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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Há cantos e cantos...

      ... e alguns nada têm a ver com melodias.

     Representar 'canto' como nominalização decorrente do verbo cantar - numa exemplificação do que é uma derivação  não-afixal  - não é passível de confusão com a noção de 'canto' como ângulo de duas paredes que convergem no espaço. À musicalidade implicada do primeiro não se associa a 'quina' ou 'esquina' que alguns veem (mas não ouvem) no segundo.
    E quando a distinção é bem notória, eis que há quem explore aproximações, comicamente configuradas pela homonímia do termo:

Interpretação dos homónimos - com e sem direito a música

    Homónimos são os 'cantos', pela origem diversa dos vocábulos: o com relações musicais proveniente do étimo latino 'cantus'; o de natureza mais geométrica, de 'canthus'. Por mínima que seja a diferença original ou etimológica, esta representa ou motiva dupla entrada no dicionário. Uma mesma escrita (homografia) para um mesmo som (homofonia), mas com significados bem diversos.

      Eu, que prefiro ficar no meu canto, estou mais para o sentido geométrico do que para o musical (para bem de quem tenha tímpanos sensíveis).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Prenda de Natal muito necessária

     Conjugando duas imagens que têm tudo a ver uma com a outra.

     Primeiro, aquela consabida prova de que as legendas ou notas de rodapé televisivo continuam a ser do melhor (salvo seja!):

Legenda do melhor: mudem o nome dos 'Açores' para 'Açoris' 

      Isto de não saber que o sufixo é '-iano(a)(s)' para o topónimo em causa deve ser um problema decorrente dos próprios 'Açores'- se, para acertar, é preciso mudar o nome, vamos lá aos *'Açoris' (de modo a poder escrever-se 'açorianos' convenientemente).
      Depois a constatação de que a escrita anda pelas ruas da amargura no Facebook:

A prenda devida para muitas circunstâncias da escrita que surge aos nossos olhos

      Não é só nos perfis! (Nem apenas no Facebook, claro está!)

    Enfim, o inegável. Pai Natal, quero o meu dicionário em formato ou suporte eletrónico, se faz favor! (Sim, também preciso. De tão exposto que estou ao erro, começo já a ter demasiadas dúvidas sobre como escrever).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Um questão de sujeito(s)

     Não se pode dizer que seja novidade! Versão para outro(s) sujeito(s).

     Já se abordou uma questão similar em apontamento anterior: a do sujeito sintático de uma oração que, indevidamente, deu lugar a resposta que, no contexto do apontamento, só fazia sentido na orientação crítica pela política do momento (se é que não é a de todo o sempre).
      Desta feita, a versão da interação é outra:

Cartoon espelhando uma interação infeliz

    A felicidade de um sujeito é questão deveras polifacetada, a julgar pelas respostas dos alunos. Talvez a questão docente não tenha sido a melhor, na interação criada. Nada como explicitar o que se pretende, para que o discurso pedagógico resulte mais ajustado aos objetivos pretendidos. Se de sujeito sintático se trata, é bom que se questione acerca do mesmo, para não saírem outros, indesejados (nem o poético, nem o lírico, nem o discursivo, nem os que os alunos sugerem, na riqueza de "conhecimentos de mundo" que têm).
      Assim preferia, na boca da professora, a questão "Qual é o sujeito sintático da frase?" A variedade de respostas ficava bem mais inoportuna e inadequada (questões básicas de interação que um cartoon põe a nu, se não forem mesmo representativas de situações reais a evitar).
     Cá por mim, para além da questionação a corrigir, também não me ficava pelo sujeito clássico na sintaxe. No caso do nível secundário, por exemplo, apostava nos que surgem invertidos, para que não fique a ideia de que o sujeito sintático é sempre aquele segmento que abre uma frase ou oração (Diz-se que não há questões perfeitas / É interessante que o sujeito esteja no final da frase / À questão da professora responderam os alunos - só para me ficar por alguns casos críticos da localização sintática do sujeito).

