sábado, 10 de setembro de 2016

Memória na cidade e na obra

       A morte de um artista. E a expressão não é irónica. É factual.

   Hoje fala-se da morte do escultor José Rodrigues. Para muitos desconhecido. No Porto, é reconhecido, entre outras obras, pelo 'Cubo da Ribeira' (da década de 70 do século passado); pela estátua ao General Humberto Delgado, na Praça Carlos Alberto (2008); pela lápide de homenagem ao Duque da Ribeira (1995); pela pantera negra junto ao estádio do Bessa, do Boavista Futebol Clube (2000-2001) e pelo 'Monumento ao Empresário' (dos anos 90), que se vê ao subir ou descer a Avenida da Boavista;

Montagem com imagens de algumas das obras do artista na cidade invicta

        De origem africana (nascido em Luanda, no ano de 1936), este artista plástico português foi membro do chamado grupo "Quatro vintes", numa referência direta seja à classificação obtida nos estudos artísticos da Escola Superior de Belas-Artes do Porto seja a uma marca de tabaco designada como "Três Vintes". Foi na capital nortenha que concluiu o curso de Escultura, mas a sua arte ganhou expressão em diferentes áreas (como a cenografia em companhias dramáticas portuenses e não só; a ilustração de livros; a cerâmica e a medalhística) e em múltiplas iniciativas culturais e educativas (por exemplo, foi um dos fundadores da Cooperativa Árvore no Porto, em 1963, e um dos promotores da Bienal de Vila Nova de Cerveira).

     Pelo seu empenho socialmente interventivo, pela qualidade da obra que deixou, pelo sentido oficinal e coletivo que atribuiu à sua arte antes de atingir os oitenta anos, o "mestre Zé" viajou para esse mundo sem espaço nem tempo, dedicado e feito de memórias.

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