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sábado, 25 de outubro de 2025

Nostalgias e Ousadias

       Hoje foi dia de (re)encontros, no Lugar de Desenho - Fundação Júlio Resende (Valbom).

    A convite da Adriana Carmezim e da Cristina Pinto, fui apresentar o relançamento do Nostalgias (outubro de 2001 - de 2025) e o nascimento público do Ousadias. Duas artistas, duas publicações, duas expressões artísticas (desenho / fotografia e escrita literária), num crescendo multiplicativo que preencheu o dia com sentido(s), sentimento(s), reflexão(ões), memória(s), vivência(s) a todo o tempo revitalizadores.

As obras da Adriana e da Cristina, no Lugar do Desenho (Valbom) - exemplos interartísticos

      O espaço é belo, as obras apresentadas também; e as pessoas são o melhor, quando o tempo é (re)vivido em sorrisos, partilha e (re)união.

A responsabilidade de apresentar duas obras é grande. Foi uma honra!
 (Foto facultada pela AC e CP)

      O meu contributo procurou trazer vivências tão contrastivas quanto complementares, referências sintonizadoras de expressão (inter)artística e cultural (literárias e não só), bem como a partilha, o testemunho, a parceria, a sintonia, a terapia, a difonia (duas pessoas com duas expressões artísticas capazes de se multiplicarem em comunhão e beleza), para harmonias, geografias e cosmogonias mais humanas e humanistas.
         Destas autoras fico à espera de outro '...ias' (e já sei qual é)!

      Lá fora chovia, mas o calor humano do momento aqueceu uma tarde outoniça a prenunciar inverno. Agradecimento à Adriana Carmezim e à Cristina Pinto pela aposta.

sábado, 5 de abril de 2025

Partilha do não desejado

      Há textos que não deviam ser escritos.

     Este é um deles. Eu, pelo menos, gostaria de não o ter feito, se tal significasse que não havia motivo para tal.
      Teve que ser lido:

O texto que ninguém quer escrever nem ler - https://carruagem23.blogspot.com/2025/04/partilha-do-nao-desejado.html 
(Foto VO)

     É sempre um momento de aperto no coração, de embargo na voz e que, na memória do vivido, traz a consciência de um tempo que prossegue sem a presença desejada, mas com o sinal do que o professor David Rodrigues define como "a grande provedora do tempo": a gratidão devida.
      É esta a vida (na qual subsiste a morte).

     Assim foi na Igreja Matriz de Espinho. À MCM. RIP. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Que Natal (é este), afinal?!

      Passados os 24 dias de dezembro, o que nasce?

      O inverno é certo; o frio, previsível; chuva, neve ou sol, venha o que Deus quiser.
      Tudo o resto, se não for de(o) bem, é escusado.

Do título ao texto
Composições natalinas ou natalícias,  tanto faz!

       Nasça a esperança de dias e noites melhores, para que a Humanidade acredite mais em si e no que de bom neles possa fazer. Com harmonia (rimada com alegria), compaixão (combinada com gratidão), caridade (concordada com generosidade), paz (dela seja o mundo capaz).

       Um bom Natal para todos.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Por mais este natal

      Chegada a noite, venha o dia.

      Nas assonâncias e dissonâncias da língua, nas lógicas analógicas do pensamento, nas afinidades e nos contrastes poéticos inspirados nas regularidades e irregularidades da vida, escrevo:

Votos natalícios (Foto e texto VO)

      Cumpra-se o que é preciso para lidar com os dias imprecisos e tenha-se a certeza do melhor que se faz para os tempos incertos.

      Um bom natal para todos.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Dois anos depois

       Há quem lembre a obra feita.