       Por aqui me fico, para não ter que dizer que lá se foram os predicados - não os da frase, mas os dos alunos, cujas virtudes ficaram muito a desejar, um pouco também por causa do que a professora perguntou.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Halloween dos nossos dias

       Esgotado, não tenho ânimo para festas de bruxas!

     Ainda assim, não deixo passar o dia do "Trick or treat!" (a minha costela anglófona tem destas coisas). Uma imagenzinha sugestiva veio mesmo a calhar:

Imagem colhida do Facebook, para mais um Halloween.

       Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. Cuidado com as bruxas high tech! Ainda podem vir de encontro a nós! Enquanto for às árvores, não há tanto problema.

      Fruto de inspiração nos nossos tempos. Já não há bruxas como antigamente (mas "que las hay las hay").

domingo, 27 de outubro de 2019

Passeio em família

      Em pleno domingo, este título faz sentido.

     O que não faz é a família à mesa, cada um dos elementos com o seu dispositivo eletrónico, em modo touch, até que o empregado se aproxima, cumprimenta e aguarda que lhe deem atenção. Os olhos permanecem especados nos aparelhos e os dedos passeiam-se por estes, ora escrevendo ora subindo ora descendo, conforme o que chama a atenção.
    O pedido faz-se quase em monossílabos, vendo-se, de relance, o que tem a ementa e quase sem levantar os olhos. 
      Chegados os pratos, as mãos ficam ocupadas com os talheres, mas, ainda assim, pousa-se a faca para se tocar o ecrã que se iluminou. 
      Depois do almoço em família, continuam juntos, desta feita num passeio pelo parque:


    E assim decorre o domingo, até que, chegados a casa, cada um no seu recanto do sofá, descansam o corpo - não os olhos nem as mãos que, interminavelmente, se passeiam pelo visor ou pelo teclado cada vez mais perto do nariz. 
    Há de chegar o momento de deitar, quem sabe com a mensagem do quarto ao lado a dizer que são horas de dormir - "Boa noite! Até amanhã." -, mais os habituais emojis de despedida:

   
     Depois do conceito de 'amigo', assim fica a atual realidade do 'em família'.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Bem precioso!

     Seja a água...

     Saber continua a ser uma forma de poder. Ignorância não ajuda a fazer escolhas.

Desconhecimento - fazer do perto longe

     Quando se sabe escolhe-se melhor. Quando não se sabe, as escolhas são tão erráticas que nem se faz a opção pelo que está mais à mão / mais perto.
     Sem água não há ser vivo que sobreviva por muito tempo, com ou sem conhecimento; sem conhecimento também há quem possa não chegar ao destino atempadamente, pondo em risco a existência.

     ... seja o conhecimento.

domingo, 15 de setembro de 2019

Polissemia

      Quando o dever não dá lugar a pagamento.

    O dever de obrigação (deôntico) difere do de probabilidade (epistémico). Também há o dever das tarefas solicitadas, o do reconhecimento, mais o das dívidas a pagar (não sendo obrigação, bem que o podiam ser em qualquer dos casos, para evitar a falta, o silêncio e a injustiça). E na confluência de todos, vem o cómico:

Cartoon colhido do 'Facebook'

     Se ao primeiro se associa a atribuição e o reconhecimento (daí 'dever' ser sinónimo de 'atribuir-se'), ao segundo é dado o significado do pagamento ('estar em dívida'). É o que dá o termo ser polissémico (ou, então, o sentido de crise andar muito apurado).

    Mais uma razão para se diversificar o vocabulário nas interações, não vá um aluno pretender brincar com a situação (e o significado das palavras).

      

terça-feira, 19 de março de 2019

Vantagens da leitura...?!

    Não gostaria de ter passado pela leitura disto... mas, já que o fiz, escrevo!

