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segunda-feira, 14 de abril de 2025

Para que conste do que sou capaz

      Nunca um pensamento foi tão coincidente com a realidade.

      Foi o que me deu para concluir quando li a imagem que me fizeram chegar:

Se fosse tudo uma questão de capacidade...! (imagem colhida do Facebook)

      Fico-me entre o cómico (não sei se pelo inesperado se pelo despropósito) e o dramático (não sou só eu a pensar assim; até mais novos). 
   Ainda falta algum tempo no meu caso (isto se não for muito, caso decidam alterar a idade de "ingresso" para mais tarde).

       Quando comecei a minha vida profissional, a expectativa de então era a de já estar aposentado. Agora fico sentado... a trabalhar e à espera.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Inconformismos

     Dois apontamentos, pelo dia em que ambos desapareceram (os homens, não os apontamentos)

     Um primeiro, mais atual, é para recordar o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman (19 de novembro de 1925 – 9 de janeiro de 2017):

Bertrand a citar um pensamento (criticamente) muito válido

     Um segundo, mais recuado no tempo, é para retomar um texto de alguém já mencionado nesta "carruagem" por várias vezes (três, creio... quem sabe... quatro), mas agora numa outra voz: a de um outro Mário (Viegas). Entre inconformismos, a identidade de ambos vai além do nome, como se pode ver no seguinte registo vídeo:

Programa televisivo "Palavras Vivas" (Canal 1 da RTP), com declamação de Mário Viegas

      E depois da voz, a leitura silenciosa esboçando um sorriso, na paródia pressentida:

A Invenção da Água

Como muito bem se sabe, no princípio não havia água.
Só havia o verbo.
Depois apareceram o sujeito e o complemento direto.
Mas de água, nada.

Então todos começaram a beber vinho e deus achou que era bom.
E lá isso era!

No entanto, com o aparecimento das primeiras culturas
do tipo comercial, tornou-se evidente
a falta de qualquer coisa
que pudesse aumentar a produção do vinho
e torná-lo mais rentável.

Era a água, claro.

Mas não havia água, como já fizemos notar.
As primeiras pesquisas,
então ainda bastante primitivas,
levaram à descoberta da água-pé.

Embora curiosa, essa descoberta não resolveu,
de forma alguma, o fim pretendido.
Continuava a não haver água. As pesquisas prosseguiram.

Felizmente o homem é assim, nunca desiste.
É isso que faz o progresso.
E largos tempos passados chegou-se a nova descoberta:
a aguardente.

Era melhor, não duvidemos, mas realmente não era o desejado.
Faltava a água. Definitivamente.
As civilizações pastoris, no seu nomadismo constante,
descobriram, acidentalmente, a água-bórica que,
aliás, nunca serviu para nada. Coisas de nómades.

Foi então que no seio das culturas orientais
mais avançadas tecnologicamente,
surgiu a grande invenção:
um misterioso pó branco que,
deitado em mínima quantidade num litro de água,
o convertia,
quase milagrosamente,
num litro de água.
ESTAVA INVENTADA A ÁGUA

Inicialmente rara e só usada para fazer vinho,
tornou-se no entanto com o desenvolvimento industrial,
bastante acessível e abundante.

Ergueram-se os primeiros lagos,
deu-se início aos rios pequeninos e,
finalmente surgiram os rios maiores,
aqueles muito grandes,
que consta várias pessoas já terem visto por aí.

Este progressivo desenvolvimento líquido
teve como consequência
o aparecimento de poderosas civilizações marítimas,
que se desenvolveram de tal maneira que nos puseram
no brilhante estado em que nos encontramos.

É o que fazem as invenções.

No entanto, e mesmo com a atual abundância,
não devemos abusar, dada a tremenda
explosão demográfica que se está registando.

Parece-nos mais prudente beber gin. Sempre.


Mário-Henrique Leiria
in Obra Completa - A Poesia, vol. II (inclui poemas inéditos), 
org. Tania Martuscelli
2018 (póstumo)

     De Bauman, sublinho a verdade que procuro contrariar no meu dia-a-dia (por mais que haja quem me queira lembrar trabalho, quando dele saio); de Mário-Henrique Leiria, fica, por ora, a escuta, a leitura e o brinde, com gin (já que, de água,... nada!)

