sexta-feira, 31 de maio de 2013

Oliveiras

      Entre a Livraria Lello e a Torre dos Clérigos, lá estão as oliveiras.

  O espaço sofreu um arranjo e uma requalificação muito interessantes. De local abandonado e mal frequentado passou-se a uma zona urbanisticamente atrativa para turistas; a cartão de visita para a cidade, para o lazer, para o comércio e para a cultura.
    Cultural e simbolicamente rica é também a árvore plantada no largo ajardinado que encima este espaço: a oliveira.

    Do grego ἐλαία (Elaia) e do latim "oliva", óleo e árvore sempre andaram de mão dada e, desde cedo, a última andou associada à força e à vida. Biblicamente, a oliveira é mencionada em várias passagens; entre os islamitas é planta sagrada.
    O cunho positivo é evidente: relativo à paz (na forma de um ramo transportado pelo bico de uma pomba, conforme Noé a viu ao fim de 47 dias de dilúvio), aliança, fecundidade, longevidade, esperança, vitória, sabedoria, abundância, glória, purificação, fidelidade, força e recompensa, entre diversos povos, histórias e culturas, desde a antiguidade até à atualidade. 

    Se não for por mais nada, que seja este o sentido das (dos) oliveiras.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Dois em um

      Não sei se é vantajoso para alguém, mas aqui vai um dois em um.

      Um só anúncio para dois erros de um só tipo (de acentuação):

(pormenor de uma foto facultada por um colega da ESG que também já se rendeu à recolha de erros do Português)

    É clássico o erro no uso do acento agudo, quando devia ser grave (como convenção escrita para marcar a existência da contração).
       Não tão comum é o da acentuação da sílaba [te] em 'biblioteca'. É verdade que se trata da sílaba tónica desse composto erudito; mas convinha não esquecer que, por norma, as palavras graves (ou paroxítonas) não são graficamente acentuadas no Português. Este é um caso de uma língua grave na sua realização fónica.

      Já agora: saiba-se que esta preciosidade está na montra de um cabeleireiro próximo de uma escola, tendo aquele sido entretanto direcionado para junto de uma biblioteca. A vizinhança é boa, mas convinha que se aprendesse mais com ela.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Camões... está para chegar

    Aproxima-se o feriado do dia de Camões (10 de junho), hoje mais conhecido pelo 'Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades'.

     Até lá, alguns alunos meus terão de falar sobre a obra do poeta quinhentista, preparar a leitura expressiva de um poema que escolheram, justificar a seleção feita, destacar um ou dois versos que os tenham chamado a atenção e justificar a escolha, relacioná-los com a mensagem do poema. Entre três a cinco minutos, têm que formular um discurso oral estruturado, segundo as diretrizes facultadas e, assim, talvez (dar a) conhecer um pouco mais da poesia camoniana.
    Hoje, no seu discurso, uma aluna fez-se acompanhar da imagem do escritor e afixou-a na sala. 
    Anunciava a estudante que desta forma se ia prestar uma homenagem ao poeta, falando dele e da poesia que escreveu. Acrescentou, no seu entendimento, que essa homenagem se conseguia fazendo-se o que não é costume: os jovens lerem poesia.
    Serviu a sessão de trabalho para isto, com alguns jovens a escolherem versos por aquilo que estes lhes diziam (uns, fazendo paráfrase; outros, estabelecendo identidades com experiências de vida; outros ainda, reafirmando as ideias-chave do texto).
    Para que não pensem que são só eles, deixo aqui mais umas vozes, tão distintas, a divulgar um soneto que, do século XVI, se revela tão atual quanto pertinente para qualquer tempo - o de ontem, o de hoje, o de amanhã.


Declamação do cantor Rui Reininho, realizada no programa televisivo "Um poema por semana" 
(programa de "Paula Moura Pinheiro, na RTP2) 


Declamação da cantora Ana Deus, realizada no programa televisivo "Um poema por semana" 
(programa de "Paula Moura Pinheiro, na RTP2)


Declamação do editor-livreiro Marc Figueiredo, realizada no programa televisivo "Um poema por semana" 
(programa de "Paula Moura Pinheiro, na RTP2)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.


   E, para concluir, a recriação musicada da mesma composição poética, por José Mário Branco, trocando-lhe "as voltas" quando "o dia é uma criança".


      Concluída a lição, lá ficou a imagem na sala, a ver-nos sair. Amanhã, por certo, lá estará de novo - no fundo cinza do placard, com os diferentes cinzas da fotocópia recortada. Cor... só o laranja dos pioneses e a homenagem que a aluna diz ter feito.
    

domingo, 26 de maio de 2013

Preferia acertar no Euromilhões?

