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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Bodas de ouro para um edifício (e não só)

     50 anos numa noite espetacular, com memórias revistas em escassos minutos.

     Hoje, pelas 21 horas, no Multimeios de Espinho, foi tempo de encerrar uma história que culminou em espetáculo-concerto e contou com a participação da comunidade educativa do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), nomeadamente professores, alunos, pessoal não docente (operacional e técnico-administrativo), encarregados de educação, mais as entidades parceiras que viveram os "50 anos: do Liceu ao Agrupamento" - tema aglutinador de todo um plano de atividades vivenciado desde o ano letivo 2024-2025.

Convite endereçado à Comunidade Educativa do AEML
     
       As bodas de ouro dizem respeito a um edifício construído no início da década de setenta do século passado, para nele ser alocado o Liceu Nacional de Espinho. Entrou aquele em funcionamento no dia 4 de novembro de 1975, conforme ofício redigido pela presidente do conselho diretivo provisório de então: a professora Maria do Céu Beato Oliveira Dias de Sousa. Em tempos marcados ainda pelo espírito revolucionário pós-25 de abril, tudo começou de acordo com decisão unânime assumida em reunião geral de professores (RGP). Assim se lê no documento exarado: "... encontrada uma plataforma de solução... em relação a uma decisão tomada por unanimidade numa anterior reunião sindical, segundo a qual as aulas não seriam iniciadas sem que todos os professores eventuais estivessem colocados...". Nas palavras citadas de quem viveu o momento, a construção foi como que tomada de assalto, para que se cumprisse o desígnio para que havia sido erguida.
        O programa do evento celebrativo iniciou-se com a projeção de um pequeno vídeo, a dar conta do percurso desse estabelecimento escolar que, aberto em novembro de 1975, em 1976-77, passa a ganhar um patrono com a designação "Liceu do Dr. Manuel Laranjeira". Em 1978, chegou a "Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira". Em 2011, o edifício foi objeto de reabilitação por parte da Parque Escolar (hoje, Construção Pública), segundo um projeto arquitetado por Rui Lacerda. Cumprido meio século de um estabelecimento escolar (que, na atual e requalificada escola-sede de agrupamento, apresenta apenas alguns poucos apontamentos dispersos do passado), mantém-se a missão, ainda com futuro.
     Na presen-ça da Diretora do AEML, do Presidente do Conselho Ge-ral e do Vice-  -Presidente da Câmara Muni-cipal de Espi-nho, houve oportunidade para me pro-nunciar acerca do vídeo pro-duzido e de como este pode ser injusto face a uma multiplicidade de projetos, de atividades, de rostos que têm vindo a marcar gerações e que nele não figuram. Não cabem 50 anos em menos de dez minutos e, nessa medida, impõe-se a compreensão e a generosidade de muitos poderem rever-se naquilo que foi editado; encontrarem no que fizeram / fazem interseções, comunhões (re)visitadas no que foi incluído (há impossibilidades óbvias no conceito de memória: desde a perda, ao esbatimento e à recuperação recriada). Importa ainda agradecer a todos os que, saindo, entrando ou permanecendo no agrupamento, deram ou têm vindo a dar o seu melhor a uma instituição que tem servido bem o concelho, para não dizer o país (considerando alguns dos nomes que saíram formados do "liceu", como ainda é familiar e popularmente nomeado).
       Fica aqui o registo vídeo (clicar na expressão destacada) desses menos de dez minutos para uma história que já segue caminho no sentido do século - porque, do meio já vivido, há já provas consolidadas quanto ao papel de-sempenhado na socie-dade, enquanto exem-plo de escola pública focada na qualidade educativa, na inclusão, na multi e interculturalidade, bem como no acompanhamento socialmente empenhado e implicado na ativação de competências (conhecimentos, procedimentos, atitudes e valores) formativas diversificadas.

         Comemorados e encerrados os 50 anos, rode-se a ampulheta e reveja-se a areia a cair, em nova contagem de tempo com atenção à vida e, como o diz o patrono, abrangendo no "mesmo olhar o céu e a terra". Acrescentaria o mar, pela força que detém e pelo horizonte que nos dá, nos caminhos e nas oportunidades a descobrir, a explorar e a conquistar.
        

terça-feira, 19 de maio de 2026

Um prémio nacional!

      Assim foi várias vezes repetido. Com orgulho.

    No passado dia dezasseis de março, enquanto diretor do AEML, tive a oportunidade de endereçar palavras de agradecimento na sessão solene realizada perante a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Lisboa, no âmbito da Semana de Formação Financeira. Anunciava-se aí a atribuição do Prémio Nacional de Ensino Secundário ao Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), na 14.ª edição do "Concurso Todos Contam". Não estive presente fisicamente, mas de modo remoto; à distância de um clique.
   Hoje, cessadas as funções de então, mas em compresença mais real e autêntica (no tempo e no espaço), sublinho e reitero o reconhecimento e o agradecimento devidos, pelo envolvimento no projeto "Desafios de Literacia Financeira - joga e aprende", avaliado como o melhor projeto nacional de ensino secundário. Um orgulho feito de dinâmicas de professores, de alunos, de encarregados de educação, galvanizados para uma educação de excelência, focada numa prioridade do projeto educativo do AEML, da educação para a cidadania, da formação de muitos jovens (desde o pré-escolar ao 12º ano) e, inclusivamente, de alguns professores.
      Destaco o trabalho de coordenação do Departamento de Ciências Sociais e Humanas, particularmente do grupo disciplinar de Economia e Contabilidade, que chamou a si e ao AEML múltiplas iniciativas envolvendo docentes, discentes e encarregados de educação; agentes locais, regionais, nacionais - todos contribuindo para o que hoje se materializa no reconhecimento público do que foi levado a cabo nesta escola pública, solidária, inclusiva, multiculturalmente diversa, apostada no trabalho de competências múltiplas e de formações diversas.

