro de 2012

Questões de restrição e de sintaxe no adjetivo

         A propósito da posição dos adjetivos e da sua função sintática, surgiu uma questão.

        Q: Há uma grande parte de adjetivos qualificativos que pode ocorrer numa posição pré ou pós-nominal. A posição desse adjetivo resulta em interpretações diferentes e ganha, portanto, valores diferentes: um valor restritivo ou um valor não restritivo. 
           1) Ele é um bom homem. (valor não restritivo) 
           2) Ele é um homem bom. (valor restritivo) 
       Se fizermos a análise sintática destas duas frases, verificamos que, em qualquer uma delas, dentro do predicativo do sujeito está um modificador restritivo do nome ("bom"). 
        Não lhe parece um pouco estranho que, ao adjetivo que possuiu um valor não restritivo, lhe caiba a função sintática de modificador restritivo do nome? 

       R: Começo por referir que não é a questão posicional do adjetivo que determina a natureza restritiva / não restritiva do modificador (há adjetivos pospostos que admitem ambas as caracterizações). Esta característica é de natureza semântica, e não sintática, mais propriamente da construção de referência (designação de uma entidade, relação estabelecida entre uma expressão linguística a um objeto de mundo, segundo uma determinada situação enunciativa). 
    De seguida, convirá referir que, nas frases apresentadas, 2) apresenta um adjetivo qualificativo com valor restritivo por distintamente referenciar ‘um homem bom’, face a ‘um homem mau’ ou mesmo a ‘um homem menos bom’ (isto é, a entidade ‘Ele’ faz parte de um grupo de homens restritivamente encarado). Já 1) aponta para uma realização não restritiva do adjetivo, na medida em que está em questão uma realização modal, apreciativamente equacionada pelo sujeito da enunciação a ponto de se poder atribuir um sentido não literal ou não denotativo.
        Por fim, há a reconhecer que, em termos sintáticos, no predicativo do sujeito (‘um bom homem’ / ‘um homem bom’) de ambas as frases há internamente, e a um segundo nível de análise, um modificador (‘bom’); todavia, este só é modificador restritivo em 2), pois em 1) é um modificador modal (ou, se quiser, uma realização que aparece tipificada no domínio de não restrição da referência).

       Um cuidado impõe-se no trabalho da análise sintática: verificar a que nível de análise se identificam as funções. Um outro acresce: avaliar até que ponto interessará subcategorizar ou subtipificar uma função. Naturalmente tudo dependerá do reconhecimento que alunos já possam ter das categorias maiores.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

acilbùper a aviv

    Em dia feriado (diz-se que será o último ano), há que celebrar o evento ao jeito que oficialmente colocaram a bandeira nacional.

    Hasteada (ao contrário) pelo Presidente da República, não sei se a bandeira é um sinal da situação em que o  país se encontra ou daquela em que ainda mais vai ficar (de cabeça para baixo). Símbolo das virtudes de um regime parece, por certo, não ser - ou, pelo menos, do modo como o estão a conduzir.
   De cabeça erguida estão os que podem e sempre puderam; esgotados estão os que nunca a tiveram nem a poderão ter, mesmo quando querem dar voz ao grito de desespero que os persegue. Também disso se fez o dia de hoje, com uma popular a ser barrada numa manifestação individual de mal-estar, que pretendeu ser um sinal do que muita outra gente sente, conforme se pôde ver no final do discurso (de fuga para a frente, mais propriamente de incitamento à educação, formação e qualificação) proferido por Cavaco Silva.
   Não vale a pena dizer que a república está despida, porque nada disso é novidade - a julgar pela iconografia da efeméride, é realidade consabida. Porém, está cada vez mais em condições de não ter corpo sequer para se vestir.

    Assim está um país de uma república mais do que centenária: com a bandeira verde-rubra para baixo e com uma música agónica que nem bandas nem tenores ou sopranos já abafam; a reviver uma forte condição de crise que não está muito distante da que motivou o aparecimento do regime. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Habemus Papam

    Não se trata de fumo branco; antes da ordem do cinzento, para não dizer (de humor) negro.

    Este é o título do filme exibido no Festival de Cannes com data de 2011, assinado por Nanni Moretti na realização. Trata-se de uma película com uma visão questionadora do poder institucional do Vaticano, mais particularmente da figura papal que a ele preside.
     O enredo aponta sumariamente para a eleição de um papa  (Melville) que, depois de aclamado entre os cardeais, acaba por, em resultado de um ataque de pânico, não aparecer à varanda da Praça de São Pedro, a fim de saudar os católicos aí presentes.