     Dois tempos, dois seres, dois apontamentos... à guarda de melhores ventos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Politicamente correto, boas maneiras e sentido(s) das palavras

    Dando continuidade a apontamento anterior.

    No mesmo contexto de um encontro a propósito do Clube de Leitura, Ricardo Araújo Pereira discute o conceito de 'politicamente correto', de 'boas maneiras' e dos sentido(s) das palavras.

Novo excerto com novas lições sobre o correto, as boas maneiras e a linguagem

    Um excerto muito significativo pela problematização levantada quanto às fronteiras do que é correto / incorreto e ao entendimento dessa zona que o 'politicamente correto' possa representar.
    Como alguns exemplos remetem para o(s) sentido(s) das palavras, volta-se a um pequeno capítulo de uma teoria da linguagem, assente no(s) uso(s) do comum dos falantes.


sábado, 8 de outubro de 2022

Uma teoria da linguagem com vários tópicos

       Ricardo Araújo Pereira no seu melhor, quando sério rima com cómico.

    Um excerto de um encontro universitário com um debate que resultou nalguns momentos semelhantes a uma autêntica teoria da linguagem em vídeo, sobre o humor, a língua, a linguagem inclusiva, a questão do género gramatical e os seus excessos:

Excerto de um encontro sobre humor, língua e linguagem inclusiva

      No final, pode concluir-se que, com humor, muito se aprende sobre a língua e a linguagem, onde o politicamente correto é tudo menos aquilo que diz ser.

      A rir se corrigem os novos tempos e políticas que pouco têm de linguístico, apesar de o quererem fazer como campo de lutas para as (des)igualdades.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dia de Reis no século passado e no presente

     Depois do Natal e da passagem de ano, chega a vez do Dia de Reis.

    Já lá vai o tempo em que a festividade dos reis ficava abrangida pela pausa letiva (e ninguém ficou traumatizado ou aprendeu menos por isso). Hoje, é na vizinha Espanha que se dá importância aos ditos, com a troca de prendas natalícias precisamente na passagem da véspera para o dia de hoje. Faz sentido, atendendo ao facto de os três reis magos - Belchior, Gaspar e Baltazar - também terem levado, ofertado ao menino ouro, incenso e mirra.
     Há mais de um século, outros reis ofereceram ao menino "Futuro" a Democracia, o Socialismo e até mesmo o Niilismo. Trata-se de uma ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro, publicada no jornal A Paródia, à data de 7 de janeiro de 1904.

Os Reis (e os presentes), ilustração de Rafael Bordalo Pinheiro (1904)

   Numa alusão aos Reis Magos, Bordalo Pinheiro recriou o episódio do Novo Testamento, num paralelismo com os monarcas da Europa do início do século passado. Montando camelos, vão adorar o "Futuro". Levam-lhe 'ismos' de cariz muito ideológico: o rei de Inglaterra (Eduardo VII) leva o socialismo e a democracia; o czar da Rússia (Nicolau II), o neocristianismo e o niilismo; Francisco José da Áustria, o socialismo; o Kaiser Guilherme II da Alemanha, a social-democracia; o rei de Itália (Vítor Manuel III), o anarquismo e o socialismo; Afonso XIII de Espanha, o cantonalismo e o iberismo; o rei sueco, o separatismo. 
   Um não é soberano: o presidente francês (Loubet).  Oferece o cosmopolitismo e o socialismo. Digamos que, na procissão, este era um a fazer alguma diferença.
     Hoje, a diferença talvez residisse numa dádiva mais comestível:

Os três reis magos e o outro, que não é mag(r)o - tradução e adaptação VO

     Há reis que sabem aproveitar a oportunidade! 

    Não sei se o Futuro ficou bem servido com estes reis (mais um presidente). Hoje diria que o monarca maior seria aquele que presenteasse a atualidade com mais humanismo, sentido de justiça e saúde.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Internacionalizações

         É o que está a dar!