A hora de receber o cheque do prémio "Todos Contam", na presença de muitos, mas não todos. (Foto GIC)

         Se, inspirados pelo patrono Manuel Laranjeira, é de reconhecer a importância de "abarcar num mesmo olhar o céu e a terra", acrescentaria, em localidade piscatória, a energia do mar. Com esta, entrou-se na onda do tecnológico, do digital e da inteligência artificial; aproveitámos as marés de oportunidades, onde a educação financeira também foi levada a bom porto; aproveitaram-se ventos favoráveis à aprendizagem que nos une enquanto cidadãos ativos e participativos (nos orçamentos, na cidadania, na dinâmica de atividades e projetos). Na integração e articulação construídas (com língua, pensamento matemático, domínio das expressões, literacia financeira), cumpriu-se um projeto digno de consagração, cujo mérito muito enaltece o compromisso com a promoção de competências essenciais junto de jovens. Tem sido este o barco em que navegamos.
        Segundo o Administrador da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, o Dr. Diogo Alarcão, o AEML tem razões para se congratular e orgulhar: recebeu um prémio nacional, por um projeto construído no seu seio. Por isso foi reconhecido, galardoado, incentivado a prosseguir um trabalho que já havia merecido uma menção honrosa, em ano anterior, e que, este ano, evoluiu para a distinção: a melhor escola nacional no concurso "Todos Contam".

Celebração da entrega de um prémio nacional: 14ª edição do concurso "Todos Contam". (Foto GIC)

     Concretizou-se um programa de acolhimento para a receção do prémio. E na presença de todos (representante regional do Banco de Portugal, representantes da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, Presidente da Câmara Municipal de Espinho, Presidente da Junta de Anta, Diretor cessante, Diretora e Presidente do Conselho Geral do AEML, Coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas), os docentes do grupo de Economia e Contabilidade, bem como alunos do agrupamento demonstraram o envolvimento e entusiasmo que caracteriza(ra)m os vencedores.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Marés de oportunidades (IV) a abrir

      Chegados à quarta versão, fecha-se um ciclo.

    Entre ventos alísios e contra-alísios, foram quatro anos de boas marés no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), com as quatro unidades orgânicas sempre a remarem para bom porto.
    Na escola-sede, este ano (tal como em anteriores), iniciou-se o programa de atividades com a colaboração de professores(as) e alunos(as) da Escola Profissional de Música de Espinho (EPME), numa demonstração variada de composições, feita de ritmos e intensidades diversas; de produções individuais e coletivas; de harmonias conjugadas em instrumentos de percussão e de sopro.

Cinco dos instrumentistas da EPME que honraram o AEML com a sua presença e colaboração 
(Foto APV)

    Em périplo por diferentes espaços, deu para constatar a participação e a adesão de muitos jovens às dinâmicas propostas por docentes que programaram e animaram atividades motivadoras, de imersão plena em ação, em movimento(s) e sentido(s) tão múltiplos e integradores quanto entusiasmantes: com palestras, pinturas, escrita, jogos, teatro, sussurros poéticos "entubados", desafios e raciocínios práticos, confeção de alimentos, projetos eTwinning, línguas e multiculturalidade, experiências laboratoriais, exposições, plantas e plantações, argumentação, inclusão, entre tanta outra oferta mais. Os assistentes estavam também por todo o sítio, atentos a tanta vivacidade e tanto bulício. Entre a preocupação e a satisfação, ora sorriam com o "tudo à solta" ora sentiam que há dias bem mais exigentes e fatigantes. Alguns prenunciavam que amanhã também correrá bem, confidenciando haver salas por abrir que estão um espetáculo. Para além das que já vi, fica a gestão da expectativa e da novidade.
    Hoje fechou-se o programa com a divulgação de um projeto de cidadania do 10º ano, à semelhança de outro realizado com várias turmas do 12º. O Auditório Maria Ricardo esteve bem composto, com professores(as), alunos(as) e Encarregados(as) de Educação. Pode dizer-se que os temas "Literacia Financeira" e "Cidadãos de Futuro" foram uma forma de ocupação da manhã e fecho do primeiro dia em consciencialização (refletida e crítica) e em beleza.

Apresentação de projetos de Cidadania e Desenvolvimento: 12º (cima) e 10º (baixo) anos
Montagem fotográfica (VO)

     No fim, entre biscoitos e bolhachinhas, mais pipocas, houve breve porto de honra para adultos (ou a variedade sumo, não menos honrado ou honroso), com um pequeno brinde e simpático convívio. À hora dos arrumos, um delgado copo cintilante deixou-se atrair pelo chão e, sonorosamente, multiplicou-se em pedaços. Resumiu uma assistente: "Deixe lá, é festa!"

      Amanhã será outro dia. Com festa ou não, promete ser novo tempo e espaço de aprendizagens em (recre)ação com a comunidade escolar e a educativa.
     

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia ou noite... de reis e de rainhas..., com príncipes e princesas

     Há quem diga que devia ser feriado; pelo vivido hoje, não.

     Até porque, se o fosse, não teria, por princípio, acontecido o que registo.
     Não foi a noite de reis. 
   Foi a noite do dia de reis, com muitas rainhas e outros tantos muito especiais - o primeiro dia de entrega dos diplomas no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), para os 4º, 5º e 6º anos, na Escola Básica Integrada Sá Couto (EBISC). 116 alunos(as) a receberem o aplauso e o diploma pelo sucesso de qualidade conseguido (excelência académica, mérito desportivo e reconhecimento de valores) em três das escolas do AEML. 

Um dos diplomas atribuídos (Excelência Académica), a par de outros.

