quinta-feira, 12 de maio de 2016

Questões do 'além' a ficar muito 'aquém'

    Vamos lá compor as coisas...

     Depois de um apontamento sobre a composição de palavras, surge nova pergunta.

    Q: "Além-mar" é derivada ou composta? Eu considero composta, porque não aceito que "além" seja um prefixo, mas já a tenho encontrado como derivada por prefixação.

     R: Sendo 'além' um advérbio e havendo, com alguma recorrência, palavras compostas formadas por um primeiro constituinte pertencente a essa classe (ex.: abaixo-assinado, bem-vindo, bem-querer, mal-estar, mal-humorado, não-agressão), 'além-mar' é, naturalmente, uma  palavra composta morfossintaticamente. Nela estão associadas duas bases (palavras), ambas com existência autónoma ('além' e 'mar'), sendo a primeira um constituinte da composição com acentuação própria (daí a hifenização).        
       Não vejo o que possa estar em jogo na eventual classi-ficação de 'além' como prefixo (e não o é), a ponto de (erradamente) já alguém ter consi-derado 'além-mar' como derivada por prefixação - mesmo considerando alguns casos críticos que possam ser adian-tados no que Celso Cunha e Lindley Cintra designavam como 'pseudo-prefixos' no âmbito da recomposição (com a deriva ou evolução semântica de termos segmentados, como 'auto' em 'automóvel' - o que não sucede com o termo 'além').
    'Além-fronteiras', 'além-mar', 'além-mundo', 'além-túmulo' são exemplos claros de palavras compostas morfossintáticas.

      Para não ir mais além, fico-me 'aquém', só para dar conta de mais um elemento de composição em palavras como 'aquém-mar', 'aquém-fronteiras'.

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