    Acredito que já era tempo de se ter aprendido alguma coisa com tanta apologia da leitura. Primeiro, é certo que quem não lê é mais facilmente manipulado pelo que outros digam (a tirania da ignorância sempre foi demasiado perigosa, particularmente para quem não tem acesso às fontes e passa a crer em qualquer inverdade, se não for falsidade, mentira ou erro). A Mafaldinha tem toda a razão. Segundo, não é menos verdadeira a ideia de que a leitura contribui para um melhor domínio da língua. Só que, neste último caso, a leitura tem que ser bem atenta e modelar, assente no bom exemplo do texto; focada nas realizações da língua e no modo como ela é aplicada, para que, depois, esta (também) se possa refletir noutros desempenhos adequados.
      Ora, considerando este último ponto, não é o que se passa com o que a BD dá a ler na réplica da Mafaldinha:

Recolhido da página 'Educação e Transformação'
(https://www.facebook.com/educaretransformar/photos/a.578929008813997/1160233454016880/?type=3&theater)

      Gostava de dizer que toda a gente sabe que um 'porque' atrai os pronomes (tal como um 'que' ou um 'não'): 'faz-se' > não SE faz; 'diga-se' > que SE diga;' di-lo' > porque O diz. Até a Mafaldinha o parece reconhecer em 'no que TE dizem'. Só que aquele 'porque obriga-te' desfaz toda a convicção no saber desta jovem tão contestária, bem como na força do meu gosto. Apetece-me mesmo dizer "MAFALDA! OUVE BEM O QUE DIZES!"
       Prova de que a lei da atração não é só para a Física nem só para o amor.

     Pois é, Mafaldinha, 'porque TE obriga'... é como devia ser! Tão inteligente és e não antecipas o pronome quando necessário / obrigatório. Acho que precisas de ler um pouco mais, para aprender melhor (especialmente uma gramática). Não há paciência! (Começo a perceber o olhar do Filipe, como se não acreditasse no que está a ouvir, vindo de quem vem). Qual educação, qual transformação!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Conversas reais... destes tempos.

        Um cartoon com muito de verdade.

        São estes os tempos "modernos", com valores muito "seletivos" e poucos agradecimentos.


       Parece ser mais fácil e motivador reclamar. Agradecer, elogiar parecem verbos em desuso. Talvez a natureza conflituosa seja mais característica da nossa condição animal do que propriamente o reconhecimento das qualidades e do bem humanos, bem mais afetivo.

        Eu, porque não gosto de filas, vou continuar a agradecer (mesmo que, por vezes, sinta que devia ser também mais agradecido). 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Homonímia anglófona

     É o que dá ser viciado!

     Assim o demonstra o cartoon seguinte:

     O jogo homonímico (na semelhança gráfica e fónica das palavras) é evidente no inglês.
     Só mesmo um viciado no tabaco para pensar que se proíbe o vestuário.

     Ou é o que dá andar de smoking no dia a dia.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Vamos ao cartoon...

       Regressado ao trabalho, nada como levar isto com espírito cómico.

      Não se vai a lado nenhum. Apenas se vai tratar / abordar o cartoon enquanto género textual tão propício à crítica, à visão do mundo denunciadora de algumas fragilidades, ao trabalho de aspetos polémicos tão atuais quanto remotos - alguns dos quais com anacronismos evidentes.

Slide 1: Apresentação

Slide 2: Informação genérica (I)

Slide 3: Informação genérica (II)

Slide 4: Instruções de trabalho

Slide 5: Exemplos de dois cartoons

Slide 6: Construções de tópicos a partir das instruções de análise (I)


Slide 7: Construções de tópicos a partir das instruções de análise (II)

     Do grafismo icónico ao texto, planificam-se tópicos (com base na análise feita em interação) e, depois, há sempre a oportunidade de orientar para a produção escrita de apreciações críticas: um parágrafo para se descrever o que se observa objetivamente; outro para interpretar os dados descritos à luz da análise e da intencionalidade crítica; um final para uma tomada de posição apreciativa / depreciativa, fundamentada, face à construção do cartoon. Dado o esquema / plano textual, a partir daqui é só facultar o tempo de textualizar, de interagir pontualmente - atentando na mancha gráfica / no esquema textual, na extensão frásica (que não deverá estender-se por mais de duas linhas), na coesão interfrásica e na seleção / adequação vocabular. Isto para começar. Depois far-se-á o trabalho corretivo mais ao nível da microestrutura (da ortografia e da pontuação). Não se pode ter a pretensão de corrigir tudo de imediato.