       Depois do anúncio do "Xmas" pelas rotundas das terras de Espinho, há que pensar na preparação das batatas com bacalhau do Natal.  Está já aí! Se puder poupar uns euros, melhor.
         Vai daí, nada como aproveitar as promoções do momento:

O negócio da batata internacionalizado  (imagem colhida do Facebook)

           Estamos nisto! A sexta-feira negra do português, a bem do negócio e da poupança. Não sei se será um negócio da China, mas tem um "look" muito americanizado. É "fashion"! E uma forma de estar "uptodate"! Influências linguísticas dos tempos que correm.

       Um exemplo de escrita fonética com um toque de internacionalização. A bem do negócio da batata!

terça-feira, 17 de novembro de 2020

No reino dos perfis falsos (?)

      A propósito de Fernando Pessoa e da sua heteronímia.

      Uma aluna apresentou na aula uma imagem sugestiva:

Um Pessoa múltiplo, sem falsidades e com muita criação / criatividade 
(imagem cedida, com agradecimento, pela CS)

      Digamos que, na criação artística (na lógica da teoria do fingimento artístico), a imagem faz todo o sentido, se pensarmos em nomes como Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Entre os heterónimos e o semi-heterónimo, há efetivamente quatro perfis que não tomaria como falsos, a julgar pelas seguintes palavras desse autor-criador modernista: 

" Se me disserem que é absurdo fallar assim de quem nunca existiu, respondo que também não tenho provas de que Lisboa tenha alguma vez existido, ou eu que escrevo, ou qualquer cousa onde quer que seja." 

in Páginas de Estética e de Teoria Literária

       Na imensa obra que os heterónimos produziram, a realidade construída, por ficcional que seja, é tão verdadeira quanto a das produções do ortónimo. As fronteiras da realidade / ficção são tão ténues quanto o ser criado poder ser mestre do próprio criador (que o diga Pessoa a propósito de Caeiro).
     Depois, há ainda que acrescentar o seguinte: os "perfis falsos" não foram quatro; foram inúmeros, mais de cem. Dos mais femininos (a corcunda Maria José, de "Carta da Corcunda ao Serralheiro") aos mais filosóficos (António Mora), bem como os desassossegados (como Vicente Guedes, um dos co-autores do Livro do Desassossego), não faltam o astrólogo e ocultista Raphael Baldaya ou o imaginário Chevalier de Pas (associado à fase de infância), para além do mais anglófono Alexander Search ou o irmão Charles James Search, entre muitos outros.

      Na cocoterie ou no drama em gente criados, Pessoa foi pessoa(s) suficiente(s) para dar conta da diversidade que todos somos na unidade que damos a ver.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Nada de misturas!

        Anda por aí muita gente confundida com as interjeições.

       Entre 'chamar' e 'exclamar' há algumas diferenças e, na escrita, as interjeições são bem distintas. Enquanto palavra invariável pertencente a uma classe aberta, a interjeição traduz, exterioriza emoções. O sentido ou o valor que se lhe associa está estritamente depende do contexto de enunciação e corresponde a uma atitude, a um sentimento expressos pelo falante ou enunciador.
       Quando de chamamento / invocação se trata, o caso é claro (para quem não é nabo):

A incomodidade do repolho por ter um nabo à frente

      Nada de confundir com "Oh!", que admite vários valores interpretativos (alegria, desejo, espanto, saturação, receio, dor,...), os quais, na oralidade, aparecem marcados por traços entoacionais diferenciados.

    Para complicar a frase da imagem, sempre poderia iniciar o texto com um "Oh", típico da contrariedade sentida pelo repolho face ao que um nabo lhe esteja a causar. Porém, para chamar nabo (a alguém), tem que ser com a interjeição interpelativa "Ó".

domingo, 5 de abril de 2020

Em modo quarentena... sem poder ir ao cinema.

      Agora que temos de ficar por casa (pelo menos os que têm), há que ocupar o tempo.

     A televisão (que dizem vir a ser a solução para tudo, até para o ensino-aprendizagem) lá vai cumprindo o seu papel... repetindo as mesmas notícias, os mesmos filmes, os programas em que há público a assistir, todo ele juntinho... aos saltinhos ou em bailarico, agarradinho aos apresentadores. Enfim!
      Agora que se aproxima a Páscoa, pouco ou nada diferente do Natal, talvez ainda se lembrem de passar, pela ésima vez, o Música no Coração. Bem... é melhor não!