       Uma grandiosa, outra inspirada e inspiradora, uma terceira que delas foi leitor.
       Correndo pelo Facebook, (re)encontro-me com o tempo e as lembranças:

Um apontamento do "Farol das Letras" no Facebook (com agradecimento ao MM)

       Passaram dois anos (quem diria!) de um dia feliz. Outros houve (os imediatamente anteriores) dedicados à leitura, à escrita e à amizade. Revejo o escrito, que resultou de um desafio enorme; que ousei aceitar e produzir, na senda de uma figura intelectual grandiosa, de uma profecia ansiada e da explicação de um império a realizar; que procurei fazer corresponder à confiança depositada e à consciência de uma responsabilidade assumida na força da fraterna amizade e identidade

       Na base, o pensamento e a obra de uma personalidade; no motivo, a ficção partilhada em espírito de fraternidade; na apresentação, um adjetivo exagerado (diria) para uma reconhecida e vivida realidade. Sem perdição.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Dia do Professor

     Em dia feriado, por razões republicanas, bem que o poderia (também) ser por outros motivos. 

     Somos país, língua e cultura a celebrar singularmente, com feriado, um poeta no calendário; lembrar (mais) um outro dia é o mínimo para quem está na base de formação de tantos profissionais importantes para o mundo e para a vida.
      São  muitas razões a celebrar:

Porque somos um entre muitos
Porque transportamos uma vida que comungamos
Porque nos aproximamos de quem (nos) procura
Porque exploramos possibilidades, oportunidades, modos de incluir
Porque repetimos, persistimos, insistimos
Porque (re)construímos e partilhamos conhecimentos tão diversos
Porque convocamos mundos para vários saberes do universo
Porque abrimos caminhos de (re)descoberta
Porque damos palavra a quem quer aprender
Porque testemunhamos empatia
Porque gerimos vontades
Porque inspiramos muitos, pelo saber e com o sabor dos afetos
Porque procuramos sorrisos em horas de angústia e desespero
Porque se faz da luta esperança, mesmo que não se instaure a mudança
Porque comunicamos o que nem sempre se quer ouvir
Porque vemos pontes a ligar margens e a superar obstáculos
Porque sonhamos e lidamos com os sonhos de tantos
Porque gostamos do que somos

Porque é o nosso dia

Porque somos professores

Um dia para lembrar e celebrar, por variadíssimas razões (imagem adaptada)

    Celebre-se a República (implantada), até o 25 de novembro (que alguém quer marcar como consolidação da democracia e da liberdade, na complementaridade do 25 de abril); brinde-se a quem faz anos em data tão relevante; lembre-se e festeje-se o Professor que, ao longo dos tempos e independentemente de regimes, tem feito, faz e fará a diferença na vida de todos. (Alguns o fizeram, e muito, em mim). Bom feriado.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Ilha, terra / céu, luz e mar...

      Depois do cansaço do dia, só o café trouxe a energia que já não tinha.

     No desconcerto do momento, olhando as ondas e o cinzentão do final de tarde, peguei numa caneta e rabisquei o canto de uma folha impressa, já usada, mas ainda com espaços para rascunhar ideias, soltas, vagas, à espera de um sentido que não tenho de ser eu a dar.

Palavras, imagens e sons com alguma poesia (texto e filme VO)

LIBERDADE E CLARIDADE

Há quem se perca e se prenda na ilha.

Cada porto é chegada a nova terra.
Cada ilha se faz terra para novo mar.
O céu está além, para as estrelas.
Nem sempre se dão a ver; estão lá.
Dissipada a névoa, fugidas as nuvens,
limpo o céu, aquelas brilham, ainda.

Presença de luz invisível no vazio
Da escuridão instalada, cá na terra,
Sem sol nem claridade. Só dor.

Há que fugir da ilha. Banhar no mar.

     Sem bagagem, lancei-me na viagem. Não sei onde vou dar ou parar.

     Tempo de caminhar rumo à luz.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Chat(o)-GPT

    Podia dar-me para melhor!

   Tantos a falar do mesmo que acabo por cair nele.
  Nada tenho contra (melhor, ... até posso ter alguma coisa, sem o diabolizar), muito menos a quem se mostra muito entusiasmado com a questão.
    E do que falo? Do Chat-GPT... de que mais podia ser?!

Inteligência Artificial, para que te quero?! Para muita coisa, mas mando eu! Combinado?