    Quem muito fala pouco acerta, diz o povo. Falar antes do tempo não traz bom vento (e vá lá saber-se como vai ficar o casamento).

    Assim se cumpriu o que prenunciei, quando se falava da euforia do Benfica, mais precisamente do seu treinador, ao vangloriar-se, aos sete ventos, do grande feito que era estar em três frentes futebolísticas: a taça de Portugal, a taça da Liga Europa, o campeonato nacional. Segundo ele, com tal dinâmica, o Benfica era muito difícil de parar.
     Pois é: as máquinas são infalíveis até, atingindo o máximo, se anunciar a avaria ao fundo (e nisso a 'Ode Triunfal', de Álvaro de Campos, é exemplo perfeito). A máquina parou e as três frentes revelaram-se três grandes traseiras.
   Perdido o campeonato para o Futebol Clube do Porto, lá disse eu que ainda ia cair o Carmo e a Trindade, prenunciando a perda das restantes taças. O Chelsea levou a melhor, na Europa; o dito premonitório concretizou-se hoje com a derrota na terceira frente: vitória para o Guimarães, que, pela primeira vez, ganha a Taça de Portugal. 
    Um bom feito (para não sair o moralista 'bem feito!'), particularmente por um considerado clube de segundo plano ter vencido (renova-se a História, com o berço da nacionalidade a conquistar Lisboa, para não dizer que David voltou a vencer Golias). Depois, por fazer quebrar, definitivamente, o convencimento de quem fala antes do tempo e se acha capaz de tudo controlar (como é costume dizer, também, "Quem tudo quer tudo perde"). O resultado foi comum às três partidas: 2-1, com o golo singular para o Benfica.
      Fosse Camões vivo e, hoje, escreveria "Vitória perdeu a pena / Não há mal que lhe não venha".
      A tristeza que deve reinar lá para o sul do país deve ser pesarosa.
     No Norte, há sinais de revolta que alimentam a vontade, a crença e a luta até ao final.
      
      Não sei se é força do destino ou qualquer outra corrente enérgica capaz de consertar excessos; mas seja lá o que for, se me fizesse ganhar o Euromilhões, era melhor empregue do que fazer adivinhar e cumprir futuros futebolísticos.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Nem tudo o que é eletrónico é bom!

     Com tanto cuidado, há quem ande com excesso de zelo.

     Decididamente, a segurança com a língua é questão de muito pouca solidez, a julgar pelos avisos dados a ler nos gabinetes de prova de alguns estabelecimentos de venda de roupa.
     Eis um deles:


      Não sabe quem o produziu que os advérbios terminados em 'mente' não são graficamente acentuados, enquanto palavras graves que são quanto à sílaba tónica ([men]). Segue-se, portanto, a regral geral do Português, segundo a qual não se acentua, normalmente, as palavras graves (ou paroxítonas).
       Excetuando este dado, registe-se ainda a importância que a dimensão pragmática da língua tem, para bem do aviso lido. Não fosse esse o caso, haveria um texto no mínimo desajustado. Vale  a natureza distintiva entre um 'seu' mais deítico (referenciando o interlocutor) e um nada anafórico (sob pena de o sistema de segurança ser considerado inútil, após o pagamento) para marcar o sentido interativamente contextualizado do texto (que, também, poderia resultar ambíguo, no mínimo).

      O ícone de perigo ou de chamada de atenção, mais do que potenciais larápios, deveria estar mais para o leitor - não vá o 'eléctronicamente' (erradamente grafado) dar choque.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Estou aqui estou a desfolhar um livro!

     Não... não me enganei! Reitero que ainda desfolho um livro!

    Os leitores deviam ter o direito de ser reembolsados quando adquirissem livros com defeitos de edição e/ou tradução.
     O caso é mesmo irritante, para não dizer impensável.
     Ando há uns meses para concluir a leitura de um livro que comprei depois de ter visionado um filme que me marcou pela positiva. Tal como a personagem do filme (Raimund Gregorius), quis contactar com os escritos ficcionais de Amadeu do Prado - autor tão imaginário e tão poderoso quanto a vontade que se tem de encontrar e ler a obra que lhe é atribuída (Um Ourives de Palavras), pela aproximação ao que Bernardo Soares propõe no Livro do Desassossego. Adquiri, por isso, o best seller internacional Comboio Nocturno para Lisboa, de Pascal Mercier.
    O romance está publicado sob a chancela editorial da D. Quixote, numa tradução de João Bouza da Costa.
   Ao fim de cerca de 150 páginas, estou já cansado de encontrar contrações (de preposição e determinante) seguidas de oração infinitiva - dado que as gramáticas do Português apontam como erro sintático a evitar, mas  que o tradutor e a editora decidiram ignorar nos seguintes casos (só para exemplificar um reduzido número deles) transcritos:

