segunda-feira, 12 de março de 2018

Gi-George-Georgina

    Afinal, (também) Maria Judite de Carvalho.

    Na sequência da abordagem do conto "George", nada como apresentar a autora da narrativa, a partir de um pequeno documentário sobre a vida e obra daquela que, na escrita literária, se (re)viu mulher em diferentes idades e se compôs na solidão.

Documentário da RTPN (2011)

    Um visionamento que prossegue o tratamento de um pequeno texto informativo (para deteção de linhas temáticas, marcas de construção narrativa e registos de inspiração biográfica) e incide sobre uma pré-tarefa a dar continuidade / complemento à recolha de dados relativos ao trabalho anterior.
     Dos muitos dados contemplados, sublinham-se os seguintes:
"As Três Idades do Homem e Três Graças", 
de Hans Baldung Grien, 1539 (Museu do Prado)
a) consciência em movimento (interior da alma) de personagens, dimensionada no âmbito do psicológico;
b) vertente realista de retrato de uma sociedade frustrada, oprimida, isolada, marginal;
c) consciência da velhice e dos idosos (que todos seremos) no ciclo da vida;
d) técnica do monólogo interior (na expressão de uma consciência partilhada do pensamento);
e) exigência da colaboração do leitor (corresponsável na construção de imagens narrativas, por exemplo, a do espelho, no caso de 'George');
f) vivência no estrangeiro (França, Bélgica), tal como George (em Amesterdão);
g) crença mais no talento de pintora (tal como George) do que no de escritora.

      Vamos, então, a "George" (que já foi Gi e será Georgina), narrativa epónima marcada por essa consciencialização do encontro do 'eu' consigo mesmo, pela representação do que foi e do que será, numa espécie de despersonalização, distanciamento, descentração para se poder ver na memória, ao espelho ou n(um)a bola de cristal.

     Uma narrativa tão reflexiva e deambulante quanto o que Bernardo Soares fez com Pessoa (ou o último no primeiro). Porque a consciência da vida é feita de procura, numa viagem que nos faz estar atentos ao que há à volta de todos nós e que nos leva a revermos o percurso já feito e/ou a prevermos o que estará para além de nós a cada instante.

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