sexta-feira, 24 de maio de 2013

Nem tudo o que é eletrónico é bom!

     Com tanto cuidado, há quem ande com excesso de zelo.

     Decididamente, a segurança com a língua é questão de muito pouca solidez, a julgar pelos avisos dados a ler nos gabinetes de prova de alguns estabelecimentos de venda de roupa.
     Eis um deles:


      Não sabe quem o produziu que os advérbios terminados em 'mente' não são graficamente acentuados, enquanto palavras graves que são quanto à sílaba tónica ([men]). Segue-se, portanto, a regral geral do Português, segundo a qual não se acentua, normalmente, as palavras graves (ou paroxítonas).
       Excetuando este dado, registe-se ainda a importância que a dimensão pragmática da língua tem, para bem do aviso lido. Não fosse esse o caso, haveria um texto no mínimo desajustado. Vale  a natureza distintiva entre um 'seu' mais deítico (referenciando o interlocutor) e um nada anafórico (sob pena de o sistema de segurança ser considerado inútil, após o pagamento) para marcar o sentido interativamente contextualizado do texto (que, também, poderia resultar ambíguo, no mínimo).

      O ícone de perigo ou de chamada de atenção, mais do que potenciais larápios, deveria estar mais para o leitor - não vá o 'eléctronicamente' (erradamente grafado) dar choque.

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