   (i) * "... depois das aulas terem começado..." (> depois de as aulas terem começado...);
     (ii) * "O facto dela ter começado a chamá-lo..." (> O facto de ela ter começado a chamá-lo...);
   (iii) * "... pelo facto do pai não ser alguém..." (> pelo facto de o pai não ser alguém...");
     (iv) * "... tinha a ver com o facto dele celebrar as palavras..." (> com o facto de ele celebrar);
     (v) *"O facto do Amadeu pertencer..." ( > O facto de o Amadeu pertencer...).

     O problema mais recorrente, contudo, está mesmo na utilização incorreta do verbo 'desfolhar', quando o que se pretende é 'folhear'. Quase de cada vez que Gregorius retoma a leitura do livro e do autor que o fascinam lá vem o desfolhar para a frente e o desfolhar para trás. O homem vai mesmo ficar sem o "Diário de Prado"!
    Não fosse isto o suficiente, também acontece que Raimund "desfolha" o seu bloco de notas para encontrar números de telefone! Sem grande memória para os números, arrisca-se, pois, a ficar sem bloco e sem números telefónicos, por certo. 

      E no meio de outros problemas de escrita (retomas mal construídas, desrespeito na anteposição de pronomes em construções com 'que', falta de pontuação, por exemplo), estou quase a perder a vontade de acabar de ler o romance. E estou aqui estou a desfolhá-lo com justa causa - a do mau exemplo editorial, que ainda por cima não ficou nada barato.

domingo, 19 de maio de 2013

Essencial

       Uma canção que fala de regressos e do que é essencial.

    A voz do italiano Marco Mengoni traz uma mensagem de esperança, pela letra daquela que foi a representante de Itália no Eurofestival da Canção de 2013 (em Malmö) - uma balada para falar de guerra e paz, de abandono e regresso, de crise e felicidade, de afastamento dos excessos e de abraço ao amor.

Representação italiana no Eurofestival da Canção 

    “L’Essenziale”

Sostengono gli eroi
«se il gioco si fa duro, è da giocare!»
beati loro poi
se scambiano le offese con il bene.
Succede anche a noi
di far la guerra e ambire poi alla pace
e nel silenzio mio
annullo ogni tuo singolo dolore
per apprezzare quello che 
non ho saputo scegliere.

Mentre il mondo cade a pezzi
io compongo nuovi spazie e desideri che
appartengono anche a te
che da sempre sei per me
l’essenziale.

Non accetterò
un altro errore di valutazione,
l’amore è in grado di
celarsi dietro amabili parole
che ho pronunciato prima che
fossero vuote e stupide.

Mentre il mondo cade a pezzi
io compongo nuovi spazie e desideri che
appartengono anche a te

Mentre il mondo cade a pezzi
mi allontano dagli eccessi
e dalle cattive abitudini,
tornerò all’origine,
torno a te che sei per me
l’essenziale.

L’amore non segue le logiche
ti toglie il respiro e non la sete.

      (En)Cantando, faz-se a afirmação das origens e do amor -  afinal, onde está o essencial.

      Diz Mengoni que "O amor não segue nenhuma lógica", que nos deixa "sem ar e sem sede". Por isso, "enquanto o mundo se desmorona", há quem construa novos espaços e desejos; quem regresse às origens e a um 'tu' - o essencial.

sábado, 18 de maio de 2013

Faz um ano...

      Foi excecional a noite, por mais que chovesse.

     Havia cor(es), alegria nas palmas e nos gritos, espetáculo de luz, de fogo (tanto do de artifício como do de calor humano) e vozes (a de Chris Martin mais as do grupo, além de todas as outras do público que encheu todo um estádio de magia). 
      Há um ano foi assim: Coldplay no Dragão (dupla causa para emoção). Houve até razão para nova letra de canção: "Come up to Porto" foi a forma encontrada para iniciar "The Scientist". Outros, muitos, foram os sinais da entrega do grupo ao público entusiasta: desde o "Hello, everybody! Tudo bem?", depois do In my place, à bandeira portuguesa nas mãos do vocalista enquanto cantava a canção que fechou o concerto.
    O palco central foi ocupado mais do que uma hora, em atuação contínua. Um miniconcerto ocorreu ainda num dos recantos do estádio, junto dos espectadores que mais longe se encontravam (no chamado palco C).