Julie Andrews (ou a irmã Maria) não viu a fitinha de bloqueio

      Já não fui a tempo de avisar! As montanhas estavam bloqueadas com a fitinha colocada entre duas árvores. A irmã Maria e as crianças Von Trapp entraram pelo lado errado.

       Canta, canta,... mas EM CASA.   

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Há cantos e cantos...

      ... e alguns nada têm a ver com melodias.

     Representar 'canto' como nominalização decorrente do verbo cantar - numa exemplificação do que é uma derivação  não-afixal  - não é passível de confusão com a noção de 'canto' como ângulo de duas paredes que convergem no espaço. À musicalidade implicada do primeiro não se associa a 'quina' ou 'esquina' que alguns veem (mas não ouvem) no segundo.
    E quando a distinção é bem notória, eis que há quem explore aproximações, comicamente configuradas pela homonímia do termo:

Interpretação dos homónimos - com e sem direito a música

    Homónimos são os 'cantos', pela origem diversa dos vocábulos: o com relações musicais proveniente do étimo latino 'cantus'; o de natureza mais geométrica, de 'canthus'. Por mínima que seja a diferença original ou etimológica, esta representa ou motiva dupla entrada no dicionário. Uma mesma escrita (homografia) para um mesmo som (homofonia), mas com significados bem diversos.

      Eu, que prefiro ficar no meu canto, estou mais para o sentido geométrico do que para o musical (para bem de quem tenha tímpanos sensíveis).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Um questão de sujeito(s)

     Não se pode dizer que seja novidade! Versão para outro(s) sujeito(s).

     Já se abordou uma questão similar em apontamento anterior: a do sujeito sintático de uma oração que, indevidamente, deu lugar a resposta que, no contexto do apontamento, só fazia sentido na orientação crítica pela política do momento (se é que não é a de todo o sempre).
      Desta feita, a versão da interação é outra:

Cartoon espelhando uma interação infeliz

    A felicidade de um sujeito é questão deveras polifacetada, a julgar pelas respostas dos alunos. Talvez a questão docente não tenha sido a melhor, na interação criada. Nada como explicitar o que se pretende, para que o discurso pedagógico resulte mais ajustado aos objetivos pretendidos. Se de sujeito sintático se trata, é bom que se questione acerca do mesmo, para não saírem outros, indesejados (nem o poético, nem o lírico, nem o discursivo, nem os que os alunos sugerem, na riqueza de "conhecimentos de mundo" que têm).
      Assim preferia, na boca da professora, a questão "Qual é o sujeito sintático da frase?" A variedade de respostas ficava bem mais inoportuna e inadequada (questões básicas de interação que um cartoon põe a nu, se não forem mesmo representativas de situações reais a evitar).
     Cá por mim, para além da questionação a corrigir, também não me ficava pelo sujeito clássico na sintaxe. No caso do nível secundário, por exemplo, apostava nos que surgem invertidos, para que não fique a ideia de que o sujeito sintático é sempre aquele segmento que abre uma frase ou oração (Diz-se que não há questões perfeitas / É interessante que o sujeito esteja no final da frase / À questão da professora responderam os alunos - só para me ficar por alguns casos críticos da localização sintática do sujeito).

       Por aqui me fico, para não ter que dizer que lá se foram os predicados - não os da frase, mas os dos alunos, cujas virtudes ficaram muito a desejar, um pouco também por causa do que a professora perguntou.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Cozinhar com alma

        No dia em que a fome é saciada com alma.

        Isto é o que cumpre dizer-se, depois de se ler...

Uma lousa muito recomendável, pela alma que tem
(A partir da foto de Sandra Andrade Reis)

      A placa anunciadora do repasto é um regalo para a comédia. À falta de melhor, acho que uma "almelete" caía bem! Deve ser uma amálgama, juntando as palavras alma e omolete.
     (A julgar pela última ementa aqui apontada, esta vem confirmar que a revolução ortográfica chegou à cozinha).

         A refeição promete. Falta saber se o estômago não se ressente.

domingo, 17 de novembro de 2019

Revolta na cozinha

      Se não for na cozinha, é na ementa.