    Depois de várias tentativas, pouco me agradou ou surpreendeu.
   Não sei se perdi o meu tempo, mas espero que definitivamente não faça perder o de mais ninguém. Partilho a reflexão, sem qualquer pretensão, senão a de sublinhar que prefiro centrar o foco da discussão nas implicações pedagógico-didáticas que dele decorrem e com ele se deparam / confrontam. Artificial ou não, o "inteligente" é o que se consegue reconhecer como tal, numa avaliação que necessita de consistência, fundamentação (o mais criteriosas possível).
    Nesta medida, prefiro manter-me no controlo e não deixar-me controlar. 
    Quanto à Inteligência Artificial, prefiro a do AI (2001), de Spielberg.

    O certo é que ela vai ter muito de aprender para poder ser eficiente, eficaz e um auxílio fundamental para o professor. Dizem mesmo que não tem hipótese e, por isso, há quem já nos apresente um concorrente: o Bard (da Google).

domingo, 22 de janeiro de 2023

De um final de tarde em braseiro

      Depois da chuva contínua,...

     O sol brilhou hoje, fazendo por momentos esquecer o tempo inverniço (ou invernengo, tanto faz) que nos tem marcado os dias.
      Não fosse o frio sentido ao final, dir-se-ia que as cores do pôr do sol aqueciam o olhar

Entre a terra e o céu, uma estrela cai para a linha do horizonte (Foto VO)

   Espreitando por entre as copas das árvores, essa estrela branca irradiou luz e vestiu-se de um amarelo alaranjado quando caía na linha do horizonte, aqui e além distribuindo raios a rasgar a densidade sombria que da terra se ergue na direção do céu.
     Este parecia estar em braseiro, com as nuvens em tons de fogo e de cinza, entre lume e carvão. Só no alto se via o azul, mais subido, límpido.
     Esta foi mais uma perceção do meu olhar.

      ... regressaram as cores que aquecem o frio inverno e fazem ansiar pelo dourado verão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Porque é hoje o dia

     Cem anos depois do nascimento.

     Talvez o desmereça, mas foi o que quis fazer, recuperando temas, títulos, versos, ideias. Trazê-lo à vida, ao hoje (porque do presente se fez, sem querer pensar muito no amanhã), com um sorriso.

FOSTE...

Disseste
que há palavras interditas;
palavras que nos tocam;
algumas, um cristal;
outras, um punhal.

Saíste da moldura,
foste com as aves
e viste na poesia
a música que sempre teve:
um acorde perfeito.

Rejeitaste a pureza.
Nas viagens que fizeste,
juraste ver a luz tornar-se pedra.
Nascido em inverno,
aspiraste às tardes de setembro.
Buscaste o campo e o silêncio.
Quiseste falar das oliveiras, 
de uma cerejeira em flor,
da figueira e do trigo maduro.
Preferiste as mãos e os frutos.

Afirmaste a urgência do amor,
de um barco no mar;
e quando perguntaste
"Que diremos ainda?",
mergulhaste na água;
escreveste na terra;
entregaste-te ao fogo;
levitaste no ar
e puseste no céu a lua.

Voltaste à fonte, ao rio, ao mar...
Molhado pelo orvalho,
deixaste-o escorrer no corpo.
Bebeste-o como lágrima,
quebrando a dor, a secura.
Suaste no trabalho da sílaba,
da palavra, dos versos.

Nas perdas, 
alimentaste o isolamento.
Entre brutalidade e ternura,
o rigor, o rumor, o corpo habitado,
sentiste o peso da sombra
e desejaste ser árvore.

À hora da despedida,
no tempo em que se morre,
um rio te esperou.
Ficaste na memória,
como a canção de Laga.

Tens um nome.
És lido aqui, neste país, agora.

Estarás em paz entre os anjos.
                                                  Espinho, VO

      Ao jeito de palimpsesto e de intertexto, fica uma combinação que soa a dedicatória a um grande da criação e da expressão poética lusa. Ao funcionário público que se tornou poeta. A um mestre que deu grande lição.

