sábado, 13 de outubro de 2012

De novo... a rua, numa cultura de resistência.

    Volta o povo a sair à rua, em novas manifestações.

    Tem vindo a ser uma constante, tal como o mal-estar contínuo de quem se vê governado por quem não dá o exemplo.
     Numa semana em que se ficou a saber que a Democracia tem de andar em carros distintos; que medidas governativas não poupam quem trabalha (que se vê a pagar, em impostos, o que ganha e o que não ganha); que a crise social está aí aos olhos de quem se mostra cego e surdo face aos sinais de generalizada insatisfação nacional; que progressivamente se desconfia e se desacredita do que esteja a ser feito para diminuir as "gorduras" de um estado que mantém no seu seio estruturas inoperantes, funções e estatutos dúplices e duplicados; que há quem mantenha subvenções, bonificações, benesses, prerrogativas, exceções, compensações, prestações extra, regalias, incentivos, ajudas e subsídios chorudos; que o povo português é bom (sinónimo de dócil, manso, destinado ao sofrimento contido), muitos há que regressam à luta, num recurso criativo e imaginativo do que são sinais simbólicos, culturais, rememorativos de um contexto histórico que não tem ainda cinquenta anos (mas para lá caminha numa preocupante e revivida ânsia de libertação).
    Do canto lírico (reivindicativo, de protesto) nos circuitos restritos das celebrações do Dia da República aos testos de tachos e panelas (estrepitando nos ouvidos e lembrando à memória o sustento que vai minguando) nas ruas da cidade, a sonoridade é múltipla, tal como a sensibilidade dos que a produzem numa linha de resistência, a caminho daqueles que agora não dão sorrisos, nem palmadinhas nas costas, nem cara (já que muitos perderam a face), nem mão sequer para um cumprimento, quanto mais para distribuir canetas, calendários, t-shirts, sacos ou bandeiras de esperança.
     E a cultura vira arma: regressam as canções de intervenção, dramatizam-se episódios que ninguém quer viver, caricaturam-se figuras mal amadas, editam-se obras que sublinham princípios e valores esquecidos, constroem-se alternativas na busca de uma utopia que se perdeu e se quer recriada.

    Se há quem não deixa sonhar, é bom saber que há quem não pretenda deixar dormir aqueles que precisam de olhar noutra direção, numa partilha de sacrifícios não compaginável com direitos tomados como adquiridos ou convencionados e que deixaram de fazer sentido para o povo de todo um país. 

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