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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Vai uma "ghost house"?

      Não se confunda com "guest house".

     O dia é de Halloween, mas não é feriado para ninguém (é de trabalho, trabalho,... e mais trabalho). Nem com feitiços isto lá vai! De bruxas, nada - já não as há como antigamente, que eram mais "descaradas", menos dissimuladas!
       Por isso, com "trick or treat", fiquemos pelo "treat" e uma "ghost house" (melhor, duas). Com a crise da habitação em Portugal, não há como explorar alternativas (que não prejudiquem).

"Ghost House": uma doçura de Halloween vinda diretamente da Pepim (Foto VO)

       Venha o chazinho (de limonete) e viva-se a "doçura" sem travessuras.
       Há quem veja neste dia o antípoda do seguinte:

Comparações falíveis, com dias sem luz, sem vida e sem o princípio da eternidade

       Antes fosse assim! A referencialidade histórica do dia de amanhã em nada se mostra positiva pelo que foi tragicamente vivido, corria o ano 1755 - um dia de má memória.

       Façamos nós os dias ou alguns momentos destes ao prazer de todos, porque, para tragédias, já basta as que existem no mundo e parecem não ter fim.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Sobre Arte e o Museu do Prado

     Depois de assistir a um documentário de 2019 intitulado "O Museu do Prado" (TVCine Edition), apetece lá voltar.

       Apresentado por Jeremy Irons e dirigido por Valeria Parisi, trata-se de uma produção para televisão a assinalar a primeira viagem cinematográfica pelas salas, histórias e emoções de um dos museus mais visitados do mundo. Nele encontram-se obras de arte magníficas, contando a história de Espanha desde os Trastâmaras aos Habsburgo, bem como do continente europeu que esteve sob a alçada do império de Carlos V.
Entrada lateral do Museu (estátua de Velázquez)
    Do Salão dos Reinos de Filipe IV (bisneto de Carlos V) ao grande e complexo edifício que abriu as portas madrilenas à arte (primeiro, por mandado de Carlos III de Bourbon, no século XVIII, ao arquiteto Juan de Villanueva; depois reto-mado, após as invasões francesas, por Fernando VII e Isabel de Bragança), destaque para a pintura de Ticiano, Rubens, El Greco, Velázquez, Goya, Dalí - espelhos de tempo e de histórias a (re)descobrir e a (re)viver.
      Aquando dos duzentos anos de abertura ao público (1819-2019), as fachadas principal e lateral do museu estavam em restauro. No interior, eram tantos os espaços e as obras que o tempo esgotou-se na infinitude de pontos de interesse, dos mais antigos aos mais contemporâneos.
      Rever alguns deles neste registo fílmico foi uma boa recordação, por certo. Ainda assim, as cores e as dimensões do autêntico estão para lá do que o ecrã televisivo permite.
     Termina o documentário com uma citação das palavras de Pablo Picasso, diretor do Museu do Prado, em 1936:

"A Arte limpa a alma...

... da poeira da vida quotidiana".

     Lembro-me de ter percorrido alguns dos corredores e das secções do grandioso museu, e ficar com a sensação de que precisava de mais do que dois dias para apreciar tanta herança cultural.

     Entre tantos registos, trouxe este:

"Deposição da Cruz", pintura flamenga (Van der Wayden)

      Um quadro que desafia as linhas da moldura, o espaço da imagem (explorando um efeito claustrofóbico), a própria pintura (apresentando-se com tridimensionalidade, quase como se fosse uma escultura, na composição para lá das linhas convencionais, dos limites retangulares singulares e das linearizações estáticas). Um episódio religioso, bíblico, convoca a reflexão sobre a morte, quase numa coreografia dos corpos inanimados / desfalecidos, sem esquecer o pormenor de uma caveira (ao fundo, aos pés) a impor-se face à grandiosidade das figuras representadas.

        Acho que estou a precisar de um bom banho (de cultura)!