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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Revivalismos infantis... ou de infância

     Há momentos que se revelam pelo insólito.

    É o caso de se estar a apresentar o mito de Tristão e Isolda, falar-se de que há várias versões da história, nomeadamente as que estão para lá dos livros - por exemplo, as de filmes.
    Quando se propõe a verificação deste cenário com outras grandes obras literárias, entre os múltiplos exemplos, vem à coleta a referência a Alexandre Dumas e Os Três Mosqueteiros (1844). A par das personagens Athos, Porthos e Aramis, não fica esquecido D'Artagnan, o quarto mosqueteiro, que o romancista francês tornou famoso numa trilogia narrativa (com o já citado romance, mais Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelone), cuja intriga versa os reinados de Luís XIII, Luís XIV e do período da Regência instaurado entre estes monarcas. Surge, assim, a menção a alguns exemplos cinematográficos, até que, num registo cómico, aparece a adaptação televisiva infantil do D'Artacão (e dos três moscãoteiros).
     Foi o mote para, lembrados da série tão comum a várias gerações, os alunos fazerem ouvir o trautear de uma melodia que lhes é familiar:

Genérico da série infantil "D'Artacão e os Três Moscãoteiros" (dos anos 80 do século XX)

      Recordados o lema do 'Um por todos, todos por um' mais o amor da Julieta, deu para rir; também para lembrar a música, a animação, o prazer desses instantes.

     No inesperado de uma aula, foram revividas memórias - que, por certo, deram alguma felicidade. Soube bem trazê-las para o presente.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Na onda do desenho animado

          Depois da Mafalda, é tempo do Calimero!

         Cansa-me o discurso daqueles que estão "sempre no corte", que não veem nada de bom nos outros e que estão sempre à espera da primeira falha. Também não aprecio os que sistematicamente dizem que não têm, não podem, não conseguem; dos que se sentem perseguidos pelo universo; dos que passam sempre ao lado e perdem, sem encontrarem forma de ir ao encontro das oportunidades. Outros fazem-no; eles nunca podem.
          É com estes últimos que me lembro do Calimero ("That's an injustice! Yes, that is!).

Calimero: o pintainho negro do "That's an injustice!"

        Trata-se de um desenho animado, de criação italiana, que apareceu na minha infância, por via da televisão, e que mais não era do que um infeliz pintainho, meigo, inofensivo, por vezes algo ingénuo. Era o único negro numa família de galos amarelos; terminava os episódios caminhando pesarosamente, com metade da sua branca casca de ovo na cabeça, e lamentando-se pelo infortúnio que lhe cabia. Os olhinhos descaídos, prestes a chorar, eram a expressão do "coitado" que parecia.
       Nascido das mãos de Nino e Toni Pagot, mais Ignazio Colnaghi, nos anos 60 do século passado (1963), Calimero fazia dupla com a sua eterna noiva Priscila e, junto com o pássaro esverdeado Valério, a pata Susi, o pato Piero e a ave Rosella, todos viviam aventuras e resolviam mistérios. Porém, no final, lá ficava o pintainho sozinho, assumindo as injustiças no percurso da vida.

        Há quem fale do 'Síndrome do Calimero', para os que se acham sempre vítimas de tudo e de todos. Às vezes também me apetece fazer de Calimero. O problema é que ninguém resolve por mim o que tenho de fazer. Ai!!!!!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Voltando ao beijo

    De novo, o Dia Mundial do Beijo.

   Entre várias cenas fílmicas que hoje passam na televisão para exemplificar o grande beijo (do mais clássico ao mais alternativo), foram tantos os exemplos e os estilos que fiquei surpreendido com o facto de não se terem lembrado do mais saboroso... à bolonhesa:

Excerto de A Dama e o Vagabundo (1997)

    De A Dama e o Vagabundo (na versão relançada em 1997, pela Walt Disney Records), este é um dos mais românticos beijos do filme animado. Talvez não tenha a duração do recorde mundial (que dizem estar contabilizado com mais de 58 horas, no Guinness World Records), mas são cerca de uns segundos em que um cão de rua (eu diria 'um Street Dog' para ser mais chique) e uma Cocker Spaniel roçagam apaixonadamente os focinhos no mais singular, famoso e cinéfilo beijo canino.
    Ainda assim, não é só destes beijos que reza o dia; outros há, para e em múltiplas situações, como o poema de Mário de Sá-Carneiro o traduz.