       Outros dias e outros anos de escolaridade virão com o decorrer da semana; mas tudo começou com grande emoção.
     Falhou a intensidade da música, mas a dança ensaiada sem qualquer barreira, a tímida melodia, o gesto e o ritmo demonstrados, a mensagem do "Gosto de ti" (de André Sardet) e uns jovens encadeirados a dançar com quem não aparenta tais limitações foram ingredientes para um momento comovente, magnífico, a fazer acreditar que o mundo pode ser tão melhor! Todos unidos por uma t-shirt branca com um coração rubro se mostraram conquistadores de um público que assistia no respeito do silêncio, da diferença, na consciência de que estavam juntos por e para uma causa maior, independentemente das fragilidades existentes.
       As palmas pelos diplomas atribuídos não apagaram um silêncio construído em união e com coração.
     Não ouvi chamar nenhum Belchior, nem Gaspar, nem Baltazar, mas havia muitos nomes de pequenos reis e rainhas que, no ano letivo 2024-2025, trouxeram, do ouro, o brilho do orgulho sentido; da mirra, o aroma da humanidade; do incenso, o exemplo do esforço e da transcendência de todos os que procuram superar-se no estudo, no desporto, nos valores que a escola pública assume na formação integral e integrada de futuros cidadãos (respeitáveis, trabalhadores, colaborativos, inclusivos, solidários). Já o são e prometem continuar a ser.
       Hoje, no dia da adoração de reis (e por que motivo não acrescentar rainhas?), a todos os presentes, importou destacar a estrela da gratidão: aos(às) alunos(as) reconhecidos(as)  pelo mérito / sucesso de qualidade no desempenho das aprendizagens feitas; aos(às) professores(as) envolvidos(as) no acompanhamento dessas aprendizagens, representados(as) pelos(as) Diretores(as) de Turma presentes, alguns(mas) vindos(as) de outras escolas, após um dia de trabalho(s); aos assistentes técnicos e operacionais, tantas vezes a dar a mão e o coração nos corredores, no recreio e nos espaços que nem sempre são letivos. Gratidão também aos (às) Encarregados(as) de Educação e familiares das crianças e jovens que, entre esforços e cansaços, têm sabido ir além do esfumar dos dias, lembrando que a verdadeira fama requer esforço; que o sucesso só aparece antes de trabalho no dicionário; que o alimento serve não só o corpo mas também o espírito, engrandecendo todos os que sabem olhar para a esquerda, a direita, para a frente e para trás, encontrando o outro, aquele que caminha junto, em grito de apoio, de solidariedade, de inclusão (sem egoísmos e com foco no bem comum).
       Manuel Laranjeira, patrono do agrupamento, enquanto escritor, afirmava, numa carta ao amigo Luiz Pinto Ribeiro (05.03.1904), que não aspirava a "homem célebre"; que "escrevia para satisfazer uma necessidade pessoal que é dizer aos outros o que pensa da vida e dos homens" (in Cartas, Lisboa, Relógio d'Água, [1943] 1990, p.26).
    Penso da vida e dos homens... que o orgulho (bom) assenta na realização, no reconhecimento e na felicidade pessoais em prol do bem comum; que a ambição (boa) se funda no que possa fazer-se para o bem da comunidade; que o percurso a cumprir, independentemente das pedras no caminho, se quer na continuidade do bem que se viva e das aprendizagens que se querem conquistadas na vida para a felicidade todos.

      Por todos os momentos e por um especial, logo o inicial, este foi um verdadeiro dia de reis e rainhas. Com a gratidão devida a quem organizou, participou e permitiu viver um instante que fez a diferença do dia no AEML.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

50 anos com Laranjeira(s)

       Primeiro dia de aulas, meio século depois.

      Quando neste dia abriram as portas do edificado construído para o então designado Liceu Nacional de Espinho, houve certamente um entusiasmo que, hoje, foi traduzido em festa e num conjunto de iniciativas que tanto serviram para lembrança como para afirmação de um presente com futuro.

A pedra oficial, porque gravada com o ofício anunciador da abertura da escola onde seria alocado
 o Liceu Nacional de Espinho em 1975 (ofício assinado pela professora Maria do Céu Beato Oliveira Dias de Sousa, 
presidente do Conselho Diretivo Provisório - Foto VO)

       O anúncio à comunidade fez-se à entrada, não fosse o facto de (ainda) se desconhecer o tema de um plano de atividades que viu a celebração do meio século da revolução de abril (em 2024-25) transformar-se nos "50 anos: do Liceu ao Agrupamento" (em 2025-26).

50 anos depois: no mesmo lugar, mas com uma escola requalificada (Foto GIC)

     Entre as várias formas de festejo (na escola-sede do agrupamento, bem como nas restantes três unidades orgânicas), regista-se a plantação de laranjeiras nos espaços escolares, nomeadamente na Escola Básica Integrada Sá Couto (EBISC): dez árvores à espera da flor e do fruto, convocando o jogo antonomásico que o sobrenome do atual patrono (Manuel Laranjeira) possa evocar.

Plantação de laranjeiras na EBISC, unidade do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira 
(montagem fotográfica VO)

     Seja este mais um sinal da identidade e pertença do agrupamento, assim homens e mulheres queiram e a natureza permita. 
       Fique em verso o que a inspiração deu:

Lembrando o lema do blogue: "Faz da palavra a flor, do ato o fruto 
e saciarás os que aspiram a mais do que este mundo oferece: realidade em demasia e luz de fantasia"

       Cumpre-se o tempo com sinais de lembranças, de homenagem que muitos (re)vivem já no caminho a fazer para o século.

sábado, 31 de maio de 2025

Pediram-me para ler...

       ... e não me fiz rogado.

     Aquando da apresentação de VINTE SONETOS e outros poemas, de Manuel Maria, no Auditório da Biblioteca Municipal de Gondomar, durante a tarde de hoje, li dois dos textos poéticos compilados na obra. Tinham-me pedido um, mas, como ando um insubordinado e insubmisso, decidi abusar e dobrei a parada.
     Contrariei, inclusive, a ordem do título, iniciando pelo único dístico presente na secção (segunda) intitulada "outros poemas". Enquanto leitor de Sophia, relembrei o facto de os poemas mais curtos da nossa poeta apresentarem uma profundidade de pensamento evidente, uma sabedoria que nos toca com as palavras mais singelas - lições de vida traduzidas em cerca de dois a quatro versos. Fica, portanto, provado que a escolha não teve nada a ver com preguiça minha, mas com um capital de leitura que, de uma forma ou outra, se vai cruzando com outras oportunidades trazidas pelo próprio ato de ler.
      Também disso o Manuel Maria é capaz, pelo que, ao folhear o livro, na página 33, encontrei o texto
 
Vídeo e áudio do poema "Há tantas coisas tristes...", de Manuel Maria (maio 2025)

     A seleção reflete, por um lado, a tónica de um sentimento emergente de um mundo que nos vai deixando sinais fortes dos perigos e das ameaças que, longe ou perto, nos colocam em aviso constante e na razão da crescente consciência de que nenhuma guerra dignifica o ser humano; por outro lado, assume uma estratégia, na qual o fingimento recobre uma forma de sobrevivência, enquanto ingrediente necessário à vida e ao ato criativo, fictivo, poético, recuperando Pessoa e a génese criadora de quem "chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente" (como se lê em "Autopsicografia"). A nota de negatividade presente ao longo dos catorze versos decassilábicos, não pela forma, mas pelo conteúdo, é típica de um Manuel Laranjeira, que me persegue (n)a vida e que, na polaridade negativa, não deixa de a representar como húmus a alimentar e a valorizar o seu contrário, num caminho de idealização a fazer, a perseguir, a cumprir.
      Por extensão, e numa relação intratextual com a obra hoje dada a ler (desta feita com a parte correspondente aos "Vinte Sonetos"), reencontro novas e coincidentes dissonâncias, em versos a espelhar um sujeito poético atormentado, revoltado, caraterizado por uma disforia exógena a dominá-lo endogenamente (pág. 27):

