Encontrei uns bem artísticos em Cracóvia, no conhecido Mercado de Páscoa, realizado anualmente na praça central da Cidade Velha, Rynek Główny (praça principal de Kraków). Em cerca de dez dias, as festividades da Semana Santa concretizam-se na exposição de ovos gigantes decorados e na confeção das tradicionais "palms" artesanais de flores e plantas secas, para serem abençoadas no Domingo de Ramos - informações colhidas e vividas em memórias de viagens bem passadas. O colorido da praça é festivo. Os ovos, dispostos em vários pontos da praça, são atração visual assegurada, numa composição e num enfeite de versatilidade cromática notáveis.
Espera . Procura . Encontros, Desencontros e Reencontros . Passagem com muitas Viagens . Angústias e Alegrias . Saberes e Vivências . Partilhas e Confidências . Amizades sem fim
domingo, 17 de abril de 2022
Um grande ovo de Páscoa cracoviano
Encontrei uns bem artísticos em Cracóvia, no conhecido Mercado de Páscoa, realizado anualmente na praça central da Cidade Velha, Rynek Główny (praça principal de Kraków). Em cerca de dez dias, as festividades da Semana Santa concretizam-se na exposição de ovos gigantes decorados e na confeção das tradicionais "palms" artesanais de flores e plantas secas, para serem abençoadas no Domingo de Ramos - informações colhidas e vividas em memórias de viagens bem passadas. O colorido da praça é festivo. Os ovos, dispostos em vários pontos da praça, são atração visual assegurada, numa composição e num enfeite de versatilidade cromática notáveis.
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
Uma ponte de cores
No enlameado estaleiro da avenida, via-se uma ponte de cores.
Ao final de uma tarde, ainda com sol, mas a chuva anunciada e os trovões a rasgar o céu, surgiu um arco-íris para chamar a atenção e fazer esquecer o cinza das nuvens que se impuseram:
No mar caíam os relâmpagos; nos ouvidos entrava o som retardado das descargas elétricas. E neste espetáculo natural, parecia que estavam a chegar sinais dos deuses para uns tempos que não estão fáceis.
Íris, que nas suas tarefas de mensageira deixava um rastro arqueado e colorido no firmamento, foi uma espécie de arauto divino, segundo a mitologia grega. Bom seria que nos deixasse novas tão multicolores quanto o brilho do pote de moedas de ouro maciço, da mitologia irlandesa, a representar os sonhos que todos temos.
Prestes a terminar o verão, os sinais outoniços vieram mais cedo.
sábado, 24 de novembro de 2018
Diarinhando... bom título!
De tudo isto se compõe a obra hoje dada a público, páginas configurando nove semanas de um diário que Lúcia (também Isaura e/ou Maria Clara Miguel) escrevinhou - não se trata de escrever mal nem de produzir algo sem valor (bem pelo contrário); talvez fingir um registo solto, natural, com um fim diverso (mais do que determinado), entre o entretenimento criativo, a oportunidade aproveitada, a vontade sem compromisso e a necessidade de revisitar tempos, gostos, pessoas, memórias que em todos nós vivem - umas comungadas, outras só de alguns, muitas só do 'eu' plasmado num discurso por natureza calendarizado, datado à cabeça (o Homem é tempo; dá-lhe a mão e larga-o, conforme a força, a vontade e a capacidade de o acompanhar).
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
Convergindo, divergindo
domingo, 25 de janeiro de 2015
De novo, com os olhos e ouvidos nas origens.
Em tempo de novo protagonismo, de um pioneirismo que se quer exemplar para a Europa - continente que muito lhe deve o nome -, gera-se uma causa de dimensão nacional com sentidos e efeitos muito para além da fronteira grega; revê-se o próprio continente, aquele que da Grécia recebeu toda uma civilização (a qual esteve na origem de tudo), segundo rezam a História e os mitos.
Hoje, em tempos de crescentes individualismos, fala-se na necessidade de um espírito gregário, de uma natureza associativa (pretendida e nem sempre alcançada) para ultrapassar problemas e crises comuns, numa inspiração apoiada no modelo das ágoras e das ligas que instituíam a união de esforços. Os tempos são efetivamente outros, à espera mais de Radamantos do que de grupos que não pugnam pela felicidade comum.
