A convite da Direção Geral de Educação (DGE), a minha participação aconteceu à distância de um clique.
O propósito era o de, num workshop online intitulado “Cenários de aprendizagem com recurso às tecnologias e aos manuais digitais”, entre as 17h30 e as 20h30, fazer uma alocução no momento “À conversa com…”, partilhando a experiência do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML) na implementação e utilização dos manuais digitais. Em cerca de 20-30 minutos, fiz incidir o discurso sobre alguns eixos de reflexão, nomeadamente: a importância dos manuais digitais no apoio à aprendizagem dos alunos; as razões que motivaram a adesão do AEML à iniciativa e os benefícios identificados; a estratégia de implementação e a articulação com o Projeto Educativo; a forma como os objetivos definidos têm vindo a ser concretizados; as perspetivas futuras no âmbito da utilização dos manuais digitais.
A ação promovida resultou numa formação de curta duração (AFCD), orientada para a promoção e integração do uso das tecnologias digitais enquanto ferramentas ao serviço de uma educação de qualidade, designadamente no que respeita à utilização pedagógica dos manuais digitais, valorizando os recursos disponíveis e partilhando práticas potenciadoras do envolvimento dos alunos nas aprendizagens. Apresentando exemplos e estratégias de utilização dos manuais digitais e de outras ferramentas tecnológicas nas práticas de ensino, em diferentes contextos e áreas disciplinares, em articulação com outros recursos, a representação do AEML procurou, desde logo, sublinhar a importância do digital tanto em contexto de sala de aula como fora dela e dos tempos letivos. Não na substituição de nada nem de ninguém; antes, no propósito de integrar e de se assumir uma outra oportunidade de trabalho, explorando um fator motivacional (pela abrangência de sentidos ativados; pelo envolvimento e imersão num mundo de dispositivos oportuno, diverso e plural; pela convocação de efeitos de "realia" e autenticidade de conhecimentos partilhados; pela estratégia de gamificação que possa implicar); a acessibilidade a fontes diversas de informação, que importa trabalhar / tratar lógica e criticamente, segundo as competências e as aprendizagens essenciais definidas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO); as possibilidades de proximidade / ajustamento de condições de ensino-aprendizagem (por efeitos de personalização, diferenciação e inclusão, no recurso a serviços, aplicativos e adequação de ritmos / tempos). Em suma, encarando o digital como um meio para um fim maior.
Plataforma Aprender-AEML
Vários motivos têm presidido à adesão, pode dizer-se, deste projeto de ação, que foi tornando cada vez mais o AEML como escola / agrupamento digital: a já longa oferta formativa dos cursos profissionalizantes, no âmbito dos cursos multimédia e audiovisual, bem como dos cursos regulares do ensino básico e secundário, com a disciplina de oferta de escola Média XXI (a par de Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC - e de Aplicações Informáticas); a adoção do projeto-piloto dos Manuais Digitais desde os anos letivos 23-24 (implicando as turmas de 5º a 9º anos); a integração do Laboratório de Educação Digital (nos módulos científico-tecnológicos e de comunicação / difusão audiovisual); a transposição e o alargamento dos propósitos do Plano de Transição Digital e do PADDE (Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola, aprovado com a resolução do Conselho de Ministros nº 30/2020) para os de Coordenação de Educação Digital no agrupamento; a construção de uma plataforma de aprendizagem (Aprender AEML), com elaboração, inventariação e aplicação de recursos diversos numa lógica de estudo autónomo. Um projeto educativo que prioriza como um dos seus eixos tanto a escola cultural (onde cabe a cultura difundida digitalmente) como os ambientes (ecológico, relacional, profissionais, comunicativos e de aprendizagem, tecnológicos e digitais), não pode desconsiderar uma área fulcral para as aprendizagens, para a crescente e progressiva integração social e para o domínio de competências de literacia(s) múltipla(s) e de exercício futura e profissionalmente eficiente / eficaz.
A par dos benefícios inerentes associados à implementação das dinâmicas, não deixou de ser considerada a possibilidade de integrar equipas de trabalho que auxiliaram na partilha, no trabalho e na consultoria de procedimentos (como, entre outros, o Centro de Coordenação TIC e o Centro de Formação Aurélio Paz dos Reis), tudo contribuindo para uma convergência integradora no domínio de competências e inteligências múltiplas; para a construção de maiores níveis de confiança na operacionalização racional de ferramentas e modos de trabalho; para a diversificação de instrumentos / recursos e progressiva consciencialização no uso.
Laboratório de Educação Digital (LED) em ação, na escola sede
Projeto-piloto dos Manuais Digitais na Escola Básica Integrada Sá Couto (EBISC) e na escola sede
Com o reconhecimento de recuos e avanços, o caminho continua a ser feito com a colaboração de muitos, as resistências de alguns, a consciencialização progressiva da inevitabilidade dos recursos em jogo (não necessariamente para diversão). O uso consistente e consciente das TIC - com ou sem manuais digitais, com aplicações crescentes e diversas, na escola ou na vida - requer uma visão de ensino e de aprendizagem assentes em avaliação sucessiva, na qual os critérios de adequação se impõem, com uma planificação estratégica dos recursos a utilizar, dos objetivos a atingir, da informação a tratar (nas lógicas e nas competências a ativar, no exercício crítico a fomentar, no respeito das fontes a considerar), da avaliação a promover (mais formativa ou mais sumativa, sem deixar de explorar intermodalidades) para monitorização das aprendizagens. Nisto, na nuclearidade de a(tua)ção e intervenção educativa, não há muita diferença de atuação; quando muito, esta existe conforme a maior ou a menor abertura à adoção de recursos / suportes, à exploração de oportunidades, ao trabalho a cumprir.
Transmitida a mensagem, expressos os agradecimentos e o reconhecimento da "sua excelente partilha" (citação do dito e do escrito), foi sublinhado o contributo significativo para o sucesso do evento. Mais do que a disponibilidade e o entusiasmo pessoais, ficou a consciência do que foi desenvolvido no agrupamento; da representação que intencionalmente quis marcar em favor de todos aqueles que muito me inspiraram no que disse, a partir do que empenhadamente fizeram / fazem construíram / constroem. A todos estes, muito em particular, fica o agradecimento maior, em nome do agrupamento e, permitam-me, em nome pessoal.


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