A ter existido, o criador assim o viu: "toda a emoção que não dou nem a mim nem à minha vida.» (in 'Cartas de Fernando Pessoa')
Álvaro de Campos, o engenheiro naval (por Glasgow) propenso ao triunfalismo dos motores e da tecnologia, nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890. Surgido impetuosamente "Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda", muito do que é se revê na 'Ode Triunfal', esse exemplo poético feito da euforia e da força que culminam num sono, num cansaço e numa avaria impostos pelos excessos e pela exaltação heróica da máquina.
Foto de cartaz na Casa de Álvaro de Campos (heterónimo pessoano natural de Tavira)
Ao heterónimo que quis "Sentir tudo de todas as maneiras", Pessoa não deixou de dar a oportunidade da busca incessante do Absoluto e da Verdade. Do registo finissecular e decadente, do vanguardismo futurista e sensacionista à angústia existencial, Campos viveu "de tudo em tudo" - entre a vitalidade transbordante e torrencial não deixou e experienciar a angústia própria de quem viveu todos os prazeres.

Sem comentários:
Enviar um comentário