     Foi a noite do começo das digressões europeias por estádios repletos de fãs ou de quem simplesmente aprecia as músicas de um dos melhores grupos musicais da atualidade.
      Ainda não tinham entrado em cena e já todos chamavam por eles, com os acordes do "Viva La Vida". Com os mesmos se fez a despedida.

      Tempo de música e momento para recordar - "just erodes in the rain, just erodes and see roses in the rain" (de Us against the world).

Só versos... sobre a vida

     No blogue de uma amiga (Mariana), lia um poema de Manuel António Pina a anunciar que "A poesia vai acabar".

   Decidi, então, matá-la de vez (na vergonha com que fica por ter alguém que ainda ache que a escreve). Fiz uns versinhos.

   
      Porque os escrevi? Sei lá. Farto de uma semana de trabalho que nunca mais tinha fim, cheguei a casa, sentei-me e lancei umas frases para o monitor (já que não pode ser 'redigi umas frases no papel'). É verdade que há dias uma colega me pediu se podia encontrar-lhe um poema de autor português que tratasse da vida, do futuro, do caminho a fazer na vida, para uns alunos finalistas.
    Tudo misturado deve ter resultado nisto: num português cansado, ainda a construir umas frases que até gostavam de ser poesia, como forma de sair de um mau presente para um melhor futuro.

     Se a pintura tem as chamadas "naturezas mortas", fica aqui um exemplo de "versos mortos" para a morte da poesia.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Português presidencial

     As notícias (num apontamento do Jornal das 8, na TVI) deram conta de como, hoje, Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, aplica o plural de 'cidadão'.

     Não obstante haver três formas distintas de formar o plural nos nomes terminados em '-ão', e nalguns casos não existir uma forma estabilizada dessa flexão (ex.: aldeão > aldeãos, aldeões, aldeães; ancião > anciãos, anciões, anciães; ermitão > ermitãos, ermitões, ermitães; sultão > sultãos, sultões, sultães), há hipóteses que a gramática não põe: por exemplo, a de cidadão poder ter outro plural senão "cidadãos".
    Este é um dos casos de aplicação da regra simples de adição do afixo gramatical '-s' à base singular, num pequeno número de palavras agudas (oxítonas):


      Qualquer outra formação do plural, nestes casos, é entendida como crítica, errada, agramatical pelo falante, por mais que ela se aproxime de uma tendência generalizada e/ou dominante na língua (a do contraste singular / plural em 'ão / ões').

    Pois um alto representante do país assim trata (mal) a língua! E, depois, pretendem os políticos falar de políticas da língua; impor orientações linguísticas para uniformizar internacionalmente um idioma. Nem ao diabo lembra!
  

terça-feira, 14 de maio de 2013

Na idade dos porquês... com acentos

      Sabem os pais e os professores o poder da idade dos porquês. Pelo menos alguns.

     Uma colega, hoje, perguntava-me o que podia dizer ao filho (isto está a ficar complicado...!), que chegou a casa com uma situação mal resolvida na escola e a professora do primeiro ciclo a não saber responder à curiosidade.

      Q: Vítor, porque é que o acento do 'a' (o grave) é diferente do outro acento (o agudo)?

   R: Por ambígua ou imprecisa que pareça a questão, os parêntesis (quais didascálias) ajudam a entendê-la e a desmontá-la.
        O acento grave é uma convenção, um acordo para, em termos gráficos (da escrita), se dar conta da presença de uma contração: a junção da preposição 'a' a um determinante artigo feminino (singular / plural) ou a um demonstrativo (seja este um determinante ou um pronome).
       Esquematicamente, poderia apresentar-se ou explicar-se o acento grave (presente à direita, nos três determinantes iniciais e no pronome final) da seguinte forma:


    Fica assim justificada a oposição entre 'Às' (contração) e 'Ás' (nome para carta de jogar), com a existência do acento grave apenas no primeiro caso (como marca da contração).

      Há miúdos que têm muita razão em querer saber o porquê destas coisas: nunca é tarde nem cedo para se aprender.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A propósito de atos

      Porque nem sempre as palavras cumprem os atos a que se destinam...