        Passo a passo, vai-se construindo uma oficina de escrita, articulada com conteúdos de leitura (programaticamente contemplados na disciplina de Português).
        

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Para que nada se perca

     Começado o novo ano, convém saber distinguir os verbos dos nomes.

     Entre classes de palavras não devia haver confusão; menos ainda quando a morfologia se articula com elas para marcar a distinção. Ainda, assim, esta nem sempre acontece da melhor forma, como o provam o uso (popular) mais o cartoon seguinte:

Eis senão quando... a perca chega ao funeral.

     O uso, num registo mais popular, do termo "perca" para forma nominal associada ao verbo 'perder' é contrariar o princípio morfológico de derivação do verbo (deverbal) em nome (perder > perda) com manutenção da base derivante (o radical 'perd'). 
     Em termos de norma, é o termo 'perda' que se reconhece como nome resultante de um processo morfológico de derivação não-afixal (isto é, processo de formação que permite a passagem de uma forma verbal a nome, sem acrescento de afixos - apenas com a substituição da vogal temática 'e', em perder, pelo índice temático 'a', em perda).

      Fique-se, portanto, no registo do Português padrão, com a 'perca' para designação de peixe (nome) ou para conjugação verbal de 'perder' no presente do conjuntivo, inclusivamente com o valor suplementar deste último em frases de tipo imperativo. Mais do que isto, por agora, é cómico certo.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit - uma amálgama tornada salgalhada política

    É mesmo 'exit', ainda que seja mais para a Inglaterra (England) e Gales (Wales) do que para o Reino Unido (com a Escócia e a Irlanda do Norte a demarcarem-se).

    O dia acorda com a notícia de que o Reino Unido (mais desmantelado do que unido) se decidiu pelo sim, pela saída da União Europeia, com cerca de 52% dos votos. É a maioria, de facto, para um ainda grande registo de 'nãos' (48%). Mais do que convicção, lê-se desunião.
Cartoon de Ben Garrison, no The Telegraph
     Os representantes das instituições eu-ropeias mostram-se dececionados, pesa-rosos, angustiados com um resultado que parece ser en-tendido mais como traição do que lição. Por mais que a insularidade e o "mais vale só" bri-tânicos sejam dados a considerar no re-sultado deste refe-rendo, é verdade que não é menor o "orgulhosamente nós" com que a "Great Britain" sempre se deu a ver na sua posição eurocética, dividindo para reinar, nessa atitude de realeza muito ligada ainda à herança de uma época imperial (se não anterior) revisitada num modo de estar "snobish" e tipicamente "british". Se os mais moderados ainda buscaram compromissos ou ainda viram nas diferenças uma hipótese de reconstrução daquilo que mais os unia (David Cameron assim o parece ter tentado), o espaço dos extremistas, dos mais radicais e nacionalistas acabou por se impor, vincando o que os separa, pelo desgaste de não se verem significativamente unidos ou representados nos princípios de uma estrutura / instituição que não tem dado respostas às debilidades surgidas a afetar muitos países (a bem de um mercado que não traz ninguém feliz, feito de desemprego, de impostos, de austeridade sem recuperação); que tem desrespeitado orientações e políticas nacionais, sobrepondo as estas últimas uma ideologia e um conjunto de interesses que trucidam a sobrevivência dos mais desfavorecidos e de todos aqueles que se mostram crescente e socialmente desesperançados.
    A par de tudo isto, e não menos relevante, estão os discursos, as tomadas de decisão e a visão centralizadora de uma União Europeia que tem vindo a produzir publicamente mais dissensos do que consensos, em nada ajudando no caminho a fazer a vinte e oito - a partir de hoje vinte sete. Entre burocratas e tecnocratas mais preocupados com o universo financeiro do que com a dimensão humana (culturalmente rica, diversa e solidariamente comprometida), a realidade hoje vivida não deixa de ser uma reação e uma posição expectáveis, para não dizer ameaçadoramente alastráveis.
    Entre os muitos cenários que se antecipam (desvalorização da libra, desintegração do Reino Unido, independência da Escócia, integração da Irlanda do Norte na república do 'Eire', entre outros), fosse esta a oportunidade de a Europa se rever na sua união, no seu projeto, no foco a dar à dimensão humanista e humanizadora dos princípios que presidiram à sua constituição. A não ser assim, uma ideia e um projeto europeu caem definitivamente.

