domingo, 19 de janeiro de 2014

Da trágica vivência à estratégia de sobrevivência

      Ao final de uma semana de trabalho, estou prestes a arrancar com uma outra...

    Em várias turmas houve a conjugação de reflexões apoiadas no que é a diáspora do povo judeu, o contexto da Segunda Guerra Mundial e a figura incontornável de Aristides Sousa Mendes.
    Tudo começou porque um dos quadros vicentinos do Auto da Barca do Inferno (1517) aborda a personagem Judeu. Surgem as inevitáveis questões acerca da situação final da personagem e da moralidade que subjaz à sequência dramática (mais orientada para a discriminação de que a personagem é objeto, na mentalidade dominante do século XVI e na voz preconceituosa de um Parvo, do que para as culpas próprias de um ser que parece apenas pecar pelo materialismo e por não olhar a meios para atingir o seu fim: entrar num batel, nem que seja o do arrais infernal, para contrariar a segregação terrena); de que como a atualidade não é muito distinta para quem viva na condição de minoria (étnica, religiosa ou outra).
     Tudo continuou porque, a propósito de Branca Flor e das atividades promovidas nas aulas, alguém tropeçou na referência a um ciganito (Lázaro) e na palavra 'nazi' - e desta última não se sabia o significado. Daqui para a figura de Hitler, a sua ação para com os judeus e o papel heróico que Aristides Sousa Mendes desempenhou na história desse povo foi um pequeno passo.
      Pelas referências feitas a livros e filmes (nomeadamente, O rapaz do pijama às riscas, O diário de Anne Frank, A lista de Schindler e A vida é bela), houve quem dissesse que já tinha o que fazer no fim de semana (aposto que será mais ver algum filme do que ler algum livro. Mas que seja!)
     Por mim, contribuo para a ilustração de tudo o que foi falado com uma pequena montagem de sequências filmicas (clicar no endereço abaixo da imagem, para aceder à montagem exibida):

(imagem inicial do filme 'A lista de Schindler', de Steven Spielberg)
https://www.dropbox.com/s/8me2j74n433wcld/Montagem-AlistaDeSchindlerAvida%C3%89bela.WMV
(selecionar o endereço e clicar no selecionado com o botão esquerdo do rato - ir para...)

      Perante a tragédia pressentida (já que, pela vivida, poucos são os que a podem contar), muitos foram os silêncios feitos de atenção; várias foram as questões e muitas foram as expressões reveladas a cada pormenor que ia sendo sugerido, para que se pudesse imaginar o que era viver nas condições descritas.
      
     Há páginas da História que muitos dizem que devem ser apagadas; por mim, acho que devem mais ser lembradas. E se os alunos puderem projetar-se numa das vítimas das narrativas em causa, pode ser que se aproximem das atrocidades cometidas à Humanidade de que fazem parte.

Sem comentários:

Enviar um comentário