      A expressão "Das palavras aos atos" é popularmente entendida como a desejável passagem à condição das obras, deixando-se a fase da discussão e da planificação. E, no que elas têm de concreto, está a virtude da realização.

      Q: Pode definir-se um ato de fala como as diferentes formas que a linguagem assume conforme a intenção do sujeito de enunciação e/ou o contexto em que o enunciado é proferido? No manual adotado na minha escola propõe-se esta definição, numa síntese gramatical, mas gostava de apresentar uma que não fosse tão vaga. E um ato locutório prende-se com a questão da combinação de palavras?

      R: Eu não caracterizaria a definição proposta como vaga. Chega a ser errada, ao assumir a identidade entre ato de fala e "diferentes formas que a linguagem assume". Não é isso que está em questão - a diversidade da linguagem -, mas sim um comportamento verbal decorrente da produção concreta de um enunciado numa língua e num contexto comunicativo e interativo, pautando-se tal comportamento por uma intencionalidade, um fazer algo com o que é dito nessa língua. Formas de linguagem há muitas (há mesmo quem defenda que os golfinhos, as abelhas, os papagaios e os macacos também têm as suas formas de linguagem); um ato de fala é uma questão de língua.
        A natureza locutória do ato diz respeito à própria condição articulatória e combinatória da produção, ao nível dos sons, das relações morfológicas, sintático-semânticas. É redutor dizer-se que se trata de uma combinação de palavras, na medida em que intervêm vários planos / domínios do conhecimento de uma língua em concreto.
       Releva-se num ato de fala a natureza ilocutória, dominantemente associada à intenção comunicativa e às condições de um enquadramento contextual particular, bem como a dimensão perlocutória, relacionada com os efeitos provocados no(s) interlocutor(es).

    Entre o material linguístico produzido, a dimensão funcional ativada com a intenção comunicativa e o resultado suscitado no interlocutor, o ato de fala reflete uma rede de relações que o homem mantém, produz e cria com a língua, nela se (a)firmando enquanto ser.

domingo, 12 de maio de 2013

Bela e perdida

      Uma vida intensa, de fuga(s), com inquietação e um "eu" a superar limites...

Florbela Espanca, por Botelho (2008)
     Terminou hoje uma série de três episódios que, nos três últimos domingos, deu a conhecer a vida e a obra de "Bela", ou melhor, Florbela Espanca (Flor Bela de Alma da Conceição Espanca). Entre Vila Viçosa (1894) e Matosinhos (1830), um só dia viu nascer a vida a que, na tristeza, a própria poetisa pôs fim aos 36 anos.
       Da sua obra poética (entre contos, poemas, um diário e registos epistolográficos), destacam-se duas antologias de sonetos publicadas em vida - Livro de Mágoas (1919) e Livro de Sóror Saudade (1923). Charneca em Flor (1931), Juvenília (1931) e Reliquiae (1934) são edições póstumas. Nelas se escuta uma voz voltada para o amor, sofrida, excessiva; se sente a expressão de uma emotividade, de um sentimentalismo traçados pela singularidade da ânsia, da tristeza; se contempla a visão da aguda solidão no seio da união, de uma saudade composta também de algumas notas de romantismo tardio, de decadentismo e de simbolismo, explorando o registo da desilusão e da desistência neuróticas. 


      Numa interpretação sugestiva, expressiva e muito bem conseguida de Dalila do Carmo, retrata-se uma Florbela perdida nas inquietações que a impelem para a(s) fuga(s); o gosto e o requinte estéticos que distraem, iludem, inebriam, fazem esquecer, tal como as festas e os ambientes animados do foxtrot; procurar um caminho que não a liberta do desencanto resultante de uma ânsia de absoluto e infinito por realizar. Daí o persistente lamento, a prenunciada instabilidade angustiante, numa existência confinada ao finito, dimensionada na teatralidade das emoções (mais vividas e sentidas do que imaginadas) e de uma sobrevivência constante e emocionalmente ameaçada.
      É desta poetisa uma definição de "Ser poeta" - poema incluído em Charneca em Flor e musicado pelo grupo Trovante (no álbum 'Terra Firme", de 1987) com o título "Perdidamente":


          SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

     Alguns anos mais tarde, surge uma nova versão da composição, com a Ala dos Namorados e o acompanhamento de voz de Sara Tavares, no álbum de 2005: Solta-se o beijo (ao vivo).


       Aspiração de Infinito... concentração num só grito.

