sábado, 14 de junho de 2014

Rumo a Cabanas de Viriato

     O dia foi do Departamento de Línguas (Estrangeira e Materna), para aqueles que aderiram à iniciativa que vai fazendo tradição: o passeio de professores.

      Depois de, no ano passado, termos andado pelas Terras do Demo, desta feita a escolha recaiu sobre Cabanas de Viriato. Tanto se falou de Aristides de Sousa Mendes que fomos ao encontro da casa que nos dá a memória do que injustamente lhe fizeram. Felizmente, há sinais de que a recuperação está para acontecer.

Prospeto e fotos da Casa do Passal (cimo), mais depoimento de Aristides de Sousa Mendes (baixo direita)


      E, tal como a Casa do Passal, é desejável que venha a recuperação da figura, do Homem considerado "Um Justo entre as Nações". Pela ação benemérita que tanto o heroicizou (junto do vulgo) como o destruiu (junto do poder do tempo), é lamentável que o diplomata português ainda permaneça no plano das celebrações e das homenagens nacionais veladas. Têm os estrangeiros (os herdeiros dos sobreviventes ao genocídio nazi) que o destacar, que o homenagear, que o honrar - muitas vezes deslocando-se à terra natal e plantando árvores em memória daquele a quem devem a vida.
      Num breve depoimento de Aristides de Sousa Mendes, é curioso constatar como a vida de um homem se faz de sonho, tomado este último também como pesadelo antecipado. Disto teve consciência o cônsul de Bordéus, num contexto adverso à Humanidade e que ele quis, de algum modo, enfrentar, para minorar a injustiça atroz que se vinha impondo. A luta de um homem pelo bem dos seus semelhantes nem sempre é entendida por quem governa (ou, no caso, desgoverna) - prova de que os motivos da decisão política nem sempre são equacionados à luz de quem ela devia servir. Há "moços" que desiludem (cf. depoimento à direita), por certo, e comprometem os princípios de grandes homens. Foi o caso daquele já considerado como o 'terceiro Grande Português' (programa "Grandes Portugueses", da RTP 1, difundido em 2007) e que, ironicamente, viu no primeiro lugar quem não deixou de o desonrar em vida.
     Em Cabanas de Viriato, visitámos a terra que o viu nascer; ficámos a conhecer histórias de quem o conheceu e com ele chegou a conviver já na fase em que as dívidas eram demasiadas e a sobrevivência acontecia enquanto homem só; encontrámos sinais que interessa divulgar, para projetar o Homem cuja ação altruísta merece o reconhecimento dos tempos.

      Seja esta uma iniciativa inspiradora, para se multiplicar por outras que deem a conhecer quem nunca deve (devia) ser (ter sido) encoberto. Na falta de referências do tempo presente, o passado próximo ainda tem algumas para sublinhar, no que foram de maior.