segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dúvida(s) linguística(s)... com ou sem desafio

    Começo a perceber o sentido da questão... e muitas são as razões para que dúvidas destas surjam, particularmente quando são aferidas em contextos de avaliação e se constituem como pontos a, de algum modo, reflectir e racionalizar nas práticas.

    Q: Não é a mesma coisa dizer 'grupo nominal' ou 'sujeito' da frase?

    R: Decididamente não. E por variadíssimas razões.
    Começo por indicar que não são confundíveis dois níveis de análise da língua, ainda que ambos pertencentes ao domínio da sintaxe: o nível da constituição ou combinação de palavras no interior de um grupo (normalmente com uma palavra-núcleo que dá nome a esse grupo, independentemente da posição ou da função que apresente na frase); o da função ou das funções desempenhadas por esse grupo na frase.
      Tipicamente, os grupos nominais têm um nome como palavra-núcleo, podendo ainda apresentar-se sob a configuração de um pronome, como se verifica nos itálicos em i-v:

i) Os alunos estavam atentos.
ii) Os alunos interessados estavam atentos.
iii) Os alunos interessados da turma estavam atentos.
iv) Os alunos interessados que tinham chegado tarde estavam atentos.
v) Eles estavam atentos.

     No caso de frases complexas, pode acontecer que toda uma sequência oracional subordinada acabe por ser recategorizada como grupo nominal (substituível, nomeadamente, por um pronome), como nos itálicos dos exemplos vi-viii:

vi) Fumar faz mal. > Isso faz mal.
vii) É bom que estudes nos tempos livres. > Isso é bom.
viii) Eu disse-lhe que ele estava errado. > Eu disse-lhe isso.

    Os grupos nominais podem, entretanto, desempenhar diversas funções sintácticas na frase. Nos exemplos i-v, os grupos nominais em itálico funcionam como sujeitos sintácticos. Porém, o mesmo grupo nominal de i) - 'os alunos' - assume funções diferentes nos exemplos ix-x:

ix) No recreio, o professor chamou os alunos. (complemento directo)
x) Estes são os alunos. (predicativo do sujeito)

      Num outro exemplo (xi), o grupo nominal 'os alunos' é um constituinte interno de um grupo preposicional que desempenha a função de 'complemento indirecto':

xi) O professor entregou os testes aos alunos.


      Outros argumentos mais podiam ser aduzidos. Creio que estes são suficientes para a resposta pretendida. Sublinharia o facto de toda esta reflexão se encontrar circunscrita a uma terminologia que nada tem de novo; a um conjunto de dados que não levanta questões dúbias (como, por exemplo, a de certos grupos nominais se assumirem, pelo menos à superfície, na configuração de adverbiais ou de funções sintácticas como modificadores).


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