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sexta-feira, 24 de novembro de 2023
Dia Nacional da Cultura Científica
sábado, 22 de maio de 2021
Hoje, depois de ontem, com versos de séculos
Assim também o pensou Camões, como o sugere, por exemplo, "Endechas a Bárbara Escrava":
("Endechas a Bárbara Escrava" e o soneto "Ondados fios d'ouro reluzente")
sexta-feira, 21 de maio de 2021
Fragilidade da vida
segunda-feira, 12 de abril de 2021
Uma farsa vicentina muito atual
Lida ou visionada a representação da obra, cedo se descobre quem representa o quê, para não referir outras linhas temáticas tão comuns no dramaturgo quinhentista: a crítica ao clero, o casamento como negócio, os subalternos oprimidos, o confronto do profano e do sagrado, o preconceito para com os judeus.
Além do "Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube", a prova de que as aparências enganam faz sentido para quem se deixa viver nelas, nos ideais ou nas ilusões com que se engana; ou, então, para quem mascara uma vivência que só um "cego" não consegue ver. De tudo isto é feita a Farsa de Inês Pereira (1523), um texto a chegar aos 500 anos com um sentido bem presente.
sábado, 10 de abril de 2021
Entre piratas e Alexandres (e outros nomes mais)
Direi que há artistas no ofício, com toda a perícia; outros há que os ensinam ou defendem nessa "arte" tão injusta.
No meio de tanta "dedicação artística", há comparações inevitáveis:
Entre pirata ou Alexandre, salva-me o facto de ter outro nome - não sei se para louvar, mas nunca para roubar.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Diz que são 'ecos'
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Ainda Lídia...
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Gramido: a casa branca
Junto ao Douro, no concelho de Gondomar (Valbom), há uma casa histórica.
É a Casa Branca de Gramido, edifício solarengo do século XVIII (1789) com características de um neoclássico rural. Nela ocorreu, em 29 de junho de 1847, a assinatura da Convenção de Gramido, que assinalou o final de uma época de conflitos entre liberais e absolutistas, nomeadamente os que se sucederam às sublevações populares e burguesas conhecidas, respetivamente, como Maria da Fonte e Patuleia.
Ainda durante o século XIX, o espaço foi armazém de cereais, comercializados pelos proprietários «Cazas Brancas» para a atividade da panificação (de Valongo e Avintes, essencialmente). Os grãos de trigo trazidos rio abaixo pelos barcos rabões (de aspeto mais claro do que aqueles que transportavam carvão) eram desembarcados nesse armazém. Por extensão da designação da família proprietária e pela imagem clara dos barcos, popularmente chegou-se à denominação de "Casa Branca".
Convenção de Gramido (1847)
A projeção e imponência visuais do solar duriense, progressivamente ampliado ao longo do século XIX e restaurado quase século e meio depois, revestem-se da importância histórica de que o local é exemplo, com a afirmação da paz após a Guerra Civil da Patuleia. A Convenção, assinada entre comandantes dos exércitos espanhol e britânico (entrados em Portugal ao abrigo da Quádrupla Aliança), mais os representantes da Junta do Porto e as forças do governo mais conservador, selou a derrota dos setembristas (revoltosos) frente aos cartistas (apoiados pela rainha) numa guerra civil que vinha a assolar o país desde a década de vinte e, mais particularmente, nos anos de 1846-1847. Menos de cinco anos depois, a concórdia viria a sofrer algum revés, com a força governamental apoiada por D. Maria II a retirar aos revoltosos poderes e influências em prol de um maior conservadorismo.
A recuperação da casa, depois de uma fase de crescente degradação e de um incêndio que praticamente a abandonou a um estado de desleixo e decadência inevitáveis no século XX, ocorre no período 2005-2006, sendo a inauguração da sua requalificação datada de 31 de maio de 2008.
Marginal do Douro, em Gondomar (Foto VO)
Na marginal do Douro, a Casa Branca de Gramido vigia o curso do rio.
domingo, 1 de março de 2020
Amor de Perdição (versão compacta)
O melhor é sempre ler o livro na íntegra. A ter que dar alguns textos soltos, ao menos que se perceba em que sequência da ação narrativa se encontra o excerto a abordar.
