terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

São três, mas não da vida airada

      Mais um dia para mais um ano...

      Foi recente a descoberta de que uma colega e uma aluna celebram comigo mais um aniversário. Dado ser a versão masculina dos três, coloco-me entre elas, aquarianas de gema como eu (estará no meio a virtude?).

   O nosso símbolo é o aguadouro, ainda que, com Gémeos e Balança, sejamos um signo do Ar.
      Como décimo primeiro signo astrológico do zodíaco, o número é lido, no Tarot e nas cartas dos arcanos maiores, como o domínio da Justiça. Seja esta equilibrada seja esta aplicada com discernimento, racionalidade e objectividade, será sempre exemplo a seguir, cruzado com o passado (e o balanço dos erros cometidos) mais o futuro (e a atenção a visões de perspectivas distintas). 
      Segundo Caio Higino, autor da Roma Antiga e da obra Astronomica, Aquário podia ser Ganimedes, um rapaz muito belo levado por Júpiter para o Olimpo, para se tornar criado dos deuses (razão pela qual carrega um pote que derrama água); Deucalião, cujo reinado foi invadido de tanta chuva que resultou num dilúvio; Cécrope, que comemorava a ancestralidade da raça e utilizava água na prática de sacrifícios aos deuses (antes do conhecimento do vinho).
     Seja lá quem tiver sido, agora também há três conhecidos a partilhar o signo (espero que não sejamos criados de ninguém, embora às vezes pareça... só que não de deuses; que não metamos água, quanta a do reinado de Deucalião; que possamos celebrar com alguma coisa mais substancial do que simples líquido).



O meu bolo de aniversário 
oferecido pela turma do 11º2
              AQUÁRIO


      Sou feito de sim e de não,
      de brisa, vento ou furacão,
      de fogo, cinza, silêncio ou paixão,
      de tormentosa bonança em cenários de tensão.

      Busco o novo, canso-me do comum, anseio pela ilusão
      num tempo preenchido pela impressão
      de uns ponteiros de relógio correndo de estação em estação,
      em inevitável e desgastante aceleração.
      
      Perdendo e ganhando a vida, fico sem conclusão,
      partindo na viagem para o mundo inteiro, sem destino ou chão...
      No terror, na felicidade, na ventura, na pressão,
      vejo-me força de pensamento; materialidade sem realização... 
      E no instante em que surge o desassossego, a preocupação,
      não quero limites nem fronteiras - Não!
      
      Se me isolo, vivo de angústia, de malogro e pesada frustração, 
      por mais que nisto ninguém veja razão.
      Não me quero único entre muitos; na Humanidade não sou excepção...
      Do tempo não guardo passado; do presente, tenho a contínua sensação
      de que não chega para a satisfação nem para a dispersão 
      desta minha vontade de limar a imperfeição;
      do futuro, procuro distrair-me, não sem inquietação. 

      Diferente?... Só entre o pensado e o realizado, na negação
      do físico que atrofia a mente. Na derradeira hora, na da final separação,
      vingarei o espírito que na matéria viveu por ter coração.

Gondomar, 
em dia de aniversário

      Entre o que sou ou o que se assume ser, fica o sentido das palavras (quem sabe?) à espera de alguém, de um retrato, de um aquariano que confirme ou infirme a descrição. 

      Por ora, direi que estou bem acompanhado na celebração.

4 comentários:

  1. Vítor,

    Obrigada. Se não me tivesses enviado não tinha visto. Gostei muito do que escreveste.

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  2. Eu ia lá não enviar à minha companheira de trabalho, de signo e de aniversário!
    Obrigado!

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  3. Que grande honra fazer parte de mais uma das páginas do blog... Mas diga lá, caríssimo docente, se a tartezinha de nata não foi um excelente e engraçado bolo de aniversário!!
    Contudo, ao longo dos diversos cânticos festivos, pude averiguar um aspecto muito importante...
    ... quanto maior o número de aniversários concretizados, menor o bolinho.

    Logo, há necessidade de parar o tempo.

    Se eu chegar aos 60 qual será o tamanho do docinho?? Uma nata? E aos 70? Uma língua de gato?? Nem quero saber o que será quando chegar aos 100!!

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  4. Prezadíssima discente,

    Corroboro as averiguações, as asserções e as questões produzidas. Quanto à transitoriedade do tempo, trata-se de uma inevitabilidade da vida, à qual ninguém pode obstar.
    Faça o obséquio de considerar a eventualidade da drageia lá para a centúria.
    Cordiais saudações.
    ;)

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