      Ao Eugénio que foi José e que do Fontinhas se fez Andrade.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Natal com alguma cor

     E veio mais um...

     Talvez seja o tempo de (re) nascer
     Talvez seja o tempo de lembrar o que é viver
     Talvez seja o tempo de renunciar ao imediato
     Talvez seja o tempo de dar tempo

Um Postal de Natal à espera do Verde

     Talvez seja o tempo de dar outra vez à vez
     Talvez seja o tempo de outra versão (de ver o que é são)
     Talvez seja o tempo
     Talvez

     Chegou a tal vez: boas festas a todos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Apontamentos da cidade

     Vão chegando os sinais natalícios.

    O brilho da noite faz-se de colorido luminoso, como se o maravilhoso do natal apagasse o tempo de guerra que se vive e a crise sentida dentro e fora de portas.

Montagem de fotografias com sinais natalícios de Espinho (VO)

    APONTAMENTOS DA CIDADE
 
   A cidade está aí, 
   com as estrelas que nos guiam; 
   as renas soltas, livres dos trenós; 
   um presépio em cascata; 
   árvores sobreviventes a brilhar,
   como se fossem pinheiros;
   um banco em jardim de luz,
   à espera de quem nele se sente;
   uma onda iluminada
   em rua que chega a praça;
   quadrados em desalinho
   à espera de quem neles alinhe.

   Está para vir o Pai Natal, 
   em qualquer cor,
   para que neles se vejam todos
   os que são feitos de amor.

   Virá o inverno, depois deste outono chuvoso e frio que se faz sentir nos últimos dias. O ciclo cumprir-se-á em primavera e verão. Veremos como o Homem lidará com o espaço e o tempo sem esquecer as pessoas que o fazem.

   Que a cidade saiba resplandecer no calor da humanidade.

domingo, 9 de outubro de 2022

Em jeito de balanço e de lembrança

      Publicado na Newsletter do Jornal Plural, eis o meu testemunho.

      Não sendo novo, porque advém do final do ano letivo anterior, segue-se o registo do que foi viver sob a égide de um projeto intitulado "Mar Pedagógico - Inclusão é a Condição", que marcou o Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira:

Registo da Newsletter do Jornal Plural do AEML
      
Transcrito da Newsletter do Jornal Plural (outubro 2022)

     Passado o tempo, fica a lembrança de muitos momentos que permitiram fechar 2021-22 em festa e no sonho de que é possível viver o mundo com todos, assim nos deem a oportunidade de dar as mãos, construir redes e fazer obra.

      Em novo ano letivo em curso, que venham outras marés e se viva a escola de e para todos.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Espírito novo (apesar do cinza)

     Há dias para tudo, nomeadamente para recriar versos (que já tiveram reversos).

     Com maior ou menor esperança, as palavras espelham um estado de espírito que, ora fechado, ora aberto, nem sempre traduz o que é celebrado. Valha o dia de sol claro, limpo, a convidar à festa da liberdade, da vida e, de novo, com esperança.

            ACINZENTADA MEMÓRIA

Monumento ao 25 de abril, Espinho (Foto VO)
Do cravo em pedra,
sem a rubra cor,
apagou-se o sangue,
secou o vigor?

Da revolução,
a memória fica,
lembrando a canção...,
o povo que grita...,

a arma a dar flor...
Renovado o tempo,
nascida a manhã,
no sopro do vento,

a sã liberdade
vive-se na cidade.

Em dia cinzento,
vejo um monumento:
voam as gaivotas
só no pensamento.

No duro betão,
há ondas de mar
plantadas no chão,
subidas ao ar.

Qual fénix em cinzas,
Esperança, vinhas...
Fica. A vida alindas.

     Hoje, mais do que a liberdade do dia, importa a esperança de sempre.

     Chamo-a, porque a caixa de Pandora não pode manter-se fechada.

sábado, 16 de abril de 2022

Outras cores no olhar

      A bem do que não se diz.

