Mostrar mensagens com a etiqueta Representação gráfica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Representação gráfica. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mentiras temporalmente agendadas

       Assim me deram a conhecer. É bom saber.

       Se tivesse de contratualizar o serviço, não o requeria ao fim de semana. Melhor: ao domingo.

Uma partilha de feriado, de uma cúmplice na recolha destas falhas na língua (com agradecimento à MPM)

       Com alguma variação, em Portugal, o típico é o cabeleireiro e o barbeiro serem mais baratos à quarta-feira (pelo menos, no local que frequento). No local publicitado, só para me ver livre das mentiras, já saberia o dia em que não faria a barba nem cortaria o cabelo. Restar-me-iam praticamente quase todos os dias da semana. Exceto o dia santo.
       Ainda assim, como a mente é gasta ao longo da semana em trabalhos, mais vale mudar de barbearia (pode até ser que o barbeiro / cabeleireiro tenha nome mais... tradicional ou comum).

          Nem com a homofonia do "somente" isto vai lá. Só pode ser piada (de sorriso amarelo).

segunda-feira, 9 de março de 2026

A liberdade no (uso do) acento gráfico

     A observação surgiu perante a estranheza do uso.

     É verdade que é mais comum ler-se a palavra sem acento gráfico. Por isso, a mensagem surgiu:

     A: Olá, Vítor!
         De quem me lembrarei, sempre que me deparar com algo como o que está abaixo?
       Guia Geral de Exames 2026: «(...) obrigatoriamente, de atestado médico de incapacidade multiúso (...)»
          É por isso que, por muitos olhos que passem no que escrevemos, nunca são demasiados.

     Tive de responder a desfazer um pouco a certeza nessa estranheza de um 'multiúso', que faz todo o sentido existir, atendendo às convenções ortográficas e de acentuação gráfica contemporâneas.

     B: Bom dia.
         As convenções ortográficas, por vezes, são complicadas. Este é um dos casos.
      Ainda que o uso comum permita a utilização consensualizada da grafia 'multiuso' (com o elemento latino 'multi' e a palavra 'uso' aglutinados), o certo é que, na escrita, há uma regra de acentuação gráfica a determinar que duas vogais juntas em situação de hiato (lidas não como ditongo, numa só emissão de som, mas como vogais diferenciadas foneticamente) fazem com que 'u' ou 'i' sejam graficamente acentuados. É o que acontece, por exemplo, com 'reúne', 'saúde', 'suíça', 'país', 'baú' entre outras palavras.
       Assim, convivem as escritas 'multiuso' e 'multiúso' na língua portuguesa: a primeira, na consciência morfológica e etimológica da (re)composição de um elemento latino com uma palavra atual; a segunda, na ativação das convenções de ortografia e acentuação gráfica. 
     Importa, portanto, que a escrita de uma ou de outra formas surjam coerente e consistentemente nos textos.

Muito uso com ou sem acento - um caso de liberdade na acentuação gráfica (montagem VO)

     Pronto: lá terão que se lembrar de mim na complexidade das relações fonético-grafológicas da nossa língua em combinação com a perspetiva morfológica e algum toque de história da língua e etimologia em deriva.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Acentuar o que não se deve

       Dizem as gramáticas (sim)...
       
       Nem a palavra nem a sílaba são graficamente acentuadas. 
    Monossílabos tónicos terminados em "u" (por exemplo, "tu") não são acentuados; só os terminados em "a", "e", "o" (seguidos ou não de "s" - como  "vás", "pés", "cós"). Registe-se: nada a ver com "u"(s).
     "Recuo" (conforme o contexto frásico, ora nome ora forma verbal na primeira pessoa do singular do presente do indicativo) também não tem acento. Trata-se de uma palavra paroxítona (grave), tipicamente não acentuada, terminada com o hiato "uo" a não receber acentuação gráfica, tal como outras afins: "arguo", "atuo", "amuo", "duo", "usufruo".
        Espantosamente (ou não), leio em noticiário televisivo (da TVI) o que não devo:

Razões e lições do absurdo: sejam as de Trump sejam as de quem escreve na televisão (Foto VO)

      Se linguisticamente o erro está instalado, fica a positividade do anunciado: o disparate "trumpesco" (de querer comprar a Gronelândia ou de simplesmente tomar posse dela) parece não vir a ter lugar (Será?). Assim deve ser (ao contrário da acentuação)!
       Tanto pelo que o "trumpalhão" pretendia como pelo que se escreveu, há razões e lições que nem ao diabo lembra.

       ... o que certos utilizadores não fazem (pena)!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

De tirar o "chapéu"

     Literalmente; sem mais.

    Dizem os franceses que o acento circunflexo semelha um "petit chapeau"; os portugueses referem-se a ele como "chapeuzinho". De uma forma ou de outra, há que o retirar, quando sinaliza uma sílaba que não é a tónica. Se 'presidencial' não tem [den] como a sílaba mais forte, para quê o acento gráfico sinalizador de sílaba tónica com som fechado?

Presidente e presidencial, sem; só presidência com (com agradecimento da foto à AC)

    Não há que confundir 'presidência' com 'presidencial'. Embora da mesma família de palavras (questão morfológica), fonicamente são termos silabicamente bem distintos quanto à intensidade: a primeira é grave; a segunda, como todas as palavras terminadas em 'l', é aguda. Neste último caso, assim o ditam as regras gramaticais, não há razão para acento gráfico (ex.: mal, fatal, crucial, essencial, fundamental).  

    Ao segundo dia do ano, não me interessa se são oito, onze ou até catorze: os candidatos são presidenciais (sem acento, por certo). Votem no que vos aprouver, sempre tirando o "chapéu" ao que vos parecer mais presidencial (por respeito ou por gramática).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A começar o ano

     Se o início for indício do que aí vem, ...

     2026, à semelhança de anos anteriores, é celebrado com o primeiro banho de mar, na praia grande do Ferragudo
   No apontamento jornalístico, segundo repórter e entrevistados televisivos, o mar está espetacular, melhor do que no verão (apesar das baixas temperaturas do inverno) e não há frio ("Não está frio! Você tem frio? Eu não tenho frio nenhum. Está impecável, está espetacular!").

Legendas infelizes na televisão a abrir o novo ano (foto VO)

     Registo eu que fiquei gélido só de ler a legenda, por várias vezes acionada, ao longo da reportagem.

Muda a imagem, mantém-se o erro. Antes fosse o contrário (Foto VO)

    Alguns dirão que se trata de uma pequena falha no acento; todavia, as implicações sintáticas são mais gravosas, ao colocar-se um sujeito plural em discordância com o singular da forma verbal (mantém - singular; mantêm - plural).

    Boas energias e o bom arranque dos banhos deviam servir para o bom uso da língua. Melhores concordâncias (sintáticas), diria.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

De mal a pior

      De tanto se falar mal na saúde e da ministra...

      ... até a língua fica doente, com os maus usos que lhe dão.
      O último, captado em rodapé televisivo, é prova da chaga (dis)ortográfica que assoma a ira de qualquer leitor:

Algo vai mal e não é só na saúde. Ponha-se ordem sem ouvir ninguém. Basta ler! (Foto VO)

      Isto de confundir o verbo 'haver' com o 'ouvir', numa das formas mais homofónicas de ambos (houve / ouve) é erro que considero impensável. Resta a esperança de quem o cometeu nem sequer ter pensado antes de escrever.
     Por isso, relembro as sábias palavras de Bento Jesus Caraça (matemático, pedagogo, anti-fascista, nascido em 1901 e falecido em 1948):

"... se não receio o erro 
é porque estou sempre pronto a corrigi-lo."