      Se "o que não nos mata nos torna mais fortes" é o pensamento orientador do presidente do conselho europeu, Donald Tusk, só espero que a força e a determinação europeias não criem situações análogas à hoje vivida. A Europa, acima de tudo, faz-se com as pessoas que querem ver respeitada a sua identidade cultural, social, de soberania nacional, numa representação que não se veja invadida por jogos e interesses e iniquidades só a privilegiar ou a desculpabilizar os "maiores" - e entre estes há sempre um ou outro que gosta de se mostrar "superior" e que até pode desafiar qualquer "suprema" instituição (quanto mais não seja por ser uma das maiores economias europeias e/ou do mundo).

domingo, 13 de dezembro de 2015

Tanto se fala... e o que se acerta?

    É um dado que, mal são publicados os rankings das escolas, não se fala de outro assunto.

    Seja para dizer quem está à frente ou atrás seja para discutir a (in)utilidade dos dados divulgados, há muita conversa e quase nenhuma decisão que permita alterar o estado de coisas.
   Pior do que isto é chegar-se à conclusão de que este instrumento (entendido por muitos como avaliador da qualidade e das práticas das escolas pelos desempenhos dos alunos nos exames nacionais) vale o que vale.
     Neste sentido, sorrio por causa da imagem seguinte:


    O sentido de justiça é questionado, por certo, pelo que se dá a ver; a lógica do "quase-mercado educativo" parece instalar-se no que às escolas diz respeito. Competem entre si, induzindo e/ou construindo mecanismos de seleção de alunos (pelo que, mais do que estes ou os respetivos EE poderem escolher as escolas, parece que são estas últimas - ou pelo menos as que têm condições para tal - a definir critérios ou procedimentos seletivos para os estudantes que as querem frequentar); assumem nos projetos educativos conceitos-chave como os de eficiência, eficácia, performance e produtividade, como se de uma empresa voltada para o produto se tratasse; algumas sentem a vulnerabilidade inevitável face à localização geográfica, às políticas locais, ao contexto social e económico, para além da(s) ideologia(s) subjacente(s) às orientações dos diretores de escola; outras dizem-se muito exigentes e rigorosas; muitas colocam a ênfase nos resultados, particularmente nos de exame.         
   Não longe deste retrato, antevê-se, um pouco na linha de Lawrence Berg e Michael Roche ("Market metaphors, neo‐liberalism and the construction of academic landscapes in Aotearoa/New Zealand", in Journal of Geography in Higher EducationVolume 21, Issue 2, 1997, pp. 147-161), como a educação é perspetivada segundo um discurso típico da racionalidade económica, produzindo vencedores e vencidos, numa aceitação de que interessa investir nos que oferecem mais garantias de sucesso.
     Quero acreditar que a ação da escola está muito para além disto, até pelo sentido educativo de integração, formação que procura desenvolver junto dos alunos em geral. Por isso, relativizo estes rankings que nada dizem das contingências que marcam as escolas, procurando apenas ver a ação delas espelhada num instrumento que não é sequer nela construído nem atenta na diversidade de aprendizagens e de sucesso(s) muitas vezes conquistado(s) ao longo de vários meses e anos - e que não cabem numas horas de exame. É neste momento que não desejo ver as organizações escolares a resultar em ações para uns poucos desprezando a qualidade de muitos e/ou para todos. E as diferenças que existirem entre critérios / instrumentos / atividades / avaliações contínuas e formativas / práticas endógenas ao processo de ensino-aprendizagem de algumas instituições  que sejam assumidas como tal, pois não podem compaginar-se com discussões entre aproximações e distâncias face a critérios / instrumentos / avaliações sumativas externas ou exógenas às condições em que o ensino-aprendizagem se processa, não individualizando nenhum projeto de ação.