    A troca de algumas pérolas do Português mal escrito é já uma prática constante entre alguns colegas de trabalho, sabedores de que aprecio esta nossa alternativa de escrita, meio popular meio desconcertante.
      A que me fizeram chegar recentemente é um primor de desortografia:

Apetece escrever "Uma imenta muito bariada"
(com agradecimento à TJ, por me ter feito chegar a foto)

   A revolta da escrita na cozinha ou na culinária?! Só escapa a pescada frita, mas sem o acompanhamento. Já o título se revelou um parto difícil; depois, nem com anestesia epidural isto lá vai: as tripas ficam com acento agudo (quando havia de ser grave); a moda fica quase em desuso, no atropelo da escrita do 'd', que resulta em grafema estranho; o arroz, coitado, virou palavra inexistente; as ervilhas, nem se fala (além de muito fonéticas no 'i' inicial, ficam com 'b', talvez porque sejam do 'nuorte, carago'!); a sardinha, para ser 'açada', deve sofrer de albinismo (segundo o dicionário e a eventual formação do adjetivo a partir de 'aça').

      A ementa na mica deixa-nos a micar bem. A escolha é difícil. Se a qualidade for na proporção da correção escrita, resta a pescada frita (só com salada)!

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Halloween dos nossos dias

       Esgotado, não tenho ânimo para festas de bruxas!

     Ainda assim, não deixo passar o dia do "Trick or treat!" (a minha costela anglófona tem destas coisas). Uma imagenzinha sugestiva veio mesmo a calhar:

Imagem colhida do Facebook, para mais um Halloween.

       Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. Cuidado com as bruxas high tech! Ainda podem vir de encontro a nós! Enquanto for às árvores, não há tanto problema.

      Fruto de inspiração nos nossos tempos. Já não há bruxas como antigamente (mas "que las hay las hay").

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Uma conferência tão atual... na educação

    "Não deixar nenhuma criança para trás" (ou a ironia de um discurso que não deu em ação feliz, apesar da grandeza de princípio).

     Num artigo acerca de "Questões polémicas no debate sobre políticas educativas contemporâneas: o caso da accountability baseada em testes estandardizados e rankings escolares" (publicado na obra Do Currículo à Avaliação, da Avaliação ao Currículo, organizada por Maria Palmira Alves e Jean-Marie De Ketele, com a chancela da Porto Editora), Almerindo Janela Afonso refere o No Child Left Behind Act, do tempo de George W. Bush, salientando como os efeitos de tal normativo se revelaram indesejáveis e bastante insuficientes, ao ser aplicado sem estruturas nem procedimentos consentâneos, nomeadamente com a aplicação de testes estandardizados como forma de verificação do sucesso escolar.
     Sir Ken Robinson, conselheiro internacional de educação com mais de trinta anos de obra publicada, há cerca de seis anos participou num encontro, no qual conferenciou sobre os fatores que contribuem para a evolução e o progresso humanos. Concluiu, também, que a escola tem funcionado ao contrário do que são os conceitos-chave associados a tais fatores (diversidade, curiosidade e criatividade). Conformidade, padronização e testagem, marcando a ação educativa em termos genéricos, estão em desalinho, definitivamente, e refletem uma conceção de escola mecanicista, apriorística nos propósitos e fechada à alternativa.
   A lógica de todos a fazer o mesmo (sem diferenciações), e na cegueira completa face à potencialidade que cada um poderia trazer, é tão rotineiro quanto desmotivante, promovendo condições de insucesso e abandono:

TED 1: Sir Ken Robinson (professor de Artes da Universidade de Warwick)

TED 2-3: Sir Ken Robinson (professor de Artes da Universidade de Warwick)

     A metáfora do Vale da Morte e a exploração das sementes de possibilidade perspetivam-se, no final do excerto, como sentidos de oportunidade e desafio, com a alternativa a assumir-se como realidade visada para prática comum.

    Na ironia que a lei americana representou e que Sir Ken Robinson desconstruiu, diria que há coincidências desconcertantes e interpelantes com o contexto educativo e normativo atual português (num sentido de inclusão que o tempo dirá se não foi mais de exclusão).

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Palavras para quê?!

      Nos últimos tempos, tem circulado no Facebook, com elevado número de visualizações, o exemplo identificado como do melhor dos(as) nossos(as) representantes municipais.