       Cure-se o que ainda possa ter remédio. Creio que haverá tarefeiros na área da comunicação a necessitar também de regulação.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Declarações de desamor...

    Depois do Dia dos Namorados, ...

    Não há bolo que resista!
    Sem vírgula antes de 'mas', sem as que encaixam a expressão "às vezes", a forma verbal de 'dar' sem acento e o já mencionado "às vezes" mal grafado (na acentuação) são ameaças muito significativas, a fazer certamente ter vontade de apertar o pescoço a alguém:

Um bolo azedo para desamor à língua

      (Também) não há amor que resista. O da língua já foi há muito.

      ... ficou um amor muito azedo e agressivo.

domingo, 19 de março de 2023

Foge! ou Fogo! (interjetivos)

      Engraçado ver que, mal começo, vem uma chuva de exemplos.
   
   É o que acontece sempre que, por aqui, menciono um erro ou outro nos nossos canais televisivos. Dos mais repetitivos na tipologia de erro aos mais originais, lá me vão facultando fotos do que "corre" nalgumas legendas.
      Desta feita, chegou-me às mãos / aos olhos o seguinte:

Sem pânico na machadada perpetrada na língua - assim vão as notícias (com agradecimento à AD)

     No âmbito comum da ortografia, este é um erro que pode instalar-se pela natureza de alguma irregularidade morfológica do verbo, nomeadamente no contraste 'o/u' de algumas formas (foge, foges, fujo, fugimos, por exemplo). A fonética, contudo, ainda permite distinguir o que alguma convencionalidade gráfica pode fazer perigar (mais no contraste 'j/g' do que nos casos vocálicos em concreto).
     Ver este erro em contextos de aprendizagem da língua ou de utilizadores menos esclarecidos poderá (ainda) ser compreensível e uma boa oportunidade para mostrar regularidades no reconhecimento do léxico (como é o caso da família de palavras evidenciada em 'fugir > fujo > fugimos > fuga > fugido > ...'). Nos meios de comunicação social, é impensável ler o que nos é dado a ver.

      Apetece-me exclamar: "Foge!"

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Publicidade para limpeza

      Ao chegar a casa, recolho a publicidade da caixa de correio.

      Um pequeno folheto anuncia limpezas e, ao lê-lo,...

Publicidade "pouco limpinha" (Foto VO)

    ... reparei no asseio demonstrado nos "Escritórios", eliminando-se indevidamente a acentuação na palavra. 
     Lá diz a gramática da nossa língua que as "falsas esdrúxulas", isto é, palavras terminadas com encontros vocálicos habitualmente proferidos em ditongo crescente (casos de 'ébrio', 'lítio', 'rádio', 'água', 'égua', 'armário', condomínio, 'secundário' e 'secretário', por exemplo), são graficamente acentuadas na sílaba mais intensa.

      Limpeza, sim, mas nem tanto!

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Falha nas previsões

     Futebol e política à parte,...

     Lá vem o desconhecimento do Acordo Ortográfico (AO), a vigorar desde 2009.
     O acento circunflexo aparecia na grafia do plural com duplo 'e', no acordo de 1945; após 2009, lê-se o seguinte na Base IX, intitulada "Da Acentuação Gráfica das Palavras Paroxítonas", no seu ponto 5:

     «c) As formas verbais têm e vêm, 3.ª­s pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que são foneticamente paroxítonas (respetivamente /tãjãj/, /vãjãj/ ou /têêj/, /vêêj/ ou ainda /têjêj/, /vêjêj/; cf. as antigas grafias preteridas, têem, vêem), a fim de se distinguirem de tem e vem, 3ªs pessoas do singular do presente do indicativo ou 2ªs pessoas do singular do imperativo; e também as correspondentes formas compostas, tais como: abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detem), entretêm (cf. entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém), provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).

          Obs.: Também neste caso são preteridas as antigas grafias detêem, intervêem, mantêem, provêem, etc.»

