quarta-feira, 13 de julho de 2016

Pandemos!

     Assim começou a sessão de formação de hoje: Pandemos!

    Sem o significado, o grupo não sabia o que dizer. Ainda houve quem avançasse com a ideia de "pândega" - a necessidade de diversão, festa é muita nestes tempos em que, cada vez mais, nos mandam trabalhar. Dei-lhes o texto,... o contexto e, mesmo assim, a questão não se tornou fácil. 
   A necessidade do significado, por vezes, é ditatorial; ainda assim, os experimentalismos de Jorge de Sena desafiam-na, a ponto de termos a oportunidade de trabalhar a consciência morfológica dos falantes - até porque esta surge, por norma, quando se desconhece uma palavra; se pretende formar uma nova; se processa um trabalho de análise crítica e corretiva (a ponto de constituir uma tipologia de erros morfológicos).
     Lido o poema seniano (e agora digam que a palavra não existe!), lá fomos à construção do que estava em falta, pela "janela" da morfologia.
   Ter encontrado formas como "baissai", "refucarai" e "contumai" (primeiro terceto), ou, ainda "lambidonai" (segundo terceto), por mais desconhecidas que também sejam, convocou a funcionalidade do convite, da sugestão dirigida a uma segunda pessoa. Não se soube muito bem para quê, é certo, mas lá que várias coisas eram propostas não havia dúvida. O "Pandemos" era só mais uma, desta feita para uma primeira pessoa (do plural). E, assim, todos entramos na estratégia da descodificação do termo.
      A consciência morfológica foi ativada, no reconhecimento de formas verbais flexionadas, a ponto de se chegar ao verbo 'pandar' (com o radical 'pand-', a vogal temática '-a-' e o afixo de infinitivo '-r'). Em 'pandemos', era visível a flexão do conjuntivo, no afixo '-e-', e a da amálgama pessoa-número, em '-mos' (ainda que com o valor típico das frases de tipo imperativo ou dos atos de fala diretivos).

     Outras janelas, por certo, seriam precisas para se atingir a projeção máxima do significado e do sentido. Todavia, desta feita, "pandemos" valeu pelo que nos fez pensar, recorrendo ao processo de segmentação e análise morfológica.