Talvez aqui a Grécia ainda tenha uma palavra a dizer. Eu gostava que fosse SYRIZA, pelo que esta coligação possa representar de exemplo para uma saída humanizada e feliz para a austeridade; para a afirmação de uma nacionalidade mais interessada no seu povo do que nas prioridades especulativas de grupos mais focados nas próprias bolsas (e nos respetivos bolsos), em detrimento do bem social comum.
Num país que tanto deu à Europa (cultural e linguisticamente), talvez ainda esteja a ser preparada (mais) uma lição. Que assim seja, a bem dos homens que nela moram e para que os mesmos, ou outros ainda, saibam que há uma forma diferente de fazer as coisas (sem ter de se cair em igualitarismos duvidosos nem em controlos ameaçadores, perversos e desumanos).
domingo, 23 de março de 2014
Regressou: Odysseus
quinta-feira, 6 de março de 2014
É de Luso (e nada tem a ver com água)
No que toca à composição de palavras, a base autónoma 'luso' ganha entretanto uma configuração fónica distinta no som vocálico final, como se de uma vogal de ligação se tratasse. Ainda assim, a existência autónoma da palavra é o que justifica a grafia proposta pelo Acordo Ortográfico (AO) para os compostos com hífen. Daí ler-se neste último o seguinte (Base XV - artigo 1º):
terça-feira, 4 de março de 2014
Odisseia de Homero, na RTP2
De novo o bom exemplo da RTP2, ao exibir uma série realizada por Stéphane Giusti e que merece a atenção do espectador, por várias razões: da obra aos atores que a dão a conhecer.sábado, 15 de fevereiro de 2014
No dia seguinte...
Verso e poesia.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Porque é Natal
E assim passamos...
sábado, 2 de novembro de 2013
Sena e Afrodite Anadiómena, mais outras experiências.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Depois da vinda do Pai Natal
É um dado que a questão do presépio é distinta dos factos bíblicos, os quais são por si só já uma representação bem distinta do que historicamente possa ter acontecido. Aí não havia presépios - terá que se avançar até ao século XIII para mais um motivo natalício aparecer, algures pelas terras amalfitanas. Da Bíblia, todos sabemos a composição textual tão diversa nos géneros e registos quanto multifocada, ao apresentar e representar variadíssimos autores, mentalidades, povos, culturas. Entre o poético e literário, o inspirado, o profético e o testemunho histórico, há de tudo um pouco. Porém, referências a burros e vacas no nascimento de Jesus é que não, pelo menos no evangelho segundo S. Lucas, o mais extenso quanto ao tópico - capítulo 2, versículos 1-9. Aí apenas se mencionam pastores e rebanhos. Só os livros proféticos, precisamente o de Isaías, predizem o nascimento do salvador em Belém com os ditos animais: "O boi conhece o seu dono, e o jumento a manjedoura do seu senhor, mas Israel não me conheceu" (Is 1, 3). Entre a analogia construída para relevar a discrição no nascimento predito e a indicação de que havia bois e jumentos no presépio foi um pequeno passo para estes aí figurarem.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Doze em dose tripla
É um dado que a vida humana se encontra marcada por este número: o calendário anual apresenta doze meses (o gregoriano, por contraste com o juliano, que só tinha dez meses); o povo babilónico estabeleceu a sua base numérica em torno do doze (não do dez, como o nosso sistema numérico atual); doze signos associam-se a doze casas do zodíaco; doze eram os apóstolos, bem como as tribos de Israel; havia doze portas na cidade de Jerusalém; a Bíblia refere o número dos eleitos como sendo 12 vezes 12.000 (cifra representativa da totalidade dos santos).
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Ciclos de vida docente
domingo, 29 de abril de 2012
"De que sofre esta cidade?"