   Quando me disseram que o mar e o céu eram azuis acreditei. Acrescentavam, ainda, que era azul ora marinho oa celeste. Gostei da cor e do que ela inspira(va): tranquilidade, serenidade, harmonia, espiritualidade. 
     A vida, contudo, lembra-nos que o verso tem o seu reverso. E, nessa medida, o azul também se deu a ver na monotonia, depressão, frieza. Ficou tão próximo do mal, da doença, do fim e da morte que fui à procura de uma paleta e do que esta tinha para me dar em alternativa.
     Busquei, então, novas cores. Descobri-as no olhar e nos matizes que pude contemplar:

Um universo de ouro e prata onde mar e céu ficaram sem azul (Foto VO)

       Encontrei uma bola de luz bem intensa na claridade, um mar brilhante feito de prata e um céu que se firmou de amarelo, laranja e ouro. Na variedade colorida, reparei no que é marinho e celeste sem azul. No momento, nesse instante apreciável dado a ver, tive um mar nos tons da sabedoria divina, enquanto o ouro do amor divino se mostrava para lá, logo acima do horizonte. Um céu de fogo e um oceano de água - dois exatos opostos - complementam-se no quadro natural da vida, evocando sabedoria e amor.
       Pode ter sido este um momento, já familiar a outros também vividos. Fica, por isso, a nota de que há instantes em que os opostos têm sempre a possibilidade de se emparelhar, de se enquadrar - tal como a prata, na representação da lua e do princípio feminino (lunar, passivo e branco), se ajusta ao ouro (por sua vez solar, ativo e amarelo), do princípio masculino. Eis, em suma, a riqueza da diversidade complementar.

     A bem do que se viu e do que possa ser a possibilidade da esperança; o princípio da aproximação, do complemento e da conciliação dos opostos (porque há guerras que não trazem felicidade a ninguém, eventualmente só para aqueles que momentânea e egoisticamente se comprazem em lançar mísseis - sejam reais sejam metafóricos - para destruir o semelhante).

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A propósito de "Trilhar o Futuro"

       "Trilhar o Futuro - 2022": na senda do que nos une.

    Assim foi composto um texto, na sequência de um conjunto de atividades dinamizado no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira, entre os dias 7 e 8 de abril:

Texto próprio, a título coletivo, para todos os que nele se revejam

       Publicado no Defesa de Espinho, no dia 14 do corrente, ficam a opinião e o agradecimento a todos os que, mais direta ou indiretamente, contribuíram para a iniciativa.

        E assim se fez, mais uma vez, escola num agrupamento.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Final do dia... às dezoito!

       Quando dizem que os dias vão crescer...

       Uma tela de céu,
       Um sol que se foi,
       Uma luz que persistiu,
       Mais o escuro que se arrolou.
       Eis o que o olhar viu:

À espera que os dias cresçam (Foto VO)

       Sombras chinesas de uma natureza
       tão à mão, tão versátil, tão diversa na sua riqueza.

       Cresçam, cresçam... com luz e sol!

domingo, 31 de outubro de 2021

A ver se não caio... na perdição.

       Catorze anos depois, regresso à apresentação de um livro.

      Convite feito quando só havia título. Imediatamente aceite. Não podia ser de outra forma. Nem de profecia se tratava; apenas de confiança e amizade.
     Aconteceu ontem, com a publicação do novo romance do Manuel Maria. Dia 30 de outubro, ou melhor, 30 do 10, para se começar a compreender melhor a presença de tanto múltiplo de cinco: um título com cinco palavras (começado com "Quinto..."), vinte e cinco capítulos, cinco anos a separar a referência a uma carta de Vieira datada de 1658 (a abrir a história) e a citação de uma outra de 1663 (no final da narrativa), o quinto romance do autor... no ano de 2021 (cuja soma dos algarismos também dá cinco). A não ser coincidência, nem sei que diga! 
      Segundo o Tarot, é número de espiritualidade, de comunicação e comunhão, de evocação e descida do sagrado sobre o material; um aviso espiritual que deve encontrar eco no plano físico; um apelo para a libertação da matéria. Eis o mito do Quinto Império e o protagonismo de Vieira.

