domingo, 7 de outubro de 2012

Branco e preto (ou a gramática da música)

      Por norma, opostos contrários...

      Diz-se de branco e preto que são termos antónimos, típicos de uma relação semântica de oposição. Se é verdade que esta em tudo se toma por contrária (como a do tipo  'quente / frio', 'cheio / vazio', graduável e admitindo termos intermédios nos polos contrastivos), tem também muito de contraditória (como em 'vivo / morto', 'presente / ausente', 'solteiro / casado', 'homem / mulher', não graduável e de exclusão complementar entre termos reciprocamente implicados), ao ganhar contornos de perfeita complementaridade.
      Pensar em expressões como 'pôr preto no branco', 'a preto e branco' para tal parece apontar, fazendo, contudo, esquecer que há cinzas (de vários tons), o moreno, o pardo, o fosco ou ainda o branco sujo.
      E, depois, complementaridade é sempre o que visualmente se impõe, ou não fosse exemplo disso o contraste de um piano e um vestido brancos com a possante voz e alma negras a perpassar nesta canção, interpretada por Alicia Keys:

   
      Lançada em 2004 e reinterpretada segundo várias versões, "If I ain't you" tornou-se êxito número um em vários continentes (América, Europa, Ásia) e fez com que a cantora ganhasse o Grammy de Melhor Voz Feminina do R&B.

      ... por vezes, complemento um do outro.

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