segunda-feira, 2 de maio de 2016

Eu não digo! Chamou, virgulou.

    Estou sempre a dizer isto, na chamada de atenção para a correção escrita em termos de pontuação.

    Entre os poucos sítios em que a vírgula se impõe, o do vocativo é fundamental.
  Bem digo aos alunos: "Chamou, virgulou". Ainda assim, também pode ser "Virgulou, chamou" ou "Virgulou, chamou, virgulou" - tudo dependente do sítio onde se encontra a sequência do chamamento (no início, no final ou no meio de um enunciado).
    Desconsiderar isto pode representar a afirmação da prática de canibalismo:


     Pode também significar o uso desnaturado da língua escrita ou a razão para eu não dar atenção aos vizinhos, que me possam estar a chamar - depois de saudar -, sem eu dar por isso (é que falta a vírgula, entre 'olá' e 'vizinho', ora pois então!):

Anúncio e cumprimento na abertura do Continente em Espinho (foto VO)

    Isto para não falar no clássico erro do serviço público televisivo da RTP1, com as notícias da manhã. Muda-se a imagem do canal e do programa, mas mantém-se o lamentável erro de há anos:

Imagem de abertura do programa noticioso da manhã na RTP1
 
    Custa colocar uma vírgula, depois da saudação e antes de 'Portugal'?! O que não custará contribuir para a generalização da ignorância! 

    Já era tempo de aprender que, no escrito, a vírgula é uma das marcas do vocativo.