quarta-feira, 3 de abril de 2013

A tristeza de um dia... sem motivos para celebração.

      É melhor pensar que o fim de semana está para chegar e que pode vir o "sol".

      Há dias que bem podiam não fazer parte do calendário.
     O de hoje é, por certo, um desses, pela inutilidade que teve, pelo cinzento que trouxe, pelo mau tempo que o anunciou.
    Historicamente, também não parece haver razões para o celebrar. Nele se viu partir um homem, ou melhor, um Homem que só o tempo de alguma forma tem vindo a reconhecer a sua ação e que, mesmo assim, ainda não tem entre nós a dimensão que deveria ter.
     Há cinquenta e nove anos morria Aristides da Sousa Mendes, só, pobre, apenas com o auxílio de uma instituição que o apoiou até à última hora, quando todos o abandonaram. Do prestigiado diplomata que havia sido e da influência marcante e humanitária que tivera, restava nessa altura a derradeira solidão, arquitetada por forças políticas que acabaram por o conduzir para uma condição de infelicidade irrecuperável.


     Em 1967, uma organização estatal israelita (Yad Vasham) homenageou-o; em 1987, foi postumamente condecorado com a Ordem da Liberdade pela Presidência da República Portuguesa; em 1989, a Assembleia da República  decidiu, unânime e aclamadamente, reintegrá-lo na carreira diplomática de que foi destituído, como forma de reparar um erro humano, político; em 1994, Bordéus rendeu-lhe homenagem com o descerramento de uma estátua; em 2005, os Estados Unidos da América reconheceram-lhe a determinação, a coragem e o humanismo revelados aquando do salvamento de judeus no período da Segunda Guerra Mundial. 
    A intriga, o despotismo, a duplicidade, a deslealdade pautaram todos aqueles que o levaram à miséria final. Hoje é designado "um Justo das Nações".

      É história passada, é lembrança presente, é descrença num futuro mais justo, quando se constata a impossibilidade de se ver, na altura devida, que há valores mais válidos do que formas ideológicas capazes de se alimentarem a si mesmas.

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