Poema "Ingratidão" de Manuel Maria (vídeo e áudio por Vítor Oliveira)

      Eis as palavras, os versos de um sujeito poético que o Manuel Maria compôs à imagem e semelhança de um estado de espírito que vive instantes, que tem momentos feitos de opostos complementares, que busca identidades e que encontra palavras num exercício de escrita dominador: ao mesmo tempo "(a minha) cruz" e também "a luz". Na dualidade da dor rimada com amor, resulta uma tensão declarada na expressão poética, visível também ora na forma perfeita e convencionada do soneto italianizante ora na liberdade versificatória moderna (ambas usadas na publicação hoje publicitada), orientadas para Amor - Tempo - Arte. 

Obra poética de Manuel Maria, dedicada "A todos os que, na leitura e na escrita, se sentem com alma de poeta".

    Estas são as linhas com que, acronimicamente, o sujeito poético (também o poeta,... também o Manel) se ATA(m): na multiconfiguração e plurivalência do Amor; na inexorável, mas profícua passagem do Tempo; na exploração e na entrega à Arte (da palavra alada).

      De novo, relembrando Sophia e "Epidauro 62", ecoam versos: "Oiço a voz subir os últimos degraus / Oiço a palavra alada impessoal / Que reconheço por não ser já minha". A apresentação feita por Ana Maria Cardoso e a estratégia feliz da leitura a várias vozes amigas resultaram, sobretudo, em "partilha poética", em leituras e interpretações de muitos, conduzidas por esse fio de Ariadne a permitir o (re)encontro com a escrita e a leitura, num coro pintado de vozes, tons e cores a matizar uma co-autoria polifónica a diferentes tempos.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Inquietude(s) e conquista(s)

   Não sei bem por que razão te procuro.

    Talvez me lembres que, no meio de tanta agitação, és leito de vida original.
  Dás-me por certo mais sal do que o sorvido em pingos corridos na face, molhando lábios e boca.
   Porventura trazes a frescura e o som que busco no queimor e na desejada solidão.
   Acaso serás o que me anima, quando à volta, o sufoco atrai desânimo.
   Na(s) inquietude(s) vivida(s), és embalo apaziguador que me faz prosseguir.
   Recordo, então, o pensamento inspirador:

Um mar com nuvens e um horizonte a superar (porque há mais além da linha que só a visão limita)

      Podia tê-lo escrito, mas, como já alguém o fez, cumpriu-se o momento de o reviver junto à força das águas, mostrando que há ondas, marés no flutuar desta vida; há um nós multiplicado pelo eu, ele, outros que se juntam ao desejo.

     Rumemos com o sem-fim no horizonte, passar da orla branca ao azul do mar, soprando às nuvens do céu, para deixar o sol raiar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Mensagem do patrono

      A semana da excelência académica e do mérito desportivo.

   O agrupamento começou hoje a viver o reconhecimento público dos que, no ano letivo anterior, revelaram sucesso(s) no percurso e no desempenho escolar, com mente sã em corpo são (totalidade e valores clássicos; por isso, também perenes).
   Em tempos de endeusamento da Inteligência Artificial, é a oportunidade de destacar a Inteligência Humana, que, na devida escala, se revela determinante para a formação integral humana, a avaliação e o sentido críticos, o aprimoramento no tratamento da informação, a opção e a tomada de decisão consistentes e fundamentadas, bem distintas de imediatismos, facilitismos e verdades populistas, frequentemente coladas à ilusão e à falsidade.
     Há cento e vinte anos, o patrono afirmava:

Laranjeira nas sessões de entrega de diplomas de Excelência Académica e Mérito Desportivo 

      Espírito e coração: intelecto e emoção - uma outra totalidade que, na complementaridade dos termos, não deixa de incluir, considerar o diverso, atentar no afeto, num "sinto, logo existo" (que António Damásio reformulou, face a um "Penso, logo existo" cartesiano).
     No regresso ao coração, à emoção, ao afeto, ao reconhecimento, cruza-se o ser com a gratidão. E muitos há a agradecer, na prova de que o caminho se faz caminhando e não sozinho. Premiados os alunos, assim se (re)vejam os Encarregados de Educação, os Professores, os Assistentes - uma comunidade empenhada em sucesso(s), alguns dos quais de qualidade.
       Em plena semana dos afetos, e no espírito Ubuntu que inspira saberes e gestos, cruze-se o momento com o que também dignifica a existência: saber, sentir, elogiar, aplaudir, agradecer.

     Assim (também) se revive o pensamento do patrono, mais de um século depois do que (nos) deixou escrito.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Caminhada com / para todos

     Faz-se com passos, momentos, espaços, valores, pessoas e diálogo.

     O Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira teve a honra de, neste dia, entre as nove e as onze horas, contar com a presença do reverendíssimo Bispo Auxiliar da Diocese do Porto, D. Roberto Mariz, acompanhado pelo pároco de S. Martinho de Anta, Sr. Padre Sérgio Leal, bem como o Presidente da Junta de Anta-Guetim, Nuno Almeida, numa visita à escola-sede.
     A receção feita por um grupo de alunos que abriu o evento com cartazes onde se liam palavras como "Paz", "Amor", "Sabedoria", "Solidariedade", "Amizade", "União", "Liberdade" em várias línguas traduzia, desde logo, a aproximação a valores transversais à humanidade, independentemente de cor, credo ou cultura. Um pouco na linha do pensamento do misticismo laico de Manuel Laranjeira, evocou-se esse alicerce de afetos, essa "nave de uma catedral infinita, após um acordo afectuoso, final, [com] todos esses seres que a engrenagem social fez inimigos irredutíveis: reis, imperadores, plebeus, vadios, criminosos, fartos, famintos, vencidos, vencedores, esmagados, todos, os homens todos, a Humanidade inteira - a vida inteira.” (in Obras de Manuel Laranjeira, vol. II, Porto, Edições ASA, 1993)Ecoaram as palavras desse alguém que, sublinhando a presença e a integração de "todos, todos, todos", convocou um espírito universal(izante) de irmandade, proximidade, empatia, afetos - ingredientes para essa utopia de felicidade num mundo de e entre iguais.
     Da entrada ao átrio interior, a música, a dança, a poesia dos textos e dos pensamentos, a árvore dos afetos e da gratidão, o canto, a dádiva e a oferenda constituíram momentos em que muitos ofereceram o que de melhor têm. A caminhada culminou no Auditório Maria Ricardo, repleto de jovens com vontade de encontrar, (re)ver, ouvir quem se predispunha a dialogar, refletir, partilhar pensamentos, testemunhos, experiências, percursos de vida, sublinhando valores fundamentais ao esforço, à aprendizagem, à aproximação e à união de todos os que se cruzam, também, em instituições sociais, humanas e humanistas.

