quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Este livro que vos deixo...

     Assim se intitula a colectânea de versos (entre quadras, sextilhas, redondilhas, glosas e ensaios estróficos e versificatórios para textos dramáticos) desse poeta denominado "menor", por uns, "popular", por outros.

   Há 111 anos nascia António Fernandes Aleixo, em Vila Real de Santo António. Tomado pela espontaneidade e pelo improviso de produção poética, este escritor algarvio reflectia nos versos escritos o empirismo e a filosofia de vida própria de alguém que revela intuitos morais e aspirações sociais.

Estátua dedicada ao poeta, na cidade de Loulé,
onde viveu e faleceu.

A arte em nós se revela
sempre de forma diferente:
cai no papel ou na tela
conforme o artista sente.

.
Se vim condenado à morte,
também fiquei a saber
que só aqui pôde ser
um desgraçado ter sorte!...
.
Fala bem, gosto de ouvi-lo,
mas sei que lá dentro fica
para dizer tudo aquilo
que ele vê que o prejudica.
.
Que o mundo está mal, dizemos,
e vai de mal a pior;
e, afinal, nada fazemos
p'ra que ele seja melhor.


    A actualidade da poesia deste escritor sente-se e vive-se, depois do seu desaparecimento há mais de sessenta anos - ora pelos protestos velados e/ou explícitos ora pela participação na consciência de um país ansiado como socialmente menos injusto.


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