      "Que os vivos passem adiante" - assim termina a série sobre quem, aspirando a tudo o que a vida lhe pudesse dar, acabou por não a conseguir viver.

sábado, 11 de maio de 2013

Quantidade sem qualidade

    Quando as dúvidas são provocadas por materiais encarados como referenciais a questão torna-se mais crítica e difícil de contornar.

     Ainda assim,  o assunto não está livre de contraditório, que aqui assumo para que não se perpetue o erro.

   Q: Encontrei numa gramática escolar que 'Adorei quantos livros li' apresenta o quantificador relativo 'quantos' e que este introduz uma frase / oração subordinada adjetiva relativa ('quantos livros li'). Concordas com esta classificação da subordinada?

     R: Nem com a classificação da subordinada nem com a subclasse de palavras identificada.
       Começando por esta última, só posso dar conta de 'quanto(s)' como quantificador relativo quando estou perante uma situação de retoma, o que não sucede no exemplo dado. 
        Comparando (i) e (ii), é possível verificar que estou perante um quantificador relativo (a introduzir uma subordinada relativa) no segundo exemplo, não no primeiro:

(i) Experimentei quantas sobremesas havia no restaurante.

(ii) Experimentei tantas sobremesas quantas as existentes no restaurante.

     'Quantas', em (ii), retoma um antecedente nominal ('tantas sobremesas'); o mesmo não sucede em (i). Qualquer entendimento de 'quantas' como quantificador relativo neste último caso teria de passar necessariamente pela ativação de um conceito como o de pré-construído linguístico, associado ao que estaria implicitamente implicado na primeira frase (Havia muitas sobremesas no restaurante. Experimentei-as todas).
       Ainda assim, interessará sublinhar que (i) apresenta 'quantas sobremesas havia no restaurante' como argumento interno selecionado pelo verbo 'experimentar'. A sequência funciona como complemento direto incluído no predicado. Daí a subordinada ter de ser considerada com o mesmo estatuto de uma completiva (como sucede, por exemplo, com as subordinadas relativas sem antecedente, tradicionalmente encaradas como substantivas); daí não concordar com a classificação proposta de uma subordinada adjetiva relativa.
       Neste sentido, acabo por entender 'quantas', em (i), mais como um quantificador universal, pela leitura induzida de se ter experimentado todas as sobremesas no conjunto das existentes no restaurante.

Mais um exemplo 
do que não pode ser dito, 
nem escrito, nem ensinado
 como se dá a ler à esquerda
tanto nas definições como nas exemplificações



       Por aqui me fico, porque quantas hipóteses mais lançar mais complicada fica a resposta (e cá fica mais um "quantas" que nada tem a ver com o que foi aqui interrogado). Há mesmo palavras camaleónicas!

    

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Que luz é esta?

      A pergunta impõe-se.

     Já partilhei este poema na "carruagem". Revi e reli-o, pois uma amiga enviou-mo em postal de fim de semana (prática já com uns anos, entre as poucas que ainda vão sobrevivendo de tempos em que havia mais condições para trabalhar e ter reuniões de grupo, partilhando textos, experiências, práticas, métodos, dúvidas relacionados com a disciplina lecionada).
      Hoje retomo-o e reapresento-o, acompanhado de duas vozes, escutadas num curto projeto televisivo com que a RTP brindou os espectadores por pouquíssimo tempo na sua programação ("Um Poema por Semana", ideia de Paula Moura Pinheiro).
       De Jorge de Sena (1919-1978), fica "Uma pequenina luz", na interpretação de Catarina Guerreiro:


Uma pequenina luz 

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não: 
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.
Jorge de Sena, 25 /09/1949
in Fidelidade (1958)

      E, para fechar, a voz de Samuel Úria:


      Isto porque a poesia é voz, é ritmo, entoação, melodia... música à espera do canto.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Um cortejo de pesar

     Hoje foi a tarde do tradicional cortejo da Queima das Fitas do Porto.

   No meio da sensibilidade que a condição de luto impõe, a FADEUP (mais conhecida por FCDEF pelos estudantes) participou no evento, sabendo marcar presença e honrar a ausência física de um dos seus: Marlon Correia. Não estando, esteve sempre lá. 
   O momento foi emotivo, pelos silêncios, pelas palmas e pelos recatados olhares; com a cidade a saber reagir à fatídica e pesarosa realidade, dividida entre a circunstância festiva que se vivia e o sentido respeito pela memória de quem nela não se encontrava; com as diferentes faculdades a mostrarem-se solidárias, nas mais diversas formas de expressão de uma compungida saudade.