(Powerpoint acerca da narrativa camiliana)
(na versão cinematográfica de 1943)
Mais do que romântica, diria mesmo ultrarromântica - num excesso que resulta em paródia, se for considerada a dimensão interartística que resulta do visionamento de uma versão cinéfila dos anos vinte do século passado.
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Recursos...
A questão é pertinente, merecendo apontamento nesta "carruagem".
Q: Bom dia, caro Vítor.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019
"Não quero nada. Deixa-me dormir."
Poeta da cidade e também do campo; transfigurador de uma realidade que o aprisiona e atrofia, buscando alternativas no tempo, no espaço ou na intensidade emotiva; um comprometido com as questões sociais, lutando por um equilíbrio que as desigualdades e injustiças sociais não permitem; um solidário com as vítimas de uma sociedade atroz, sombria, doentia, dominada por poderosos que comprometem a igualdade e a equidade desejadas.
Outros temas podem ser recuperados na poesia cesariana. O visionamento deste documentário pode ser uma boa oportunidade para complementar experiências de leitura e/ou confirmar recorrências; dar ensejo à verificação da intemporalidade da mensagem poética dos finais do século XIX, bem como à apreciação crítica da leitura de alguns versos.
segunda-feira, 12 de março de 2018
Gi-George-Georgina
Dos muitos dados contemplados, sublinham-se os seguintes:
b) vertente realista de retrato de uma sociedade frustrada, oprimida, isolada, marginal;
c) consciência da velhice e dos idosos (que todos seremos) no ciclo da vida;
d) técnica do monólogo interior (na expressão de uma consciência partilhada do pensamento);
e) exigência da colaboração do leitor (corresponsável na construção de imagens narrativas, por exemplo, a do espelho, no caso de 'George');
f) vivência no estrangeiro (França, Bélgica), tal como George (em Amesterdão);
g) crença mais no talento de pintora (tal como George) do que no de escritora.
Vamos, então, a "George" (que já foi Gi e será Georgina), narrativa epónima marcada por essa consciencialização do encontro do 'eu' consigo mesmo, pela representação do que foi e do que será, numa espécie de despersonalização, distanciamento, descentração para se poder ver na memória, ao espelho ou n(um)a bola de cristal.
Uma narrativa tão reflexiva e deambulante quanto o que Bernardo Soares fez com Pessoa (ou o último no primeiro). Porque a consciência da vida é feita de procura, numa viagem que nos faz estar atentos ao que há à volta de todos nós e que nos leva a revermos o percurso já feito e/ou a prevermos o que estará para além de nós a cada instante.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Ainda o desassossego
É na dualidade de um Pessoa-Soares ou de um Fernando-Bernardo que o ser-sombra se compõe, como se pode depreender do documentário seguinte (a abordar um livro, que é simultaneamente vida, de desassossego):
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Quase a terminar janeiro e...
Quem construiu o programa de 12º ano da disciplina de Português, de facto, ou gosta muito de Pessoa ou contribui definitivamente para alguma saturação: ele é ortónimo - nas construções poéticas curtas e na obra Mensagem -, mais heterónimos; junta-se o semi-heterónimo Bernardo Soares e, para fechar, volta-se, com Saramago, a um universo pessoano com O Ano da Morte do Ricardo Reis. Faltou algum doseamento, num indisfarçável propósito de ver em Pessoa toda uma literatura, porque ele é todo um conjunto de poetas em verso, contista e prosador exímio, dramaturgo de uma peça ou cena com faces / máscaras / caracterizações "em gente".sábado, 10 de junho de 2017
Famílias poéticas ou da língua

sábado, 5 de dezembro de 2015
Do rio para o mar: no caminho dos modernos
de Henrique Moreira e Rogério Azevedo (pelo centenário do nascimento) - Foto VO
Aproximando a escrita poética e filosófica, muita da prosa brandoniana coloca em causa os modos de representação do real, sublinhando, preferencialmente, uma meditação sobre a metafísica da dor, o absurdo da condição humana. As categorias narrativas do tempo, do espaço, da ação / intriga e das personagens esboçam simbolicamente um universo mais abstrato do que concreto, como pano de fundo para o drama secular da luta do homem entre o sonho e a desgraça. Assim a vila / vida de Húmus se apresenta; a árvore, enquanto símbolo simultâneo de prisão terrena e ascensão celestial, se mostra sustentada de desgraça ("As suas raízes alimentaram-se deste húmus - a vida dos pobres, das prostitutas, dos gebos", in Os Pobres, de 1906); o discurso fragmentado se compõe e recompõe, refletindo o reconhecimento da densidade psicológica, divagante e divagadora no(s) tema(s) pensado(s); o pluricódigo literário, artístico se afirma, numa combinação de reflexão, sensibilidade e produção escrita orientadas para um discurso coerentemente sincopado, fragmentado, típico de uma existência (e por que razão não já dizer de um existencialismo avant la lettre) em crise, para um gosto estético do tempo.