Manifestação dos valores ecuménicos em vários idiomas (Foto VO)

Visita Pastoral do Reverendíssimo Bispo Auxiliar da Diocese do Porto, Sr. D. Roberto Mariz, no AEML

   A abertura à crítica, ao que nem sempre corre bem, aos desvios que requerem correção complementou-se com o espírito festivo do "parabéns a você" de um aniversariante; o ânimo, a animação, a alma de um encontro que torna o dia diferente fizeram ganhar expressões de felicidade no rosto e nos gestos (bem como na procura da 'selfie' que, para alguns, sempre marca o momento); a alegria de estar com alguém que comunicou, comungou (sor)risos, saudações, bem-estar, familiaridade, naturalidade, simpatia, trato afável, satisfação e, acima de tudo, gratidão foi o reconhecimento maior para os que muito deram e tanto fez receber. 
    Ficou a mensagem de que, com tanta movimentação, em múltiplos sentidos, há sempre a oportunidade de cruzar o olhar e encontrar o outro para cuidar.

    Há homens que têm o dom de nos aproximar do bem, do exemplo, da mensagem ecuménica que inspira e ilumina a vida. D. Roberto Mariz é um deles, como a comunidade educativa que o acompanhou o pôde comprovar. A todos os que muito contribuíram para a planificação, organização e concretização da "caminhada", impõe-se o agradecimento pelo bem que souberam construir. Nas palavras de José Tolentino de Mendonça, "Compreender que a esperança floresce no instante é experimentar o perfume do eterno."

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Patrono à mesa

     Um jantar natalício com a presença de Laranjeira.

    As mesas estavam primorosamente decoradas, à espera dos convivas. Há cinquenta anos estava um edifício em construção, ainda com a designação de "Liceu Nacional de Espinho"; hoje, num edifício requalificado entre 2008-2011, há um patrono a marcar presença na Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Laranjeira:

Laranjeira no Natal de 2024 do AEML (composição fotográfica VO)

     Rumo aos 50 anos de um tempo e de um espaço a celebrar (mais as pessoas que os viveram), o aroma do fruto (laranja) vem compor o paladar de um licor que tem na árvore (laranjeira) origem, estendendo-se, por jogo evocativo, ao patrono (Laranjeira). Da natureza ao nome próprio, há como que uma transmutação alquímica, sugerindo a criação do elixir da vida ou da imortalidade. Laranjeira, por lembrança e evocação, ganha vida eterna ou prolongada.
     Se, na língua portuguesa, "alquimia" vem do latim alkimia, por sua vez proveniente do árabe al-kimiya (significando "a química"), não será de esquecer que, no grego antigo, khemeía significava "fusão de líquidos".

     Nada como ver no licor de laranja o adocicado sabor que Laranjeira, na vida, não deixou de acidular. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

"Passei por aqui"

      Ontem e hoje...

     As palavras citadas podiam ser as do Dr. Pacheco Pereira, que, no Auditório Maria Ricardo da escola-sede do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), presenteou o público (alunos, professores, antigos companheiros de percurso de vida e profissional) com a presença, a palavra, o pensamento de um homem da política; da intervenção e colaboração com a media; dos livros e das bibliotecas; da filosofia e da História; da educação (enquanto professor que foi / é); da liberdade.
     A convite da Coordenadora da Biblioteca do Agrupamento Dr. Manuel Laranjeira, assistiu-se a um diálogo, um ponto de encontro, uma conversa que ocupou parte da tarde dos presentes, num registo pautado pela cordialidade, pela familiaridade, pode dizer-se por alguma informalidade, também com a colaboração do jornalista e espinhense Mário Augusto (curiosamente, um dos alunos do convidado especial). Sem a "Quadratura do Círculo" ou "Janela Indiscreta", programas televisivos protagonizados, respetivamente, por Pacheco Pereira e Mário Augusto, ambos proporcionaram uma comunicação feliz entre o inspirador e o memorialista. 
    Aos jovens estudantes que também o(s) interpelaram, foram dados exemplos de um tempo que, felizmente, não vivem (a época anterior ao 25 de abril); conselhos para um futuro que se constrói com o saber, o estudo e o trabalho; apontamentos de um pensamento político marcado pela evolução, pela aprendizagem, pelo compromisso com o bem público (no sentido mais etimológico de 'política'), mesmo que este tenha cambiantes próprios de uma visão social feita do contexto e das contingências do tempo e da vida.
     Hoje integrando a Escola Básica Sá Couto, o Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira recebeu um dos seus professores de Português e de História nesse estabelecimento de ensino, na década de setenta do século passado, mas com a memória bem presente do vivido pela luta da liberdade - o que o fez ser agraciado com a Grã Cruz da Ordem da Liberdade (9 de junho, 2005), pelo Presidente da República de então, Dr. Jorge Sampaio. 
     Na partilha dessas vivências e memórias no presente, ficam as notas de que as conquistas não são dados definitivamente adquiridos; de que tanto mais valor se dá às coisas quanto mais experienciadas elas são; de que as convicções são construções que decorrem de formação, aprendizagem, leitura, contacto com o mundo real; de que ler, saber algo é garantidamente uma mais-valia para o percurso pessoal, social, profissional, político de qualquer ser humano.