Da esquerda para a direita: o editor, o apresentador, o autor e o representante da Junta de Freguesia
 - Auditório Horácio Marçal, em Paranhos (Foto DG)

       Quinto império - Profecia de Perdição é romance para ler em tempos como os da atualidade, onde os valores de tolerância e respeito pela diferença, conquista de liberdade, fraternidade, afirmação de vontade e de amor, luta pelo bem são para firmar, no garante da própria dignificação humana.
        No exemplo que o protagonista dá e no percurso que faz, há as duas faces da moeda: a do ideal pelo qual pugna, mais a da negação a que o votam, na traição que perversamente constroem. De um lado, António Vieira; do outro, os que supostamente estariam consigo na cor, no pensamento e na missão, mas cuja fé foi mais movida por interesses e jogos de poder bem diferentes. No desconcerto e nas intrigas mundana(i)s destes últimos, resistiu o ideário congregador do autor da História do Futuro, feito da comunicação e comunhão que muitos não quiseram entender e destas se distanciaram.
       Nas caras e nas  máscaras descobre-se a utopia pretendida, apenas seguida pelos que têm espírito livre e convicção de princípios. Os que se regem pela vontade.
      Personagens de bem cruzam-se no(s) mar(es) da vida, sem  esquecer que nele(s) há ondas revoltas e naufrágios; tempestades a colocar em risco império(s) de humanidade. Entre o Brasil e Portugal, no seio de um tempo que convive com o sagrado e o profano, com a frivolidade e a afetação do teatro da vida, Vieira vive a defesa de um sonho que parece não ser o da sua terra nem o dos seus superiores:

   Quem havia de crer que em uma colónia chamada de portu-gueses se visse a Igreja sem obediência, as censuras sem temor, o sacerdócio sem respeito, e as pessoas e lugares sagrados sem imuni-dade? Quem havia de crer que houvessem de arrancar violentamente de seus claustros aos religiosos, e levá-los presos entre beleguins e espadas nuas pelas ruas públicas, e tê-los aferrolhados, e com guardas, até os desterrarem? Quem havia de crer que com a mesma violência e afronta lançassem de suas cristandades aos pregadores do Evangelho, com escândalo nunca imaginado dos antigos cristãos, sem pejo dos novamente convertidos, e à vista dos gentios atónitos e pasmados? Quem havia de crer que até aos mesmos párocos não perdoassem, e que chegassem aos despojos de suas igrejas, com interdito total do culto divino e uso de seus ministérios: as igrejas ermas, os batistérios fechados, os sacrários sem sacramento enfim, o mesmo Cristo privado de seus altares, e Deus de seus sacrifícios? Isto é o que lá se viu então: e que será hoje o que se vê, e o que se não vê. Não falo dos autores e executores destes sacrilégios, tantas vezes, e por tantos títulos excomungados, porque lá lhes ficam papas que os absolvam. Mas que será dos pobres e miseráveis Índios, que são a presa e os despojos de toda esta guerra? Que será dos cristãos? Que será dos catecúmenos? Que será dos gentios? Que será dos pais, das mulheres, dos filhos, e de todo o sexo e idade? Os vivos e sãos sem doutrina, os enfermos sem sacramentos, os mortos sem sufrágios nem sepultura, e tanto género de almas em extrema necessidade sem nenhum remédio? (cap. X, pág. 59)

     Perante tanto desconcerto, a saída e a salvação têm de ser reafirmadas - e aí cabe falar da felicidade, da utopia, do ideal a atingir (libertos do enleio que a terra cria).
    Nas linhas do romance cosem-se expectativas e frustrações, libertação e prisão, castigo e perdão - porque no jogo da vida há sorte e azar, felicidade(s) e tristeza(s), ilusões e desilusões que só o tempo pode curar (seja no sentido de corrigir seja no de conservar - com o "sal da terra", talvez, para usar uma expressão do nosso orador seiscentista).