Na sua obra poética, Verlaine escreveu "Il pleure dans mon coeur / comme il pleut sur la ville"; na vila / vida de Raul Brandão, "O Homem é tanto melhor quanto maior quinhão de sonho lhe coube em sorte. De dor também". Eis uma visão e conceção modernas, prenunciadas num tempo ligeiramente anterior ao Primeiro Modernismo português.
domingo, 1 de novembro de 2015
Ai, Pessoa! Como nos desafias!
Q: Pode tentar classificar-me a oração "Que eu fosse outro" em "Tivesse Quem criou / O mundo desejado / Que eu fosse outro que sou,”? Dei um nó.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Em tempo de "Folhas Caídas"
Surge, então, o ciclo dramático de toda uma sequência de outras composições líricas que sublinham a contínua inquietação do "eu", a mover-se no terreno da contradição, da tensão e da constante procura. E porque no percurso feito há perigo e sedução, fica essa nota com o poema e a canção:
quarta-feira, 30 de abril de 2014
'Os Lusíadas' e o número da besta
Hoje foi a aula para se chegar à resposta e contei com a colaboração de alguns estudantes que tentaram chegar à solução, na procura que fizeram (disseram-me) pela internet. Dois cenários surgiram: um relacionado com o Canto VII; outro com o IX. Afinal, não era o verso, porque há mais do que um. E, no final da aula, foram muitas mais as referências, todas elas contribuindo para uma leitura reveladora de alfabetos muito diversificados para o conhecimento, com os números a constituirem-se como um processo de o Homem aceder e compreender a coerência do mundo, pela construção de um sentido a atribuir ao universo.
No hebraico, as letras apresentavam valores numéricos; o mesmo sucedia na antiga Grécia (séc. IV a. C.), comparecendo a letra clássica do dígamo para representar o '6' (cf. tabela à direita), numa configuração gráfica próxima do atual "S" do alfabeto. Por outro lado, é sabido que, até ao século XVII, a Europa conviveu com cálculos matemáticos baseados na numeração romana (os algarismos árabes aparecem em textos portugueses pelo século XV e só se vulgarizam um século mais tarde).
i) a leitura do título da epopeia, segundo uma configuração alatinada e numa aproximação ao grego antigo (particularmente ao dígamo), revela a presença de três números seis, para não falar na presença do cinco e do um (que também somados resultam no número seis);vi) a chegada à Índia, por mais que seja desejada, constitui uma desilusão (por ser local onde se troca a vida humana do Gama por dinheiro) só (re)compensada no canto IX com a Ilha dos Amores (num plural que conjuga a dimensão corpórea - das relações mantidas entre marinheiros e ninfas - com a espiritual - no prémio e na glória simbolicamente representados) - o segundo verso da estância 84 do canto IX (o 666) é precisamente o que explicita a união dos marinheiros e das ninfas ("Destarte, enfim, conformes já as fermosas / Ninfas cos seus amados navegantes, / Os ornam de capelas deleitosas / De louro e de ouro e flores abundantes."), na realização corpórea e espiritual dos amantes (relembre-se a carta VI do Tarot), na ascensão humana à "divinitas", depois de um percurso em busca do local onde o "bicho da terra tão pequeno" não "indigne o Céu sereno".

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