Depois do Natal, as más notícias.
É o mau tempo em Salvaterra de Magos; a chuva que vai piorar; o discurso do papa a focar diversos temas críticos contemporâneos (crise, conflito, violência, padecimento, abandono) - falar em nome do conforto, da luz, da paz, de valores e direitos ainda não é para toda a Humanidade.
Em escala bem diferente, por certo, também no uso da língua não há respeito. Num só canal e num só programa noticioso, há de tudo:
. o anúncio do habitual discurso papal à cidade e ao mundo (Urbi et Orbi):
Imagem televisiva captada da CNN Portugal - I (Foto VO)
A palavra 'bênção' inexplicavelmente perde o acento gráfico necessário à sílaba tónica (grave), para que esta não seja identificada com a sílaba final terminada em som nasal.
. as medidas de contenção, com a evolução da pandemia:
Imagem televisiva captada da CNN Portugal - II (Foto VO)
O plural das palavras agudas terminadas em 'l' grafa-se com acento gráfico na última sílaba, não na anterior (portanto, devia ler-se 'hotéis' e não o que está escrito na foto).
. direto do discurso de Francisco I (do meio e no fim):
Imagem televisiva captada da CNN Portugal - III (Foto VO)
Como que por milagre, 'bênção' passa a estar bem escrito,
assim que começa o discurso do Papa, transmitido em direto.
Imagem televisiva captada da CNN Portugal - IV (Foto VO)
No final, volta-se à desgraça do erro - tirando o acento indevidamente.
Digamos que ficamos com a bênção incompleta.
Quando se faz a festa de abertura de um recente e novo canal televisivo, tão propagado na qualidade e no rigor jornalístico, bem fora que tal se fizesse acompanhar da qualidade da escrita.
Há uma espécie de vírus, na comunicação escrita jornalística, que também, parece não ter fim - teste de resiliência à desgraça ortográfica.