    Estar certo ou corrigir o que não interessa (para harmonizar e pôr bem o que não esteja como tal), por vezes, são situações que interessaria compatibilizar (até pela polissemia associada no verbo 'acertar'), não fosse haver enviesamentos que fazem com que frequentemente nem uma nem outra ocorram. Parece mesmo que, todos os anos, vemos uma montanha a parir um rato. Também este podia figurar na imagem (já agora)!
       

domingo, 8 de junho de 2014

Das palavras aos atos...

      A expressão é radical e, para mim, mais do que natural.

   Depois de tanto apontamento com os erros dos últimos tempos (a separar o que não é suposto e a provocar a fossilização do erro), partilho da ideia de José Duarte Figueiredo, no registo cómico que se impõe:

Cartoon recolhido do Facebook

      Caso para dizer "Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço". 

      Até porque retiraria toda a autoridade ao ato.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ah, grande herói!

       À falta de melhor na realidade, valem alguns heróis da banda desenhada.

     O discurso político dos últimos tempos está marcado por raciocínios autistas, jogos de palavras baseados em nuances semânticas ocas e balofas, caras cínicas e mascaradas de um carnaval sem festa.
      Neste estado de coisas, acompanhados de uma resignação incompreensível face à mediocridade dos que nos governam e/ou dos que os acolitam, parece que só vale a pena acreditar nos heróis da banda desenhada (já que os da vida real parecem também ter emigrado).
    Com isto digo que há perguntas que não têm resposta explícita - são as chamadas interrogações retóricas. Outras são feitas para serem respondidas. Outras ainda merecem que se passe das palavras aos atos. 


      É por isto que eu gosto de alguns heróis da BD: têm as ações e as palavras certas destinadas àqueles que, em tempos de miséria, sobrevivem à custa de palmadinhas nas costas e à feira de vaidades que montam à sua volta; de coberturas mediáticas desproporcionadas relativamente ao proveito e interesse informativos de relevo nacional; de discursos jocosos e em tudo menos sérios (porque irrelevantes, despropositados e a tocar a referência pimba que lhes alimenta a falta de sentido) para o bem comum da maioria.

     Fraco o país que se deixa levar pelos construtores da desgraça social, pelos destruidores da maioria de um povo que se arrasta e se alimenta cada vez mais da resignação e da vergonha que a minoria não tem.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sintaxe cheiiiiiiiiinha de razão.

       Há quem diga que a sintaxe é o lado mais lógico da língua.

    Para mim, e a julgar pelo cartoon, é o domínio pleno da razão aplicado por alguns estudantes, a julgar pelo registo (ainda que cómico) da imagem seguinte:

     Imagem colhida entre as muitas que circulam no Facebook (cartoon adaptado de Ivan Cabral)

       Se os meus alunos me respondessem assim, teria por certo dado uma gargalhada, por mais que o assunto seja sério e sinta a desonestidade política no meu bolso. Ainda assim, a resposta do jovem não seria o sujeito da oração ('o eleitor'), mas um sujeito que fica para lá da sintaxe.

      Ao contrário da frase do quadro, não confio nos políticos nem na pretensa honestidade deles. Assim, afasto-me da condição do idiota, mencionada pelo jovem, ainda que me sinta desse modo por me ter sido escandalosamente tirado aquilo a que tenho direito pelo trabalho prestado. Reduziram-me o salário, e com a autorização das autoridades políticas e governamentais deste país. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Todos ralham e ninguém tem razão

     E importa acrescentar que quem mais ralha não é porque não tenha o pão que (já) vai faltando.