     Chegado o carro da FADEUP junto da tribuna, silenciaram-se os gritos, os motores, a animação. Poucos puderam resistir à lágrima que teimava em sair; muitos fizeram chegar ao céu o lamento, o pesar, a dor por uma vida que, na terra, se perdeu, não sem antes deixar uma mensagem que alguém leu:

Foto de Tiago Rodrigues Lopes (publicada no Jornal de Notícias, na edição do dia 08.05.2013)

     No fim, cumprido o percurso, partilhada a mágoa, deram-se os abraços sem o riso e a alegria que tantos reconhecem que um estudante da FADEUP oferecia e, se pudesse ser correspondido em presença, merecia.

    Entre o sol que apareceu e a chuva que caiu, compôs-se a tradição com a festa que Marlon por certo gostaria de ter vivido, se não tivesse havido alguém que insana e brutalmente o impediu.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Está na TV e parece novela

     É por isto que eu gosto do telejornal (na RTP1)...

     Primeiro: logo a abrir e com aquela música apelativa que nos prende a atenção, a nota de rodapé, para os títulos em destaque, apresenta o termo "Indemenização" (o sublinhado é meu) - dando a mais, na escrita, quando o governo quer a menos, no funcionalismo público (isto a propósito da negociação - e que rico negócio! - na rescisão, cessação amigável -que linda amizade! - de contratos). Depois, é verdade, alguém deve ter descoberto o erro (dado a "olhos vistos") e lá apareceu, mais para diante (mais vale tarde do que nunca), a forma correta. Registe-se: "INDEMNIZAÇÃO" . 
     Segundo: os exames de Português para os alunos do quarto ano são abordados com um pequeno excerto de reportagem, mostrando-se uma professora de um colégio a explicar o que é um campo lexical. Cito: "O campo lexical é tudo o que envolve a palavra". Quem é que aprende tal noção com esta definição (ou mesmo quem é que aprende, seja o que for, por definições)? Pensemos lá então: uma sílaba está envolvida na palavra; então "pá" faz parte do campo lexical de 'pássaro', não? E se uma palavra envolve uma letra, não será o caso de 'r' fazer parte do campo lexical do passarito? E o som, não é algo que a palavra envolve? Logo, o [s] grafado com 'ss' também está no passaroco! Fantástico! (Não, prezado leitor, pássaro, passarinho e passaroco até podem estar envolvidos uns com os outros, mas não constituem um campo lexical, porque fazem parte de uma mesma família de palavras - um conceito distinto). E não vá o diabo tecê-las, ainda se vai pensar que passarinho tem flexão de género e vai sair palavra a envolver uma outra, no feminino, o que duvido que resulte em ave (Deus meu, para onde isto vai)! No meio de tudo isto ainda vão dizer que campo lexical é tudo o que anda à volta de uma palavra (correção: não vão dizer, porque já disseram, tal como estes ouvidinhos - que a terra também há de comer - já o escutaram, para mal dos pecados seus). Até me podem dizer que é consequência da adaptação (nunca da adequação!) da linguagem a um público tão jovem, incapaz de entender que se trata do conjunto de palavras relacionado com uma ideia, área da realidade ou zona de significados associados; todavia, seguramente não é assim que o discurso didático se constrói (enfim: o cão anda à volta da árvore; logo, deve pertencer ao campo lexical de árvore, certo? Santa paciência!). Podem ainda dizer-me que foi um segmento mal escolhido ou truncado na reportagem. Concordo! E é com ele que a televisão projeta para a massa anónima de espectadores (qual serviço público!) o belíssimo exemplo do que nunca deve ser dito, muito menos ao preparar alunos para exame. Não havia necessidade (diria o diácono Remédios). 
     Terceiro: ainda os exames e fala-se de uma declaração que os alunos terão de assinar, julgo, para se consciencializarem (bom propósito!) de que não podem ter consigo o telemóvel. Grande ideia do Ministério da Educação, para se "educar" comportamentos - obviamente os socialmente válidos, sérios e mais ajustados às condições de avaliação formal (como se ao longo do ano, e durante as aulas, os alunos não fossem educados para tal ou como se não houvesse outro tipo de posturas que também comprometem o sucesso de qualquer prova). Grande sentido e propósito de ação, sim senhor! É verdade que as várias aulas não têm a importância de um exame (até porque este último obriga algumas crianças a terem de se deslocar a uma escola diferente, a serem vigiadas por quem nunca viram); isto para não dizer que os professores, por norma, devem autorizar o uso de tal aparelho (que mais poderia motivar tamanho cuidado do Ministério?! E assim se começa a construir o rigor e a seriedade da situação!) Qualquer dia também vão lembrar-se de me dizer que, no início de cada aula, os alunos também terão de produzir um documento no qual se comprometem a não trazer telemóvel para a aula ou para os dias de teste (sim... vai ter que ser assim, porque parece que não tenho competência, direito ou legitimidade para o fazer, enquanto responsável por algumas condições do meu trabalho de educador; no caso de ser eu a vigiar, nem me ia lembrar de tal coisa! Ainda bem que o Ministério existe para mo recordar)!
      
