terça-feira, 26 de junho de 2012

Verão... com 'Chuva'

    Até podia ser a condição do dia; é mais um dia na condição da chuva.

    Da janela, vejo as poças de água que se formaram na noite. A chuva voltou para molhar o verão.
    O ar cheira a fresco; está lavado o chão. Sujo só o céu, com as nuvens que ameaçam a luz do dia com borrões de um cinza que só o sol consegue fazer esquecer.
     Vem, então, a lembrança... de uma canção... na letra e no som.


            CHUVA

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob a chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade 


   Numa composição (letra e música) de Jorge Fernando, a voz de Mariza compõe o choro que surge numa cidade cujo mar lembra o salgado.

   Do choro do tempo ao choro da alma, a luz do dia fica claramente ofuscada, na ânsia de um clima melhor ("Há dias que marcam a alma!"), para condizer, no mínimo, com o verão já entrado no calendário.