    E por mais que também exista o 'beijo de Judas', este é cá escusado, porque de traição e falsidade se trata.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Coisas sérias a brincar

     A começar o ano, uma mensagem televisiva para pequenos e graúdos (ou, respetivamente, mais e menos jovens).

Poster de divulgação do filme Os Croods
    É na base deste pensamento que mais um ciclo de doze meses se abre - um presente virado para futuro, sem esquecer uma nota de passado bem remoto. Vem este último a propósito de um conjunto de personagens de um filme animado: falo de Os Croods - homens das cavernas - que o canal de televisão SIC decidiu apresentar aos espectadores no início de 2016.
    Difundida há cerca de três anos, pela primeira vez, esta comédia cinematográfica chega à televisão com uma família pré-histórica, no momento em que vivencia a destruição do seu habitat. O espaço de proteção face a todos os perigos, identificado com os limites de uma caverna, conjuga-se com a regra do patriarca superprotetor Grug ("Tudo o que é novo é mau"), um contador de histórias voltadas para uma só moralidade: nunca descobrir o que é novo ou diferente. 
     Todavia, a curiosidade da jovem e forte filha Eep fará toda a diferença, inclusivamente quando conhece Guy, um rapaz astuto acompanhado de uma preguiça (mas nada preguiçoso ou acomodado) que lhe dá a conhecer a novidade (o fogo) e lhe diz que o mundo está a acabar.
      Ciente de que, a todo o momento, Eep necessitará de ajuda, Guy dá-lhe o sinal de chamamento (para que a possa ajudar sempre que necessário). Surge, assim, a oportunidade do amanhã, do futuro e a esperança de (re)encontro com a luz (em vez da limitação à destruição e escuridão).

Trailer do filme animado 'Os Croods' (2013)

    Será este adolescente sobrevivente, cheio de novas ideias, que apresentará à família Croods - desde Sandy, a bebé feroz de Grug e Ugga à sempre-viva avó, sogra de Grug - grandes desafios e contínuas adaptações a novos espaços, representados por fantásticos e coloridos cenários naturais. A descoberta de um mundo novo, com criaturas fantásticas, alterará a vida de todos, a vários níveis, nomeadamente nas relações e nos afetos.
     O filme tem uma boa mensagem, um esquema de intriga algo repetitivo (entre a destruição e o avanço para um novo cenário, ou oportunidade de vida) e um pai pré-histórico com um registo de língua muito apurado, correto e silabado para um homem das cavernas. A cor atrai, a fantasia constrói-se e as mudanças associadas ao percurso das personagens são uma possibilidade (sempre) credível para quem quer seguir caminho, andar em frente, independentemente dos males que possam ocorrer.

     Um desenho animado apostado na procura da luz e do amanhã - uma boa mensagem para começar o ano.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Uma história de natal... muito "frozen".

      Em época natalícia, quando o espírito é outro...


     No meio de tantos votos, mensagens e motivos de Natal, rendi-me à partilha de um pequeno filme com o boneco de neve Olaf (de Frozen), para que a quadra não passe em branco - por mais branco que o frio cenário do evento convoque:

Funny Frozen Xmas
(in https://www.youtube.com/watch?v=jwrHom-Wepw)

     Com a nota de algum cómico, formulo, portanto, os votos de um Natal feliz para todos os que passeiem nesta carruagem e nela encontrem algum calor e espaço / tempo de viagem nesta vida.

      ..., talvez seja melhor rir, para alguma alegria mostrar.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Um ano depois (de 'Aladdin' a Robin Williams)

     Há um ano, a notícia chegava: Robin Williams punha fim ao papel da vida.