     A dimensão dos limites humanos, o confronto com a rotina de papéis e de convenções, as marcas do passado, o peso da responsabilidade em contraste com o interesse pessoal e as vivências humanas (muitas vezes incompatíveis com os deveres encarados como divinos) são razões mais do que suficientes para que o novo papa não tome posse - uma situação que tem tanto de surreal como de possível e realizável.
      Perante a delicadeza da situação, a intervenção (sem sucesso) de um psicanalista famoso (com um passado não resolvido), as estratégias de simulação para esconder um problema (que, sendo só de uns, afeta muitos mais), o comportamento dos cardeais e o espírito de mudança (sugerido num fundo musical tomado por sonoridade popular e animada) imposto nos bastidores de um dos pilares da tradição católica são os ingredientes para se traçar um retrato crítico, com tonalidades de risível, suscetível de mostrar um conclave sem espírito (muito menos santo), um grupo de cardeais dominado por vícios e tiques nada divinais.
     Resta uma figura simpática capaz de, pela recusa, revelar maior sentimento e humanidade - menos imponência e solenidade; menor peso das "pedras". O questionamento do dogma, do ritual, do sentido de um dever que se quer fora da ação humana, mas dela resulta, compagina-se com a (re)descoberta do que é a escolha humana no sentido da realização e da felicidade.

      Numa sátira ao Vaticano, Michel Piccoli representa o papel de um papa sem nome que abre uma instituição fechada às fragilidades da vida do Homem. Neste jogo de forças, nos conflitos e complementos do palco da própria vida, a citação da Gaivota, de Tchékohv, é o que faz ver, no tom cómico do filme, um drama humano para resolver.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Coesão sem coerência... não dá texto

      É uma questão já clássica, aquela que sublinha a dimensão interpretativa e a relação do interpretante com os enunciados que lê.

      O pensamento proposto no título surgiu-me ao ver uma foto num apontamento de um blogue (Mariana - cf. 'tag' com 'A minha lista de blogues', à direita). 
(Uma das várias fotos do blogue Mariana)
     Uma foto de quivis intitulada 'Coesão' pode ter muito para dizer, mas não deixa de sugerir o que fica em falta: a coerência.
    A coesão é importante, nos seus vários mecanismos, para se obter uma unidade significativa, de sentido. Mas a coerência também! É na base destes dois princípios da pragmática e linguística textual que se compõem os textos (e não só!). Também na vida política dir-se-ia que, por mais que se fale em coesão (numa coligação), falta por vezes a coerência. São já dois domínios (linguístico e político) a frisar a necessidade da última para que tudo faça sentido. Tal não acontece, mesmo quando a coesão se instaura.
       Senão vejamos:
             (a propósito da ramada que a foto dá a ver)

       "Há uma ramada cheia de quivis num quintal em Gondomar.
        No Brasil, ela serve de abrigo ao gado.
        Nos rios, também há quem a use para acolher o peixe.
        Por fim, o povo diz que a ramada é ainda bebedeira pegada.
      Em suma, em vários locais e no saber popular a ramada pode dar outros frutos, além dos quivis que também podem ser aves na Nova Zelândia".


       Por mais coesos que os enunciados acima se procurem mostrar (pouco mais além do que na sua dimensão frásica e interfrásica), há alguma dificuldade em entendê-los como texto - essa unidade significativa que o leitor / interpretante constrói à luz de conhecimentos e fatores relacionais, capazes de compor o todo que cinco enunciados parecem não ter.

       Assim, junte-se à coesão a coerência, porque aquela sem esta parece ser remendo para tecido sem medida (justa).

Lá se vai o verão...

      Custa vê-lo partir, quando ainda se agarra a nós.

      Por mais que seja outono, ainda há a cor, o cheiro e o calor do verão.
      O tempo, contudo, é outro e interessa preparar a despedida.

      
      Por ora, só em novembro se falará de novo no verão (de S. Martinho).
      À falta do cheiro a maresia, ficam o som e a cor de um tempo que se quer regressado:

Vídeo  com os sons e as cores da despedida (VO)

      Tempo de despedida (para um contínuo reencontro das estações).

      Novo ciclo, até que o regresso aconteça.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quero mais deste serviço público!

     Chegou ao fim um série de oito episódios, com os ingredientes necessários à edificação cívica e ética do Homem e da Sociedade: Os Pilares da Terra, segundo o livro homónimo de Ken Follett.

      Construir uma catedral tornou-se metáfora da 
. construção do Homem, no que este tem seja de bom seja de mal;
. procura de luz, no que esta tem de claridade, felicidade e descoberta do que vale na vida;
. ascensão ao divino, quer no que este revela de fé e transcendência quer no que de acessível e tão à mão se encontra (junto de qualquer um);
. luta, para lá do tempo, de toda uma comunidade e de uma liderança que, entre adversidades e pequenas conquistas, se fez com determinação e alguma fé.
    Depois de contínuas guerras, de jogos de interesse e de poder(es), surgiu a paz representada por Henry II, rei influente, sucessor de Stephen ao trono, mas da linha direta representada por Matilde.

       Assim os pilares da terra se fundam, consistentemente, à prova dos ventos, dos vícios humanos que possam ameaçar qualquer sentido de perfeição. Séries destas deviam fazer parte da programação de um canal de serviço público.