    Esta reflexão surge na sequência de uma notícia hoje comentada no Jornal da Noite da SIC, num diálogo pouco ou nada esclarecedor do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho e o comentador Miguel Sousa Tavares.

Cartoon do cubano Angel Boligan, "El Universal".

    O facto diz respeito à tomada de decisão do juiz Rui Teixeira relativamente à utilização do Acordo Ortográfico (AO) nos documentos processuais do Tribunal de Torres Vedras. Segundo a notícia, o magistrado obrigou os serviços do Ministério da Justiça a reescreverem o relatório social de um detido, expurgando o texto das alterações introduzidas pelo AO. Na defesa de que os tribunais não estão obrigados ao cumprimento da resolução do Conselho de Ministros (acerca da adopção das novas regras em todos os serviços da administração pública), Rui Teixeira terá escrito que "Nos tribunais, pelo menos neste [de Torres Vedras], os 'factos' não são 'fatos', as 'actas' não são uma forma do verbo atar, os 'cágados' continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a Língua Portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário".
     Deste último registo, é absurdo fazer menção a situações completamente despropositadas: 'facto' mantém-se como sempre foi (dado que o 'c' é pronunciado na variedade portuguesa do continente europeu); a acentuação das palavras esdrúxulas não sofre qualquer mudança, pelo que é ridículo o exemplo adiantado do 'cágado'. Certeira é apenas a homonímia resultante entre o nome 'ata' e a forma verbal do verbo 'atar' (cf. "Ele ata").
     Não menos inconsistente é a orientação dos comentários: por um lado, a sapiência de Sousa Tavares a referir-se ao deputado "Mitchel Seufert" (que deve ser 'Michaele', a bem da sua ascendência paterna alemã) e à redação de um relatório que, entre outros pontos críticos, assume a falta de consenso social alargado sobre o AO; por outro, o jornalista e apresentador a despedir-se até à próxima segunda-feira, cito, "com maiúscula". É, portanto, do desconhecimento deste último (também escritor) que os dias da semana sempre se redigiram com minúscula (por razões de História da Língua) - à exceção dos contextos de abertura de frase / período -, e que não é o Acordo a mudar o 'statu quo'.
       Perante tão desinformadas e desacreditadas fontes jornalísticas e comentaristas, apetece continuar com um registo mais cómico e brincalhão que se lê no circuito das redes virtuais. Se Michael Seufert tem no seu blogue ("À vontade do freguês") escritos "sem acordos horrográficos", há outros jogos de palavras que se mostram mais coloridos pela sugestão - é o caso do que circula pelo Facebook, num apontamento intitulado

            «A cor do horto gráfico

                                                            já aprovado pelo novo Ministro do Saber

Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:

Arbusto: Busto com um certo ar
Testículo: Texto pequeno (embora, ache que devesse mais ser um teste pequeno)
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Bigode: Duplo Deus britânico
Coitado: Pessoa vítima de coito (por desconhecimento do que é a 'coita de amor')
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno (cada vez mais verdadeiro!)
Barracão: Proibição de entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Piano: Ano Internacional da descoberta de Pi (3,1416)
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com várias tribos (índias)
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente: O que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: Sinónimo de colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

E

Língua "perteguesa"... PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.

Númaro
Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.

Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.

Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.

Amandar
O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'

Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.

Capom
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.

Disvorciada
Mulher que diz por aí que se vai divorciar.

É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Expressão que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocada no início de qualquer frase.

Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.

Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Também conhecida por "aéreos"

Falastes, dissestes...
Plural de 'tu falaste', como dois em um. Ex.: eu falei, tu falaste, TU FALASTES, ele falou

Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura... não predura.

Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'

Inclusiver
Forma de expressar que percebemos bem um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'

A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?

Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.

Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.

Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.

Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.

Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...

Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?

Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.»

      Apetece mesmo dizer que mais vale ler uma brincadeira com a língua do que tomar a sério o que querem dela fazer: caso televisivo sério sem nenhumas evidências de confiança no que é dito. Como diria Jorge Palma, "Deixa-me rir! Essa história não é tua!"