     Desafio(s) - o que Vieira quis assumir, enfrentar, confrontar; o que o autor construiu na obra que quis criar e me deu a honra de apresentar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Morrer na praia

      O dia iluminou-se com um radioso sol...

     Regressado o bom tempo, revive-se o conforto desses momentos que nos deixam apreciar o final de uma outoniça, mas calorenta tarde, aromatizada pelo iodado vindo do mar, numa combinação a que não falta uma fresca névoa esfumada, a embaciar levemente a paisagem.
     Erguido o olhar para o alto, como para sorver agradecidamente o terapêutico ar, reparei num céu cruzado, que decidi guardar em foto:

Céu cruzado junto à Granja (Foto VO)

     No enlevo do instante, fui subitamente espertado pelo aparato ruidoso de sucessivas sirenes, trazendo o sobressalto e a aflição. Bombeiros, polícia marítima e muitos curiosos deixavam-se ficar na praia. Não era a simetria dos traços nem a variedade das cores celestes que os atraíam. No areal, havia um corpo humano estendido, inanimado. Morto. Tudo tão rápido. Ninguém conseguia explicar o sucedido. Simplesmente caiu, quando caminhava naquela linha de areia que fica entre o molhado e o seco. Foi aí que o corpo encontrou o seu leito de morte, bem próximo daquele outro que dizem ser a origem de tudo, mas que, no seu vaivém ondulatório, nada trouxe a quem deixou definitivamente de ver o espetáculo do céu cruzado, pintado de algum dourado em tela de fundo azul.
      Por vezes, a vida reduz-se a isto: a uma rápida queda sem recobro. Nada resta; nada mais há. Só chão - no caso, areia, a mesma que, na ampulheta, se deixa cair de uma âmbula para outra até esgotar. Tudo acaba, mesmo quando alguém vai em socorro e ao encontro do que já só é um peso inerte, algures deixado, abandonado de todos os sentidos.
     O céu cruzado e a luz ainda quente assistiam a alguém caído, a esfriar à medida que as sombras e o escuro surgiam, extinguindo as cores do dia. Azul, só o das luzes rotativas das viaturas que, agora paradas e em silêncio, haviam trazido socorro a destempo; calor, só o da humanidade dos que prestavam os cuidados derradeiros, ensacando quem partira numa última viagem, já sem horizonte.

      ... até que a vida se apagou. Literalmente, alguém morreu na praia. RIP.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Em 'Desafios'

       Formulado o convite, não podia dizer que não. A consideração por quem convida é mais forte.

      Solicitado um texto para fazer parte de uma publicação-conjunta online de vários autores (dirigida pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa - Porto), resultou o processo de escrita numa extensão considerada mais válida para uma publicação autónoma.    
      Honrado o compromisso, maior foi a honra por ter sido conduzida a publicitação do artigo para um caderno intitulado Desafios - Cadernos de Trans_Formação (número 29). O mote era: como se tece a ação pedagógica em tempos de COVID 19; eu glosei os "(Des)encontros e (re)aprendizagens (à distância de um clique, com toque humano)".

Um artigo disponível para leitura em

      Melhor ainda foi ver o meu contributo antecedido de um editorial com as palavras generosas do Professor Matias Alves, contextualizando, destacando pontos fulcrais da minha reflexão, citando algumas das minhas palavras, reconhecendo-lhes qualidade(s).
   Entre muitas respostas, surgiram algumas perguntas; e, no fundo, procurei reafirmar o sentido nevralgicamente pedagógico de uma situação, preferindo ver nas dificuldades oportunidades; procurando manter jovens na "rede" do trabalho, do estudo, do compromisso para que a vida apela.
     Contei ainda com a solidariedade e colaboração de alguns dos meus alunos, que se podem rever na(s) ação(ões) em que participa(ra)m. Pela cumplicidade e pela aceitação do trabalho (trabalho e mais trabalho), também muito lhes agradeço.

       Pela consideração mútua, pelo trabalho que desenvolvemos juntos e pelas identidades que fomos e vamos construindo, restam-me a gratidão e o reconhecimento pela aposta feita. Obrigado, Matias Alves.