segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Um cortejo polémico

    A propósito de um cortejo no Porto e das reportagens feitas, lá vem o problema clássico: qual o plural de Pai Natal?

     As versões são variadas: Pais Natal, Pai Natais, Pais Natais. Questão para perguntar no que ficamos.
    A formação do plural dos nomes compostos foi sempre um ponto crítico da gramática. Não raro, gramáticas diferentes apontam para cenários distintos num mesmo caso. 
    Entre a sistematicidade de algumas regras ao nível da flexão e as orientações reconhecidas ao nível do uso, o contraste de número nos nomes compostos não escapa ainda ao processo de lexicalização a que algumas palavras foram já votadas.
    No caso de Pai Natal, uma regra da gramática tradicional aponta para uma construção do tipo 'Nome + Nome / Adjetivo', a qual é usualmente marcada com plural em ambos os termos da composição.
    Há, contudo, algumas excepções a esta regra, nomeadamente nos casos em que o primeiro termo é assumido como um hipónimo do que é perspetivado como termo nuclear (ex.: peixe-espada é um tipo de peixe; bolo-rei é um tipo de bolo; bomba-relógio é um tipo de bomba; uma notícia-bomba é um tipo de notícia). Assim, nestes últimos casos é o termo sublinhado que marca o contraste de número (> peixes-espada, bolos-rei, bombas-relógio, notícias-bomba). Daí dizer-se que se trata de nomes compostos com subordinação, quanto à natureza sintagmática, para abordar na chamada composição morfossintática (segundo o Dicionário Terminológico).

     E, assim, o dia de hoje foi dominado pelos pais natais que, no Porto, foram muitos, tendo em vista o objectivo de bater o record do guiness. Muitos até podiam ser pais; outros eram mães; outros ainda seriam mesmo filhos. Conclusão: o Pai Natal não é um tipo de pai. Quando houver mais do que um, saúdem-se os Pais Natais.

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