        Sendo "preteridas", diria que não são as preferidas. Ou seja, a distinção gráfica vem / vêm motiva a manutenção da acentuação com o circunflexo; o mesmo não se justifica em vê / veem (ou prevê / preveem e afins), dado que a dupla grafia de 'e', no plural, já constitui distintividade suficiente quanto à pessoa e número nas respetivas formas verbais.
        Portanto, o que se lê na legenda da SIC Notícias não acompanha a orientação que o AO prevê ou que as orientações preveem que se faça:

Um acento a mais a falhar na previsão (Foto VO)

        Corrija-se, portanto, a legenda e leia-se a forma "preveem" (sem confusão com qualquer outra), para que a previsão resulte mais correta.
       
          ... é necessário maior acordo com o... ACORDO!

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

É possível ser melhor... com acento

      Pode começar-se melhorando a escrita.

      É o que se me afigura dizer quando leio este pensamento:

Não há flores que escondam a imperfeição da escrita

       Logo a abrir, um acento gráfico (agudo) faz a diferença. Quem o fizer passa a ser melhor: mais correto, mais perfeito, com maior demonstração de qualidade(s).
       À semelhança de 'alguém', 'também', 'vintém', 'mantém', 'contém', 'armazém', 'parabéns', as palavras não monossilábicas agudas ou oxítonas (com sílaba final mais forte) terminadas em 'em' / 'ens' apresentam acento gráfico agudo.
       Inclusivamente, está aqui a distinção entre palavras como 'contem / contém' (com sílabas tónicas diferenciadas e correspondendo a verbos distintos: contar e conter, respetivamente).

      Ninguém, repito, ninguém deve esquecer-se do acento, sob pena de ser menos perfeito e, também, não poder ser melhor.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Não mereço

     Logo a abrir,...

     Quando me preparava para começar a ler, só a persistência fez ultrapassar a barreira:

Com muito 'você' e um acento a desmerecer o(s) leitor(es)

       Não mereço o pensamento, logo à primeira palavra com o acento errado. 
     Reformulo, portanto, o pensamento, inspirando-me no que às vezes (às) está próximo: às (às, de novo) vezes, tenho de esquecer aquilo que definitivamente não quero, para começar a entender que, neste mundo, há pessoas que fazem e são aquilo que não mereço.
      Ninguém merece.
      Prossiga-se com o acento errado e dê-se importância ao que se faz de e por bem.

     ... não é que apetece desligar?

sábado, 25 de dezembro de 2021

Logo a seguir ao Natal

     Depois do Natal, as más notícias.

   É o mau tempo em Salvaterra de Magos; a chuva que vai piorar; o discurso do papa a focar diversos temas críticos contemporâneos (crise, conflito, violência, padecimento, abandono) - falar em nome do conforto, da luz, da paz, de valores e direitos ainda não é para toda a Humanidade.
    Em escala bem diferente, por certo, também no uso da língua não há respeito. Num só canal e num só programa noticioso, há de tudo:
. o anúncio do habitual discurso papal à cidade e ao mundo (Urbi et Orbi):

Imagem televisiva captada da CNN Portugal - I (Foto VO)

A palavra 'bênção' inexplicavelmente perde o acento gráfico necessário à sílaba tónica (grave), para que esta não seja identificada com a sílaba final terminada em som nasal.

. as medidas de contenção, com a evolução da pandemia:

Imagem televisiva captada da CNN Portugal - II (Foto VO)

O plural das palavras agudas terminadas em 'l' grafa-se com acento gráfico na última sílaba, não na anterior (portanto, devia ler-se 'hotéis' e não o que está escrito na foto).

. direto do discurso de Francisco I (do meio e no fim):

Imagem televisiva captada da CNN Portugal - III (Foto VO)

Como que por milagre, 'bênção' passa a estar bem escrito,
assim que começa o discurso do Papa, transmitido em direto.

