quinta-feira, 21 de maio de 2020

Depois de trabalhar e antes de trabalhar

      Eis um intervalo, no retrato de um fim de tarde...

      Qual tela que não precisa de tintas ou pincel, a paisagem dá-se a ver colorida e inspiradora.

Retrato pintado pela Natureza (Foto VO)

      Há camadas de cor
      Há barcos no horizonte
      À espera de entrada no porto

      Há tons de céu e de rocha
      Há olhos de sono e de sonho
      À espera de um café tónico

      Há um empregado a vir e a ir
      Há regresso e, de novo, partir 
      À imagem da ondulação do mar

      Quero a cor, o horizonte
      o porto, o céu, o sonho, o café

      Há um novo dia a preparar
      Há tempo para descansar
      À hora do dia a findar

     Tomado o café, tira-se a foto, tão feita de cores novas e revigorantes, e há que regressar a casa para, de novo e ainda, trabalhar.

     Um momento para apreciar e deixar-me levar pelo retrato, partilhando-o com quem não o possa ter.

2 comentários:

  1. Parabéns, Vítor!
    Estrutura anafórica muito bem conseguida e uma semântica sinestésica ao encontro do anseio e da necessidade do sujeito poético.
    Mestria de artífice ao serviço da alma do artista, da alma do poeta.
    O meu abraço.
    Manuel Maria

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  2. Muito obrigado, Manel.
    O sujeito poético também agradece.
    Agora, o poeta... não sei bem se o será! Teve a inspiração, imprimiu um ritmo, mas o trabalho da palavra é duro. O artífice vive muito de uma apurada mestria na qual não me revi muito. Saíram uns versos com anseios e necessidades, sim; com vontade de literariedade também; com um sentido de apreço que acabaste de concretizar.
    Obrigado pela mensagem, pela leitura e, acima de tudo, pela amizade.
    Forte abraço.
    VO

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