Não são feitas com mãos, mas com tecnologias "de ponta" (aguçada por intenções dúbias).
A circulação de uma foto com legenda televisiva imprópria (porque manipulada por IA) dá conta de como a palavra "pauta" se aproxima bastante de outra, retirando-se o grafema 'a' da primeira sílaba. O certo é que o confronto com a emissão do programa difundido quinta-feira passada (dia 16) permite confirmar que de "pautas" se fala e se escreve, sem qualquer confusão possível:
A prova do que o Ministro admite: as pautas; não o que outros querem dar a ler (Foto VO)
Seja para quem se ria / ri da situação seja para quem via /vê o que não pode ser lido, fica o aviso: o assunto que motivou a brincadeira não merece o tratamento dado, por um lado; lamentavelmente não se pode acreditar em tudo o que se lê, por outro. Há que confirmar as fontes, e a que é necessária está ao alcance de muitos, recuando-se no tempo e verificando-se o que foi efetivamente escrito no canal televisivo "Now" (fosse outro e diria que havia matéria para a rubrica do "Polígrafo SIC", dedicada à constatação da veracidade / falsidade de notícias e conteúdos virais).
Tal como diria Camões, "vi claramente visto"; melhor, "li claramente lido".
Só tenho pena que, na mesma emissão, ainda abordando o tema dos exames nacionais e a questão da publicitação dos resultados, surja o «famigerado verbo 'meter'» (hoje tão vulgarmente utilizado, mesmo nos contextos em que para tal não deve ser convocado):
A crise dos exames nacionais a par de uma outra bem mais alargada:
a do uso da língua nos canais televisivos (Foto VO)
'Pôr em risco' / 'colocar em risco' perde, com a legenda escrita, a configuração de expressão fixa, pelo recurso indevido de "meter". Lá diz o povo, "entre marido e mulher não metas a colher", o que deve ser relativizado em contextos muito críticos. Eu digo que não se mete no quadro, no papel,... Também não se 'mete em risco'.
Portanto, as falhas das legendas televisivas abrangem a impropriedade lexical (das penalizações maiores na escrita dos alunos, a par dos erros sintáticos).
Entre os variadíssimos exemplos que já foram contemplados neste blogue, pode já dizer-se que há matéria para as demonstrar / analisar em vários domínios linguísticos.
E continua a questão: a da responsabilidade editorial. Não há quem verifique, corrija, cumpra o que deve ser uma obrigação na difusão correta e adequada da língua (seja lá qual for o canal).