      É isto o que se chama defender uma causa, uma ideia, um princípio. Enfim, persuadir... para o riso ou para o choro, conforme se ache isto (des)construção ou (ir)realidade:

Um discurso clarividente - à falta de melhores palavras! Enfim...!

      Identificada como Margarida Bentes Penedo, deputada municipal do CDS por Lisboa, resta saber que o tema da "preleção" é o da "ideologia de género".
     Que mais dizer / escrever? Discurso fluido, coerente, bem fundamentado, numa clareza de ideias e progressão informativa inexcedíveis. O melhor exemplo de oratória, digno dos modelos mais ciceronianos do discurso. A prova categórica de que ser deputado(a) é o reconhecimento de qualidades superiores - no mínimo, a do falar bem.

       Começo a crer que, com tudo isto a ser verdade, o CDS escolhe cada vez melhor! Outro partido que fosse não lhe ficava atrás.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Bem precioso!

     Seja a água...

     Saber continua a ser uma forma de poder. Ignorância não ajuda a fazer escolhas.

Desconhecimento - fazer do perto longe

     Quando se sabe escolhe-se melhor. Quando não se sabe, as escolhas são tão erráticas que nem se faz a opção pelo que está mais à mão / mais perto.
     Sem água não há ser vivo que sobreviva por muito tempo, com ou sem conhecimento; sem conhecimento também há quem possa não chegar ao destino atempadamente, pondo em risco a existência.

     ... seja o conhecimento.

domingo, 15 de setembro de 2019

Polissemia

      Quando o dever não dá lugar a pagamento.

    O dever de obrigação (deôntico) difere do de probabilidade (epistémico). Também há o dever das tarefas solicitadas, o do reconhecimento, mais o das dívidas a pagar (não sendo obrigação, bem que o podiam ser em qualquer dos casos, para evitar a falta, o silêncio e a injustiça). E na confluência de todos, vem o cómico:

Cartoon colhido do 'Facebook'

     Se ao primeiro se associa a atribuição e o reconhecimento (daí 'dever' ser sinónimo de 'atribuir-se'), ao segundo é dado o significado do pagamento ('estar em dívida'). É o que dá o termo ser polissémico (ou, então, o sentido de crise andar muito apurado).

    Mais uma razão para se diversificar o vocabulário nas interações, não vá um aluno pretender brincar com a situação (e o significado das palavras).

      

domingo, 4 de agosto de 2019

Fundamentalismos tecnológicos

    Num mundo altamente tecnológico...

  Porque a digitalização é preferível à impressão em papel; porque o "pensamento verde" e a sustentabilidade sublinham a importância na redução do consumo de papel; porque já é possível ler sem ser em suporte papel; porque já é possível escrever sem gastar papel; porque é preciso poupar papel (não o poupo eu, até agora, nesta repetição textual tão motivada), não se pense que tal representa a menorização do mesmo. Ele foi, é e será um companheiro do nosso dia-a-dia.

Publicidade inspirada no mais comum da vida
    
     Tão verdadeiro quanto comum ao ser humano. Daí a argumentação publicitária resultar em pleno.
    Por mim, para além do obviamente demonstrado, não resisto definitivamente a ler um jornal ou um livro também em papel. Não há monitor ou tablet que o substituam.

    ... há factos que resultam em argumentos universalmente validados. Necessidades da vida comum que não permitem fundamentalismos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

De volta às homonímias

      Exemplo de um cão que sabe brincar com a homonímia.

      Assim se lê em '@algumrabisco', a fazer ver o cuidado que os donos e amigos de cães devem ter perante a inteligência do designado 'melhor amigo do homem':


      Brincadeira linguística,provocadora de algum cómico, assente no contraste etimológico 'pata', do germânico 'pauta' para o latino 'patta-', e 'pata' (de possível origem onomatopaica) enquanto feminino de 'pato'. As duas entradas lexicais dicionarizadas (correspondentes, portanto, a origens distintas) motivam a abordagem deste caso homonímico (entre muitos outros já anotados neste blogue) da língua portuguesa.

     Para não 'meter a pata na poça' (expressão idiomática vinda a propósito do sentido germânico-latino), a consulta de um dicionário é sempre o melhor procedimento para aceder às relações lexicais baseadas na representação gráfica.