sexta-feira, 26 de junho de 2015

Acordar com o erro

     Não se pode dizer que seja sinal de bom augúrio.

     Mais uma vez, o 'Bom Dia Portugal' apresenta um rodapé indesejável. A propósito de uma questão de saúde pública que pode ganhar contornos críticos neste período balnear, escreve-se o seguinte (e, pior, dá-se a ler a milhões):


     Isto de confundir 'conselho' com 'concelho' é caso tão clássico quanto ser exemplo constantemente evocado para evidenciar o que são palavras homófonas (tal como cozer / coser), quando se trabalha relações a nível da escrita e do som. Por ser tão comum, dir-se-ia que é inusitado vê-lo confundido nos meios de comunicação social. Não o é, pelos vistos. Se 'conselho' está para ensinamento, entidade superior (veja-se o S - até parece que estou a falar para alunos!), 'concelho' está para câmara ou município (veja-se o C). Conhecimentos etimológicos mostrariam como em latim já era assim (consilium / concilium, respetivamente).
      Sabida esta distinção básica, outros saberes decorrem dela, nomeadamente que 'conselho' permite formar o verbo 'aconselhar' mais as devidas formas conjugadas; e que, deste, por prefixação, deriva 'desaconselhar' e, posteriormente, 'desaconselhado(s)/a(s)'.

     Num canal televisivo (e não é o único) que está preocupado com o "Bom Português" e que hoje pretendia saber se deve dizer-se 'ao par' ou 'a par', é lamentável que não esteja a par de questões ortográficas tão essenciais como as que permitam aconselhar, bem e por testemunho, a ler e a escrever.

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