Imagem televisiva captada da CNN Portugal - IV (Foto VO)

No final, volta-se à desgraça do erro - tirando o acento indevidamente.
Digamos que ficamos com a bênção incompleta.

    Quando se faz a festa de abertura de um recente e novo canal televisivo, tão propagado na qualidade e no rigor jornalístico, bem fora que tal se fizesse acompanhar da qualidade da escrita.

     Há uma espécie de vírus, na comunicação escrita jornalística, que também, parece não ter fim - teste de resiliência à desgraça ortográfica.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Agradecimentos...

      Há quem registe o agradecimento!

     Hoje, a Rádio Comercial mostrou a sua generosidade e um sentido justo para os agradecimentos não terem de ficar condicionados às vitórias.

Um agradecimento à espera da vírgula do vocativo! - (imagem colhida do Facebook)

        Concordo. Há perdas ou derrotas que também merecem agradecimentos. 
      Duas palavrinhas apenas... e a falta de um sinal de pontuação faz sentir-se: a vírgula do vocativo, se faz favor. 
      Quem chama virgula. "Obrigado, rapazes!" É assim que se agradece, com o chamamento devido dos "rapazes".

      Faz sentido a imagem! Contudo, no texto, uma virgulazita faz a diferença.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Para lá da simpatia...

      Há que contentar com o gesto simpático!

      De resto, nada mais se pode pedir, quando se escreve mal.

   Certo é que 'pôr' tem acento gráfico (circun-flexo) na sua grafia. O mesmo não sucede com os com ele formados ou a ele fonicamente asso-ciados na sílaba final de verbo, na forma do in-finitivo -  como 'ante-por', 'compor', 'contra-por', 'descompor', 'dis-por', 'expor', 'impor', 'propor', 'repor', 'supor' e afins -, conforme já o indiquei em aponta-mento anterior.

    Se o contraste 'por' (preposição simples) / 'pôr' motiva a distinção gráfica, o mesmo não sucede com os restantes termos atrás mencionados. Sublinhe-se o facto de estar a considerar-se formas verbais no infinitivo (o que nada tem a ver com as formas conjugadas, como 'antepôs', 'compôs', 'contrapôs',...).

    Tipicamente as palavras terminadas em 'r' são agudas e não requerem acentuação gráfica - eis a razão para o infinitivo dos verbos e, por conversão, as formas nominais / nominalizadas não apresentarem acentos.

       Agradeço o gesto, portanto, mas ficaria mais grato pela ausência de acento.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Reação "poética"!

       Disseram-me para ler um poema que lhes dizia muito.

      Gosto destas partilhas genuínas, capazes de transformar o mundo e fazer de nós melhores pessoas. E quando de um poema se trata, digo que estou na minha zona de predileção.
      Ei-lo:

As palavras que sempre te direi: aprende a pontuar.

      Se ainda fosse para ouvir, até a mensagem poderia resultar (no conteúdo, sem atentar muito no vocabulário pobre da escrita). Como me pediram para ler, só me resta dizer: pontua melhor e serás grande!
    Talvez devesse dizer versos, mas apetece-me ficar pelas dez linhas do texto, que me apresentaram como poema. Escapa a última. Nas sete primeiras, uma vírgula separa sistematicamente o sujeito do predicado - o que nunca pode acontecer, enquanto regra essencial da língua; na passagem da oitava para a nona, existe um ponto e vírgula com uso estranhíssimo (melhor, incorreto) a separar o verbo - 'interfere' - do seu complemento - 'Naqueles que estão ao meu redor'.
      Nunca!
      Duas regras basilares da pontuação: não separar NUNCA o sujeito do predicado por uma só vírgula; não separar NUNCA o verbo dos seus complementos / predicativos por uma só vírgula (ou ponto e vírgula).

      Esta foi, assim, a melhor pessoa que "o poema" despertou em mim: a que denuncia os erros de pontuação, garantidamente, como exemplos a não repetir. É este o meu princípio de boa fé.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Outra vez! Não!

