sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O nível dos complementos (um caso de progressão)

     Casos de manuais, certamente por testar.

    Q: Estou a trabalhar com um manual que apresenta um exercício de funções sintáticas. Uma das frases que propõe é "Os gaios tentavam engolir os caroços" e induz os alunos a assumirem "os caroços" como complemento direto da frase. Está correto?

     R: Está, se tiver sido considerado um nível de análise complexo e subordinado. Isto porque se trata do complemento direto da subordinada infinitiva que tem o verbo 'engolir' como principal. Contudo, este não é o verbo principal da frase-matriz. Nesta, o complemento direto é "engolir os caroços".
        Assim, só entendo essa indução a um segundo nível de análise: no primeiro, temos um sujeito ("Os gaios") para um predicado ("tentavam engolir os caroços"), sendo este último constituído pelo núcleo verbal 'tentavam', mais o complemento direto 'engolir os caroços' (como se comprova com a interrogação 'O que é que os gaios tentavam? > Engolir os caroços'; com a pronominalização 'Os gaios tentavam isso'). Por sua vez, internamente ou a um segundo nível, há uma oração subordinada (não finita infinitiva), tendo esta última um segundo núcleo verbal ('engolir') com o respetivo complemento direto interno / dependente ('os caroços').
         Vejo este como um bom caso para se trabalhar a um nível de aprofundamento, de complexidade das funções, como, por exemplo, no ensino secundário.

      Este é, portanto, um caso que, na abordagem sintática, requer um sentido de progressão mais complexo face ao trabalho da essencialidade / nuclearidade das funções básicas (isto para que não se torne um caroço difícil de engolir).

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