Apontamento no blogue Ephemera sobre a presença do Dr. José Pacheco Pereira no AEML

      Enquanto detentor da maior biblioteca privada nacional - de que o blogue Ephemera é registo, arquivo documental difusor -, o homem de livros e de histórias que o Dr. José Pacheco Pereira é constituiu forte motivo para também se refletir sobre a leitura e os diferentes suportes que a fomentam; o domínio da língua e do vocabulário rico e expressivo, que não cabe no imediatismo de um dispositivo pequeno para a grandiosidade da inteligência humana, natural, feita também de um sentir que os "companheiros do tempo e da profissão" ajuda(ra)m a (re)criar pelos sorrisos e abraços efusivamente partilhados.
      No âmbito das atividades do AEML, que neste ano letivo se aglutinam no pensamento e no tema "(Rumo aos) 50 anos: do Liceu Nacional de Espinho ao Agrupamento Manuel Laranjeira", recebeu-se hoje um professor e um aluno da antiga Escola Sá Couto; não se esqueceu que, no ano letivo anterior, "74:24: o que cabe em 50 anos" foi tema para celebrar o 25 de abril, cujos valores de liberdade, democracia e participação importa alimentar ontem, hoje e sempre, a cada dia de cidadãos interessados em preservar conquistas que dignificam o ser enquanto elemento de uma comunidade.

      De uma conversa se fez uma grande lição, abrilhantada também pelo canto lírico de um poema de Sophia: "Liberdade"; pela presença de antigos professores e antigas diretoras das escolas do agrupamento; pela curiosidade e pelo compromisso de todos os que, no presente, caminham rumo ao futuro que se quer também feito de esperança.
      

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

E assim se falou dela...

     Terminou a semana com as palavras do patrono.

     Adjetivada de "outoniça", a semana culminou com as palavras do patrono (Manuel Laranjeira).
   Na obra Comigo (1912), entre vários poemas reveladores de uma atitude de ensimesmamento e introspeção, busca-se um incessante sentido da existência. Numa visão que busca a ilusão e se confronta com a consciência trágica e definitiva da existência, resta a jornada, o percurso, o caminho, a viagem - palavras que marcaram a mensagem transmitida, na qual se cruzaram conhecidos e alguns ainda por conhecer, todos unidos num momento e numa iniciativa singulares.
    No dialogismo das cartas, assistiu-se à encenação de um Laranjeira e de um Unamuno, numa prova de amizade (pessoal, intercultural e interlinguística). Foi uma oportunidade de encontro e um momento de partilha de leituras, de reflexões e de versos para a vida.
      Falou-se dela... dessa jornada...

Montagem com poema de Manuel Laranjeira e música de Debussy (Filme VO)

     Foi uma atividade para (re)lembrar, na Biblioteca Escolar, com trabalhos produzidos pelos alunos, uma exposição sobre o autor de Às Feras (1905), com e para lá dos textos.
    A vida é uma jornada, uma lição composta de bons e maus instantes, mas, acima de tudo, de caminho, de jornada.

     Em dia de nuvem, sombra, chuva e trovejo, não se deixou de falar de sol e de como neste há calor, há esperança (porque tudo é passagem) e deve ser dado tempo a que estes últimos se (nos) revelem.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Símbolos das 'Jornadas Mundiais da Juventude' em Espinho

      Uma manhã de sol e de símbolos para a juventude (de qualquer idade).
     
    Na sequência da solicitação da Diocese do Porto e da Paróquia de Santa Maria Maior de Espinho, para que o Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira recebesse, no seu espaço escolar, os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (cruz peregrina e ícone mariano 'Salus Populi Romani'), hoje de manhã, pelas 11 horas, procedeu-se à divulgação / demonstração dos mesmos na escola sede do agrupamento, no âmbito do espírito ecuménico e do entendimento etimológico do termo: do ou para o mundo inteiro; que reúne pessoas de diversas religiões ou ideologias.
    Trata-se de uma iniciativa de e para a juventude (independentemente do credo ou da fé professados), pelo que se contou com a colaboração de alguns dos estudantes (atuais e alguns outros em percursos de vida já para lá do ensino secundário), para a sensibilização e mobilização para essa Jornada Mundial da Juventude.

Jornadas Mundiais da Juventude no AEML (montagem de fotos)

   Na sequência de outras iniciativas que têm trazido jovens de vários credos ao espaço escolar, pretendeu-se viver esta experiência com esse sentido congregador, de união, num caminho, num percurso, numa sensibilização para o que mais une o Homem enquanto ser tomado pelo que de mais humano e humanista o caracteriza. Que os tempos de guerra, de confronto e de conflito deem lugar ao sentido máximo desse princípio universal que sublinha como, sendo diferentes, todos somos bem mais e maiores naquilo que nos aproxima - eis o pensamento matriz.
    Nesse mesmo espírito ecuménico e jovem que também deve pautar a escola, houve uma cruz, tocada por milhões, com a energia e a alegria que nela quiseram depositar; uma imagem mariana, observada nos tons dourados e azul, com o Menino Jesus nos braços, a segurar um livro dourado.
    O sol brilhou e concentrou quem quis aderir a um espírito que sabe contrariar a conhecida letra de canção de António Variações (na voz de Marisa Liz): "Já esqueceram o cantar e o sorriso / Já não são homens de boa vontade / A loucura está a vencer o juízo, / O ódio, a amizade / Estão-se a despir de toda a humanidade".

    Um breve evento que marcou os dois agrupamentos escolares do concelho e a passagem dos símbolos peregrinos pela cidade de Espinho.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Rumo ao mar

      Comemorando o Dia da Escola Azul.

     Ficam uns versinhos para a ocasião, quando céu e mar se tornaram mais azuis, na humanidade de um cordão com olhos postos no horizonte:

      Saíram da escola e das salas de aula,
      animados com uma bandeira na mão.
      Desceram a cidade, foram até ao mar,
      com vontade de formar um cordão.
 
Apontamentos de um dia frente ao mar em cordão humano (montagem vídeo - VO)

     Assim se resume a celebração do Dia Escola Azul, levada a cabo pelo Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira, em parceria com o programa Escola Azul (Ministério do Mar), a Estação Náutica de Espinho e a Câmara Municipal. 
     O propósito de formar um cordão humano pelo Oceano permitiu juntar alunos, professores, famílias, entidades parceiras da comunidade local - uma rede que se pretende coesa no ato de educar e no propósito de alertar para o que mais nos tem de aproximar para haver futuro
   Ver o mar e sensibilizar para a importância da preservação ambiental e dos ecossistemas marítimos, enquanto património da humanidade e do bem comum, foram objetivos conseguidos, num dia que, abrilhantado pelo sol e pelo calor, convidou a população a juntar-se, a dar mão a uma causa conjunta.

     Porque o mar é origem de vida, este foi dia vivo, tomado dessa energia que torna o espírito livre e  dedicado a movimentos de preservação e sustentabilidade ambiental.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A propósito de "Trilhar o Futuro"

       "Trilhar o Futuro - 2022": na senda do que nos une.