       Lindo serviço (público), belo exemplo e viva os exames!
     (E pagamos nós por - ou para - isto tudo! Como diria La Féria: grande noite!)

domingo, 5 de maio de 2013

Quando não é possível mudar a história...

      No início de uma semana academicamente marcante (o início da Queima das Fitas - 2013), tudo começa com a morte de um jovem estudante.

    As notícias de ontem e de hoje são pesarosas para a academia: Marlon Correia, de 24 anos, foi assassinado no Queimódromo (junto ao Parque da Cidade), quando ontem fugia de um grupo de assaltantes. Atingido nas costas por duas balas, este estudante da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) não chega aos vinte e cinco anos, por que tanto ansiava.
      Pouco antes, no Facebook, deixava uma mensagem num dos seus apontamentos:

"Talvez a grande lição 
dos 19+1 e poucos anos 
seja aprender que 
o equilíbrio só acontece 
quando você abre mão 
de coisas importantes. 
Que perder dói, 
que vencer envolve sacrifícios 
que você nunca imaginaria passar. 
Mas é também a hora de arriscar, 
de tentar, de quebrar a cara 
e de esquecer, de uma vez por todas, 
que algo pode ser definitivo. 
Tudo é definitivo até mudar!".

        Foi roubada uma vida, baleada por dinheiro, quando alguém o quis também roubado.
        Camões diria, no canto VIII de Os Lusíadas:

96 (...)
Veja agora o juízo curioso
Quanto no rico, assi como no pobre,
Pode o vil interesse e sede immiga
Do dinheiro, que a tudo nos obriga.

97 
A Polidoro mata o Rei Treício,
Só por ficar senhor do grão tesouro;
Entra, pelo fortíssimo edifício,
Com a filha de Acriso a chuva de ouro;
Pode tanto em Tarpeia avaro vício,
Que, a troco do metal luzente e louro,
Entrega aos inimigos a alta torre,
Do qual quase afogada em pago morre.

98 
Este rende munidas fortalezas;
Faz tredores e falsos os amigos;
Este a mais nobres faz fazer vilezas,
E entrega Capitães aos inimigos;
Este corrompe virginais purezas,
Sem temer de honra ou fama alguns perigos;
Este deprava às vezes as ciências,
Os juízos cegando e as consciências;

99 
Este interpreta mais que sutilmente
Os textos; este faz e desfaz leis;
Este causa os perjúrios entre a gente
E mil vezes tiranos torna os Reis.
Até os que só a Deus omnipotente
Se dedicam, mil vezes ouvireis
Que corrompe este encantador, e ilude;
Mas não sem cor, contudo, de virtude.

POLIDORO: filho de Príamo, rei de Tróia. Quando esta cidade estava prestes a cair em poder grego, 
Polidoro é enviado, com ouro, ao rei de Trácia. Este apodera-se do metal valioso e mata Polidoro.

          Hoje a narrativa é outra: sem mitos, sem epopeia nem heróis. O poder do ouro dá lugar à ânsia que alguns têm dele, a ponto de o preferirem à própria vida humana.

          É muita realidade, e da mais atroz, para aceitar que possa ser verdade.
         RIP.

sábado, 4 de maio de 2013

Frente ao mar... ao oceano

     O dia foi de sol, de muita luz, a convidar praia, e com todo um oceano em frente.

     Por isso, Djavan veio-me à memória em cor azul (diria ele que 'Não é azul, mas é mar'), em embalo marinho e em sonoridade oriental.


     Do álbum homónimo, lançado em 1989, saiu esta composição, uma das mais harmoniosas e confortáveis para o cantor e compositor brasileiro, também reconhecido por outros êxitos musicais ('Se', 'Flor de Lis', 'Meu bem querer', 'Luz', por exemplo). 

    Na internacionalização da coletânea, Puzzle of hearts é o título escolhido. Na composição das emoções há notas que se transportam em ondas mágicas de vida.