     Porque ontem, num canal da TVCine (TVC3) foi exibido o filme da Walt Disney Aladdin (na sua versão original de 1992), realizado por Ron Clements e John Musker, reencontrei-me com a voz de Robin Williams. É ela que se faz notar na personagem do narrador-vendedor-viajante do mundo que abre o musical animado; é também ela que, na sequência fílmica, verbaliza os pensamentos e as desconcertantes réplicas cómicas do próprio Génio da Lâmpada.
     Mais do que a tradicional história inspirada no conto árabe "Aladim e a Lâmpada Maravilhosa", inserido em As Mil e uma Noites, foi a memória de um ator de eleição que me fez produzir esta nota.
      Os amores do jovem de rua Aladdin e da princesa Jasmine, as artimanhas e intrigas do poderoso e maléfico grão-vizir Jafar (coadjuvado pelo papagaio Iago) podem constituir-se como núcleos fundamentais da ação narrativa; contudo, é o Génio que acaba por se impor em toda a trama por variadas razões. Primeiro, porque é ele que tem o poder de satisfazer os desejos (tanto os de Aladdin como os de Jafar); segundo, porque é um dos mais produtivos fatores de cómico na película, nomeadamente com a apresentação de uma versatilidade de tons e de vozes fora de série; terceiro, porque mantém com Aladdin uma relação de cumplicidade e amizade, salvando este último de diversos perigos; quarto, porque é o benfeitor que sai recompensado com o que é ficcionalmente assumido como o maior dom da vida - a liberdade.

 
O Génio de "Aladdin" (1992), a cantar o tema "Friend like me"

      Se o tratamento temático da ambição desmedida (protagonizada por Jafar e o papagaio Iago), da satisfação dos desejos (de Aladdin, de Jafar e do próprio Génio), da diferenciação social no cruzamento com o amor se evidencia num filme que ainda coloca em discussão o facto de se poder ser alguém que se não é (quer Aladdin quer Jasmine vivenciam situações perigosas, fingindo ser pessoas distintas do que à partida são), não menos relevante é o tópico da prisão ou da falta de liberdade da maioria das personagens: o par amoroso diz-se preso aos seus estilos de vida e, por razões / vivências diferentes, ambos se sentem encurralados (ele, por nada ter; ela, por não poder escolher à vontade); o sultão de Agrabah age em conformidade com a tradição ou a força hipnótica de Jafar, até se libertar de ambos; este último está dominado pela contínua e ameaçadora sede de poder; o Génio lamenta-se por viver no interior da minúscula lâmpada, até que o amo / dono o faça sair para cumprir os três desejos a que tem direito. 
     É nesta precisa condição que se destaca o terceiro desejo de Aladdin: depois de desejar ser príncipe (para conquistar Jasmine) e de querer ser salvo da morte no mar (a que Jafar o votara, para poder casar com a princesa), cumpre-se a promessa feita ao Génio - a de o libertar da sua limitação (o que, curiosamente, sucede quando Jafar é feito prisioneiro na própria lâmpada que sempre quis possuir).
       O final feliz da história acaba por ser a concretização de "a whole new world" - título musical principal do filme - para os bons da fita. E, entre eles, está o Génio. Para além do virtuoso e generoso Aladdin, é ele o louco bom; o cómico que traduz alguma da seriedade da mensagem; o pateta alegre que reflete sobre a condição triste em que vive e sai recompensado por se colocar do lado dos justos.

       Na genialidade da personagem encontra-se o génio vocal de um ator que se destacou em vários filmes, particularmente Good Morning, Vietnam (1987), O Clube dos Poetas Mortos (1989), Despertares (1990), O Bom Rebelde (1997), entre muitos outros. Também ele procurou libertar-se de um drama (bem mais real) que o limitava. Pena que o tenha feito da forma mais extrema, sofrida e contrária à própria existência.

domingo, 5 de outubro de 2014

Historinha para um dia grande

   Em dia de celebração republicana, falta o feriado, roubado pelo fim de semana (e não só!).

   "Eu nasci na República"... e não sei se sou mais feliz (mas reconheço que "assim penso tudo aquilo que sempre quis"). É que o povo anda muito desesperançado.
    Esta é a minha reação ao filme de animação de Emília Mimi (Primeiro episódio Mix República), datado de 2010 e exibido no "Monstra" - Festival de Animação de Lisboa. Fica a história para lembrar como a vida faz frequentemente esquecer o passado, nem sempre melhor do que o presente (por pior que este último seja):


   Implantada a República e erguida a nova bandeira, faz hoje 104 anos que nos despedimos da Monarquia enquanto regime político oficial nacional. Talvez tenhamos substituído alguns problemas por outros tantos (às vezes parecendo os mesmos), mas sempre fica a possibilidade de podermos chamar a nós o poder de escolha, de voto naqueles que vão ter a legitimidade de os (vir a) resolver.

     Vou apanhar sol e acreditar que "tudo vale a pena, quando a alma não é pequena" (só para citar o poeta).

sábado, 28 de dezembro de 2013

Vontade de ser zambeziano

      Estreou quase há um ano, mas só hoje o vi. Mais vale tarde do que nunca.

