segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

"Ridendo castigat mores"

    Máxima vicentina acompanhada de tabefe, lambada, estalo ou bofetada valente (de luva branca não é, até por ser azul). Em tempos talvez tenha funcionado. Hoje, tenho dúvidas.

    Pelo menos para aqueles que aprenderam de vez a corrigir o erro, é possível que um valente tabefe tenha sido um santo remédio. Para os que não deixaram de o cometer, foi pedagogia falível. Ainda assim, sorrio com a imagem:


    Por cómico que seja, a vontade às vezes é muita - passar das palavras aos atos. Não sei se é razão para heroísmos, mas, por certo, é motivo de desgaste, de cansaço, de consciência de que não adianta falar sempre no mesmo e às vezes a uma mesma pessoa. Daí ter de se criar a versão contrária do "Água mole em pedra dura tanto dá até que fura".
   Não fura nem furará, quando tantos ignoram e/ou relativizam a questão. Pena que estes não saibam que a ignorância e/ou relativização neste domínio é apre(e)ndida e aplicada, depois, a muitas outras situações que também não serão levadas a sério (por mais que as queiramos ou venhamos a ver como tal).
    Será que a vítima aprendeu como se escreve 'bateste' (TU bateSTE)? Para que não se pense que é apenas uma questão de hífen, bom seria considerar que a gramática daria uma ajudazita importante, caso a morfologia fosse sistematicamente trabalhada (tal como em 'estudaste > TU estudaSTE', 'cresceste > TU cresceSTE', 'sorriste > TU sorriSTE'). Dar-se-ia conta da terminação verbal na segunda pessoa gramatical, e não de uma construção sintática associada à pronominalização (com 'te').
     Uma questão de domínios gramaticais com relações evidentes na leitura e na escrita - o que não significa, portanto, deixar de trabalhar morfologia e sintaxe. Se o bom desempenho daqueles domínios programáticos depende destes domínios linguísticos é neles que interessa apostar (quanto mais não seja para não ver anúncios tão mal escritos).

     Agora veja-se o peso que a gramática tem nos programas de ensino do Português, nomeadamente no Ensino Secundário! Só falta ouvir dizer que a questão crítica evidenciada é para alunos do ensino básico. Alguém está a precisar de uma valentíssima bofetada, para ver se acorda para o mundo e para a realidade. Belo pensamento para começar fevereiro!

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