    Assim foi composto um texto, na sequência de um conjunto de atividades dinamizado no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira, entre os dias 7 e 8 de abril:

Texto próprio, a título coletivo, para todos os que nele se revejam

       Publicado no Defesa de Espinho, no dia 14 do corrente, ficam a opinião e o agradecimento a todos os que, mais direta ou indiretamente, contribuíram para a iniciativa.

        E assim se fez, mais uma vez, escola num agrupamento.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Formação para novos modos de avaliação

       Depois de ações de curta duração, uma oficina.

       Três turmas estiveram, no final do ano anterior, envolvidas, cada uma, em dez horas de formação. Um percurso para sensibilizar e orientar para o(s) sentido(s) da avaliação pedagógica e seus modos de intervenção na escola.
       Este foi um projeto iniciado em conjunto com a colega Maria Gabriela Rodrigues (grupo 500), no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira, destinado a cerca de quarenta professores ligados às estruturas de gestão intermédia da instituição. Hoje prossegue-se esse trabalho com um outro grupo de profissionais, de diferentes grupos disciplinares, por forma a concretizar o propósito anterior (construçõ dos critérios gerais do agrupamento) numa dimensão mais restrita: a da construção dos critérios específicos dos vários grupos disciplinares à luz das orientações normativas de avaliação mais recentes.
        Serão cinquenta horas de formação para explicitar o caminho já feito; articular com o trabalho de definição dos critérios específicos, tendo como referencial o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), as Aprendizagens Essenciais e o perfil de competências desenhado para diferentes áreas disciplinares. Pretende-se construir todo um conjunto de documentos que contemple critérios específicos, descritores e níveis de desempenho, propostas de processos de recolha de informação diversificados (ajustados aos domínios contemplados nas Aprendizagens Essenciais).
        Hoje, o "menu" da sessão contemplou os seguintes tópicos:

Guião da primeira sessão de trabalho (das muitas que aí virão)

        Proximamente haverá mais.

       Por ora fica apenas o desejo de que este seja um percurso e um trabalho formativos que auxiliem no muito que haverá a fazer, para que as práticas docentes se aproximem / adaptem / ajustem aos mais recentes contributos ao nível da avaliação pedagógica (focada mais nas aprendizagens, mais nos processos do que nos produtos). Vamos em frente.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O Violino de Auschwitz

      Não é o conhecido título do livro de M. Àngles Anglada (romancista catalã), mas uma atividade escolar (e educativa) que fez relembrar um passado trágico.

 Uma conferência-concerto multimédia, promovida pelo grupo disciplinar de História da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira (ESML - Espinho), contou com a presença / dinamização do violinista / relator / investigador Maurizio Padovan. No Dia Internacional dos Direitos Humanos, este homem-espetáculo lembrou, a toda uma plateia de alunos e professores, um tempo que não pode ser esquecido. 
      Como contador de histórias e da História, comunicador eficiente e cativante, executante de peças musicais da época do holocausto, o professor Maurizio compôs a sua apresentação de uma forma tão impressionante e entusiasmante que a concentração do público era tão notória quanto respeitosa para a memória de todos aqueles que foram vítimas de outras concentrações - bem mais terríficas e fatais (as dos campos de genocídio nazi).
       Numa amplitude diversa de registos (do mais sério ao mais irónico e cómico; do mais grave ao mais anedótico), a História fez-se ouvir no que de mais grotesco, hediondo tem para a Humanidade, mesmo que mascarada, disfarçada de ilusões, na forma mais propagandística que os regimes fascistas também puderam construir. 
      Se a moda das meias de vidro (lançada a 27 de outubro em 1938, na Feira Mundial de Nova Iorque) abrilhantou, com grande sucesso, a beleza feminina, a Segunda Guerra Mundial não deixou de ver no nylon o material adequado para o fabrico bélico de pára-quedas, pneus, tendas, cordas, fatos impermeáveis. Quase fez com que, praticamente, desaparecesse a produção de meias. A fronteira do belo e do grotesco é tornada ténue. Se a música é arte de sons, melodias, harmonias e ritmo no e para o(s) tempo(s), é também prática cultural humana matizada de efeitos e sentidos inusitados - que o digam o 'tango da morte' ou a 'música da mentira'. São memória de um drama humano em várias línguas (alemão, checo, hebraico, iídiche, polaco, romeno), tantas quantas a tortura e o sofrimento fizeram ouvir. 

Demonstração-vídeo de "Violino de Auschwitz" (conferência-concerto na ESML)

      Se ouvir música / cantar fazia enfrentar e relativizar a sensação de fome e dor; se trazia notas de uma esperança a todo o tempo ameaçada, também com ela se anunciava a morte e se disfarçava o futuro irrevogavelmente fatídico na forca, nas valas ou nas câmaras de gás. Na condição de prisioneiros condenados à morte pela raça, ideologia e/ou religião, inúmeros judeus, ciganos, "diferentes" cavaram fundo, nas suas almas e na busca de inspiração, para criar e interpretar pautas de absurdo e de abismo, frequentemente culminadas em crematórios ou valas de morte.
     Aristides de Sousa Mendes não deixou de ser lembrado - um português nos "Justos entre as Nações" e nessa luta que foi a de salvar judeus e outras potenciais vítimas às mãos nazis. Um herói que terminou os seus dias em desgraça, depois da desobediência em consciência.
     Disto e doutras curiosidades se fez acompanhar o violino, instrumento cuja construção no concelho de Espinho data de 1924 com o artista Domingos Capela, jovem marceneiro, natural da freguesia de Anta. Arte e dedicação levaram-no a ser conhecido mundialmente. O filho Joaquim Capela tem mantido o interesse e o mérito / reconhecimento internacional, colocando Espinho no centro de uma tradição geracional e familiar voltada para o mundo. 

      Um violino que trouxe música para homenagear vozes que o Holocausto silenciou; que também convocou memórias pessoais de uma viagem que marcou; que deu as notas necessárias à evocação de um dia que, desde 1948 (quando a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos do Homem), se mantém atual. Um agradecimento ao grupo de História da ESML, que tornou esta manhã mais luminosa e celebrada.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

De novo, a avaliação

       Alguns anos depois, volto à formação no âmbito da avaliação (do processo de ensino-aprendizagem).

