sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Valha(-me) a Literatura!

     Talvez seja coincidência a mais, mas hoje relembrei os versos do nosso épico.

      Como te percebo, Camões, nessa reflexão tão quinhentista quanto atual:
Camões na sepultura (Jerónimos)
"Quão doce é o louvor e a justa glória
Dos próprios feitos, quando são soados!
Qualquer nobre trabalha que em memória
Vença ou iguale os grandes já passados.
As invejas da ilustre e alheia história
Fazem mil vezes feitos sublimados.
Quem valerosas obras exercita,
Louvor alheio muito o esperta e incita."

                                                                                            (estância 92, canto V de Os Lusíadas)

    Sem motivos para cantar (a solo), diria que em coro até arriscava.
    Muitos são os que compõem a música e a letra. 
    É de tantos a canção que uma só nota fora de tom desafina.
  Já agora, em vez de "soados", o nosso poeta universal também poderia ter mencionado os "suados". São diferentes, por certo. Não obstante a homofonia, os últimos não desmerecem os primeiros. Também aqueles, pelo esforço feito, não deixam de ter o "louvor alheio [que] muito (o) esperta e incita".

     Como Bocage diria: "Camões, grande Camões, quão semelhante é teu destino ao meu".

2 comentários:

  1. Há quem faça muito e faça soar pouco; há quem faça soar muito aquilo que pouco suou. Camões, com cinco séculos de distância, continua a lembrar-nos que entre o mérito, o reconhecimento e a glória nem sempre existe correspondência. Talvez porque os tempos mudem, mas a natureza humana permaneça surpreendentemente fiel a si própria… 😉

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