sábado, 28 de julho de 2012

'So british' ou 'too british'

     Noite para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, em Londres.

   A máxima do 'mais rápido, mais alto, mais forte' retoma-se em ano de jogos olímpicos, desta feita realizados em Londres. O lema, instituído desde 1924 por Pierre de Coubertin nos jogos da era moderna, apoia-se nas palavras latinas 'Citius, Altius, Fortius'.
    O espírito universal comunitário, livre de credos ou raças, revê-se nos cinco anéis olímpicos entrelaçados, representando os cinco continentes que se unem numa efeméride desportiva, realizada de quatro em quatro anos, para expressão dos limites psicológicos e físicos a que se dedicam muitos atletas. A música oficial de 2012 ("Survival"), interpretada pelos Muse, explora esses limites, ecoando acordes de 'We are the Champions' dos Queen, para não falar mesmo da versatilidade de registos sonoros e vocálicos representados na composição.

Vídeoclipe oficial com a música dos Muse

   Quanto à cerimónia de abertura, revelou-se tipicamente 'british', numa afirmação dos sinais contemporâneos e até imperiais da 'old England'. A terra de Sua Majestade a Rainha Isabel II está no centro de muitas heranças para a humanidade: a revolução industrial, a literatura infanto-juvenil, o pop e as 'novas ondas' musicais, o futebol, o cinema e o teatro, a moderna instituição monárquica. De tudo isto se compôs o evento artístico, com as figuras representativas dessa ilha europeia que se individualiza face ao próprio continente, para não dizer ao mundo com a sua "Commonwealth". Neste sentido, o espetáculo revelou-se "too british".


   Chegou mesmo a soar despropositado um ou outro pormenor, como o da rainha envolvida numa curta-metragem com esse agente que se dá pelo nome de Bond... James Bond (como que a precisar de alguma divulgação internacional para o novo filme de 007, prestes a estrear); o de Mr. Bean a sonhar ser vitorioso numa corrida, ao som de "Chariots of Fire", em que tudo parece valer (até o cómico devia ter limites).

     Veremos o que o evento trará. Quanto mais não seja, que se sublinhe esse pensamento-matriz que se explicita no juramento olímpico: "A coisa mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas participar, assim como a coisa mais importante na vida não é o triunfo, mas a luta. O essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem."

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