      Prestes a terminar o domingo, lá vem o trauma.

     Por antecipação, começa o stress.
     Pior ainda quando se encontra uma mensagem destas:

A vontade do mundo ao contrário

    O melhor da imagem é mesmo o gato!
    O pensamento é arrepiante, no conteúdo e na forma (segunda-feira sem hífen e ninguém sem acento). Valha-me Deus!

     Por que razão a segunda-feira está tão distante da sexta?! Ai, era bom começar a semana à sexta!

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Acento saltitante!

         Eu, que nem sou fumador, prestei atenção ao pedido.

       Uma ida ao supermercado foi o bastante! A cortesia do "Por Favor" inicial e do "Obrigado" final chama a atenção, claro! Há, contudo, ali um acento gráfico que me deixou incomodado à entrada e à saída. Vai daí, tirei foto, para memória de um erro que se quer irrepevel (e se fosse no plural, o acento ficava na mesma sílaba, claro está):

Um acento que "saltou" para a sílaba errada - (Foto VO)

       É verdade que as palavras agudas terminadas em 'el' fazem o plural em 'éis' (como em pastel > pastéis, pincel > pincéis). Repito: palavras agudas! Não é o caso das graves. Nestas últimas, é a penúltima sílaba que deve ser graficamente acentuada. Assim, é bom que se leia 'dispovel', no singular, e 'dispoveis', no plural.
        Por norma, as palavras graves não apresentam acento gráfico; mas as que terminam em 'l', para não serem agudas (como habitualmente o são), é na penúltima sílaba (e não na última) que o devem ter.

     Toca a seguir o mesmo exemplo de 'fuveis', 'admissíveis', 'apeteveis', 'viveis', entre outros. (Apetecia-me "queimar" aquele acento com uma "beata").

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

As cores da correção

      Preferível o remendo à exposição ao erro.

      Assim o entendeu quem colocou, em plena casa de banho pública de uma cadeia de supermercados reconhecida, um alerta:

Um alerta bem acentuado à espera da vírgula do vocativo (Foto VO)

      Ver, ao fundo, aquele quadradinho do 'à', a cor distinta, até chama a atenção para a forma correta da escrita (nem quero imaginar o que, antes, estaria por baixo). De tão vulgar a má escrita, ver um conserto a cor diferente é sempre uma ocorrência mais feliz, mais pedagógica que certas legendas ou títulos televisivos.

      Virtuosos o reparo e a mudança de cor (falta a vírgula, depois de 'Estimado(a) cliente,...', mas a correção do erro detetado é sinal de que ainda há quem saiba acentuar).

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Coisas do oral (ou de homofonias nos discursos)

      Porque nem sempre o que se diz é o imediatamente entendido.

     Aquele momento em que o enfermeiro pergunta quando aconteceu a última refeição e, com a minha resposta, ele põe aquele ar de quem começa a fazer contas.
    O momento do diálogo aconteceu cerca das 9 horas da manhã. Respondi que tinha bebido o último copo de água à hora e meia da manhã. O olhar e o ato de registo parados eram a razão do cálculo a processar-se: "Ora... seis, sete horas, certo? Foi quando bebeu."
   Nego, mas insisto: "À hora e meia, mesmo. A partir daí não ingeri mais nada".
    Veio, então, o "Ah! Ótimo. Foi à hora e meia do relógio".
    Confirmei. Agora, sim, o tempo certo! Não tinha bebido água há hora e meia, mas sim à hora e meia
   Entre a expressão de duração / intervalo de tempo e a da hora precisa do relógio, a diferença é substancial. Que o digam o enfermeiro e a anestesista, mais o paciente; na oralidade, a distinção não se faz. 

     Valha a ortografia para marcar diferenças semânticas e sentidos pragmáticos que viabilizem uma intervenção cirúrgica. Um dia para a história (não da linguística, mas da pessoa operada).