Num anfiteatro (qual encosta de degraus não de terra nem de pedra, mas de cadeiras - quase poltronas - voltadas para um palco), frente a um palco dominado pela essencialidade minimalista de um cenário e por um grupo de ótimos atores (a que não faltou um coro, enquanto personagem múltipla, cujo canto ritmado servia de comentário à ação dramatizada), assisti a Édipo, de Sófocles. Com encenação de Kuniaki Ida, o elenco contava com as participações de António Capelo (Édipo), João Paulo Costa (Tirésias, Jocasta e Servo), João Cardoso (Creonte e Mensageiro), além de Pedro Lamares (Corifeu) e um coletivo de jovens artistas.
Nas primeiras décadas do século XXI reencontrei-me com alguns sinais do último quartel do século V a.C. Foi o caso da representação assente em três atores masculinos (o protagonista, o deuteragonista e o tritagonista); da figura do Corifeu liderando o coro; do tom e do conteúdo trágicos do texto; da conciliação dos opostos (um homem que se sente livre, mas que só o é enquanto percorre um caminho fatalmente determinado; a modernidade de adereços conjugada com a clássica máscara em Jocasta mais a sugestão de trajes e o calçado de sola espessa dos sacerdotes que prestavam culto a Dionísio; o conhecimento e a consciência portadores da desonra fatal, das maldições que fazem sucumbir o Homem). Junta-se-lhes o sentido didático e emocional da peça (com confrontos explicitamente demonstrados e publicamente partilhados, suscitando, perlocutoriamente, o terror e a piedade), a força do destino que aprisiona o Homem àquilo de que o próprio possa tentar fugir ou contrariar - tudo ingredientes típicos para um género marcado como a maior expressão literária da antiguidade, conforme o evidenciavam as práticas teatrais dionisíacas (as mais conhecidas), com representações diárias de três tragédias, fechadas com a apresentação de uma comédia.
Sófocles foi grande figura nestes eventos tão religiosos quanto cívicos. Édipo foi um dos seus textos, do ciclo tebano (acerca da fundação da casa real de Tebas, por Cadmo), retratando a tragédia de caracteres, composta pela pretensa individualidade espelhada na vida social da pólis.
Desde o início da obra, a questão da atualidade impõe-se, pelo diálogo mantido entre o Corifeu e Édipo. É a crise, o drama da cidade revelados:
O percurso cénico do despojamento de Édipo - da túnica do poder ao pé descalço de uma figura voluntariamente cega e desamparada - é o caminho de um decifrador de enigmas que tudo quer saber e se agarra à vontade de não fugir à verdade; o do conhecimento ou da consciência que se revela ignorância, na interpretação errada de sinais e na fuga que não dá lugar ao afastamento ou à distância do indesejável - antes à proximidade e à concretização trágica das profecias dos oráculos.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Para quando o renascer das cinzas?

Caracterizada como fabulosa, tinha uma longa vida que se consumia por acção do fogo, a cada quinhentos / mil anos, num ninho preparado para o efeito por ela mesma. Daí muitos também a designarem de 'Pássaro de Fogo'. A partir dela, mais propriamente das respectivas cinzas, renascia, até sete vezes sete, numa outra ave mais jovem. Assim se construiu o mito e o símbolo dos ciclos periódicos, da ressurreição na Eternidade.
Pode verificar-se esta ideia de início, término e reinício na vida de homens, de nações, de planetas num cumprimento sucessivo de ciclos (tais como, períodos de dificuldades e posteriores transformações). E assim se aspira ao desejo de, após a vivência de situações-limite, se conseguir "renascer" para uma nova fase, dita mais feliz.
Diante da perspectiva da morte, esta ave era considerada um símbolo de esperança, de persistência e de transformação face a tudo o que existe; um sinal da vitória, de sublimação da vida e de superação do que a limitava ou do que a fazia findar.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Novas abordagens para velhos mitos
Este é o balanço do visionamento de 2012, sempre com a noção de que se trata de um "dejá vu".
Para quem já viu 'The Day After', 'The Day After Tomorrow', 'The Independence Day' e outros do género, '2012' pouco traz de novo. É o regresso do mito do fim do mundo, ficcionalmente tomado por alguma esperança na humanidade (pena que esta seja vista sempre após um período de crise e de catástrofe).
Registo, contudo, algumas notas:















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