sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Porque sou Haddad

       Tudo por causa de princípios.

   Sou Haddad, porque não posso ser a favor de quem pense com base no preconceito, na desconsideração das minorias ou na diferenciação assumidamente sexista, religiosa, rácica, xenófoba, quanto mais quando alguém os explicita e defende publicamente.
    Sou Haddad, porque não é pela falta de referências e pela descrença na ação dissimulada e hipócrita de alguns políticos que se pode legitimar tudo, mesmo os que, tendo palavras bem distintas da política perversa que nos tem dominado, caem no erro do fundamentalismo, do extremismo, da marginalização, da repressão e de um 'one best way' (que não é para todos, garantidamente) para se responder ou sair de algumas adversidades.
    Sou Haddad, porque a corrupção reinante (de hoje e de tempos remotos) não pode destituir ou corromper o pensamento da busca de um ideal, de uma utopia ou de princípios mais humanistas, inclusivos, tolerantes, respeitadores da dignidade de todo e qualquer ser humano que pretende ser feliz e atingir o bem comum. Lutar contra a degração moral e social não pode ser sinónimo de agrilhoar a felicidade e a liberdade humanas.
    Sou Haddad, porque nenhum(a) país, sociedade, partido ou grupo pode ser avaliado(a) na base da generalização de que algumas das suas negações são espelho de que tudo falha ou de que tudo obrigatoriamente faz parte de uma só farinha no mesmo saco.
    Sou Haddad, porque, apesar de não ser brasileiro, sou falante de uma língua que já teve outros que declaradamente a usaram para deixar passar mensagens de intolerância, hipocrisia, desrespeito, prepotência, cegueira, promovendo mais desvalidos e revoltados do que protegidos e estimados no que, pela sua singularidade, de bom e de bem podem dar à sociedade.
    Sou Haddad, porque esta pode ser a alternativa a tudo o que de mais consabido há nas posições e nos discursos assumidos por quem com ele diretamente concorre.
    Sou Haddad, porque a História me ensinou que os democraticamente eleitos em situações críticas e com discursos marcados pela defesa nacionalista e pela afirmação de superioridade de alguns relativamente a outros acabam por sustentar e utilizar o poder em favor próprio, com tiranias e sinais de despotismo, típicos de regimes ditatoriais que só guerras, revoluções, resistências, vítimas, mártires e mortes permitiram a muito custo ultrapassar.   
     Apartado pelo azul de um oceano que brilha sob as estrelas, revejo-me na terra desse verde (da esperança) e amarelo (de acautelado otimismo); da Ordem e do Progresso, a firmar-se para lá da bandeira; do grito do Ipiranga, que reconfigura 'Independência ou Morte' em 'Liberdade democrática ou Jugo autoritário'.

      Quanto aos fins, que sejam os da crença na humanidade e na escolha sensata que se impõe, por mais inspiradas que sejam numa fé que as transcende.

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