     Trata-se do filme animado Zambézia, realizado por Wayne Thornley - uma história que tem tanto para crianças como para adultos, pelas aprendizagens e pela moralidade destacadas.


      A intriga foca o percurso de vida de Kai, um jovem falcão que sai do Catungo, onde viveu apenas com o pai (Bravo), antigo protetor e fundador dos furacões que patrulham os céus da Zambézia. Um desastre no passado, que quer esquecido, leva este último a preservar-se e a livrar o filho dos perigos que persistem para lá da fronteira que agora vigia. Chega, porém, a hora em que o jovem afirma a sua vontade e o seu espírito livre, acabando por migrar para aquele que é apresentado como o lugar mais seguro de toda a África - no reino de Madagáscar, junto a uma velha árvore que se impõe no limite da terra e no início das quedas de água.
      Mais do que Kai (o Raio Azul), que arrisca nos voos e se aventura na vida para se tornar um furacão, toda uma comunidade de aves se afirma na história, numa mensagem capaz de mostrar que há bem mais no que a aproxima do que naquilo que a separa. Inclusive para os heróis voadores vale esta lição, ao rever(ter)-se um passado que excluiu da cidade a espécie dos Marabus (por preconceito face à aparência diferente, à rudeza e à impetuosidade). Por esta razão, momentaneamente estes últimos aliaram-se ao mal, tentados que foram para um poder assente no engano, na sevícia e na traição; também eles acabam por, a tempo, reconhecer as suas fragilidades: desfazem o prejuízo provocado com a aliança feita com o vilão e juntam-se aos restantes pássaros na luta contra o mal.
    Constantemente se sublinha a ideia de que em conjunto tudo é mais fácil, numa reação clara aos individualismos que possam surgir. O coletivo sai sempre vencedor, mesmo nas situações de maior perigo, como a que é protagonizada pelo lagarto Brutus, o invasor da cidade das aves, na ânsia de controlar a cidade e encontrar a maior omoleta para a sua gula de poder.
       Não houvesse já aqui razões para se ver esta película, acresce ainda o facto de na tradução e versão portuguesas se encontrar um outro ponto de interesse: linguisticamente, está explorada a variação nas vozes de várias espécies de aves. Do português africano de Nonô, da variedade alentejana dos Marabus ou de Canja, da pronúncia nortenha do chefe dos furacões até à gíria estudantil de Canja ou o registo afetado das passaruchas (que não gostam de passarecos, só de passarões), há toda uma riqueza e versatilidade da língua motivadas para os diálogos das aves mencionadas.

       Um filme a não perder, para trabalhar com os alunos seja pela moralidade seja pelo material com valor linguístico (pela variação), que a versão portuguesa consegue motivada e sugestivamente explorar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

De volta ao (século) passado

      Faz alguns anos; melhor, algumas décadas. Enfim, já se pode dizer que é do século passado.

     Havia alguma coisa de sedutor no "Vitinho", quanto mais não fosse porque o anunciar da "hora da caminha" acabava por dar lugar ao gosto de ir além do permitido. O fruto proibido foi sempre o mais apetecido: "só mais um bocadinho!" (o filme que vinha de seguida era sempre melhor!). Se não vinha a permissão, não havia mal, porque o amiguinho televisivo já tinha ido dormir também.
     Mudaram o tempo, as vozes, a letra, a melodia...

Montagem com as músicas do Vitinho (RTP), entre 1986-1997

    Hoje o "Vitinho" ("Bitinho" à moda do "Nuorte") soa a afecto, a proximidade na boca de alguns alunos - diminutivo autorizado para aqueles que ainda sabem que, além do "Trabalho, trabalho e mais trabalho", há tempo para rir, brincar e sorrir, quando se está a aprender; quando se disfarça a dificuldade, o esforço solicitados na conquista do saber e do saber-fazer. 
    Para outros, à moda do Sermão de Santo António, parece não haver senão "fel", qual Santo Peixe de Tobias (que não deixou de ser louvado, por curar a "cegueira" daqueles que não viam ou não vêem... ou não querem ver).

    Com o agradecimento à VS, por me ter feito relembrar alguma coisa feliz de um passado que (ainda) resiste. Às vezes, é bom dar espaço às lembranças.