        O novo contexto normativo introduzido pelos Decretos-lei nº 54 e 55 (de 6 de julho de 2018), a solicitação da direção do Agrupamento Dr. Manuel Laranjeira e a construção de uma oficina de formação, bem como de ações de curta duração, fazem-me regressar ao tema da avaliação. Na companhia de uma colega que decidiu entrar comigo neste desafio, relembro alguns contributos que já dei sobre o tema; adaptamos ao novo contexto; construímos um percurso a partilhar com outros profissionais, visando a produção de documentos orientadores para o agrupamento escolar (sempre com o intuito de incorporar os resultados de uma reflexão que se pretende consensual, comprometida, empenhada na ação educativa).
       Esta semana serão três grupos de trabalho a refletir sobre a "Avaliação nas práticas escolares: dos princípios normativos aos princípios orientadores da escola / do agrupamento".
     A questão de base e o percurso a fazer nesta sessão inicial implica os pontos de abordagem seguintes:


Dois dos slides da apresentação das sessões de trabalho desta semana

     Em três horas, far-se-á um percurso de enquadramento para o que virão a ser as sessões de trabalho sobre 'Critérios, domínios e instrumento de avaliação' (mais três horas) e 'Descritores, indicadores e níveis de desempenho' (quatro horas). No horizonte, há sempre a noção do Perfil de Competências do Aluno. Num total de dez horas, três ações de curta duração para três grupos de profissionais distintos - muito trabalho consentido e, esperemos, com sentido.

     Faz-se o caminho, em conjunto, na senda do que venha a ser a construção de referenciais de trabalho num agrupamento escolar, com uma cultura orgânica própria e sentidos que se pretendem convergentes na a(tua)ção docente - e sempre com o agradecimento devido e reconhecido à MGR, pela parceria conseguida.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

De novo, a oficina de escrita

       Nova edição para uma oficina de formação.

       À semelhança do já ocorrido na Escola Secundária com EB2,3 Dr. Manuel Laranjeira (Centro de Formação Aurélio da Paz dos Reis), desta feita regresso à Escola Secundária com EB3 de Gondomar (Centro de Formação Júlio Resende) com "Da Oficina de Escrita à Escrita com alguma Oficina: processualidade e dinâmicas". Dezoito formandos em oportunidade de partilha de experiências, onde escrever é verbo-chave, seja para ensinar seja para aprender.

Dispositivo de apresentação da nova edição da oficina de formação

      O programa da oficina segue o já proposto anteriormente, apesar de não se poder contar com a condição de trabalho direto com os alunos e as turmas. A calendarização solicitada não se ajusta ao contexto de operacionalização junto deles. Ainda assim, ora numa perspetiva prospetiva (de planificação de intervenções a acontecer num futuro próximo) ora num posicionamento crítico face ao já experimentado, procurar-se-á abordar o conceito de oficina de escrita numa de três possibilidades: oficina como atividade extra-aula (própria de dinâmicas de clubes, de escrita recreativa e lúdica ou de atividades de complemento associadas a modalidades de apoio educativo); oficina como atividade letiva (assente numa planificação estruturada de três a cinco aulas, focada na implementação de pressupostos da pedagogia da escrita); oficina numa dimensão de projeto, aglutinando várias disciplinas numa atuação conjunta, para avaliações alternativas, orientadas para perfis de competências / de desempenhos em dinâmicas mais integradoras e transversais.

       Quinze horas de formação presencial, mais quinze de trabalho autónomo, ultimando na partilha de experiências e iniciativas inspiradoras para novas / mais práticas de implicação de alunos e professores no domínio da escrita.Novo(s) tempo(s) de muito(s) trabalho(s).

       

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Ando muito oficinal

     Hoje foi dado mais um passo para a formação específica.

     Um grupo de vinte profissionais está para trabalhar comigo na oficina de formação "Da oficina de escrita à escrita com alguma oficina: processualidade e dinâmicas", em curso na Escola Secundária com EB2,3 Manuel Laranjeira e no âmbito do plano de formação do Centro de Formação Aurélio da Paz dos Reis.

Diapositivo de apresentação da oficina de formação

     Em dia de apresentação (do formador, dos formandos, da ação e da avaliação a promover), houve tempo para se falar de algumas representações profissionais acerca do domínio da escrita (constrangimentos, potencialidades, operacionalizações, níveis de desempenho), se contemplar plataformas de competências / domínios (da oralidade / da leitura para a escrita), partilhar algumas experiências, considerar alguns desafios e algumas oportunidades.
    Neste sentido, a oficina de escrita configura-se como um dispositivo estratégico ajustado a um conjunto de princípios orientadores na ativação / aquisição e desenvolvimento de uma competência fulcral para o contexto escolar (e não só), a saber: planificação estratégica e aberta às contingências de ação, processual e sequencial; interação cooperativa / colaborativa, acompanhamento do processo e do produto, explicitação e aplicação de processos / mecanismos, dimensão prática construtiva e formativamente avaliada.
     Muitas das estratégias implicadas nas oficinas de escrita não são exclusivas deste dispositivo. São válidas também para ocorrências / dinâmicas de trabalho mais pontuais na sala de aula, constitutivas de momentos de ensino-aprendizagem focados em objetivos precisos como os de comparação de modelos, de revisão, reescrita e melhoria de textos.
      Assim foi projetado o percurso:
I – Representações profissionais acerca da competência escrita
II – Referenciais pedagógico-didáticos relativos à Escrita
III – A Escrita nos programas de ensino e nas aprendizagens essenciais
IV – Dispositivos estratégicos no domínio da escrita
a)      O caso da oficina de escrita
b)      A escrita com alguma perspetivação oficinal
V – Planificação de uma Oficina de Escrita
a)      nível de ensino / ano de escolaridade
b)      conteúdos programáticos / metas de aprendizagem / aprendizagens essenciais
c)      âmbito da escrita
d)     materiais a utilizar / construir
e)      procedimentos a contemplar
 VI – Implementação da Oficina de Escrita ou da Escrita Oficinal em contexto de sala de aula
VII – Apresentação e avaliação da implementação (vantagens / constrangimentos)
a)      demonstração(ões) / evidência(s)
b)      perspetivação crítica
     A seu tempo (ao final de quinze horas de trabalho presencial, mais quinze de trabalho autónomo), ver-se-ão as implicações e reflexões associadas às práticas / aos materiais / aos procedimentos adotados.

    Uma oportunidade de colaboração, de partilha, de (re)construção de uma identidade profissional.