terça-feira, 16 de abril de 2019

Passos em memória

        O dia de hoje fica marcado pelos passos em direção ao genocídio.


Entrada do Museu AuschWitz-Birkenau (Foto VO)
        Auschwitz é nome de terror. Birkenau, um pouco mais ao lado, é bem pior.
      Aí chegado, a entrada no campo de concentração é imagem familiar, de tão vista em livros de História ou em documentários televisivos, para não falar de filmes que, a propósito da II Segunda Guerra Mundial e do poder nazi, a impõem aos olhos cinéfilos.
        A linha férrea a passar sob um pórtico-vigia altaneiro, como que a separar a vida pacata de uma localidade dessa morte anunciada para os que a ela chegavam, é símbolo de um caminho que muitos fizeram até ao extermínio mais ou menos imediato. Aqui chegaram muitos judeus, especialmente polacos, em massa, mas também os vindos de toda a Europa conquistada pelo exército nazi, excedendo em grande número para a capacidade das prisões até então existentes. Este foi o maior dos campos de concentração, num complexo constituído por Auschwitz I - Stammlager (campo principal e centro administrativo do complexo); Auschwitz II – Birkenau (campo de extermínio); Auschwitz III–Monowitz, para além de mais de 45 outros campos satélites.

Pórtico de entrada de Birkenau ou Auschwitz II  (Foto VO)

        Para lá do pórtico, prossegue ainda a linha de comboio; veem-se campos com barracões, que foram de cavalos e armamento e se tornaram de pessoas; erguem-se, aqui e acolá, postos de vigia, juntos a uma longa extensão de arame farpado, delimitando largos terrenos, até que, ao fundo, se vê um memorial às vítimas e, atrás, uma pequena fileira de bétulas resistentes ao tempo. Talvez tenham assistido a muito desse cenário hediondo que a Humanidade não pode esquecer. Após a invasão da Polónia (setembro de 1939), os soldados alemães fizeram da cidade Oświęcim (traduzida por Auschwitz) um espaço de horror, configurando a floresta de bétulas (Brzezinka) num espaço de genocídio, de extermínio - o lugar para a Solução Final dos judeus (mais de três milhões aqui foram assassinados).

Galeria-memorial às vítimas dos Nazis, em Birkenau (Foto VO)

        A determinada altura, a cada passo dado, os meus e os dos meus companheiros, soou bem na alma o ruído do cascalho misturado com a terra, como a avisar que aquele era chão de desgraça. Há cerca de oitenta décadas, podíamos ter sido nós a ser conduzidos para o trabalho forçado ou os ensaios médicos, na melhor das hipóteses; para as câmaras de gás da "Pequena Casa Vermelha" ou "Pequena Casa Branca", na pior (ou talvez não, por ser das mortes mais imediatas e libertadoras do terror que era viver). Seis crematórios acabariam por fazer dos corpos pó.

Os quartos nos barracos do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (Foto VO)

       Foi preciso esperar por 27 de janeiro de 1945 para o exército soviético libertar este campo de concentração - facto comemorado mundialmente como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto

        A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 2002, declarou oficialmente este local como Património da Humanidade. Um triste Património este nosso, prova da crueldade e da tortura de que os Homens são capazes.

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